Maldição Wilde
23 Capítulo 21
Notas iniciais
Ninguém queria realmente resolver aquilo. Mas os três sabiam que Sophia iria perguntar o que tinha acontecido.
–Então... –Taylor passou a maior parte do tempo olhando para o relógio em seu pulso, Melina balançava as pernas enquanto sentada na mesa do professor e Kathleen olhava as unhas a cada cinco minutos.
–Ok, ah... Ninguém vai começar a falar então eu começo. –A morena olhou para Kath surpresa, afinal ela era a que mais desejava sair dali. –Nós tivemos... Um desentendimento antes e...
–Não foi só um desentendimento, eu ficaria feliz se...
–Claro, mas eu resolvi não fazer isso e acho que está mais do que visível que eu e o Tay não estamos nos dando bem. E apesar de eu achar que você é uma vadia traidora, – Melina apertou os olhos e mirou Taylor que continuava calado. –acho que você foi um passo para eu perceber que nós não podemos ficar juntos.
Taylor saiu de perto da janela. e se sentou perto de Kathleen.
–O que você quer dizer?
–Quero dizer que nos estamos terminando, mas não por causa dela, mas sim porque eu quero e foi difícil aceitar isso, até que vocês fizeram o que fizeram. E sinceramente... Eu não ligo. Acho que acabei por tentar te bater porque foi minha primeira reação, Lina.
Lina? Kathleen West havia a chamado pelo apelido?
–Então, é assim que vamos resolver tudo? Vocês dois terminam eu saio sem nenhum arranhão dessa vez e voltamos ao normal. –Lina ficou indignada com a expressão tranquila e leve no rosto da loira, como se tivesse decidido aquilo muito antes.
–Acho que sim. –Taylor suspirou e deixou a sala.
–Por que fez isso com ele? Apesar de tudo ele te ama.
–Não posso retribuir o sentimento. –A loira deu um sorriso cínico e foi embora logo depois.
(...)
–Sei que está com medo. Mas se ele for mesmo, vamos ter que lidar com isso.
–Ele está com meu código, se ele quiser entrar, ele entra. Eu não quero que ele venha, James. Não pode fazer nada? Afinal, você está com a minha guarda.
–Desculpa receio que não. Na sua situação atual... – Que situação? Vista com criminosa? –Seria um processo demorado e o juiz não iria ceder a ordem de restrição assim.
–Ok. Te espero daqui dois dias. –Ela colocou o telefone do gancho e esperou que a conversa tivesse acabado de outro jeito.
Ela ainda não havia voltado para o quarto depois da conversa com Kathleen e Tay, e ela ainda não conseguia aceitar o fato de que a loira teria terminado com ele.
Ela voltou ao quarto e encontrou a ruiva dormindo então resolveu tomar banho e se deitar, apesar de ainda estar cedo. Antes ela cobriu Sophia e tirou o livro que ela lia de cima da cama.
Mas antes que ela conseguisse terminar de arrumar a bagunça em cima da sua cama, alguém bateu na porta. E ela tentou fazer o máximo de silêncio possível
“Ela tinha que vir com esses malditos comprimidos agora”.
Não era a psicóloga.
Era um lindo loiro de olhos azuis acinzentados que parecia muito arrependido.
–Hey...
–Oi. Posso ajudar, Sr. Burg? –Ele a olhou de cima abaixo até reparar em algo familiar.
–Essa camiseta é minha?
–Sim, se quiser de volta eu tiro agora. –Ela cruzou os braços e ergueu o queixo.
–Não pode ficar. Só... Nós podemos conversar?
Melina olhou para dentro apagou a luz e saiu fechando a porta.
–O que você quer? –Ela fez uma cara de desgosto.
–Ah... Se lembra do dia em que eu queria te mostrar um lugar e a Trace resolveu aparecer? –Melina se remexeu estranhando a pergunta.
–Sim.
–Eu te esperei e quando você não apareceu, achei que tivesse desistido de nós.
–Eu acho que deveria ter desistido antes de nós conhecermos...
–Então a Trace apareceu e eu estava a ponto de desistir, mas eu te amo.
Ela acreditou naquelas palavras como nunca, mas não queria aceitá-las. Ela não me merecia.
–Não, você não ama. Se fosse verdade não teria dito aquilo. –Seus olhos começaram a se encher de água, mas ela não deixou elas caírem.
–Foi coisa de momento, eu estava com raiva por você ter ficado bipolar ou algo assim. Eu sabia que estava preocupada com seu pai e te tratei como se tivesse que exibir um sorriso no rosto sempre, mesmo que estivesse acabada. –Ele pegou seu rosto dos dois lados como sempre fazia e a olhou nos olhos, percebendo as lágrimas. –Me desculpa por isso.
Ela chorou, mas não o abraçou ou o beijou, só voltou para dentro e o deixou lá.
(...)
–Bom dia! –Sophia gritou logo que saiu do banheiro.
Melina enfiou a cabeça debaixo do travesseiro. Se arrependeu logo que sentiu o perfume que estava na camiseta que usava ficar mais forte.
–Bom dia. –Sophia engoliu em seco e ignorou o fato de a morena estar forçando um sorriso e ter olheiras escuras embaixo dos olhos.
–Não vai adivinhar o que aconteceu ontem. O Rafael veio aqui...
Melina ficou alerta no exato momento.
–Mas foi tudo bem, o coloquei no lugar dele. Acho que ele ficou meio sem palavras porque não voltou a incomodar. Aliás, não vi quando chegou. Vocês três se resolveram? –A ruiva começou a arrumar os cachos.
–Se for apenas entre nos três sim, mas entre os outros dois as coisas não estão tão bem assim. Kathleen terminou com ele.
–Como? –Sophia arregalou os olhos e largou a escova de cabelo no exato momento.
–Ela estava estranha, como se não importasse nem se ele morresse.
Melina levantou e se espreguiçou, sentindo uma pequena dor nas costas pela noite mal dormida.
–Ah, eu falei com Alex ontem. Ele veio te ver?
–Veio, mas não falou nada de importante.
Sophia se aproximou da amiga.
–Lina, ele te ama e se arrependeu. Deveria falar com ele e perdoá-lo.
–Eu já o perdoei, mas... Uma hora iria acabar. Só adiantei o fato.
–Você não sabia se iria realmente acabar.
“Sabia sim, Melina.”
Melina preferiu confiar no que Trace disse, afinal sempre acabava, geralmente em desastres, como na noite do acidente. Ela terminou com Brandon porque ele a havia convencido a usar as drogas, então ele tinha um pouco de culpa.
–Eu vou tomar banho. –Ninguém mais tocou no assunto.
(...)
Aula de História, nada mais chato, mas Melina por mais incrível que parece ficou feliz em saber que a única pessoa que estava nessa aula com ela era justo Ian.
–Hey, morena. –Ele jogou seus materiais em cima da mesa e se acomodou ao lado dela. Então ele viu o seu rosto. –Credo, você está parecendo àquela morta-viva de Garota Infernal, antes de ela comer as tripas dos caras.
–Obrigada, Ian. E você está parecendo feliz demais para o meu gosto.
Ele calou a boca e ficou quieto. Mas não por muito tempo.
–Alex me contou da briga de vocês. E ficou bem mal.
Ela continuou respondendo seu exercício.
–Não estou defendendo ele, mas só quero que vocês não fiquem mal. O estado dele ficou deplorável depois de ontem, ele não quis me falar o que aconteceu, mas está muito pior...
Melina fechou os olhos e largou a caneta. Enquanto o moreno continuava falando.
–Devia desculpá-lo e...
–Também devia te decepar, Ian. E eu não pediria a permissão da Sophia.
–Ok, me calei.
–Obrigada.
Depois da aula de História, Ian e Melina foram (calados) até o jardim e encontraram Sophia e Alex rindo de algo e Taylor lendo um livro que a morena não consegui ver o título
–E aí, caras? –Lina revirou os olhos das palavras do moreno.
–Alex me mostrou o vídeo da última aula de Inglês. Como conseguiram o celular? –Sophia sorriu da esperteza dos dois.
–Dizem que não podemos trazer celulares e nós não trouxemos, pegamos aqui mesmo. –Ian se sentou ao lado da ruiva e Melina cortou cainho se sentando ao lado de Taylor, pegando o livro e o examinando.
–O Suicida? A Kathleen conseguiu o que queria, mas ela não vale isso tudo.
Taylor fez uma careta e tomou o livro de volta.
–Não é um tipo de manual para suicidas, Lina. É só um livro de terror que não dá medo nenhum. E não fala só sobre um suicida.
–Claro. E fala sobre mais o que?
–Estou no capítulo 2. Uns adolescentes idiotas entram em um casarão velho em que o antigo dono botou fogo para se vingar de uns caras que estupraram e carbonizaram a filha dele.
–Legal.
Taylor sorriu.
–Você não muda.
Sophia se aproximou e pigarreou. Os dois olharam para ela.
–Temos aula de Educação Física. Vamos?
–Eu não quero correr, ruiva. Diz que eu estou doente. –Melina colocou a cabeça para trás e fechou os olhos.
–Mas eu não quero ir sozinha. –Soph arregalou os olhos e fez bico, mas a morena estava de olhos fechados.
–Isso não funciona comigo, pecinha ruiva. –Ela abriu um dos olhos e se levantou.
–Por favor... –Ela disse estendendo um pouco demais o último “o”.
Lina levantou as sobrancelhas e olhou desconfiada.
–Não.
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