Notas iniciais
Mais um capítulo ( que demorou sair) para vocês.

Era meio dia,as colegas de quarto estavam apenas trocando de roupa,não teriam mais aulas.

Melina tirava a camiseta e quando iria abrir a gaveta,sua ação foi interrompida pela ruiva:

–Você tem,digamos,uma história para acabar vindo para cá?

Melina passou a mão pelo pescoço.

–Acho que sim.–Disse.

–Pode me contar?

–Temos o tempo para isso,logo vai chegar.

A morena deu de ombros e se vestiu.

Ambas se deitaram nas camas.Soph lia algum livro e Lina rasgava uma folha de papel,sem interesse.

Três batidas,mas ela não ousou se levantar.Soph iria abrir,mas Melina colocou o dedo sobre os lábios,pedindo silêncio.Mais duas e ela apenas mirou a maçaneta da porta.E por fim,mais duas surgiram.

–Sei que está aí,meu docinho.–Melina colocou o dedo na garganta,como se fosse vomitar.

Se levantou e caminhou com uma irritação visível.Logo abriu.

–Dra.Hendrickson ,como posso ajudar?–Melina olhava a psicóloga com um pouco de interesse.

–São onze e meia,hora do seu remédio.

A garota bufou e colocou a língua para fora de olhos fechados.

Ouviu um clique do comprimido saindo e logo sentiu algo frio em sua língua.Logo,ele descia por sua garganta como facas.

–Levante a língua.–Ela levantou a língua como foi pedido (ou mandado).–Muito bem,beba água,antes que vomite de novo.–Melina praticamente arrancou o copo de sua mão.Tomou tudo em um gole.

–Te vejo mais tarde.–Ela anotou algo na prancheta e saiu.

Ela fechou a porta e se deitou na cama novamente.

–Então,essa é sua psicóloga?

–É...

–Parece legal.

–Em uma sessão,concluí que ela pode te manipular facilmente.

–Na cantina,Taylor disse que você trocava os medicamentos.

–Faz um mês que parei,afinal,meu outro psicólogo era mais retardado.

–Ok,então,quando é minha primeira sessão?

–Quando tentar se matar ou matar alguém.–Soph,engoliu em seco.Aquele lugar era mais estranho do que imaginava.

–E...qual deles você tentou?

Melina a olhou risonha.

–A segunda opção.–Ela se levantou e pegou o casaco

Pequenas gotas de chuva começaram a cair.

–Acho melhor irmos rápido para o refeitório,está começando a chover.

Soph se levantou e calçou as sapatilhas.

Quando saíram dos dormitórios,Melina colocou o capuz na cabeça e saiu correndo em direção ao outro prédio,Sophia a seguiu.

Elas se sentaram à mesa,Melina tirou o capuz e olhou para Soph,que mordia o lábio.

–O que aconteceu conosco hoje...Pode se repetir várias vezes no mesmo dia?–A ruiva questionou.

–Não,isso nos deixa fracas,o que as deixa fracas também.

–E não tem como recompor as energias?

–Não acho que elas queiram sugar almas aqui.

Soph engoliu em seco.

–Sugar almas?

–Elas são metade demônio.

Melina se levantou e começou a colocar o que queria no prato.Se sentou novamente e Sophia conversava com Taylor.

–Como vai a minha morena preferida?–Taylor tinha um sorriso que Melina classificava como "Quem foi a vadia que você pegou ontem a noite?".

–Deixa de ser viado,Taylor,eu estou de mal humor.–Ela colocou um pedaço de carne na boca.

–Assim você ofende.–Ele colocou a mão sobre o peito,como se estivesse ofendido.

Ela apenas lhe lançou um olhar de "Eu vou comer seu fígado".

–Ela está realmente de mal humor.–Ele meio que se encolheu.

Alex e Ian assumiram seus "devidos" lugares ao lado das garotas.

Kathleen chegou com dois pratos e se sentou ao lado de Taylor.

–Acho que formamos um novo grupo.–Ian disse.

–Graças à ruivinha.–Alex bagunçou os cabelos de Sophia.

Melina sorriu.Alex colocou os fios de cabelo da garota atrás da orelha.

–Ela está de mal humor hoje,Alex.Nem se quer me deu um "Oi,amigo mais gato do mundo."

Os presentes na mesa riram,inclusive a morena.

–Eu NUNCA disse isso.

–Mas eu te fiz rir,é um bom começo.

–Engraçadinho.

E continuam o almoço,mas dessa vez,Melina tenta disfarçar o que tanto preocupava-lhe.

Ela havia aberto a carta que seu irmão tinha entregado.E o que tinha encontrado lá,poderia ser ao menos uma pista sobre o caso das duas irmãs meio-demônio.

Eram reportagens sobre “As Herdeiras Wilde Consagram Seu Império”,elas tinham apenas quatorze anos e tinham o destino praticamente traçado.Se casar,os maridos assumiriam a grande empresa agrícola na França e por fim gerarem os próximos herdeiros.Melina com certeza acharia esta vida tediosa.

Trace e Makayla eram gêmeas,mas as duas tinham um olhar bastante maligno na foto da reportagem.Os olhos pareciam sem vida,a foto em preto e branco deixava bem claro que elas eram extremamente pálidas,os grandes cabelos ruivos.Isso era algo que Sophia tinha em comum com elas.Mas Melina tinha os cabelos do pai, Marshall Miller,o grande empresário casado com a francesa Jacqueline Wilde.

Ela procuraria mais reportagens,talvez encontrasse algo que pudesse ajudar a desvendar o passado das herdeiras.

–--

Às seis horas,Melina tomava banho.Em menos de uma hora teria que estar na sala mórbida de sua psicóloga para mais uma sessão de tédio.

A imagem do espelho estava completamente embaçada e apenas se via o vapor da água por todo o banheiro.

Ela desliga a ducha e pega a toalha.Seca os fios negros e segue até a porta,mas então a temperatura pareceu baixar.

Ela olha para trás,para os lados,nenhum sinal de vida.

Ela limpa os espelho.Então,o grito se prende na garganta.

Lá estava ela.Sua imagem refletida no espelho.

Com seus olhos frios,mas estava sorrindo.Era perturbador.

Ela abre a porta e saiu o mais rápido possível.

Sophia cochilava tranquilamente em sua cama.

Melina se vestiu com sua calças jeans escura,seu casaco vermelho,por cima da regata branca e o tênis preto de cano longo.

Escreveu um pequeno bilhete para a ruiva e saiu,mas ela não iria até o consultório,ainda tinha vinte minutos.

Atravessou o jardim pelos fundos e entrou no prédio masculino.Realmente não deveria estar lá,mas não ligava para as regras.Nunca ligou.

O terceiro andar parecia mais assustador ao anoitecer,talvez fosse apenas o sentimento de insegurança.A imagem de Trace e seu sorriso ainda estavam em sua cabeça.Ficariam lá um bom tempo pelo que parecia.

Bateu a porta e logo as lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto e uma dor grande tingiu a garganta.

A porta se abriu e Alex puxou a garota pela cintura para dentro.

–Melina,calma,me fala o que aconteceu? –Ele sussurrava enquanto afagava o cabelo da garota que tinha a cabeça encostada em seu ombro.

Depois que a última lágrima escorreu,ele beijou-lhe a testa e segurou seu rosto.

–Fala,Lina.O que aconteceu para você ficar assim?

Ela colocou sua mão sobre a dele e respirou.

–Eu vi a Trace,Alex,no meu espelho.

Notas finais
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