Maldição Rom
15 Capítulo 15
— O que você deseja, Saga?
Estava lá sentado há pelo menos quinze minutos, apenas encarando o rosto do indiano. Todo aquele ímpeto que o acometeu ao sair do escritório parecia ter dado tchau quando a porta se abriu. Em parte, sua insegurança lhe transmitindo todas as más sensações possíveis, do outro lado, seu lado supersticioso entrando em ação.
Apesar de tudo, algo dentro de si era fato: só aquele homem o fazia se sentir como se sentia. Era estranho pensar que alguém era capaz de deixá-lo tão vulnerável àquele ponto. Nunca achou que encontraria alguém assim, mas parecia que esse alguém existia.
— Eu estava conversando com Shura mais cedo…
— Imagino que ele tenha transmitido minha decisão.
— Ele disse que não estava definido, e que tinha te dado um prazo até hoje mais tarde pra reconsiderar.
— E por que eu deveria reconsiderar?
O grego ficou um pouco em silêncio, pensando em tudo o que foi falado mais cedo.
— Você não tem motivos, na verdade.
Surpresa foi o que Saga capturou nos olhos do homem a sua frente. Realmente ele estava acostumado a ter o que queria, mas aquela temporada com o indiano mostrou que nem tudo vem do jeito que ele quer, na hora que ele queria. E que sim, precisava muito também fazer esforço.
— Só não acho justo que você precise abrir mão de algo que levou tanto tempo para construir, e que é importante para você.
— Agora você se preocupa comigo? — o amargor era tanto que transbordou na voz.
— Sim.
Não estava reconhecendo o homem ali falando abertamente coisas que não o feriam.
Cenho franzido, ombros caídos e olhar confuso não eram bem as reações que Saga esperavam, mas era a melhor oportunidade que provavelmente teria.
— Me desculpe, Shaka. Eu fui um idiota preconceituoso, desde o início pensando em mim sem de verdade olhar ao meu redor. Não pensei que poderia estar ferindo alguém importante para mim.
— Não se preocupe, pois tenho certeza de que você não vai perder a amizade do Shura.
— Sim, mas eu não estava falando do Shura. Eu só não imaginei que a possibilidade da gente se afastar me afetaria tanto.
Shaka riu.
— Assim, do nada?
— Não é do nada. Foram umas boas semanas de interação quase que exclusiva com você.
— E aí você se descobre irremediavelmente apaixonado por mim? É isso? Mas que golpe baixo…
— Não estou irremediavelmente apaixonado por você — o tom agressivo e ofensivo do indiano o deixando irritado — mas interessado, sim. Muito, na verdade. E tenho certeza que você também se sente atraído por mim de alguma maneira.
— Eu, atraído por um gadje?
Aquilo soou um alarme na mente do grego.
— E qual seria o problema?
— Nenhum… — quis contornar, mas percebeu que havia falhado quando a face do grego ia se transformando.
— Espera um pouco… Eu passei todo esse tempo aqui, achando que era para que de alguma maneira você me ensinasse algo, para que eu entendesse o quão preconceituoso eu fui, quando na verdade o que você queria era me humilhar?
— Não…
— Não????
— Você entendeu errado.
— Eu tô começando a achar que não. Quer saber? Acho melhor eu ir, pois não tenho mesmo mais o que fazer aqui. Já entendi muito bem o que está se passando.
— Saga, espera, não é isso…
Estava transtornado demais com o que a sua mente havia processado e antes que perdesse o controle achou melhor se levantar e ir embora. Estar perto de Shaka o sufocava de uma maneira que ele nunca pensou que sufocaria.
— Não precisa dar resposta ao Shura, eu mesmo rescindo o contrato com vocês.
Saiu batendo a porta sem nem mesmo dar chance do indiano responder o que quer que fosse.
Ainda ficou um tempo olhando a porta, sem muita reação, apenas prestando atenção no turbilhão de sentimentos que era seu interior. Tinha muito mais coisa em jogo do que só o serviço. Sabia que Shura o trucidaria, mas naquele instante só pensava em alguém. Sacou o celular e mandou mensagem, pois falar seria difícil.
"Preciso de você aqui. Por favor…"
"Já chego aí" — foi toda a resposta que teve. Sequer prestou atenção ao tempo, só despertando quando ouviu a campainha.
— Mayura?
— O que houve?
E começou a chorar no colo da noiva, não aguentando mais o peso que as coisas tinham em sua vida.
~CONTINUA
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