Malaxophobia
3 Jogos de Conquista
Os rapazes, que se conhecem desde a infância, não perderam os velhos costumes. Reuniram-se na casa de Cartman desta vez, já que o mesmo adquiriu o novo jogo de corrida que poucas pessoas em South Park possuem um exemplar. Jogam o mais novo game num XBox, apostam quem vence a cada partida e incluem até dinheiro nas apostas quando têm o que oferecer. Comem lanches calóricos que Liane serve em bandejas a cada 10 minutos e, principalmente, discutem.
Geralmente, essas discussões não são sérias; apenas provocações que amigos homens trocam entre si e interpretam como diversão. Mas neste caso, onde ocupar o primeiro lugar da corrida está em jogo, as discussões se tornam mais intensas. E, dentro destas discussões, como são os rapazes de South Park, obviamente que não poderiam se esquecer das palavras de baixo calão.
Como obrigação da puberdade, todos os rapazes mudaram em inúmeros aspectos, tanto mentais quanto físicos. Uma das principais mudanças mentais por qual passaram foi aquela promessa de que, em hipótese alguma, cairiam em tentação por garotas. Uma mudança inevitável, e nem mesmo os garotos da cidade estiveram salvos da própria natureza.
Quase todos os rapazes presentes na sala de estar da família Cartman participam do time de baseball oficial de South Park. A prática deste e outros esportes, maiores ou menores, os ofereceram corpos mais dignos de atletas. Tendo em mente que no passado evitavam o baseball, esta era mais uma ironia de seus respectivos destinos. Forçavam derrotas nos campeonatos de infância para ficar em casa jogando videogame e hoje são grandes fãs do esporte. Claro, existem razões para o praticarem agora: uma delas é ter melhor condicionamento físico; outra é, evidentemente, impressionar o sexo oposto, ao menos quem tivesse essa orientação.
Butters perdeu parte — e apenas parte — de seu lado ingênuo. Mesmo que a relação pouco saudável com seus pais o atrapalhasse em realmente crescer, hoje tem muito mais conhecimento de mundo. Ficou tão mais sábio que chega a compreender melhor as mulheres e tem dons de conquista respeitosos e únicos. Até esteve com Lexus, a garçonete do Raisins, por um mês inteiro.
Timmy e Jimmy continuam garotos simpáticos e se tornaram atletas de vários esportes para pessoas especiais. São os únicos que não podem participar do time de baseball; tanto por serem deficientes físicos quanto por estarem ocupados demais com os esportes que já praticam. Timmy é um dos melhores atletas de esportes especiais e Jimmy, sem seus esteroides, prefere dedicar-se mais a comédia e continua ótimo em fazer piadas. Até faz apresentações de comédia stand up quando há tempo de sobra.
Tweek anda controlando seu vício em café e suas crises de tremedeiras e pânico tornaram-se menores, significando que a informação dele possuir Distúrbio de Déficit de Atenção é falsa e todos os ataques que tinha eram pelo excesso da cafeína (e pelas drogas que seus pais colocavam em cada xícara).
Craig tornou-se uma espécie de bad boy. Seu maior passatempo é atormentar pessoas moralmente, às vezes até praticando o bullying. Fora isso, é um rapaz divertido por seu humor sarcástico. Continua o líder do quarteto formado por ele, Tweek, Clyde e Token.
Token ficou ainda mais engenhoso por ter feito incontáveis cursos que sua família abastada pôde pagar. Pelo intelecto superior e por ser negro, muitas vezes recebe ofensas invejosas e racistas em sua vida de ensino médio. Felizmente, isso pouco lhe importa. Ele não é mais tão sensível às piadas preconceituosas já que aprendeu a lidar com elas graças a Craig, um verdadeiro especialista na arte de não dar a mínima.
Clyde tem um histórico de sucesso entre as garotas por poder presenteá-las com sapatos caros. É um rapaz ligeiramente exibido por já ter sido eleito, talvez mentirosamente, como o rapaz mais bonito da sala de aula. Participar do time de baseball o fez perder o posto de segundo rapaz mais gordo da escola, já que o esporte o fez converter gordura em massa muscular.
Kyle permanece um defensor do politicamente correto a todo instante. O judeu é mais preocupado com seus estudos do que com garotas e isso acabou deixando-o atraente para muitas adolescentes geeks e CDFs, graças ao seu conhecimento elevado e personalidade descontraída — as famigeradas sapiosexuais da modernidade. Porém, por ser altamente preocupado com os estudos, são raras as vezes onde ele tem uma namorada. Ele não é muito bom em baseball; no entanto, sempre soube jogar basquete como ninguém.
Stan ficou mais sentimental ao longo dos anos. Perdeu Wendy para dois de seus melhores amigos e até retornou ao grupo gótico por um tempo. Foi obrigado a se travestir como punição por tê-los ofendido (e como condição para voltar ao grupo), e esta é uma página de sua vida que ele preferiu rasgar e queimar.
Kenny. Bom, Kenny virou um conquistador. Pervertido nato, como indicavam os rumores. Por muitas vezes, convencido. Não existe sequer uma garota na sala de aula que ele já não tenha "traçado". Como conquistador, ele tem a garota para si brevemente, apenas para logo após dispensar. O grande pior de tudo é que, na maior parte das vezes, ele se aproveita de garotas em momentos vulneráveis, ou seja, nos períodos tristes de suas vidas, como términos de relacionamento.
Kenny é especialista em partir corações. Tão especialista que logo depois de Cartman terminar seu namoro com Wendy — sim, logo chegaremos lá — aproveitou-se dela. Aproveitou-se só por uma noite.
Todo rapaz da cidade evoluiu ou se aperfeiçoou em determinados aspectos. Mas quem mais se aperfeiçoou entre todos, definitivamente, foi Eric Cartman. Ele, sim, evoluiu radicalmente se levarmos em conta quem ele costumava ser.
Acontece que Cartman passou por longos períodos de reflexão. Quis se convencer durante anos e anos de que seu tipo físico é atribuído graças ao acaso de ter nascido com ossos largos. E, depois dos mesmos anos, finalmente se deu conta de que queria convencer-se com mentiras. Esteve insatisfeito com seu corpo, temeu que enxergassem sua insegurança pelo seu tipo físico, mas ele jamais deu essa brecha.
Emagreceu um bocado com jogos de baseball e frequência de academia, mas não está magro. Assim como Clyde, conseguiu converter parte da gordura em massa muscular, porém continua sendo mais gordo em relação ao outro. Acabou por se aceitar do jeito que é, mas prossegue com exercícios quando há tempo livre. Pela aceitação pessoal, não deseja ser magro, mas lida bem com o fato de que precisa estar em movimento para não ficar muito acima do peso.
O velho posto de "garoto mais gordo da sala de aula" ainda o pertence, já que todos os outros rapazes estão num padrão de peso ideal para a idade. Ele pode ocupar este cargo, mas isso não o atrapalhou em absolutamente nada — muito menos nas questões de flerte. Fisicamente, a puberdade e a genética o agraciaram, tornando-o alto e com músculos bem desenvolvidos que contrastam com a massa corporal elevada. Tem o maxilar levemente quadrado, um furo suave no queixo e cabelos castanhos e lisos, que na maior parte do tempo estão escondidos sob uma réplica da sua touca de infância. A predileção por casacos vermelhos permanece.
Todos os amigos de Eric sempre mantiveram uma visão distorcida para o futuro do garoto. Imaginavam que seria um adolescente obeso que gosta de incomodar os outros. A criança de ontem dentro de um corpo que cresceu demais.
Acontece que ser antissemita e ter características sociopatas é algo que faz parte de sua personalidade. Algo que não pode ser simplesmente eliminado ou esquecido. Se ele assim não os fosse, este não seria Eric Cartman. Continua com sua acidez, com seus ideais doentios e com seu humor negro único; mas, como todo ser em evolução que se preze, está mais preocupado com seus hormônios do que em perturbar a paz alheia.
Está mais preocupado consigo do que em encher o saco dos outros mas, antes de ter essa preocupação, bolou maneiras de deixar pago tudo aquilo que o prejudicou no passado. Por sinal, ele fez todas as garotas que um dia o prejudicaram pagarem o devido preço. Ou, ainda melhor: Cartman quis pagá-las na mesma moeda.
Wendy Testaburger. Foi a primeira garota a se mostrar interessada por Eric. Quando Wendy teve uma atração ligeira pelo rapaz, chegando a sonhar com ele, precisou beijá-lo para aquela “tensão sexual” chegar ao fim. Quando foi beijado naquele dia, realmente estava interessado por Wendy. No final, aquele beijo não significou nada. Havia sido o seu primeiro, e não significou absolutamente nada.
Como devolução, já na adolescência, tempos após outro término de Wendy com Stan, Cartman cortejou a garota durante dias. Por tempo o bastante para Wendy render-se e se apaixonar por ele, perdidamente talvez.
Os dois estiveram envolvidos um com o outro por pouco tempo; aproximadamente três dias. Wendy sentiu na pele o que é gostar de alguém e logo após ser dispensada. A garota devia detestar Cartman pelo que fez, deveria odiá-lo mais do que nunca, mas ela sabia. Sabia por que essa vingança lhe foi imposta, sabia o que deu origem aos acontecimentos. Portanto, mesmo após terminarem a curta relação, permanecem bons amigos.
Mesmo depois da atração momentânea, mesmo depois daquela briga no pátio da South Park Elementary quando Eric fez piadas ao câncer de mama, mesmo depois da longa rivalidade e mesmo depois dos dias de relacionamento... Wendy e Cartman ainda conseguem se suportar. Anos de tempestade estabeleceram entre eles uma vida de trégua.
Na verdade, quem Wendy odeia mesmo, de todo o coração, é Kenny McCormick. Ele, aproveitador, assim que viu o término dos dois e viu que ela estava magoada, levou-a para casa e aproveitou-se de sua vulnerabilidade. No seu momento de carência e remorso, ele esteve lá para ela de uma forma pouco convencional.
Foi para Kenny e Cartman que Stan a perdeu. São eles os dois melhores amigos que o traíram. Mesmo traído, a amizade prevalece porque Kyle o ajudou, mais uma vez, a superar as mágoas da perda. Afinal, se não estavam mais juntos, nada estava no caminho de Wendy para se relacionar com outras pessoas. Stan ainda a ama e, com ajuda de Kyle, está conseguindo reconquistá-la aos poucos.
Patty Nelson. Quando Cartman fingiu ter Tourette, uma doença usada por ele apenas para dizer o que quisesse, quando quisesse, e ofender qualquer um sem culpa ou estribeiras, acabou por confessar publicamente o seu amor por ela. Assumiu que sonhava em beijá-la. Como retribuição, Patty ficou enojada e fez questão de deixar isto claro.
Aquilo o destruiu internamente, mesmo que não tivesse demonstrado. E isso o motivou a cortejar a garota até que a mesma retribuísse seu interesse. Namorando com Eric, a garota sentiu culpa por tê-lo desprezado e pediu a ele seu perdão. Sendo assim, Cartman optou por não vingar-se dela. Foram incríveis meses de namoro mas, como Cartman se desapaixonou no quinto mês, decidiu acabar com o que foi construído. Ela era incrível, mas ainda não a pessoa ideal.
Kenny se aproveitou de Patty após aquele término. Chamá-lo de aproveitador é como um pleonasmo, sempre coletando as “sobras” do que os outros deixaram.
Houve outras garotas com quem Cartman esteve. Totalizam-se, junto às mencionadas anteriormente, cinco namoradas. Nenhuma delas queria terminar com Cartman: ele foi um excelente parceiro. Foi ele quem terminou com todas. E quase todas elas foram aproveitadas por Kenny em sequência. É como se os dois tivessem algum tipo de acordo mas, por incrível que pareça, foram apenas obras do acaso.
Nos cinco relacionamentos de Eric, houve um em especial que o atormenta até os tempos atuais. A garota com quem ele namorou por mais tempo que as demais, já que a mesma atrapalhou os relacionamentos posteriores. A garota com quem ele se arrepende de ter estado um dia.
Jenny Simons.
Acontece que houve situações embaraçosas na antiga South Park Elementary em que especulações maldosas sobre alunos eram rapidamente espalhadas por um site. Eric havia oferecido um bolinho à Jenny Simons, alegando que estava interessado nela e que só queria fazer um agrado. Acontece que aquele bolinho estava cheio de raiz forte, o que resultou em Jenny passando constrangimento por uma diarreia em sala.
O objetivo de Cartman não era vingança. Quando viu que Jenny estava se tornando uma garota atraente, quis aproveitar uma oportunidade. Queria ter uma chance de estar com ela. Depois de tê-la feito passar vergonha e quase cometer suicídio, Jenny jamais iria querer algo com o causador disso. Cartman usou justamente desse detalhe que atrapalharia seus planos com ela a seu próprio favor.
Convidou-a para uma conversa honesta e perguntou a ela se ainda tinha raiva pelo incidente. Claro, a resposta foi um sim. Eric, em defesa, simplesmente disse que escapar da morte após saltar de um prédio significava que ela possuía um dom de sobrevivência. Cartman decidiu fazer a ela um favor: apresentou-a aos vampiros de South Park, inventou uma história convincente sobre a excelente comandante que Jenny poderia ser, e logo a garota assumiu a liderança e permanece a assumindo. Jenny ficou tão grata com o favor que esqueceu do orgulho para se aproximar de Cartman. Os dois namoraram durante três anos.
Poderia ter sido mais tempo, mas Jenny ficou mimada com o poder. Virar a líder dos vampiros a tornou inconveniente, imatura e possessiva, e pouco vale qualquer beleza se seu interior abriga um ser insuportável e corrompido. Cartman tentou, mas não suportou, e pediu o término. Pediu o término inúmeras vezes e Jenny se recusava, forçando-os a prosseguir com um relacionamento quebrado.
Demorou, mas Jenny desistiu da insistência. Quer dizer, "desistiu". Entre aspas. Até os dias de hoje, Jenny o atormenta. Não atormentar do tipo “causar mal” a ele, mas sim de insistir em tentar reatar, em agir como se o tempo não tivesse passado, em implicar com toda garota que ele se aproxima. Até hoje, Eric se pergunta como e por que se meteu nessa enrascada.
— Mas... Que diabos. — Craig, atônito, encarava a tela plana exibindo sua derrota em replays da corrida. Após jogar o controle num canto aleatório do sofá, reclinou-se onde se sentava, deixando claro que pouco verdadeiramente se importava.
— Mais cuidado com a porra do meu controle, Craig. — Cartman o advertiu. — Eu avisei: ninguém me vence no meu próprio jogo.
— Não é uma vitória digna se você usa cheats. — disse Kyle, sentado no chão e conferindo um livro escolar.
— Cartman, você estava usando cheats? — Clyde questionou.
— E daí se eu estiver? — Cartman respondeu à pergunta com outra pergunta, enviando um olhar fixo.
— Primeiro de tudo: usar cheats é trapacear. — Stan justificou.
— Ei, vejam o que eu achei — disse Butters, tirando um minúsculo papel dobrado com códigos do jogo de um canto do sofá.
— Usar cheats não é trapacear. — Cartman defendeu.
— É claro que é trapaça, Cartman. — disse Kyle novamente, com pouca paciência para uma questão óbvia. — Porra. São... Cheats.
— Escuta, Kyle. — Cartman deu um tapa no livro que o ruivo tinha em mãos, quase fazendo-o cair. — Deixe de ser um judeu intrometido e me deixe ditar as regras ao menos na minha própria casa. Se falei que cheats estão permitidos, então estão permitidos.
— Se, ao menos — o judeu elevou-se um palmo de altura, preparado para a discussão que pudesse vir a seguir. — Você tivesse avisado a todos que...
— Chega pra lá, Craig. — Kenny pediu, interrompendo uma possível catástrofe. — É minha vez. Butters, me dê os cheats.
Rolando com os olhos, Craig se levantou e deu o espaço para Kenny se sentar. Outra partida se inicia.
— Chegaram alunos novos na nossa sala esse ano? — Token perguntou descontraidamente, apenas por jogar conversa fora, com pouca atenção no jogo que se prosseguia. Tanto ele quanto os outros rapazes esperavam que Cartman enfim se desse mal para que mais pessoas também pudessem aproveitar do jogo.
— Acho que só chegaram duas garotas. — disse Butters. — Um recorde comparado com o ano passado... E o anterior...
— E uma delas nem é bonita. — Kenny bufou sem tirar o foco do jogo. Ele gosta de manter o título de que conseguiu todas as garotas do ensino médio e pretendia continuar mantendo. Mas, se alguma garota não possuísse o que Kenny espera numa moça, seria complicado fazer o sacrifício de se aproximar.
— E como elas são? — Tweek perguntou, tremendo um pouco. Ele torna-se um pouco nervoso apenas em imaginar um novo contato com desconhecidos.
— A que não é bonita tem um cabelo estranho e usa aparelho. Já a outra é gótica, emo, revoltada, qualquer merda do tipo. Meio gordinha. — Kenny pareceu revirar os olhos para descrever a primeira... Mas deu um sorriso maldoso ao fim da descrição da segunda.
— Uma garota gótica com peso demais? — Craig ri com desdém. Em sequência, olhou para Cartman. — Será que é quem estou pensando?
Eric quase, quase mesmo, se desconcentrou do jogo. Ele se lembra daquela garota do grupo gótico com quem conviveu durante a quarta série. Normalmente, a lembrança não lhe ocorreria na memória, mas Eric acabou se lembrando das piadinhas raras que os amigos faziam com ele na infância. Diziam que Eric e Henrietta deviam namorar. Que pessoas iguais deveriam se unir. E, de semelhanças em comum, tudo o que tinham era o sobrepeso.
Aquelas brincadeiras antes o irritavam. Entretanto, pouco a pouco, Eric secretamente passou a se interessar pela ideia. Henrietta parecia ter algo bom, mesmo seguindo o estilo de vida fúnebre dos góticos. Se Eric juntou um garoto ruivo com uma garota ruiva e um garoto negro com uma garota negra, por que não ficar com uma menina gordinha como ele? Isso seria bem melhor do que aquela que o cupido um dia lhe arranjou como seu "par perfeito": uma garota com dentes horríveis que protagonizou uma campanha contra o mau-hálito.
Lamentável que, depois de Eric acostumar-se com a ideia de namorar Henrietta, a garota desapareceu. Simplesmente desapareceu, sem rastros, feito fumaça. A família dela havia se mudado.
— Não acha que estamos velhos demais pra esse tipo de brincadeira? — Cartman zombou, sem tirar a atenção da partida. Kenny parecia estar vencendo desta vez, e distrações seriam um problema.
— Eu concordo. Estamos velhos demais. — Kenny disse. — E é melhor não chegar perto daquela gótica, porque vou ficar com ela primeiro.
— Vai? — Stan perguntou, não realmente impressionado. — Você não disse uma vez que não gosta de garotas gordas?
— Eu não disse que não gosto de garotas gordas. Eu disse que não gosto de garotas gordas demais. Na verdade, eu gosto principalmente das gordinhas. Elas são ótimas. — sorriu com suas próprias segundas intenções.
— É, Kenny. Não conhecíamos esse lado. — Clyde riu com a situação num todo. — Depois de conseguir todas as garotas mais gostosas da cidade, você simplesmente decidiu que quer domar um mamute?
— Henrietta não chega nem perto disso, Clyde. Sejamos justos aqui. Tem gordas muito piores... E maiores. Perto delas, Henrietta chega a ser magra. E, sim, eu prefiro as gordinhas.
— O Kenny já ficou com gordas! — Butters tentou uma provocação, rindo ligeiramente. Ele está com mais conhecimento, mas o senso de humor bobo ainda estava ali, em alguns lugares.
— Mas é claro que sim. — gabou-se em resposta. Para ele, a quantidade e variedade de garotas que já "pegou" era motivo de orgulho. — Quer dizer, gorda demais não é legal, mas gordinhas como ela... Meu santo Deus.
— E no que elas superam as magras? — Token perguntou.
— Ah, como você é ingênuo... Tem vários motivos. Uma delas é que gordas tem peitos maiores, por razões óbvias. Outra é que elas arrebentam na cama.
Cartman franziu a sobrancelhas. Essa conversa inteira o frustrava. Talvez porque havia convivido com mulheres o bastante para conseguir se pôr no lugar de uma. Não era um santo, mas não precisaria ser um (grande) babaca para sempre.
— Então, gordinhas arrasam na cama? — falou Craig com pequenas más intenções. — Que interessante.
— Realmente. — Clyde pareceu ter intenções piores. — Interessante.
— E eu pensando que Kenny era o maior problema aqui. — Cartman rolou com os olhos.
— E eu sou. — Kenny defendeu sua honra. — Então, Craig e Clyde. Vocês também estão interessados?
— Acho que não é bem interessado. — disse Clyde.
— Não é interesse, é curiosidade. — Craig deu de ombros. — Quero descobrir se o que está dizendo é verdade.
— Então, vamos fazer o seguinte: quem conquistar Henrietta primeiro, leva ela pra cama primeiro. Limpa e imaculada, porque é óbvio que ela é virgem.
Com as últimas palavras de Kenny, Cartman acabou por cometer uma falha no percurso da corrida, colidindo numa mureta. Todos ali reunidos começaram a comemorar exaltados, tendo voltado a se concentrar no jogo nos últimos segundos, e escarneceram Eric pela derrota humilhante. Ele devia se importar com os amigos irritantes ou em ter perdido para alguém que nem ao menos tem um XBox na própria casa, mas o principal foco de sua preocupação acabou sendo para com a garota gótica. Ela mal retornou a South Park e já será usada como recepção de boas-vindas.
Bem, isso se Kenny conquistá-la primeiro. Mas, do jeito que ele é experiente, é óbvio que ele vai conseguir antes dos outros dois.
Os jogos de conquista começaram. E que o melhor conquistador vença.
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