Malaxophobia

39 Intimidade demais


Como tipicamente ocorre nas escolas estadunidenses, o ano letivo em South Park High passava pela pausa ao fim de dezembro, devendo retornar às atividades após as festas e seguir até maio do ano seguinte. De volta a South Park, sem aulas para assistir e sem tarefas a fazer, Eric e Henrietta mal sabiam em que investir o tempo livre. Certamente, em nada de útil.

O shopping. O ferro-velho. Benny’s. O Lago Stark. Casa Bonita. Underground Cave. Nebraska. Antes e depois de se tornarem um casal, passaram por esses e outros lugares juntos. Alguns por motivos especiais, outros por razões bem aleatórias. Gostavam de sair, de comer fora principalmente, mas àquela ocasião, o que precisavam era de sossego. Da aventura de pedir fast-food por delivery e se afundar no sofá assistindo a filmes de terror de má qualidade. Afinal – e Cartman era grato por isso – assistir a comédias românticas estava bem distante das preferências da gótica.

A sacola de papel ao lado do sofá, reservando vários descartáveis recém usados, indicava que os lanches que comeram foram degustados devidamente. Estavam na sala de estar da residência Cartman, afinal, era onde podiam ficar em paz, sem Bradley berrando na chamada de voz enquanto joga videogame com os amigos. Na televisão à frente, assistiam a Franken’hooker, uma paródia horrorosa de Frankenstein em que um cara tenta reconstruir a namorada morta usando partes de prostitutas. Era tão ruim que chegava a ser bom, arrancava de ambos comentários ácidos e risadas sinceras.

Faltava pouco para anoitecer. Liane estava fora, cuidando de... Bom. Questões relacionadas à sua profissão. Por isso, o casal ria com bastante liberdade. Eric, de bermuda e camiseta, se sentava à vontade, largado, com o cérebro usando só metade da capacidade diante daquele enredo besta. Henrietta, vestida mais como sempre, parcialmente deitada e um pouco mais atenta, apoiava a cabeça contra o braço dele.

Ainda parecia... Extraordinário. Há pouco mais de um mês, a gótica ainda se corroía de horror só de pensar em se relacionar. E, um tanto antes disso, só sabiam se desentender um com o outro, algumas discussões foram bem feias. Agora, além de firmes juntos, estavam no maldito sofá da mãe dele assistindo a um filme idiota. Tanto esforço fugindo de clichês românticos para acabar no maior deles.

Valia a pena se tratarem sem nenhum cuidado de vez em quando só para fugir dos clichês. Além do que, ainda era bem divertido.

— Aí, fracassado. — Henrietta chamou por ele.

— Late, cadela. — respondeu no mesmo tom.

— Tô com sede. Levanta esse rabo gordo daí e vá buscar outro refrigerante pra mim.

— Nem fodendo. — franziu o cenho. Pensou por um segundo. — E você é tão gorda que já tô orbitando à sua volta.

— Tá revidando ou fazendo uma piada autodepreciativa?

— Tô te mandando parar de ser uma vagabunda preguiçosa e ir buscar o refrigerante você mesma.

— Devia me carregar até a cozinha feito o cachorrinho que você é.

Teve um vislumbre do olhar flamejante de Eric na sua direção. Depois, subitamente, ele a compeliu num beijo violento.

Moviam os lábios um contra o outro de forma rude, úmida. Ele a segurava no lugar pelo cabelo com uma força moderada. Por dentro, Henrietta sorria; era como se ele tentasse descontar a raiva dela desta forma. O fato de gostar dela e de ela também estar acima do peso pareciam ajudá-lo a controlar alguma fera interior. Nunca gostou de ser chamada de gorda, mas isso definitivamente o afetava muito mais.

Henrietta podia dizer que estava matando a saudade. Aprendeu a gostar de certos clichês, mas romances meigos ainda não combinavam com ela.

Depois de minutos, se distanciaram, ofegantes; um contato visual contínuo. Um pouco da ira ainda estava no rosto dele. Pouquíssimo do batom preto, também. Ela finalmente encontrou um batom mais resistente.

A gótica mordeu o lábio com discrição. Esperava por essa oportunidade há algum tempo, estava evitando pensar demais. Num movimento rápido, quase fechado os olhos como se ela mesma não quisesse ver o que pretendia fazer, se ergueu de uma vez e montou o colo do rapaz.

Olhou-o de cima, se apoiando totalmente nele. Viu em Eric um olhar... Assustado. Podia jurar que o viu levemente vermelho, a boca entreaberta de surpresa. O filme ruim totalmente esquecido.

— Ah, mas o que é isso? — Henrietta zombava dele com um ar mórbido. Um sorriso mínimo brincando nos lábios. — Tanta ameaça sobre me molestar pra ficar com medo, agora?

A expressão dele mudou de um segundo para o outro. Tinha a raiva no olhar, mas também um sorrisinho de divertimento.

— Medo? — Cartman tocava toda a extensão das coxas dela. Enviou um arrepio gelado pela coluna. — Não. Só não esperava essa atitude de quem passou meses tentando me evitar. Tentando me fazer acreditar que me despreza.

— Como se eu não desprezasse.

— Não o suficiente pra que não queira sentar no meu colo, pelo visto.

— Hm. O que posso dizer? — se aconchegou sobre ele. O viu um tanto surpreso outra vez. — Desprezível ou não, eu não mediria esforços pra te fazer atender aos meus caprichos. Porque, pelo que vejo que fiz com você — aproximou o rosto perigosamente. — Suponho que vá cumprir mais um me carregando escada acima.

A ereção dolorosa tocando a virilha dela. É claro que ela havia notado, era impossível não notar. Caso se movesse minimamente seria inclusive visível.

A respiração de Cartman ficou pesada. Não sabia por onde começar a entender o porquê. Poderia ser por ela ter conseguido manipulá-lo de uma maneira tão sutil, argumentando com palavras tão articuladas. Por ter sido capaz de despertar nele a raiva, e ao mesmo tempo o tesão. Ou por ela estar tão... Disposta. Mal conseguia reconhecê-la, se comparada à sua versão não muito distante que precisava se adaptar ao fato de que estava com ele.

Henrietta achava ótimo que ele estivesse respeitando o seu ritmo. No entanto, também reconhecia que guardavam certas vontades um pelo outro há muito tempo. Estava mais do que decidida a redefinir aquela linha de respeito.

Cartman teve um misterioso sorriso de lado. Misterioso para ela, ao menos. Se lembrava que Mitch, até Kenny, estiveram corretos. Nunca pensou que tivesse um “tipo” de mulher, algum modelo que gostasse acima de qualquer outro. Henrietta parecia ocupar totalmente esse perfil.

E o melhor: sabia que o mesmo valia para ele. O desejo oculto naqueles olhos sem emoção era um belo incentivo.

Fixou os olhos nos dela. A segurando firme sob as coxas, se colocou de pé e a ergueu contra ele. Os corpos em atrito absoluto. O peso parecia maior do que nunca, mas com o corpo quente, se viu bem capaz de suportar. A gótica segurou em seus ombros para se estabilizar, passando a olhar por cima deles. Sentia cada músculo contraído, cada passo que ele dava até as escadas.

Para frustrá-la, Cartman gostaria de tê-la atacado diretamente no sofá. No entanto, não arriscaria que sua mãe, sem horário certo para chegar, provocasse uma interrupção. Já passaram por situações do tipo vezes demais.

Daria a ela o que queria. Henrietta venceria, desta vez. Mas, se tivesse que ser franco, não sentia como se estivesse perdendo alguma coisa.

Coração a mil, olhos ampliados. Mãos trêmulas, corpo quente, sangue frio. A cada degrau que Eric avançava, o nervosismo crescia dentro dela. A coragem que quis demonstrar há pouco vacilava, parecia que ia desmaiar.

Por duas vezes abriu a boca, pretendendo pedir que parasse. Porém, não o fez. Sentia medo, mas não demonstraria. Não queria um romance clichê, não queria ser vista como frágil. Não queria ser tratada com delicadeza feito uma tola conformista.

Quando passaram pela porta do quarto dele, o coração antes acelerado pareceu parar. Cartman a colocou sentada na cama; não a jogou, mas também não foi necessariamente gentil. Apoiada nos braços, controlava a respiração enquanto o assistia trancar a porta.

Observou a chave pendurada na fechadura, e concluiu: desta vez, nada nem ninguém poderia interromper. Debaixo de uma face inexpressiva e de um corpo estático, conteve o nervosismo ao vê-lo a olhando de volta. Tinha algo no olhar dele que não conseguia decifrar.

Cartman contemplava a mulher em sua cama; era mesmo surreal terem chegado a esse ponto. Aquela face feminina mórbida com olhos cinzentos e frios, as curvas se apertando no vestido preto, a pele branca e macia, o cabelo negro e curto que expunha pescoço e ombros, tudo era motivo para a excitação pulsando em sua calça. Sorriu com maldade ao notar que era justamente para esse ponto que ela passou a olhar; um choque mínimo foi visível num rosto que dava o máximo para não esboçar emoções.

— O que é isso? — disse caminhando na direção dela. — Me fez te trazer até aqui pra ficar assustada, agora?

As sobrancelhas da gótica se inclinaram em raiva. Uma resposta grosseira envolvendo pênis pequeno veio à sua cabeça, mas o que estava bem à sua frente parecia... Ameaçador o bastante para que o comentário não passasse credibilidade. Só por constatar esse fato, sentiu algo quente e úmido se acumular entre suas coxas.

— Assustado deve estar você. — debochou de volta. — Tô bem aqui, pronta pra dar umazinha, e você não para de falar.

Foi o suficiente. Quando Cartman se elevou sobre ela, Henrietta fez um esforço imenso para não recuar. Teve os pulsos seguros por ambas as mãos dele, empurrados contra a cama com firmeza. Ele a olhou profundamente nos olhos, depois a beijou no pescoço, no queixo, até tomar seus lábios de novo. Enviava arrepios por todo o seu corpo.

Com o contato entre as bocas, a gótica fechou os olhos e suspirou. O atrito escorregadio entre as línguas, o sabor distante do que comeram combinado ao sabor único um do outro, era delicioso, seus músculos relaxavam aos poucos. Fez um mínimo movimento para libertar os braços na intenção de tocá-lo, de senti-lo, de trazê-lo para mais perto, mas foi surpreendida quando ele a segurou com mais força. Eric passou a conter seus pulsos numa única mão, com a outra a segurou ao redor do quadril e a moveu para cima, ao centro da cama.

Sentindo os lábios dele se separem dos dela, Henrietta teve que arregalar os olhos e reprimir um grito – ou seria um gemido? – ao ter seu pescoço chupado. Os dedos das mãos se retorciam na ânsia de segurar em algo, os dos pés também se dobravam. Foi um chupão contínuo, que deixaria uma marca enorme e bem visível na pele pálida. O olhar de escárnio de Eric quando terminou deixou a intenção bem clara.

— Seu merda. — ela pronunciou tentando transmitir ódio, mas o que saiu foi uma voz ofegante e excitada. A sensação a tinha deixado trêmula, enviado calafrios no estômago.

—O quê? Não tá gostando? — em tom de desafio, Cartman caçoava sem pudor. — Posso parar a qualquer momento. É só falar.

Com o rosto quente, Henrietta trincou os dentes. A última coisa que queria era que aquilo parasse.

— Eu pareço não gostar? — indagou, sabendo o quão desesperada parecia. — Seu... Parasita desgraçado.

Por dentro, Eric riu.

— Você gosta de me xingar. De me deixar puto. — se aproximou do ouvido dela. — Vou fazer você respeitar a minha autoridade agora. O que acha?

A vulva da gótica pulsou com essas palavras. Ao mesmo tempo, sentiu um gelo assustador na espinha. Estava surpresa com a própria vontade de implorar, de dizer que era exatamente o que queria, da forma mais patética possível.

Com uma coragem e orgulho repentinos, envolveu o antissemita com as pernas. Se aproveitou da confusão dele e do afrouxar em seus pulsos para inverter as posições, o empurrando sobre o colchão.

Desta vez, foi ela quem decidiu beijá-lo, ansiosa por sentir a boca dele de novo. Com uma mão segurava o rosto macio, sem imperfeições de Eric; com a outra sentia e arranhava o tronco dele sobre a camiseta. Inconscientemente aumentava o atrito entre as intimidades que se tocavam, praticamente rebolando sobre ele. As mãos dele alisando e pressionando sua cintura e quadris apenas a incentivava. Sobre camadas de tecido, a calcinha muito úmida deslizava facilmente sobre o pau duro e quente.

Era demais para suportar. Cartman esteve tentando não tocá-la diretamente em regiões íntimas tão cedo; interessado em desvendar o psicológico feminino, aprendeu com muita pesquisa que não ir direto ao ponto, explorando o corpo por inteiro antes, pode excitar muito uma mulher. Incapaz de se conter mais, espalmou ambas as mãos sobre a grande bunda da gótica, emitindo um ruído no impacto. Apertou a carne farta. Só os novos e antigos deuses sabiam por quanto tempo quis fazer isso. Precisava percorrer uma boa distância com as mãos pra conseguir tocar a área toda, com certeza a enorme bunda seria capaz de esmagar seu rosto. Se deleitava só com esse pensamento.

Ter sua bunda tocada: uma sensação totalmente nova para a gótica, que causou um frio na barriga e um choque pela espinha. As grandes mãos masculinas apalpando, apertando, deixando um tapa moderado na região a fizeram empiná-la e mordiscar o lábio inferior dele enquanto o beijava. Era mais gostoso do que poderia ter imaginado.

Ao sentir as mãos quentes passando a deslizar seu vestido por seu corpo, o coração dela falhou uma batida ou duas. Um pouco da sua segurança pareceu morrer. Mas não recuaria agora que chegou tão longe – até porque, estava excitada demais para isso. Deixou que ele removesse todo o vestido, passando a peça por seus braços e cabeça.

Estava seminua na frente de Eric Cartman. Daquele ponto em diante, não teria mais volta.

Com uma facilidade até impressionante, ele a virou novamente contra a cama. Posicionou-se acima. Mas, ao contrário de antes, Eric não tentou dominá-la; estava se afastando um pouco. Queria ver cada parte daquele corpo.

Toda ela tinha aquela palidez quase cadavérica, como já imaginava. As roupas íntimas – pretas, é claro – pareciam feitas para priorizar o conforto, com uma calcinha modelo hot pants que apertava o ventre avantajado e um sutiã similar a um top esportivo, com um grande decote. Os seios, segurando o colar de crucifixo entre eles, não eram muito grandes, ornando muito bem com a estrutura do corpo. Mesmo com a gordura bem distribuída por toda a parte, a belíssima cintura era visível.

Os quadris eram maravilhosamente largos. As coxas grossas, deliciosas e atraentes, tinham marcas de celulites que honestamente não faziam diferença alguma. As pernas, grossas por inteiro, ainda estavam cobertas pela meia-calça tramada, que só a tornavam ainda mais sexy – algo que o fazia se perguntar se devia tirá-las ou não. Para finalizar aquela visão espetacular, percebia que tanto a calcinha quanto a parte superior interna das coxas brilhavam de tão encharcadas. Uma maravilha para o seu ego.

Cartman se inclinou sobre ela de novo. Mordiscava e beijava o pescoço, recebendo as mãos da gótica em suas costas e cabelo. Apesar da face quase sem emoções, Henrietta já não escondia tanto o que sentia, deixando suspiros escaparem livremente. Ao sentir uma das mãos dele em seu seio, primeiro sobre o sutiã e depois, lentamente, por debaixo, tocando a pele sensível e cobrindo-o quase todo, o que emitiu foi um gemido baixo. De choque, prazer, ou os dois, já não sabia.

Fervendo inteira, puxando levemente o cabelo dele nos dedos, deixava que ele tocasse e apertasse o seio, que brincasse com o mamilo rígido. Quase que de forma inconsciente, começou a puxar a camiseta do antissemita na intenção de os igualar. Ele pareceu ter entendido como uma deixa para despi-la mais ainda, pois soltou o fecho frontal do sutiã dela sem chance para protestar.

O primeiro instinto da gótica foi de esconder os seios. Além de ser a primeira vez que alguém além dela os via e tocava, não os achava lá muito bonitos. No entanto, não os cobriu; se não dava para voltar atrás, deixaria que Eric os visse.

Eram seios médios, com uma leve flacidez. Os mamilos rijos por conta da libido eram planos na ponta e as auréolas eram um tanto grandes e nada rosadas, estavam mais para um castanho-claro. Livres do sutiã, os seios não ficavam tão unidos.

Ela poderia não ver beleza neles, mas Cartman viu o suficiente para sentir sede. Estava diante dos deliciosos peitos que tanto desejava, enfeitados pelo pingente de cruz prateada. Não mudaria nada neles. A expressão maravilhada no rosto dele transmitiu à admiradora do sombrio alguma tranquilidade.

Reconhecendo a situação desleal, ele mesmo continuou a trajetória de retirar a camiseta, deixando-a cair ao lado da cama. Também permitiu que ela o visse.

Henrietta já tinha admirado os braços e mãos fortes dele antes, mas vê-lo com o tronco todo despido era bem diferente. Os ombros e o peito eram igualmente fortes, com músculos sólidos nivelados com a gordura corporal. Não sabia exatamente que instinto primitivo a fez umedecer os lábios negros com a língua ao constatar aquela estrutura física; talvez a maldita biologia humana lhe gritasse que ele era um ótimo parceiro para procriar, embora pensar nisso naquele momento e idade fosse impossível.

Cartman tinha um corpo largo, decididamente com mais cor que o dela e com poucos pelos no peito e barriga. Esta última, por sinal, era onde o sobrepeso se concentrava, gerando um formato protuberante e arredondado. Ele já não era mais tão inseguro quanto a esse detalhe, mas ainda era agradável receber a aprovação no olhar dela.

Nada o preparou para o que a veria e ouviria dizer em seguida.

— Gostoso. — pronunciou olhando fundo nos olhos dele. Um sorriso discreto e uma mordida no lábio inferior.

Cartman piscou os olhos, pasmo. Chegou a ficar meio sem norte. Isso sim era algo que nunca pensou que ouviria, talvez menos ainda dela que costumava se retrair. Estava diante de sua namorada gótica gostosa pra caralho e foi ele quem ouviu isso? Não fazia o menor sentido.

Se aproveitando da distração que acabou causando nele, Henrietta se aproximou. Tocou o cós da bermuda dele, já confortável com a presença da ereção à frente. À essa altura, só não teria coragem o bastante para olhar Eric enquanto desfazia o fecho, que era o que começou a fazer.

Não só de clássicos vive uma gótica. Vez ou outra, Henrietta consumia livros do gênero dark romance, com elementos sobrenaturais, teor sexual e nem uma gota de romantismo meiguinho. Talvez por isso entendesse o sexo como algo meramente primitivo e carnal, que pode ser melhor e mais intenso quando praticado com alguém por quem se tem sentimentos. Não ter se interessado em se envolver com alguém não significava que não era uma criatura humana com desejos feito qualquer outra.

Além disso, muitas foram as vezes em que consumiu pornografia e se masturbou. Traumatizados ou não, adolescentes têm os mesmos hormônios. Se baseando na literatura e em vídeos, tinha uma vaga noção de como o sexo é praticado e de como a anatomia masculina funciona. Mas, como mencionado, era uma noção vaga, que não ajudava seus dedos a não tremerem enquanto abaixavam a bermuda de Cartman – um homem feito de carne e ossos, não de pixels ou páginas.

Primeiro, viu a cueca boxer. Vermelha, é óbvio; às vezes, ambos podiam ser bem previsíveis. As coxas dele eram tão grossas quanto as panturrilhas sugeriam, a mesma combinação atraente de gordura e músculos. Então, tinha o volume naquela peça íntima, demonstrando em pulsos suaves a vontade de estar dentro dela. Não podia negar que isso elevava sua autoestima.

O coração dela batia rápido. Não tinha coragem de ver a reação dele, já era suficiente o seu rosto em chamas por ele permitir de bom grado o que ela estava fazendo. Controlando o receio que sentia, ousou tocar o pênis ereto por sobre o tecido, de baixo para cima, explorando essa prévia da textura. A intimidade dela se contraiu novamente ao ouvir o rapaz suspirar. Não viu, mas sentiu, que ele inclinou a cabeça para trás com esse mínimo contato.

“Foda-se.” Henrietta pensou rapidamente. Como se aquele som tivesse acionado algum tipo de gatilho dentro dela, tomou a atitude de arriar a boxer.

Estava diante de um pau duro real. Quente e vivo, a cabeça levemente rosada e úmida com pré-gozo; o fascínio dela pela visão se sobressaía à timidez.

Havia alguns pelos pubianos curtos ao redor, afinal, nenhum dos dois contava que o dia terminaria dessa forma. As bolas eram consideravelmente grandes, talvez condizendo com a estrutura física do rapaz. Talvez segundo estatísticas, o tamanho peniano de Cartman poderia ser considerado mediano, não se parecendo em nada com as descrições exageradas contidas na literatura erótica. O que o destacava – bastante, ela precisava admitir – era a circunferência. O pau era bem grosso, como se também acompanhasse o físico do dono.

Movida pela curiosidade, Henrietta envolveu a base numa mão, percebendo que por pouco não podia fechá-la. “É. O filho da puta avisou.” pensou, lembrando-se de uma discussão de muito tempo atrás.

— Até seu pau é gordo. — com aquela constatação, proferiu o que também era para ser um pensamento.

Antes extasiado, o rapaz se voltou para ela com indignação no olhar. Porém, a raiva não durou; daquela visão privilegiada, assistiu em primeira mão quando Henrietta arriscou uma lenta lambida experimental na cabeça. Depois outra. Assim que ela inseriu toda a glande na boca, deslizando a língua sobre a fenda e abaixo, Cartman respirou fundo; percebia que teria que se lembrar constantemente de coisas horríveis – como Clyde de uniforme de cheerleader – ou aquilo terminaria antes do que deveria.

Ela tornou a passar língua e lábios pelo comprimento, conhecendo sabor e textura. Era levemente salgado, quase neutro, a pele lisa e quente parecia agradável. Recebeu a mão de Cartman na lateral da cabeça, se embrenhando no cabelo rebelde e a incentivando a continuar. À essa altura, já não tinha muita timidez sobrando, então deslizou a língua novamente até a ponta e, aos poucos, inseriu todo o comprimento na boca. Ou, ao menos, até onde conseguia.

Custava a admitir para si mesma, mas achou gostoso ter a boca preenchida dessa forma. O sabor também não era ruim, era como se Eric fosse uma iguaria nova em todos os sentidos. Por conta da grossura, era difícil não deixar que os dentes encostassem na pele, mas fazia o possível. Segurando numa mão para obter firmeza, arriscou os primeiros movimentos com a cabeça.

Era incrível. Com aqueles movimentos de sucção leves e molhados em seu pau, não tinha orgulho que sobrevivesse. Por aquele resultado, Cartman a carregaria de novo quantas vezes ela desejasse. Teria sido ainda mais persistente em entendê-la e se aproximar dela nos últimos meses, se preciso fosse.

Mas não tinha esquecido da brincadeirinha recente sobre seu corpo.

A mão que antes estava no cabelo da gótica foi parar no pulso, da mão que segurava o pênis pela base. Cartman a viu parar com meio pau na boca, sem entender. Fez com que ela o soltasse, distanciando a mão dela pouco a pouco. Proferiu em voz alta, ainda mais excitado por saber que ela iria odiar:

— Olha pra mim.

Como ele imaginava, viu a mão cujo pulso ele segurava se fechar num punho. Ela parecia pensar se iria ou não obedecer, por um segundo ele temeu ser mordido ou ter seu pau arrancado. Mas, de forma lenta, ela começou a erguer a cabeça. As sobrancelhas franzidas.

O rosto redondo. Os lindos olhos maquiados e gelados em sua direção. A boca revestida de batom preto, envolvendo tão bem o seu cacete. Um sorriso maquiavélico inevitavelmente brotava no rosto dele.

— Meu Deus. — Cartman teve um riso curto e maldoso. — Puta que pariu, isso é lindo pra caralho. Eu poderia morrer agora, nem iria reclamar.

Quando ela fincou as unhas negras e afiadas na parte de trás da sua coxa, o sorriso foi substituído rapidamente por uma expressão de dor. Com um olhar raivoso, Henrietta tornou a chupá-lo, com mais intensidade e vontade, mantendo os olhos nele por todo o tempo. As unhas sempre cravadas nele, parecendo querer rasgar a pele.

Era uma sensação conflituosa, o enorme prazer que ele estava sentindo competindo com a agonia que ela também lhe causava, os cinco pontos em que ela o feria queimavam. Devia ter esperado por isso. Ao menos, não era ao seu pênis que ela estava tentando dilacerar, vai ver reconhecia que ainda precisaria dele.

Em vez de praticamente esfaquear sua coxa, a gótica passou a se apoiar em ambos os lados do corpo dele, também fincando as unhas. Incentivada pelos gemidos que ouvia, tentava receber mais do pau pulsante e molhado em sua boca, deixando que tocasse livremente a região acima da garganta. Algumas gotas de saliva escapavam por seus lábios e queixo. Recebeu a mão dele acima da cabeça desta vez, afastando os cabelos dela do rosto. Foi preciso muito autocontrole por parte do antissemita, pois além de querer foder a boca dela – o que seria abusar da sorte, pois ela poderia engasgar e para uma primeira vez não seria nada agradável – era tão bom que sentia o clímax se aproximando.

A contragosto, segurou abaixo do queixo dela. Mesmo que a gótica não tivesse diminuído o ritmo totalmente, ele foi removendo o membro de sua boca. Trocando olhares, ela com aquela combinação de ódio e desejo e com uma mandíbula dormente, Cartman não resistiu: segurou em seu pênis e o usou para bater no rosto dela duas vezes.

Viu a rápida expressão de surpresa e vergonha que ela deixou escapar. Antes que a raiva chegasse, a empurrou na cama de novo, se impondo sobre ela. Tomou os lábios úmidos com vontade, não dando a mínima para onde estiveram segundos antes. Apreciava a sensação daqueles seios tocando e roçando seu peito, das mãos da gótica acariciando e arranhando muito suavemente suas costas nuas. Passou a beijá-la no pescoço outra vez, deixando uma lambida na área escurecida em que ele deixou marca. Sentiu um leve tremor passar por ela quando o fez.

Levou a boca até entre os seios. Beijava-a ali, da mesma maneira como fez quando voltaram do Underground Cave, só que ela agora estava bem sóbria, e os seios totalmente expostos para ele. Reparou que a gótica estava removendo o colar do pescoço, deixando-o ao lado deles. Se aproveitando da sua distração, Cartman tomou entre os lábios um dos mamilos, sugando-o e lambendo ao redor, acariciando e pressionando o outro. Henrietta liberou um gemido extremamente atraente, afundando os dedos nos cabelos castanhos. Já não estava sã o bastante para reprimir os sons.

Ele alternou, dando a mesma atenção a ambos os seios. Os chupava, apertava, mordiscava, adorando vê-la se contorcendo de prazer apenas com isso, mas não se demorou muito neles. Continuou a descida por seu corpo, até que enfiou um dedo no cós alto da calcinha. Retirava a peça sem tanta paciência quanto gostaria, já enlouquecendo com o cheiro delicioso que a boceta dela tinha. Parecia feito especialmente para atraí-lo.

Viu a barriguinha saliente, dividida em pneuzinhos. Henrietta tinha estrias até a altura do umbigo, a bunda também as tinha pelo que ele podia ver nas laterais. Tal como as celulites, as estrias não faziam a menor diferença para ele, sequer chamavam a atenção. A comeria gostoso com ou sem elas.

Não resistiu em deixar um beijo numa das dobrinhas. Assim como ela apreciou sua aparência completamente, Eric achava que aquela barriguinha só a deixava mais gostosa. Viu um sorrisinho sutil nos lábios da gótica quando olhou rapidamente para cima.

Continuava a despi-la, lamentando que no processo a meia-calça também sairia. Dispensou a calcinha praticamente encharcada junto com as outras roupas. Estavam os dois nus, morrendo de vontade um pelo outro.

Naquele momento, Cartman pôde confirmar: ela era loira natural, mesmo. Os pelos pubianos, que ao que tudo indicava eram mantidos curtos assim como os dele, eram de um castanho bem claro, quase loiros. Toda a região ao redor da vagina, como os grandes lábios e o monte de vênus, era gordinha, acompanhando o restante da estrutura física. Os pequenos lábios, brilhantes de excitação, eram rosados porém um tanto escuros. Daquele ângulo, conseguia ver um pouco do ânus, também de cor escura e curiosamente piscando para ele.

Agarrou uma das pernas da gótica. Começou a distribuir beijos na parte interna da coxa, do joelho à virilha. Teve que segurar com firmeza esta e a outra perna no lugar, pois ela já se contorcia com aqueles toques. Era como se os anos de auto repressão e a inexperiência realmente a tivessem deixado hipersensível.

Primeiro, sentiu os lábios dele tocarem seu sexo bem no centro, deixando um selo demorado. Teve uma leve sensação de cócegas, que ao mesmo tempo enviou calafrios por seu ventre. Então, ao constatar que sua boceta estava sendo explorada com a língua, praticamente degustada, músculo e lábios deslizando para cima e para baixo, quase esmagou a cabeça de Cartman entre as coxas. Não o fez somente porque ele as segurava. Abriu a boca em choque conforme ele chupava e lambia o clitóris inchado, o acariciando e rodeando com a língua. A gótica arqueava coluna e quadris, gemendo e segurando uma parte do lençol ao alcance da mão.

Cartman se concentrava naquele ponto sensível, deixando que língua e lábios também tocassem todas as partes de vez em quando. Percebendo que ela estava entregue, mantendo-se aberta para ele, experimentou deslizar a ponta do polegar para cima e para baixo em sua entrada, continuando a chupá-la mais acima. Os gemidos enlouquecidos da gótica, já praticamente esfregando-se em seu rosto, formavam a canção mais fascinante que já ouviu. O sabor dela, adocicado e levemente ácido, entrava entre as melhores coisas que experimentou e experimentaria na vida.

Henrietta começava a entender por que conformistas estão sempre em busca de um par romântico, ou simplesmente por alguém com que possam transar. Apenas essas preliminares estavam sendo a melhor experiência da sua vida, deixando o corpo dela em chamas enquanto está sendo chupada pelo cara por quem sente uma puta atração e nutre sentimentos idiotas. A sensação gritante e a pressão no seu ventre se intensificavam conforme ele a penetrava com a língua, parecendo se deliciar com o que estava fazendo e com o que causava nela.

Deu um gemido frustrado quando ele parou e se ergueu, mas logo entendeu o porquê. O pau dele seguia bem firme, querendo o mesmo que ela. Bem à vontade um com o outro, trocaram um olhar cúmplice. Percebendo que ele se inclinava até a cômoda, Henrietta se lembrou de algo.

Pensou em pedir para que ele tirasse a lente de contato que escondia o olho azul. Em sua primeira vez, queria vê-lo em essência, por completo. Mas, se fosse seguir essa lógica, ela deveria remover a maquiagem gótica do rosto. Optou por não dizer nada, deixando que os dois estivessem como se sentiam mais eles mesmos.

De uma das gavetas, Eric tirou um preservativo. Ao olhar para a pequena embalagem, ela teve outro importante lapso de memória.

— Acho... Que não vai precisar disso. — disse.

— Quê? — Eric arqueou uma sobrancelha. — Por quê?

— Tomo anticoncepcionais há alguns anos. — deu de ombros. — Recomendação pra controle hormonal. Caso contrário, eu seria ainda mais gorda e teria um monte de pelos. Não achei que seria útil pra outra coisa algum dia.

Cartman parou. Falhou em não expressar o que sentia diante dessa informação. Chegava a ter um brilho nos olhos, era como se tivesse ganhado na loteria. Deixou o preservativo exatamente onde o encontrou; é claro que pílulas anticoncepcionais não evitavam DSTs, mas quanto a isso, não havia com o que se preocupar.

Com o coração batendo forte de novo, Henrietta se posicionou melhor. Não demorou para ele se reaproximar. Se ergueu sobre ela impositivamente, se ajustando entre as pernas e alinhando as faces.

— Se seu eu do passado te visse agora... — Cartman comentou, se divertindo.

— Meu eu do passado não entenderia como eu te suporto.

Perdeu totalmente a compostura ao sentir a glande ser esfregada contra seus pequenos lábios. Deslizava fácil.

— Porra... — ela disse com lamento na voz. Segurou instintivamente nos ombros dele.

— Hm? — continuava o mesmo gesto torturante, sem pressa alguma. — Disse alguma coisa?

Indignada, Henrietta olhava profundamente nos olhos dele. Mal podia acreditar. Até nessas horas ele conseguia ser insuportável.

— Se acha que vou implorar, Eric, você — perdeu a voz e mordeu a boca, ainda sentindo a fricção deliciosa indicando o que estava por vir.

Pois bem. Mantendo as mãos nos ombros dele e impondo toda a força dos braços e pernas, foi capaz de deitá-lo de novo, pondo-se acima. Montou o colo dele outra vez, num contexto bem diferente de antes, tirando de ambos um gemido pelo contato entre os sexos. Esfregava-se contra ele, observando as expressões aflitas que ele fazia.

— Que gracinha... — zombava, continuando os movimentos. — Quem está querendo implorar, agora?

Bom. Apenas se esqueceu que ele dava demonstrações de força constantemente. Foi empurrada de volta como se não fosse nada, rendida de novo. Dessa vez, ao menos, ele estava mais do que disposto a finalmente fodê-la.

Se posicionou na entrada quente e molhada. Com uma facilidade surpreendente, inseria a cabeça primeiro com o cuidado necessário – mesmo que a vontade de se vingar pela tentativa falha de dominá-lo fosse latente. Se foi o primeiro a beijá-la de verdade, obviamente estaria tirando sua virgindade. Pouco a pouco, se afundava mais dentro dela, as paredes quentes o apertando.

A sensação da carne alheia a invadindo era a de estar sendo rasgada – pois, tecnicamente, uma parte dela estava. Acabou fincando as unhas no ombro e braço dele, embora não com a força de antes. A estrutura de sua vagina estava se adaptando à nova presença; um processo não necessariamente doloroso, poderia descrevê-lo como uma forte queimação acompanhada de desconforto.

Se esforçava para seu rosto não demonstrar o que sentia, mas os olhos – que Eric aprendeu a ler, independente do que ela tentava passar aos outros – a entregavam. Ser tratada com delicadeza demais não estava nos planos, mas estava grata por ele respeitar novamente o seu tempo.

Observava as feições da gótica, aguardando por indicativos de que era seguro continuar. Percebendo uma suave impressão de relaxamento, e o aperto das unhas sobre ele se aliviando, arriscou os primeiros movimentos. Gemeram conjuntamente com o estímulo; o rosto dela fervendo por estarem perto demais.

O que eram movimentos iniciais foram se tornando estocadas lentas. Ele ainda a estava esticando por dentro, porém a essa altura o incômodo era quase nulo. A visão começava a ficar nublada pela sensação prazerosa se acumulando em seu sexo e ventre, mordia o lábio inferior tentando conter os sons vergonhosos que escapavam da sua garganta. Se arrependeu rapidamente por ter feito isso.

É claro que seria um incentivo para Cartman fodê-la com mais firmeza e velocidade. Ela se arqueava, tinha espasmos, gemia, tudo sem conseguir tirar os olhos dele. Vê-la tão entregue, sem controle de suas expressões e voz, o agarrando com mãos e pernas, movendo os quadris junto com ele, tudo era recompensador. Seu pau se movia tão fácil, e ao mesmo tempo parecia tão pressionado, era tão incrível que já não conseguia pensar em nada, movendo-se em ritmo constante.

Ela conseguia mesmo se aproveitar até das mínimas distrações. As posições se inverteram de novo, Henrietta jogando o peso sobre ele sem em nenhum momento interromper a penetração. Agora era ela quem segurava os braços dele, iniciando o ato de cavalgá-lo. Os sons dos próprios gemidos se misturavam aos dele. Estando por cima conseguia controlar a profundidade e velocidade, e isso parecia ter elevado o prazer dele a outro nível.

— Hm. — não resistiu em brincar com ele outra vez. — Olha só quem gosta de ser dominado.

A gótica se alinhou um pouco, intensificando os movimentos pra que Cartman tivesse menos chances de reagir. E parecia funcionar. Com braços livres, ele a tocou parecendo querer assumir de novo, mas se conteve em apenas segurar nela, continuando a senti-la sentar nele, praticamente desorientado.

O sedentarismo combinado com nenhuma prática naqueles movimentos fez com que reduzissem, pois ela começava a sentir dor nos joelhos e virilha. Aproveitando a deixa e recuperando a sanidade, ele a agarrou por uma perna e fez com que se deitasse de novo, apoiando a panturrilha grossa e pálida sobre seu ombro.

— Quando vai aprender que não dá pra mexer comigo? — retomava as estocadas lentamente, querendo torturá-la.

— Quando você aprender a me foder de verdade. — desesperada pra que ele voltasse à velocidade de antes, respondeu com outra provocação. A elegância nas palavras indo totalmente pro inferno. — O que foi, Cartman? Tá com peninha de mim?

Aquela faísca selvagem que passou nos olhos dele. Aquilo... A deixou com medo.

Mantendo a perna alheia segura sobre o ombro, Cartman se inclinou sobre ela. Metia com tanta força, com tanto ódio, que os gemidos dela se tornaram altos, descompassados, se misturando aos impactos da carne contra carne. Quando ela tentou se segurar nele, dedos e corpo tremendo, ele conteve seus pulsos numa só mão e os empurrou de forma bruta contra o travesseiro. Se inclinou sobre ela ainda mais e, tendo-a naturalmente presa sob si, usou a mão livre para segurar em seu pescoço.

Ele não gemia, não raciocinava, concentrado unicamente em fazê-la repensar aquelas palavras. Ambos os corpos suavam. E, entre o prazer e o sofrimento, ela estava adorando.

Repentinamente, Cartman tomou um pouco de distância, ouvindo o gemido engasgado e quase aliviado da gótica. Vendo-se fraca, sem defesa, foi virada de bruços, tendo a parte inferior do seu corpo puxada na direção dele. Henrietta foi posta de quatro, a bunda enorme totalmente empinada para ele e o rosto tocando a cama. Sua boceta escorrendo o próprio suco.

Aquela bunda... Era magnífica, descomunal, tudo o que os olhos dele conseguiam ver naquele quarto. Redonda, cheia, um movimento natural em suas mãos, umas estrias que sinceramente foda-se. Junto à visão daquela linda boceta e do ânus contraindo e expandindo lentamente, aquela raba pálida era perfeita. Certamente sua nova obsessão.

Não pensou duas vezes. Mantendo o quadril da gótica firme no lugar, desferiu um tapa forte e bem direcionado em sua bunda, a marca vermelha na banda direita foi automática. Um gemido misturado a um grito foi o que ela emitiu; o fato de ter gostado combinado à sensação ardente a deixando confusa.

Outro tapa. Mais bruto, na banda esquerda. Mordeu o lábio de novo tentando se conter, agradecendo por ele não enxergar; Eric claramente sabia como e onde bater para não causar dor. Recebeu um terceiro tapa, mais forte e mais alto; a maior dor era a humilhação de aceitar.

— Seu filho da puta — se curvou ainda mais, erguendo a bunda para ele. — ...Gostoso.

A risada de escárnio que ouviu a deixou tão vermelha quanto sua bunda estava. O quarto tapa veio firme.

— Gosta mesmo de me xingar. — um quinto tapa, seguido de uma carícia no mesmo lugar. — É por isso que tá apanhando. Eu disse que ia respeitar minha autoridade.

Em silêncio, Henrietta ficou aguardando pelo sexto golpe. Um tanto ansiosa por isso, talvez. No lugar, sentiu a boceta ser invadida de uma só vez, todo o seu interior preenchido. O corpo de Eric encostando no dela, fazendo com que sua bunda se movesse. Ele não fez cerimônias para voltar a estocar, praticamente enterrando seu pau dentro dela, apreciando cada ondulação daquela bunda e cada gemido intenso que chegava aos seus ouvidos.

Ele experimentou esfregar o polegar sobre a entrada adicional. O ânus estava úmido, certamente resultado da posição anterior em que os fluidos escorreram até ali. Primeiro, se contentou em apenas continuar roçando e pressionando o ponto, observando as reações dela. Pelo tom diferente de gemido e nenhuma mudança em sua postura, supôs que ela estivesse gostando.

Escorregando parte do dedo para dentro, continuou a fodê-la naquele ritmo. Aquele era um canal a que a gótica nunca deu atenção, era estranho e até vergonhoso o quanto parecia bom. O prazer parecia prestes a explodir dentro dela, inconscientemente se contraía ao redor dele sem compreender que aquela era a aproximação do seu ápice. Mas Cartman percebeu de imediato o que aquilo significava, acabando por ser praticamente empurrado no mesmo caminho.

Eric — o gemido alto mais pareceu uma súplica desesperada. Uma adrenalina desconhecida tomava conta dela.

— Eu sei. — respondeu com um sorrisinho perverso. Em vez de se afobar e se mover mais rápido, continuou no ritmo que estava conduzindo seu orgasmo. — Pode gozar pra mim.

Ao ouvir essas palavras, o clímax veio com força. As ondas do orgasmo varriam os pensamentos dela e faziam seu corpo tremer. Os gemidos inicialmente altos se tornavam fracos, quase mudos, Eric precisou segurá-la para que as pernas dela não cedessem e para continuar a fodendo na mesma posição, de forma a levar a si mesmo ao próprio ápice. Movia-se continuamente na boceta sensível, até que saiu dela; mesmo que pudesse gozar dentro, escolheu o fazer sobre aquela linda raba, marcada por suas mãos. Sua porra era o toque que faltava para torná-la uma verdadeira obra de arte.

Deu um tapa final na banda limpa e se deitou ao lado dela, deixando a exaustão chegar. Henrietta se deitou de bruços, ofegante, também sentindo o cansaço. Ele gostaria de ter explorado mais aquela cavidade anal, mas para a primeira vez dela, estava tudo bem. Teriam todo tipo de experiência juntos pela frente.

Ele a puxou na própria direção, fazendo com que ela rolasse até se deitar contra seu peito. Tal como ele, Henrietta ainda estava em êxtase, alguns fios de cabelo grudados em seu rosto. E estava linda. A visão provocava calor em seu peito, envolvendo o coração dele com batidas calmas.

— Pensei em dizer três palavras — acariciava o rosto e cabelos dela. — Mas acho que você iria me matar.

— Que bom que você sabe. — retorquiu, sentindo a face se tornar vermelha.

— Depois dessa transa do caralho, ainda tem medo que eu abandone você?

— ...Não. Se fizesse isso, acho que eu enviaria cães infernais à sua caçada.

Cartman riu suavemente. Gótica até os ossos. A envolveu em seus braços, como se ele mesmo tentasse impedi-la de sumir.

— ...E então? — Henrietta levantou a cabeça para olhá-lo. — Vai buscar a porra do meu refrigerante ou não?

* * *

Em seu próprio quarto, sabe-se lá em que hora da noite, Henrietta estava confortável ao centro de sua cama. Maquiada, vestindo sua camisola favorita de cetim negro, se cobria até a cintura e lia um de seus livros pesados. As velas queimavam por todo o quarto, criando sombras longas atrás das decorações e mobílias fúnebres. A gata preta sobre a cômoda brincava com um punhal ali fincado, cutucando-o com suas pequenas patas.

A gótica se distraía serenamente. Até que ele chegou.

Só percebeu que Coon passou por sua janela aberta ao ouvir seus pés tocando o chão. Admirando a forma do seu corpo e sua presença imponente, já sentia outra vez sua intimidade queimar.

Observou cada passo que ele deu até onde estava. A olhava de cima, os olhos faiscantes e selvagens com alguma seriedade.

— Os pais dele estão mortos. — Coon anunciou com sua voz dura. — Mortos e entregues pra ele. Achei que devia saber.

Ele, quem? foi a pergunta que passou pela cabeça da gótica. Mas a dedução e a resposta vieram fáceis, muito fáceis. O sangue dela gelou.

Sem saber ao certo como, viu a si mesma de pé. Se pendurava ao redor do pescoço de Coon, envolvendo a boca dele num beijo emocional, sedento, grato. Foi conduzida até a cama de bom grado.

Irritada com a visão entediante, Penumbra se afastou e tentou tirar um sono acima do armário. Na cama de casal da garota, ela de quatro e vestindo a máscara do anti-herói, fodiam sem delicadeza, feito lobos, o suor brilhando sob as pequenas chamas. Coon tratava de manter a boca dela tapada, contendo seus gemidos. Não queriam que a família dela acordasse.

* * *