Make it to me
12 Little Things
Notas iniciais
20 minutos depois
— Kurt, — Disse Patterson entrando nervosa na minha sala. — Jane foi encontrada.
Eu a olhei, implorando pra ela prosseguir.
— Ela está indo pro hospital e… — Ela nem conseguiu falar quando me levantei diretamente pro elevador, indo pro hospital qualquer que fosse para encontrá-la.
— Eu não quero escutá-la, Patterson, eu quero ver Jane, só isso.
Eu estava transtornado, cansado, triste, angustiado. Quando nós teríamos uma trégua desse inferno? Eu havia perdido meu filho fazia pouco tempo, havia descoberto que era por causa da Sandstorm e agora a mulher da minha vida? Esse inferno tinha que acabar.
— Calma, Kurt, não é só isso. Eu já recebi informação de onde ela foi encontrada, em relação ao telefone que Roman entrou em contato com ela e o telefone está em uma localização totalmente oposta.
— Você acha que… ? — Eu perguntei, mas ela logo continuou quando entramos dentro do elevador.
— Pode ter sido uma armadilha. De qualquer modo, Reade e Tasha já mandaram um time para a localização do celular do Roman. Está parado faz mais de uma hora no mesmo local. O local não tem câmeras, mas no quarteirão ao lado tem. Vimos dois carros entrando e saindo. Eles entraram numa zona sem câmeras e o perdemos, mas a equipe foi verificar o local.
POV TASHA E READE
— Você acha que irmãos são sempre leais um ao outro, ou…? — Disse Reade puxando assunto enquanto estávamos perto de chegar no armazém abandonado na saída do Queens.
— Eu não sei. Geralmente são, mas nem sabemos se esse Roman é irmão da Jane mesmo. Ele pode está jogando com ela, assim como eles jogaram com todos nós esse tempo todo desde que ela apareceu na nossa vida.
Reade parou o carro alguns quarteirões antes. Duas equipes haviam ido conosco.
Organizamos nossa entrada do armazém e logo entramos, cada equipe por uma extremidade do local. Uma sequência de “limpo, limpo” foi escutado O local estava vazio, exceto por um contêiner que havia no meio dele.
— Phillip. — Eu chamei o agente com mapa de calor. Havia um corpo ali dentro, perto da porta. Nenhum sinal de bomba. Chamei Reade para fazer minha cobertura e arrombei o contêiner. Abri a porta para assistir um sangue vermelho derramar pra fora.
Era o corpo de um homem barbudo e loiro com uma cicatriz com a outra metade da cara afundada numa poça de sangue.
— Ambulância. — Gritou o Reade e então se abaixou para verificá-lo. — Ele ainda tem pulso.
Viramos ele e vimos que ele tinha tomado algumas facadas no braço, provavelmente havia lutado com alguém. A base do seu pescoço estava vermelha, quase roxa.
— O que diabos aconteceu aqui? — Eu me virei para encontrar o olhar de Reade, tão assustado quanto o meu.
***
Cheguei no hospital para encontrar dois policiais. Era ali que Jane estava. Me virei pra atendente.
— Jane Doe, onde está? — Perguntei com pressa.
— Quem? — Ela perguntou confusa.
— Jane Doe, uma mulher toda tatuada que deu entrada alguns minutos atrás.
A mulher me olhou atenta, até que mostrei meu distintivo.
— Ela é consultora do FBI. Eu sou diretor do FBI. Ela é minha namorada. Onde ela está? — Eu disse com cada vez menos paciência até que um médico familiar saiu da porta ao lado.
— Kurt Weller. — Ele disse me cumprimentando.
— Como ela está, doutor? — Eu perguntei sem rodeios.
Ele olhou ao redor.
— Por se tratar de um caso federal, você quer entrar? — Ele perguntou.
Eu acenei e ele me deu passagem. Entramos na sala pessoal.
— Ela está em cirurgia.
— O que diabos aconteceu? — Perguntei.
— Ela levou uma facada na perna e ficou perdendo muito sangue. Provavelmente ela tentou fazer algo arriscado porque ela também sofreu uma lesão na costela.
— Eu posso vê-la agora? — Perguntei inquieto.
— Eu conheço você, mas infelizmente não. Eu preciso voltar pra lá agora. Me deixe saber de qualquer coisa. Assim que ela sair de cirurgia eu aviso a você, ok? Caso haja qualquer familiar dela, você pode estar contactando.
Não tinha, eu pensei. Quer dizer, eu achava que não, mas resolvi ligar pra Patterson.
— Ela está bem? — Ela perguntou logo que atendeu.
— Eu não sei. — Eu disse com a voz um pouco trêmula, pois realmente estava nervoso. — Ela ainda está em cirurgia. Ela levou uma facada na perna e perdeu muito sangue e provavelmente machucou a costela
— Tasha e Reade encontraram Roman. Ele está quase no mesmo estado que Jane. Algumas facadas no braço e… — Ela começou, mas parou.
— E… ?
— Ele tem zip nele também. Estão esperando ele sair de cirurgia para darem mais informações. Não sabemos o quanto foi. Pellington está vindo pra cidade.
— O que infernos está acontecendo? — Eu perguntei ainda mais confuso e lembrei que isso tudo começou quando Nas apareceu e colocou Jane pra encontrar Roman. — Diga a Nas que eu quero ela o mais longe possível do meu escritório. — Eu disse e desliguei o telefone.
Resolvi sair da sala pois o lugar apertado estava me tirando o juízo. No final do corredor havia um sofá e eu fiquei passando de um lado para o outro até que escutei alguém cantarolando algo.
"Você é meu raio de sol, meu único raio de sol. Você me faz feliz quando o céu está nublado" a criança cantava. Era uma menininha de uns 8 ou 10 anos cantando aquilo pra sua boneca. Ela estava tão concentrada cantando aquilo pra sua boneca e minha distância pra ela me lembrou quando fui ao CDC com Jane, no qual ela disse que meus passos estavam deixando ela nervosa. Aquilo realmente só me deixava mais nervoso então resolvi sentar no sofá.
A menina me olhou de rabo de olho, mas logo continuou cantando ao meu lado. "Você nunca saberá, querida, o quanto eu te amo. Por favor, não leve meu raio de sol para longe" ela cantou e abraçou sua boneca. Naquele momento meus olhos já estavam marejando. Meu raio de sol era Jane e ele quase havia ido para longe hoje. Quase ia, e eu nem sequer pude dizer a ela o quanto ela iluminava a minha vida. Não por não dizer, mas por não saber como, mas eu não poderia deixar que as palavras ficassem quando ela acordasse.
— Desculpa. — A menina disse me olhando. — Essa canção é muito triste. Eu devia cantar outra música, mas eu gosto dessa.
— Não estou chorando pela sua música. — Eu disse.
— É por sua mãe? — Ela perguntou curiosa. — A minha mãe está aqui também. Essa é a música favorita dela, por isso estou cantando, pra ela acordar e cantar comigo.
— Não é minha mãe. É minha namorada. — Eu respondi.
— Você devia cantar a música dela, assim você não chorava. — Ela disse, o que me fez rir.
— Eu não sei cantar. E nós não escutamos muita música. — Respondi.
— Você pode cantar a minha música então comigo. — Ela disse e continuou cantando. Eu a acompanhei fazia alguns minutos.
Duas horas depois
A menina havia dormido no sofá ao meu lado fazia alguns minutos. Eu estava agradecendo a Deus por ela ter aparecido, pois havia me distraído, mas quando ela dormiu eu me situei. Percebi que havia passado duas horas. Queria saber novidades do doutor, mas ele não havia aparecido e eu não queria deixar a garotinha sozinha.
Alguns minutos depois um homem apareceu. Ele era magro, de aparência muito humilde e parecia muito com a garota.
— Lauren! — Ele disse indo na direção da garota que ainda estava dormindo.
Ele olhou pra mim com um olhar de poucos amigos, mas mostrei meu distintivo.
— Ela está aqui por mais de duas horas. Estava cantando uma música pra sua boneca. Ela dormiu faz pouco tempo e não queria deixá-la sozinha aqui.
— Ela é minha filha. Estamos na ala ao lado. Ela provavelmente se perdeu e ficou com medo de voltar. Obrigada por olhar ela.
Nessa hora, a menina acordou do sono que havia se tornado apenas um cochilo.
— Pai! — Ela disse toda feliz, abraçando o pai.
— Eu estava preocupado com você, Lauren. — O pai disse.
Foi então que ela me olhou.
— O moço estava comigo. Estamos todos bem. Melissa também está bem. — Ela disse mostrando sua boneca.
Seu pai sorriu calorosamente até que ele se levantou.
— Obrigada por cuidar dela.— Ele disse um pouco tímido.
Eu apenas acenei com a cabeça e a menina me deu tchau e então eles saíram da sala e ficou somente eu e meus pensamentos novamente flutuando entre Jane e o filho que Allie tinha perdido.
15 minutos depois o médico saiu de uma sala.
— Aqui está você. — Ele disse vindo em minha direção. Parecia mais aliviado, embora eu não estivesse nem um pouco. — Ela saiu de cirurgia. Vamos apenas instalar ela em um quarto e chamamos você, ok?
Respondi acenando com a cabeça. Me levantei pra beber água, liguei para Patterson e logo o doutor reapareceu. Subimos alguns andares e eu finalmente pude ver minha sunshine novamente.
Ela estava pálida e ainda desacordada. Entrei e uma enfermeira logo saiu, nos dando privacidade.
Uma de suas pernas estava levantada e ela estava com um vestido, mas dava pra ver que havia algo na costela dela. Seus lábios e uma parte de sua testa estavam arranhados. Eu peguei em uma de suas mãos e me senti tão vazio ao não sentir seus dedos apertando com os meus.
— Sei que eu não devia brigar com você agora, — Eu disse olhando pra ela, — mas você tem que parar de ser tão teimosa e de me dar tanta preocupação. Olha tudo que já passamos. Eu não posso perder você, então você não pode fazer isso comigo de novo, entendeu? — Eu finalizei quando umas lágrimas saíram dos meus olhos. — A minha vida ta um inferno, mas eu não posso sobreviver ou acabar com esse inferno sem você por aqui. Eu não posso acabar com esse inferno sem você e eu sei que se você se fosse cada segundo sem você seria o próprio inferno.
Eu alisei seu rosto, decorando novamente cada centímetro da face dela. Eu sabia que não era culpa dela, mas ainda assim ela tinha ido e quase não voltado. Como seria minha vida sem voltar com ela pra casa toda noite? Como seria dormir sem seu corpo? Eu já havia esquecido como era e não gostaria de lembrar. Como seria assistir um filme sem ficar brincando com as mechas cacheadas de seu cabelo e ficar contando quantas voltas eles davam. Como seria acordar sem ver aqueles olhos verdes tão penetrantes me dizendo tanto apenas por um olhar? Seria uma vida pela qual eu não queria passar e não gostava nem se pensar.
Eu levantei sua mão que estava junto a minha e a beijei.
— Eu amo você, Jane.
Eu sabia que ela provavelmente não havia escutado, mas eu ainda queria dizer. Ainda queria tirar isso tudo de dentro de mim e deixar ela ciente do quão grande era meus sentimentos por ela, por mais que eu tivesse errado tanto com ela no passado. O fato dela ter perdoado meus erros só me fazia amá-la mais e mais. Quem mais seria capaz de perdoar senão alguém que amava imensamente?
Eu havia escutado isso na igreja quando pequeno e somente agora que eu tive a sensação de perda da mulher que eu amo foi que eu pude entender o quanto perdoar significava amar.
Meus pensamentos foram cortados quando meu telefone tocou.Era mensagem de Pellington.
“Patterson está indo pro hospital. Preciso de você aqui e agora. Precisamos dar um fim nisso”
Eu beijei sua testa e então fui pro escritório, colocar realmente um fim nisso tudo.
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