Notas iniciais
Sei que faz tempo que não atualizo essa história, mas espero que vocês não tenham desistido.

Minha respiração doía.

Não era como se o ar em si entrando nos meus pulmões incomodasse, mas o expirar fazia eu sentir uma dor terrível no músculo da perna, como se ele tivesse aberto, embora eu sentisse que ele estava coberto.

Eu não sabia exatamente onde eu estava, mas a julgar pelos fios que senti pelo corpo, eu esperava que fosse um hospital, se possível do FBI e não da Sandstorm. Tentei abrir os olhos, mas a luz estava forte e eu me remexi desconfortavelmente por isso.

Ouvi uma voz familiar.

— Ei, você acordou!

Era a voz de Patterson. Suspirei aliviada, embora suspirar doesse bastante, por ter alguém conhecido.

Só tive forças pra dizer.

— Dói.

Escutei sua risada curta.

— Óbvio que sim. Você não é inquebrável e por pouco não perdeu a perna. Mas está tudo bem. Me deixe ligar pro Weller pra ele saber que você acordou.

Foi quando eu finalmente consegui abrir os olhos.

— Onde está ele? — Perguntei de repente nervosa pela resposta. — E Roman? E o time?

— Estão todos bem, ok? E estão todos preocupados com você, mas vai ficar tudo bem. — Ela disse e saiu do quarto e fechou a porta antes que eu pudesse falar mais alguma coisa.

**

Acordei de um sono quando o céu já estava laranja pela janela do quarto. Devia ser final de tarde já e de repente eu senti como se já fizesse um mês que eu estava naquela cama. Eu não lembrava quando tinha dormido, mas talvez tenha sido efeito da dor ou meu corpo que simplesmente não suportou e decidiu por si mesmo descansar. Respirar já não doía, mas eu sentia minha perna costurada. Uma dor na costela de leve, mas já me sentia um pouco melhor.

Acordei para ver Kurt ao meu lado. Ele estava cochilando, mas como um sentido, ele acordou logo depois que me apoiei um pouco mais sentada na cama para observá-lo.

Um sorriso foi a primeira coisa que pintou em seu rosto quando me viu sorrir para ele.

— Deus, como eu tive medo de nunca mais te ver sorrir assim. — Eu disse e ele então se aproximou e beijou minha testa.

— Você acha que não tivesse esse mesmo medo quando vi que alguém tinha te encontrado machucada?

— Estamos equilibrados então. — Eu disse com humor e ao ter ele tão próximo de mim eu o puxei pela gravata e roubei um beijo rápido dos lábios dele.

Nosso sorriso aumentou com isso.

— Eu te amo muito, mulher. — Ele disse com os olhos marejados. — Deus, como eu te amo!

— Que bom então porque eu também te amo muito. — Eu disse e respondi com outro beijo.

O medo de tê-lo perdido completamente me fazia ansiar de felicidade de tê-lo ali tão vivo e na minha frente. Lembro que antes de desmaiar, ele e Roman foram as primeiras pessoas em quem pensei. E agora ele estava ali na minha frente. Patterson havia me dito que Roman e todos os outros estavam bem, então a última coisa pelo qual eu poderia esperar era poder ir pra casa.

— Me leve pra casa. — Eu disse e então uma porta abrindo me interrompeu.

Era um doutor.

Kurt limpou a garganta e ele então aproximou-se de mim.

Os próximos minutos foram de profundo aborrecimento porque o médico disse que eu não poderia sair imediatamente. Foram dois dias irritada por estar naquele lugar, e eu sabia que Kurt estava me escondendo algo que ele não queria me dizer, então o aborrecimento era ainda maior ainda.

Ele porém, fiel como era, ficou a todo minuto lá comigo, se ausentando apenas para ir lanchar quando alguém do time aparecia. Todos apareceram, menos Roman. Todos pareciam estar pisando em ovos quando eu perguntava pelo meu irmão. Tasha quase me falou porque ela sentia meu aborrecimento e segundo ela, ela sabia como esconder — eu não sei o que- só ia me fazer mal. Eu respirei fundo antes de tocar novamente nesse assunto com Kurt porque eu sabia que era algo pelo qual iríamos brigar provavelmente, mas eu queria saber sobre meu irmão.

Dois dias depois, eu finalmente fui para casa. Kurt cuidou de mim com delicadeza ao me transportar, aguentando calado todos os meus momentos de fúria pela ausência de informações sobre Roman, o que me deixava ainda com mais raiva. As táticas para fazê-lo falar não estavam funcionando.

Isso acabou criando um silêncio ensurdecedor entre eu e ele quando eu não estava brigando, mas eu não ia desistir de lutar pra saber as coisas. Eu havia sido manipulada minha vida inteira e agora que eu tinha um pouco de liberdade, eu não ia deixar que fizessem isso novamente comigo.

— Kurt. — Eu chamei enquanto estava na sala e ele estava calado arrumando algo na cozinha. — Você pode vir aqui conversar comigo. Por favor.

Ele se sentou na minha frente.

— Você lembra da raiva que você sentiu ao descobrir que eu estava te omitindo algo no passado? — Perguntei bem séria e antes que ele pudesse falar algo eu continuei. — Eu estou sentindo a mesma raiva agora ou semelhante simplesmente porque você não me conta o que diabos aconteceu.

Ele suspirou profundamente enquanto passava sua mão esquerda pela sua barba, num movimento que fazia quando estava pensando em algo sério. Depois, ele me encarou por uns segundos e só falou num tom baixo, mas firme.

— Acabou.

Minha cabeça ficou por uns minutos ali processando o que de fato havia acabado.

KURT POV

Alguns dias atrás

Cheguei para dizer o mínimo irritado no FBI. Dei de cara com a pessoa que ao mesmo tempo que queria ver, era a que eu menos queria ver: Nas.

— O que você ta pensando que você faz? — Eu comecei, mas carregando-a para dentro da minha sala antes de continuar o sermão. — Você sabia que se Jane tivesse morrido a culpa era sua? Eu espero que você saiba que, se algo acontecer com ela eu vou até o inferno se possível fazer você pagar por isso.

— Kurt! — Ela disse querendo roubar minha atenção. — Eu não vou aguentar suas broncas calada. Eu sabia que no estava metendo Jane do mesmo jeito que ela sabia e ela foi. Eu não forcei ela a fazer exatamente nada. Infelizmente, se quisermos derrubar a Sandstorm, temos que abrir mão de algumas coisas e…

— O que diabos você está dizendo? Que eu tenho que trocar de agentes como quem troca uma garrafa de água? Que eu tenho que mandar nosso maior recurso dessa missão do jeito que você quiser sem você sequer se reportar pra mim e…

Quando nossa discussão estava se intensificando, a porta da minha sala se abriu e um Pellington bem sério saiu dela.

— Kurt. Eu não disse para me procurar logo que chegasse?

— Desculpe, senhor. — Eu disse tentando recuperar minha postura.

— Temos coisa a resolver no andar de cima. — Ele disse e abriu a porta para que fóssemos pro elevador.

— Essa conversa aqui não acabou. — Afirmei olhando para Nas e saí.

Pellington passou a mão pelo meu ombro, tentando me acalmar, mas eu apenas suspirei e me afastei. Talvez só quando Jane se acordasse e isso tudo acabasse.

— Isso vai acabar logo, meu amigo. — Pellington afirmou quando o elevador fechou a nossa frente.

— É o que eu quero, mas como?

Foi a hora que o elevador abriu na enfermaria. Logo na sala da frente estava Roman numa cama. Tasha e Reade aparentemente o vigiavam no lado de fora.

— Mas como? Ele está com ZIP nele segundo Patterson, e ele está tão machucado quanto ela.

— Os ferimentos dele não foram tão graves quanto os de Jane. E a quantidade de Zip dele é mais baixa. — Zapata disse.

— Se ele sabia tudo do plano, pode ser que ele lembre de você quando acordar e fique do nosso lado depois do que a mãezinha deles fez com ele e com a irmã dele.

— Isso é uma aposta, certo? — Disse sem nenhuma confiança ao Pellington.

— A melhor que temos. Que tal ficar esperando ele acordar? — Ele continuou e virou-se. — Preciso resolver o erro que foi trazer a NSA para esse caso.

***

Pouco tempo depois de Pellington se ausentar, Roman se mexeu do nada na cama e então eu entrei e pedi que Reade e Tasha entrassem para me ajudar a conversar com ele, no caso dele não ser muito receptivo.

Ele era um rapaz loiro, alto, barbudo e robusto. Não tinha nada a ver com a Jane, exceto pela cor dos olhos e da pele, mas ainda havia alguma conexão invisível entre eles.

Ele nos olhou assustado quando acordou e nos viu a sua frente.

— Pelo seu olhar, você já sabe quem somos. — Tasha disse e sentou ao lado de Kurt. Reade permaneceu de pé.

— Sem formalidade. Como eu vim parar aqui?

— Do quanto você lembra? — Eu perguntei e então troquei olhares com os dois agentes.

— Meu nome é Roman Kruger, mas já foi Ian. Eu tenho uma irmã que está no FBI atualmente, com vocês, e minha mã… — Ele quase finalizou, mas então franziu as sobrancelhas e olhou para seu corpo enfaixado devagar.

Com pouca paciência, Tasha estendeu umas fotos para ele em cima da cama.

— Sua mãe, Shepherd, também conhecida como Ellen Briggs. Ela machucou você e o jogou desse jeito dentro de um container. A sua irmã, ela deu uma facada e ela se encontra em outro hospital. Então, se você quiser pegá-la, você pode nos dizer tudo que você lembra.

Roman pareceu pensar por alguns segundos e então olhou bem sério pra morena.

— Isso é sério? Como eu não sei que foi vocês que me machucaram?

— Se nós pudéssemos pegar você limpo e sem ferimentos para que você fosse um melhor recurso, não acha faríamos? — Reade interrompeu ao ver Tasha suspirando zangada.

— Então, temos um acordo? — Eu disse de repente.

— Que tipo de acordo? — Ele perguntou, temeroso, mas querendo escutar então eu o disse o que poderíamos fazer.

******

— Então é isso que você ta me escondendo? Que você e meu irmão se juntaram? Que vocês conseguiram derrubar a Sandstorm? Porque eu não vejo aqui motivo pelo qual Zapata disse que ia me irritar, ou porque eu ainda não vi meu irmão apesar desse tal acordo. — Perguntei interrompendo-o e ele então passou a mão na testa num suspiro antes de me responder

— Nós não conseguimos cumprir esse acordo.

— O que aconteceu, Kurt?

Ele sentou-se mais perto de mim, mas por um impulso, eu tentei me afastar. Em vão por conta da minha perna.

— Shepherd tinha uma armadilha que consistia em invadir o FBI para ter acesso ao controle de outros prédios. O ZIP que ela colocou no seu irmão é mais fraco que o seu, então ele apenas não lembrou de alguns detalhes, mas conseguimos conter tudo. Perdemos 3 agentes e…

— Fala logo, Kurt! Meu irmão está morto?

— Não. Não é isso. — Ele apressou-se. — Roman está bem, mas… Ele não está mais conosco.

— Como assim?

— Ele não poderia participar do nosso plano de defesa. Tasha e Reade alertaram que ele poderia agir como um cavalo de tróia então o colocamos em uma casa segura com dezenas de agentes. Nós dispensamos Nas por conta da imprudência dela ao te mandar sem nos avisar, mas os agentes não sabiam e ela chegou lá e o levou para a NSA.

— Você não devia ter feito isso sem mim! — Foi a primeira coisa que eu falei depois de segundos desconfortáveis de silêncio no qual minha cabeça deu 300 voltas no espaço e voltou. — Você não poderia ter matado a Shepherd assim. Você tirou esse propósito de mim. Eu merecia estar lá pra acabar com isso depois de tudo que ela me fez passar. Ela quase me matou, quase matou meu irmão.

— Jane… — Ele disse tentando me acalmar tocando no meu joelho, mas eu o afastei.

— Não toque em mim!

— Eu só quero que você saiba que estamos tentando trazer seu irmão de volta. As coisas não são tão simples quando há brigas de jurisdição de caso, mas estamos todos nessa briga.

— Como eu devo acreditar nisso agora?

— Por que você está agindo assim? Nos últimos dias todos nós temos escondido isso de você para que você voltasse e reencontrasse o seu irmão, cujo qual nem conhecemos, apenas porque ele é seu irmão. Não sabemos da intenção dele e nem nada, só fizemos isso por você e você está agindo como se não tivéssemos fazendo nada.

— Porque é isso que vocês estão fazendo. Estão fazendo isso por mim e por isso ninguém quer devolver o Roman.

Nós dois nos encaramos e quando Kurt viu o quão raivosa eu estava e como essa briga não ia acabar cedo. Ele se levantou e voltou para a cozinha. Ouvi seu reclamar por quase ter queimado algo, mas apenas fingi não escutar. Eu odiava ficar daquele modo, mas ele precisava entender o quão estressante havia sido os últimos dias e saber que meu irmão estava preso com uma pessoa que não confiávamos e que ele não estava tendo uma segunda chance como eu, aquilo me tirava o juízo.

Kurt me entregou silenciosamente o jantar e comemos em silêncio.

Ele sabia que eu não queria falar, do mesmo modo que ele parecia ter medo de falar e me fazer ficar com mais raiva, então o silêncio pesou ainda mais entre nós. Isso porém não o impediu de cuidar de mim. Ele me ajudou a fazer tudo que não conseguia por causa da perna, até que eu o pedi para me levar para cama. Quando ele assim o fez, a raiva dentro de mim era menor e eu pude ver com mais clareza tudo o que estava acontecendo.

Quando estava pensando em conversar com mais calma, me virei para encontrá-lo saindo do quarto.

— Kurt… — Eu disse antes que ele apagasse a luz e saísse.

— Oi. — Ele disse mais sério, apenas com uma calça de dormir e lençóis na mão.

— Por que você… — Eu comecei, mas antes que ele dissesse algo mais, eu me interrompi e reformulei o que ia falar. — Você não precisa ir dormir na sala só porque estamos brigados.

Ele respondeu com um sorriso amarelado, mas não saiu do canto.

— A menos que você queira dormir longe de mim.

Ele circulou a cama, e se colocou debaixo das cobertas.

Quando senti o calor do seu corpo, seu contato tão perto do meu, perceber seu cuidado, eu percebi que ele só queria meu bem. Por pior que fosse, que eu não entendesse, no final ele só queria meu bem. Isso o tinha feito silenciar quando eu briguei, cuidar de mim mesmo vendo a raiva em meus olhos e não hesitar em fazer isso. Se ele não hesitava em me ajudar quanto eu estava com raiva, porque eu havia de pensar que ele havia hesitado em ajudar meu irmão quando eu estava quase morrendo?

— Não, não é o que eu quero. — Ele respondeu me tirando de meu devaneio e beijou minha testa.

— Que bom então. — Eu disse juntando meu corpo ao seu como podia. — Porque eu também não quero.



Notas finais
Comentários são sempre bem vindos. E dessa vez nem ligo se for xingamento por eu demorar a atualizar. Próximo capítulo tem surpresa para vocês e para Jane.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.