Notas iniciais
Esse capítulo não é exatamente romântico, mas estou alinhando a história para ficar como quero. As coisas deste capítulo serão melhor explicadas no próximo capítulo. Espero que gostem e deixem comentários!

Depois de uma noite instável de sono, resolvemos ir mais cedo pro trabalho. Conversamos e chegamos a conclusão que o melhor a fazer seria não contar a Allie, afinal isso não faria bem a ninguém a essa altura, isso não ia trazer o bebê de volta. Só iria nos trazer dor, como já estava trazendo a mim e a Kurt, e nós não queríamos compartilhar essa dor com ela.

Estávamos saindo do carro quando ele se virou pra mim e deu um beijo na minha testa, o que sempre me fazia sorrir e ele sabia disso.

— Nós vamos ficar bem, ok? — Ele disse tentando me acalmar. — Vamos apenas nos concentrar em acabar isso e ter paz na nossa vida.

— Com esse trabalho é bem difícil. — Completei com um pouco de humor.

Ele sorriu e eu amava quando ele fazia isso, pois seus olhos pareciam clarear ainda mais.

— Sim, mas enquanto não acabarmos com eles a guerra vai ser maior, mas nós vamos conseguir acabar com eles. Nós só não podemos parar de viver ou de comer.

— Eu não estou com fome.

— Mas você tinha que ter comido algo esta manhã.

— Eu como daqui a pouco por aqui.

— Vou me certificar de que sim. — Ele disse e me beijou.

Saímos do carro e subimos no elevador para encontrar Nas nele. Aproveitei para acompanhar logo ela até sua sala e passar tudo que havia conversado com Roman, o que não era nada de muito relevante para o caso e só nos dava a confirmação do quão Kurt era importante pra esse mirabolante plano de Shepherd. Era frustrante não saber como ele serviria afinal, mas nós não iríamos desistir de descobrir isso.

Estava terminando de repassar o que havia conversado com Roman quando o celular tocou.

Era o número descartável que Roman havia se comunicado comigo anteriormente me ligando. Franzi minha sobrancelha.

— Com licença. — Eu disse a Nas. — É o número que Roman me contactou ligando.

— Ponha no viva-voz. — Ela pediu.

— Alô?!

— Remi. — Disse a voz do Roman. Sem modulador de voz.

Nas ligou na hora um de seus programas de reconhecimento de voz para tentar identificar algo.

— Eu preciso que você me reencontre no lugar de ontem. — Ele disse, mas senti algo diferente na sua voz.

Nas fez sinal para que eu continuasse a conversa.

— Eu não posso sair do FBI sem que eles desconfiem. O que aconteceu? — Perguntei.

— Diga a Kurt que precisa preparar uma surpresa pra ele, ou sei lá, mas apenas venha. Preciso de você aqui.

— Vou ver o que posso fazer. — Respondi e ele desligou.

Nas estava me observando.

— O que eu supostamente devia fazer? — Perguntei.

Ela me olhou.

— Você tem que ir. Você tem que mostrar a eles que sua lealdade está com ele. Eles querem que você domine o Kurt e você tem que provar que consegue fazer isso.

Estava saindo quando vi ela mexendo em seu sistema.

— Você encontrou algo sobre ele? — Perguntei nervosa.

— Ainda não, mas devo estar perto. Apenas vá! — Ela disse.

— Eu vou avisar ao Kurt. — Disse e ela me olhou.

— Eu aviso a ele. Você precisa ir logo para sermos capazes de conseguir mais informações hoje.

— Ok. — Disse e sai sem qualquer ideia do que poderia acontecer.

KURT POV

— Onde está Jane? — Perguntei chegando com um café para ela na sala de Nas pois ela havia se alimentado mal antes de irmos ao trabalho.

— Ela foi encontrar com Roman. — Ela disse. — E eu tenho algo graças a isso.

— O que?

— Eu tenho a identidade do Roman. Identidade que ele usava por aqui.

— Por que raios Jane foi encontrar com Roman uma hora dessas sem me avisar?

— Ele ligou pra ela. — Ela disse calmamente, totalmente diferente do meu status agora.

— Pra que? — Perguntei nervoso já tirando meu celular do bolso.

— Não sabemos. Ele pediu pra ela dizer a você que tinha que sair pra fazer uma surpresa pra você e fosse ao encontro dele.

— E ela saiu sem me avisar?

— Eu disse a ela pra ir logo. — Ela disse me olhando e vendo minha impaciência ela suspirou. — Olha, eu sei o quanto essa instabilidade é difícil, mas temos que nos adaptar a isso. Jane é uma agente tripla agora e você precisa aprender a lidar com isso.

— Você quer que eu aprenda a lidar com minha namorada a todo momento entrando e saindo da presença de uma organização terrorista?

— Você é diretor assistente do FBI. Tem que saber lidar com pressões a partir de agora. — Ela disse e eu sai sem falar nada, em busca de Patterson.

Patterson estava na sua sala sozinha tentando decodificar algo.

— Quero que você rastreie pra onde Jane foi ontem. O local. — Eu disse bem direto.

Ela me olhou assustada.

— O que está acontecendo?

— Nas mandou Jane pra lá hoje novamente. Eu não sei o que está acontecendo.

— Se ela foi então ela deve confiar no que a Nas diz.

— Elas não fazem ideia do porque ela fez isso. Apenas descubra e me mande algo.

— Ok. — Ela disse sem questionar.

***

Entrei na loja de tatuagem, embora ela parecesse fechada, a porta estava aberta.

— Roman? — Foi a última palavra que disse antes de sentir algo no meu pescoço e toda minha vista escurecer.

Acordei amarrada em uma cadeira. Havia alguém atrás de mim, mas não tinha ideia de quem era.

— Olá, Remi. — Ela disse num tom que me deixou nervosa. — Ou devo dizer Jane?

— Quem é você? — Eu perguntei desesperada enquanto me remexia naquela cadeira, tentando em vão me desamarrar dali.

A mulher veio a minha frente. Ela tinha cabelos cacheados loiros e era morena. Me tinha um rosto familiar, mas não conseguia lembrar de onde.

— Sou sua mãe. — Ela disse se ajoelhando a minha altura. — Ou era. Eu não costumo chamar de filho quem não tem sua lealdade comigo porque em uma família todos são leais um ao outro e eu sei que você não está sendo leal a mim.

— Você é louca? — Eu disse olhando com fúria pra ela. — Depois do inferno que eu passei no FBI pra fazer o que você quer você ainda acha que eu estou do lado deles?

— Fazer o que você quer... Olha como você mudou. Esse plano era seu! E agora você fala como se você fosse obrigada a fazer isso. Isso é tão decepcionante, Remi.

Naquele momento abaixei minha cabeça, eu tinha me contradito.

— Como você descobriu? — Perguntei séria.

— Remi foi colocada no FBI pra dominar Kurt, mas ontem a noite eu ouvi você dizendo ao seu irmão que estava dormindo com ele. — Nesse momento ela se aproximou ainda mais de mim. — E eu tenho certeza que Remi, ou sei lá que verme você tenha se tornado, jamais dormiria com um homem por quem não tem sentimentos.

— Eu… — Ia falar algo quando ela me deu um tapa.

Senti meu rosto arder como nunca.

— Cale a boca. Está no meu momento de deixar meu recado. — Ela disse tirando uma faca de seu lado. — Era pra você apenas dominar Kurt pra trazer ele pro nosso lado, mas você fez algo que Remi nunca faria, você deixou ele dominar você. Sua vida, suas decisões, até seu corpo.

Ela passou a faca muito perto do pescoço, deixando nosso olhar um no outro. Aquilo me deixou com medo como poucas vezes na sua vida.

— O pior é que eu perdi não só você, mas o idiota do seu irmão também.

— Onde está Ian? O que você fez com ele?

Ela deu um riso sádico.

— Eu amava tanto vocês. — Ela disse alisando meu rosto. — Não tive coragem de matá-lo, mas eu o deixei por aí. Pra dar uma diversão para sua equipe ao buscá-lo enquanto eu faço outras coisas.

— Eu odeio você. — Eu disse bem séria. — Você pode me matar ou matar quem for, mas esse sentimento nunca mudará e você nunca terá Kurt ao seu lado.

— Eu também odeio você, mas infelizmente eu ainda preciso de você, então eu não vou te matar. Talvez apenas deixar um recado para Kurt através de você. Ele perdeu o filho não foi? Ele pode perder a namorada também…

— Isso não vai tornar ele leal a você, se é isso que você está pensando.

— Se não vai por bem, vai por mal, né?! — Ela finalizou com um sorriso no rosto.

Sua faca abaixou, mas quando eu achei que ela ia guardá-la, ela a afundou na minha perna, ferindo-me. Aquela dor sacudiu minha alma.

— Se da próxima vez que nos encontrarmos Kurt não fizer o que eu quiser, então você terá mais que uma facada na perna. — Ela finalizou sorrindo. — Bom dia, Jane.

Ela saiu me deixando sozinha. Minha perna ardia a cada segundo mais e eu não podia fazer nada. Dei um mortal com a cadeira, o que a quebrou e em parte me soltou, mas eu estava perdendo muito sangue e minha perna já estava dormente. Aproveitei que estava solta pra tirar meu cinto e amarrar na perna, pra pressionar. Consegui sair dali. Havia um telefone público do outro lado da rua. Eu estava muito tonta, mas precisava ligar para Kurt urgente. Não foi possível. Desmaiei na calçada antes de conseguir pegar o telefone.

Notas finais
Quem será que vai socorrer Jane? Atualizações agora todo final de semana!