Make Some Noise

5 IV - A arte de arrumar confusão eu domino!


Notas iniciais
Ula, perdão pela demora, não tava conseguindo terminar o capítulo. Mas aqui está mais um capitulo narrado pela Jackie, espero que gostem :D

POV Jackie

Terminei de falar com a minha mãe no celular e me levantei da cama, que por sinal é bem confortável.

As coisas até agora se saíram melhores do que eu esperava. A casa é linda, e a tal da Claire é muito gente boa, sabe? Ela cozinha muito bem também, tenho que comentar. Passamos o resto da noite conversando e ela nos falando do colégio e aos poucos a gente se conheceu.

Ela tem 27 anos e é solteira, gosta de ler, sair pra passear e é outra gaiata. Acho que é por isso que eu fui com a cara dela. Sei lá. Ela é legal, eu acho.

Tomei banho e troquei de roupa. A verdade é que estar em terras americanas me dá uma sensação maravilhosa demais. Sabe? É outro lugar, mas você sente que é aonde você deveria estar. Tá, chega de drama.

Desci às escadas e fui direto pra a cozinha. Como de costume as duas antas já tinham acordado e já estavam comendo.

- Bom dia, flor do dia! – ouvi a voz de Claire vindo da cozinha e sorri de volta.

- O que tem pra comer?

- Fiz panquecas pra vocês! – ela respondeu de volta e eu me sentei ao lado das meninas.

- Acordou cedo, hein? – Iara falou enquanto bebia um pouco de suco. Ó’pessa osada!!

Ah, tá, lembrei. Ela tá assim por causa dos mininin’ do avião. Sussa, de boa. Já estou acostumada com essas crises. Vamo pra frente.

- Então, animadas pra o primeiro dia? – Claire perguntou enquanto esperávamos Amanda na sala.

- Demais! – Iara respondeu abrindo o sorriso se sentando no sofá.

- Eu vou na frente! – anunciei abrindo a porta do carro antes que me contrariassem.

- Cadê a Amanda? – Claire perguntou. Eita mulher que pergunta.

- Tá se pintando! – respondi pondo os fones de ouvido – Daqui a umas duas horas ela chega.

- Mas já estamos atrasadas! – disse olhando pela escada

- Oh, filha, aí só no ano que vem. Ainda mais se ela for passar o pó e o corretivo. Aí vai ser a miséria, porque ela tem que escolher a cor da sombra e a do batom pra não ficar estranho. Também depende do lápis, porque se for azul, vai ter que usar um contraste diferente de maquiagem. E pior é se ela escolher a sombra verde, porque ela tá com esmalte amarelo. Aí ela vai ter que trocar e... – Precisavam ver a cara que a Claire ficou. Passei meio que tipo uma hora rindo. Sei lá, véi, ela ficou apavorada, só faltou sair correndo de dentro do carro.

- Chegei! – Amanda anunciou descendo as escadas– Olha só, to usando o salto que comprei ontem. Super demais, né?

- Demais mesmo! – comentei ironicamente e ela me deu dedo. Hum, estranha.

- Então, meninas, vamos?

- É muito longe? – perguntei.

- Não. Podem relaxar. A gente chega lá em uns 10 minutos.

- OMG! Preciso de um carro urgentemente. – Amanda falou com seu drama.

- Nem adianta. Você não tem carteira! – rebati – Mas tem a minha moto, semana que vem ela chega, vai ficar rapidinho.

- Você também não tem carteira! – falou revirando os olhos.

- Sim, só que são coisas totalmente diferentes. Uma pessoa como eu que anda de moto desde os 12 anos e uma pessoa como você que só andou de carro uma vez.

- Deu pra aprender tudo, ok? – gritou do lado de trás do carro e eu soltei um sorriso vitorioso. Eu sempre ganho nessas coisas.

- Só que por enquanto que minha moto não chega, eu posso te dar uma carona no meu zyper! – falei sorrindo de canto.

- Não vou andar no seu skate horrível!

- Lave a boca pra falar dele, sua anta desalmada! – rebati enquanto abraçava minha mochila. É que ele tava lá dentro.

- Olha só meninas, chegamos! – Claire disse e eu virei-me pra a janela. Tinha uma escadaria enorme, acho que maior do que a minha casa e tinham pessoas indo e vindo pra um lado e pra o outro com roupas diferentes.

- Finalmente, vamos poder vir pra o colégio com qualquer roupa! Obrigada Deus! – Iara gritou e tirou uma escova da mochila começando a arrumar os cabelos.

- Quanto tempo nós temos? – Amanda perguntou e começou a passar o brilho. Deus do céu, é agora que eu vomito?

- Ainda é cedo. Tem uns 20 minutinhos pra vocês darem umas voltas por aí. Conhecer o colégio.

- Eu! – me pronunciei – vou dar uma volta com o zyper.

- Jackie, eu não sei se é uma boa ideia! – Claire comentou.

- Não se preocupe, eu sou uma pessoa pontual. Só uns dez minutos. Desde que eu cheguei aqui não andei de skate, já vou ficar louca!

- Tudo bem, mas não vá muito longe! – advertiu e eu saí do carro.

- OoOoO, Barbie fada? – pedi a Iara- Joga aí o meu boné!

Depois de atirar o boné quase em meus olhos, voltou a pentear os cabelos. Sempre assim, e eu no meio. O sol estava quente, ainda bem que era boné de aba reta, senão eu tinha me lascado. Lol

Pus os fones de ouvido e comecei a minha sessão zyper.

Eu tenho meu skate desde que me entendo por gente. Meu pai comprou pra mim quando eu nasci e desde então nunca nos separamos. É massa, pow, a melhor história de amor que um dia você poderá ouvir. Hehe.

Bem longe eu consegui ver uma coisa. Uma pista de skate. Cara, não tem quem me segure perto de uma. Belê.

Conferi no meu relógio. Eu ainda tinha tempo.

Acelerei o skate o mais rápido o possível e continuei o embalo. A pista era enorme e parecia não ter ninguém. Parecia. Por que em alguns segundos ouvi algumas vozes. Aproximei-me. Tinham três brutamontes brigando com um menino de mais ou menos minha idade.

- Olha só pra os óculos dele!- um dos idiotas disse arrancando os olhos do menino. Velho, isso é Bullyng. Um deles chutou a barriga do menino que foi parar no chão. Ali eu senti, ó. Dor da miséria.

- Vai aprender dessa vez! – outro disse. Tá bom, se eu não for agora o carinha morre. Se o carinha morrer, eu vou me culpar pro resto da vida!

- Aí, deixa ele em paz! – saiu antes que eu pudesse perceber. Suspirei assustada. Todos olharam pra mim e eu ouvi uma sessão de risos. Odeio quando fazem isso.

- Qual é, é engraçado! – o da frente disse rindo e voltou a chutar o menino.

- Engraçado porque não é com você! – falei me aproximando e entrei na frente do menino que já gemia de dor no chão.

- Não precisa se preocupar comigo! – disse quase que num sussurro.

- ou viu? Ele não precisa de você pra proteger ele! – disse rindo – agora sai da frente, menininha!

- Sai da frente você! – falei alterando a voz. Odeio diminutivos – Menininho! – sorri irônicamente.

O da frente puxou meu braço e o segurou no ar. Doeu feito a miséria até eu puxar de volta.

- Vai mesmo bater numa mulher? – perguntei descendo do skate.

- Aí, olha ali, o guarda tá chegando! – um deles disse e saiu correndo seguido do outro. Mas o sou foda continuou lá em minha frente de braços cruzados. Retardado.

- Eu quero o seu skate. – disse tentando me empurrar.

- Vai sonhando! – falei e o empurrei com o pé. Ele caiu no chão e girou umas duas vezes porque era inclinado. Tempo o suficiente pra eu pegar o guri nas costas e sair correndo.

Não olhei pra trás e peguei o mesmo caminho que tinha usado pra chegar ali. Parei quando não aguentei mais o peso.

- Ai... – gemi quando o sentei na pilastra.

- Não precisava fazer isso! – ele disse – Mas obrigado!

- Ora essa, eu não ia deixar fazerem isso com você! – falei e entreguei seus óculos – Aqui. Só ficou um pouquinho manchado.

- Pff... Já é a quita armação que a minha mãe compra. Daqui a pouco ela fali. – ele disse dando um sorriso de canto. E percebi sua bochecha arranhada.

- Eles fazem isso sempre com você? – ele assentiu com a cabeça – Porque?

- Sei lá. São uns idiotas! – deu de ombros – Eu já me acostumei. Nada vai fazer eles gostarem de mim mesmo! – disse sorrindo de novo e estendeu a mão pra mim – Eu sou Peter!

- Jackie! – falei apertando a sua mão.

- Olha, se não se importa, eu tenho que ir pra... A escola! Daqui a pouco começa e...

- Sem problemas. Eu também. Prometi que iria chegar cedo.

- Onde você estuda? – perguntou levantando-se e tirando a mochila do chão.

- Naquele colégio ali... – falei apontando pra o prédio – Sei lá o nome.

- Eu... Também estudo lá. Você... É nova né?

- Isso. – respondi sorrindo – Então, acho que vou ter carona. – falei rindo e ele riu comigo. Tirou um skate da mochila e o jogou no chão. Um com a bandeira dos estados Unidos. Bem descente. – Skate maneiro!

- Obrigado! – respondeu – o seu também! – fomos o caminho todo até o colégio conversando e pra piorar o meu dia os brutamontes também estudam lá. Imagina se eles quiserem me bater? Aí eu morro de vez. Sério. Eu não sei me defender.

- Olha, o sinal já tocou, se nos adiantarmos, ainda conseguimos uma punição menor! – ele disse e eu ri com ele. Pelo menos fiz um amigo.

Notas finais
Então? O que acharam? Deixa review??