Make Some Noise
3 II - Passando Vergonha... Jackie, hoje você morre!
- Nem venha, Iara, cale a sua boca. Se você não tivesse me largado lá nada disso teria acontecido! – Amanda protestou. É muita falta de ter o que fazer mesmo, viu?
- Minha? – virei-me já irritada – Foi você quem começou esse fuzuê todo... Custava tirar o salto?
- Claro que custava. Mulheres bonitas nunca perdem a elegância.
- Bom, em primeiro que você não é mulher! – retruquei nos dedos e ela jogou os cabelos pra trás.
- Ouve só, e ouve bem...
- Meninas, chega! – Jackie enfim se pronunciou e nós duas nos viramos pra ela – A culpa é de vocês duas, tá bem? Olha, vamos sentar e esperar como pessoas civilizadas. Já compramos as novas passagens, tá tudo bem. Agora calem essas bocas e vê se para de chamar atenção!
Só então percebi que tínhamos todos os olhos voltados pra nós. Sorri meio que sem graça e me sentei timidamente enquanto Amanda me olhava furiosa.
- Aí, querem comer alguma coisa? – perguntei tirando dinheiro da carteira.
- Não!
- É claro que eu quero! – Jackie disse pegando o dinheiro em minhas mãos. Levantamos-nos e fomos até a lojinha de doces que tinha ali perto enquanto conversávamos sobre uma coisa qualquer.
- Ó, serenata do amor, eu tava no desejo! – falou fazendo carinha de cachorro molhado
- Só vai levar isso?
- Só! – disse fazendo a carinha de novo. Ri com aquilo e tomei o dinheiro de suas mãos e nos dirigimos ao balcão.
- Quanto é a serenata? – Jackie perguntou se fazendo de santa e eu tive vontade de rir.
- Me poupe, Jackie, uma serenata é cinquenta centavos! – falei entre risos e a atendente me fuzilou com o olhar.
- Custa três reais e setenta e cinco centavos – prefiro evitar dizer que a minha boca se formou em um perfeito O e que a minha cara era a mais assustada possível.
- Paga aí! – Jackie falou e me deixou sozinha. OOOO inferno, como é que uma serenata custa TRÊS E SETENTA E CINCO? – to dizendo? Andar demais com Jaqueline me deixa desse jeito. Mas, VÉI!
Abaixei a minha cara de lerda e tentei levar meus olhos para outro lugar. Erro. Entreguei cinco reais à mulher e peguei a serenata em cima do balcão.
- O troco senhorita! – ela disse com aquela cara de bruxa asquerosa e eu soltei um sorrisinho froxo.
- Pode ficar! – Eu? Ficar por baixo? Nunca!
- COMO É QUE UMA PESSOA EM SUA SÃ CONSCIÊNCIA, ABRE UMA LOJA PRA VENDER UMA SERENATA DE AMOR DE TRÊS REAIS E INFERNO E INFERNO? — Jackie pôs-se ao meu lado gritando.
- Cala a boca, as pessoas tão olhando! – falei sem tirar o sorriso do rosto. Mas era verdade, estavam mesmo. E o pior de tudo era que tinham uns gatinhos que não paravam de olhar, será que ela os espantou? AAAAI, eu espanco este traste.
- Deixa olharem, não to com os olhos dela, e até onde eu sei a vida é minha e o livre arbítrio também! – falou toda nervosinha e eu abaixei a minha cabeça morta de vergonha. Eu mereço um negócio desses?
- Olha só quem voltou! – Amanda falou sarcástica quando nos sentamos ao lado dela – Comprou alguma coisa pra mim?
Fiz que não com a cabeça.
- Que bicho mordeu vocês? Essa aqui tá parecendo que viu o fantasma do natal passado! – falou apontando pra Jackie o que me fez rir.
- Tu. Bruxa asquerosa! – revidou.
- Olha, olha, olha só. Não vamos começar que nós já estamos atrasadas. Se minha avó sonhar que a gente perdeu o ônibus a gente não viaja mais.
- Ah, minha filha. Primeiramente, você vai ter que lembrar a ela que nós não estamos numa rodoviária e sim num aeroporto.
- OOOOHHHH! – falei entre risos enquanto as duas me olhavam com aquelas caras de pernas birutas. – Disfarça.
- Pois é, disfarça mesmo! – Amanda falou cruzando as pernas.
Ficamos lá jogando conversa fora por horas e horas até que anunciaram o nosso voo.
- Eu vou na frente! – anunciei enquanto tentava passar por Amanda que dava aqueles gritos irritantes e Jackie que corria muito mais do que eu.
- Suas loucas, deixem de pagação, tá todo mundo olhando! – ela disse baixinho e Jackie gritou bem alto tudo aquilo que ela tinha falado. – Lê eu me afastando e ajuntando-me aos outros pra ver o pau.
Depois de dez minutos irritantes numa briga com a segurança, nós finalmente pudemos entrar no avião. Eu morrendo de vergonha claro de estar com duas pessoas que juntas são mais loucas do que o mundo. Pode crer, dá medo.
Jackie sentou na Janela e ficou encostada na cadeira com os olhos fechados.
- Olha pra isso... Até parece que nunca andou de avião! – Amanda disse na cadeira do corredor e eu soltei um riso abafado fechando os meus olhos também.
- Calem essas bocas.
Abri os olhos só depois que senti que o avião ia decolar. Olhei pra Jackie e ela continuava encostada na cadeira com os olhos fechados parecendo que tava indo em direção à morte. E Amanda que passava brilho nos lábios com o auxílio de um espelho de celular.
- Amanda o que diacho é isso? – Jackie perguntou abrindo os olhos e eu tive que rir.
- Chama-se elegância! – falou dando mais uma conferida nos lábios e soltou uma bitoca.
- Que nojo! – reclamou voltando para a sua sessão tortura na cadeira do avião.
-Amanda, me empresta aí esse brilho, vá! – pedi estendendo a mão e passei o brilho rapidinho. – Toma Jackie, passa um pouquinho!
- DEUSQUEMELIVRE! – gritou ainda de olhos fechados e nós começamos a rir.
- Vai, seja discreta e olhe pra esses meninos que estão atrás da gente! – Amanda sussurrou em meu ouvido e eu dei uma piscadinha pra ela enquanto me fazia de desentendida.
Esperei a gente chegar no céu – modo de falar – e levantei-me pra ir ao banheiro.
Tenho que admitir: Eram três gatinhos. Um loiro que aparentava ter uns 18 anos, de olhos castanhos e com uns lábios bem atraentes, ele tava no canto. Outro de cabelos castanhos que parecia ter uns 17 por aí, e tinha os olhos bem clarinhos, e um de cabelos negros caindo nos olhos verdes – claros. Fiz-me de que não estava percebendo que eles me olhavam e continuei o percurso.
Fiquei uns cinco minutos olhando a água da torneira cair e depois saí do banheiro. Ah, qual é. Eu não ia demonstrar que tava indo olhar eles, né? Me poupe. Gatinha não mostra, deixa ver! Kkkk Tá parei.
Voltei pra a cadeira e encontrei Jackie já animada olhando as nuvens da janela.
- Tenho boas notícias pra você, a comida já vem vindo!
- OBA! – falou dando pulinhos!
- certo, agora acalma essa bunda na cadeira e espera com calma senão eu te jogo do avião!
- Venha! Quando eu der um pau em tua cara tu vai ver quem é que vai cair do avião!
Encostei-me a ela e falei pra ela dos meninos. Depois de me olhar com uma cara estranha ela empurrou meu ombro.
- Tome vergonha, como é que numa situação dessas você para pra pensar em homem? – gritou rindo e eu a fuzilei com o olhar e ela riu – Tá bom, me fala quem é.
- Esses três que estão aí atrás! – sussurrei – olha sutilmente! – Preciso dizer que ela não fez o que eu mandei? Bom, ela não fez o que eu mandei.
Tipo, ela tirou o cinto levantou a cabeça pra trás, deu um joinha pra os meninos e voltou-se pra nós ainda em pé.
- São esses três aqui?
- Esses três o que? – Amanda perguntou fingindo-se de desentendida e olhou pra mim com aquela cara de assustada de mentirinha. Cadelas.
- São ou não?
- O que? — gaguejei e senti minhas bochechas corarem. Não acredito que ela tá me fazendo passar por isso. Droga, acho que vou me jogar do avião.
Ouvi alguns risinhos detrás e tive vontade de cavar um buraco e me esconder. Juro. Jackie me soltou um risinho maléfico e voltou-se para os meninos com aquela cara de sonsa.
- Ah, não eram eles, os meninos que você falou?
- Eu falei? – tentei me fazer de desentendida mas não deu muito certo. Senti a fúria subir nos meus olhos e Amanda me olhou com aquela cara dela e começou a rir do nada.
Sério, se o avião não tivesse pousado, eu tinha me jogado. Juro. Mas não é só isso que eu juro não. Eu ainda vou acabar com essa cachorra!
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