Make Some Noise
4 III - E lá vamos nós...
Notas iniciais
POV Amanda
– Meu Deus, tudo aqui é tão perfeito! – falei enquanto admirava todo o aeroporto. Imagina, se o aeroporto é assim, imagina a cidade. Deus, cheguei no céu – Nem acredito que a gente tá mesmo nos Estados Unidos! – falei dando pulinhos – AAAAAHHHHH, isso daqui é um sonho!
– O único sonho que presta é o que é de comer! – Jackie falou sacudindo-me.
– Ai! – reclamei passando a mão em meus braços – nunca mais faça isso de novo sua louca.
– Certo, vamos logo pro apartamento? – Iara pediu emburrada cruzando os braços e Jackie começou a rir.
– Tá achando engraçado, né? Mas, pode deixar, Jaqueline, quem ri por último ri melhor!
– Errado, Iara... Quem ri por último, ri atrasado. No seu caso atrasada! – respondeu rindo e saiu pra algum lugar de braços cruzados.
Já encontrou o amor? Tipo assim, você olha e pá, sabe que é com ele que você quer passar o resto da vida? Encontrar a alma gêmea é algo tão profundo que meu cérebro chega dança com essa melodia. Sabe como é essa sensação? Eu estou sentindo... Encontrei minha alma gêmea. Só preciso saber quanto custa!
Corri até à loja antes que alguém o visse primeiro do que eu. Já pensou? Ter que dividir a sua alma gêmea com outra pessoa? Seria um pesadelo.
– Moça, quanto é? – perguntei pra a atendente mais próxima. Não queria demorar.
– O que? Esse da vitrine? – Não, imagina, o em cima do telhado.
– É! – falei com pressa.
– O que diacho você tá fazendo aqui, fresca? – Jackie perguntou entrando na loja com Iara e eu lhes lancei um olhar assassino.
– Nem pensem, o salto é meu, eu vi primeiro! – gritei enquanto voltava-me pra a mulher – Eu quero!
– Ah, mas você nem viu o preço.
– Mas eu quero mesmo assim. Dinheiro não é problema! – dei de ombros e tirei o cartão do bolso. – Agora pega lá o meu salto que eu já to me sentindo uma diva! – falei dando pulinhos imaginários. Você deve estar se perguntando porque tanto amor. Mas é que eu sou assim desde pequena. Minha mãe diz que eu sou consumista, mas não é verdade. É só que eu tenho um gosto por compras excessivo. Que nem as outras garotas da minha idade.
– Amiga você vai comprar esse salto? – Iara perguntou ao meu lado.
– Vou. Não é lindo? AAAHHHH! – soltei um gritinho básico e logo me acalmei. Vai que o salto ache que eu sou muito presepeira e decida sair correndo. Afinal, ele é os pés né?
Depois de colocar o salto no meu pé. – Ficou mais lindo do que já é – E depois de pagar a atendente, nós fomos direto procurar um táxi que pudesse nos levar ao nosso apartamento.
– Amanda, tu já viu o apartamento? – Iara perguntou enquanto esperávamos o táxi esvaziar.
– Não, né, Iara? Se ainda não tá pronto! Dã... Vai demorar mais ou menos uns dois meses pra ficar pronto!
– Sim e a gente vai ficar aonde enquanto isso?
– Na casa da mulher que a gente falou por telefone, né Iara? – Jackie interviu revirando os olhos.
– Não dirija a palavra a mim. Ainda não estou falando com você! – retrucou e eu ri da cara que Jackie fez. Como se ela estivesse ligando.
– Oh, meu Deus, acho que vou ficar em depressão se você não me perdoar! – ela disse sarcástica – Então, a gente vai ficar um ano paradas aqui ou vamos pegar o táxi?
– A gente vai de táxi mesmo? – Iara perguntou franzindo a sobrancelha.
– É. Por quê? – perguntei dando de ombros.
– Sei lá. É que eu queria sair pra conhecer a cidade e...
– Iara, isso a gente faz depois. Vamos logo pra a casa da professora e depois a gente vê isso. – falei enquanto corrigia o brilho em meus lábios – Além do mais amanhã tem aula. Nosso primeiro dia!
– Aff, véi... A gente chegou hoje. Já tem que ir pra a escola amanhã? Eu to cansada demais. – Iara disse
– E eu to com fome! – Jackie apoiou fazendo cara de drama e eu ri.
– São seis da tarde gente. Temos tempo o suficiente pra comer, ligar pros nossos pais e ainda tirar um bom cochilo! – Falei tentando animá-las. – Bom, não. ÓTIMO! A gente já perdeu duas semanas de aula. Mais que isso seria um pecado. Hoje é domingo...
– Pé de cachimbo, cachimbo é de ouro, bate no touro, o touro é valente, bate na gente, a gente é fraco, cai no buraco, o buraco é fundo acabou-se o mundo – Aí depois Jackie implica comigo quando eu digo que ela é estranha.
– Vamos logo embora antes que piore! – falei com Iara!
– É a fome! – Jackie gritou enquanto saíamos até o táxi.
Estar nos EUA é um sonho. Porque, sabe? Sei lá, desde pequenas nós fazemos o curso de inglês e assistimos filmes americanos, ouvimos músicas americanas, somos praticamente americanas, mas tem o Brasil que nós amamos. Então, acho que a América fica pra depois.
Eu acho que é uma ótima experiência. É claro que no futuro eu vou voltar pra o Brasil. Até porque toda a minha família está lá. Mas por enquanto, vamos aproveitar os momentos. Afinal, eu tenho ao meu lado as meninas mais loucas do mundo. Não tem como não aproveitar.
__________ É linda. Tipo, a gente via as fotos pela internet, mas ao vivo e em cores, é muito mais linda. Sabe como é realizar um sonho? É uma sensação tão boa que dá vontade de vomitar arco-íris, sem exagero. Sei lá, é como... Ah, é muito, mas muito bom mesmo!
– Aqui senhoritas! – o taxista parou em uma casa não muito grande. Mas também não era pequena. Menor que a minha no Brasil, mas parecia se muito sofisticada. As luzes estavam acesas e de longe pudemos ouvir uma música que reconheci na hora.
– I Wanna Hold Your Hand! – Sussurrei comigo mesma.
– Disse alguma coisa? – ele perguntou em inglês e eu sorri de volta.
– Não, não. Não disse nada! – respondi também no seu idioma. Isso é legal. – Aqui! – falei entregando o dinheiro a ele – Muito obrigada, pode ficar com o troco! – e o motorista saiu.
– Como assim pode ficar com o troco? – Jackie perguntou vindo ao meu lado – Você é louca, aquele dinheiro dava pra comprar um hambúrguer.
– Ai, menina, deixa de ser chata! – reclamei rindo e ela me deu um tapa no braço que precisaremos rever depois. Hum, ousada.
– É aqui mesmo? – Iara perguntou levantando a mala do chão – UAU!
– Não é lindo? – Jackie perguntou enquanto dava giros de 360º observando toda a paisagem. E logo estávamos as três fazendo isso.
– É, meninas... Acho que conseguimos! – Iara falou quase num sussurro!
– Não ache, NÓS CONSEGUIMOS! – Jackie falou escandalosa e nós três começamos a rir e nos abraçamos.
– A maior experiência das nossas vidas! – Iara disse e nos abraçamos mais uma vez.
– Sim, mas chega! – Jackie falou soltando-se do abraço – Vamos ficar aqui abraçadas na frente da casa de uma mulher que a gente nunca viu na vida?
Depois de cada uma dar um tapa duplo seguido na cabeça dela, seguimos até a porta da casa.
– Tá certo, quem chama? – Perguntei olhando pra as duas cabritas.
– Eu chamo! – Jackie se pronunciou e se aproximou um pouco mais.
– Tu vai falar como, estranha? – Iara perguntou cruzando os braços e Jackie riu como resposta.
– Eu não vou falar nada. Só vou chamar, uai! O meu inglês ainda não está preparado pra falar com uma americana, ainda mais professora.
– Você veio o caminho todo conversando com o motorista! – falei revirando os olhos e ela deu de ombros.
– Tanto faz, de um jeito ou de outro eu disse que iria chamar, não falar nada! – disse e tocou a campainha vindo pra trás de nós duas.
– Agora se ferrem! – sussurrou e escondeu-se atrás de nós.
– Você fala! – falei pra Iara que me olhou com os olhos arregalados.
– Não, fale você!
– Não, você!
– Não você!
– Pois não? – nós duas nos viramos pra a porta ao mesmo tempo e nos deparamos com uma mulher.
Era até bonita. Tinha olhos claros e cabelos loiros nem muito longos nem muito curtos. Usava uma maquiagem bem clara e usava esmaltes de cor vinho – sim, eu percebo esse tipo de coisas.
Estava usando uma calça de malha azul marinho, tinha os pés nus – sem esmalte – sobre o tapete. Uma blusa folgada de manga caída de malha branca muito linda. E tinha os braços e o pescoço cheio de pulseiras e colares. Adorei ela.
– Olá! – Ela disse. Claro que em inglês.
– Oi! – falei dando um aceninho depois de uns cinco minutos de silêncio.
– Querem alguma coisa? – perguntou abrindo o sorriso. Por Deus, ela já deve estar pensando que eu sou uma maluca.
– Ah, sim... Estamos procurando por Claire Anderseen! – falei conferindo o nome no papel.
– Sou eu! – ela disse descendo um degrau com uma cara um tanto assustada – Algum problema.
– Ah, não. Problema nenhum. – falei e estendi a mão – Eu sou Amanda Parker, essas são Iara Soares e Jaqueline Menezes! – falei apontando pra as duas que se escondiam atrás de mim que deram um sorriso amarelo mais falso do que eu pensava que elas conseguiriam.
– AAAAHHHH! Mas é claro. As garotas do Brasil, por favor, entrem! – ela disse abrindo mais a porta – Me desculpem não estar preparada, é que houve alguns imprevistos e... Eu pensei que fossem chegar mais cedo.
– É... Mas, houve alguns “probleminhas”! – Jackie disse sarcástica enquanto me fuzilava com o olhar. Ui, ui, ui!
– Sim, mas aqui estamos.
– Ah, por favor, sentem-se. Vocês devem estar muito cansadas! Vamos, vou levá-las aos seus quartos enquanto a janta não fica pronta.
– Isso é música para os meus ouvidos! – Jackie sussurrou em português e Iara Riu.
– Então, como foram de viajem? – ela perguntou enquanto subíamos as escadas.
– Foi... Ótimo! – respondi por que as retardadas continuavam caladas rindo uma da cara da outra. – Sabe, sem turbulência... Foi bom!
– Ah, que ótimo. Olha, eu tive notícias do apartamento de vocês ainda hoje. Os pedreiros disseram que ainda vão ter que destruir toda a barragem, então acho que vão ter que ficar aqui umas duas semanas a mais que o planejado, tudo bem?
– Eu é quem pergunto. Não vai trazer nenhum prejuízo à senhora?
– Ah, senhorita, por favor! – ela disse abrindo um sorriso – É claro que não. É um prazer ter vocês aqui, sabe... Nunca ninguém de fora dos EUA veio estudar no colégio, e... bem... Todos os professores estão muito excitados com a ideia. Eles acham que é uma ótima experiência de vida.
– E os alunos? Ficaram animados? – Iara enfim perguntou e Jackie começou a rir.
– Quem se importa com o que os alunos acham da gente, Iara? – Perguntou em português e eu ri também.
– Na verdade não. Ninguém sabe que vocês vão estudar lá, além da direção. Ainda é uma surpresa. Então, já estão pensando em ir pra a escola amanhã?
– Com certeza! – Jackie respondeu abrindo um sorriso e eu e Iara nos olhamos estranhas.
Isso ainda vai dar uma boa história...
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