Make Some Noise
2 I - Amanda e suas frescuras
POV Jackie
- Não se esqueça de escovar os dentes após as refeições, de arrumar a cama quando acordar, fazer as atividades certinhas no tempo certo, não seja mau-educada, não fique no chuveiro por mais de uma hora e...
- MÃE! – reclamei segurando-a pelos ombros. Essa mulher vai surtar. – Eu vou ficar bem, tá? – falei separando as palavras e ela continuou me olhando com aqueles olhos esbugalhados – Mãe, para com isso.
- Ai, nossa... Eu só estou tentando te proteger. Você vai morar longe de mim e de seu pai pela primeira vez e...
- Rai, tá sufocando a menina! – meu pai interferiu. FINALMENTE, como Deus é bom – Deixa ela respirar um pouco.
- Valeu pai! – agradeci e dei-lhe um abraço rápido.
- Se cuida, hein? – ele falou segurando meu rosto com as duas mãos e deu um tapa na aba do meu boné.
- Sempre! – respondi rindo e fui em direção à minha mãe. Quanto tempo durou o abraço? Sei lá, em torno de uma hora.
- Você vai atrasar ela! – meu pai falou puxando minha mãe pelo braço.
- Ai, e o que é que tem ela passar o tempo que sobra com os pais? Eu hein...
- Mãe eu ainda tenho que encontrar as meninas! – falei pondo a mão sobre seu ombro esquerdo – Relaxa, eu sei me virar sozinha!
Peguei as minhas malas e saí de lá o mais rápido possível. Não vou negar que vou sentir saudades dos meus pais. Mas grude... Com certeza não é pra mim. Hehe!
Passei as minhas malas e entrei na sala de embarque olhando para todos os lados pra ver se encontrava as duas criaturas mais ridículas do mundo. Sem sucesso, deixei minhas malas perto de um banco e tirei meu celular do bolso. u.u via SMS.
Enviar mensagem de texto para – Jega 1 & Jega 2
“Cadê vocês, vacas atoladas? Tô na sala de embarque!”
Pus o celular de volta em meu bolso e sentei-me num banco. Estava cheio e eu não conseguia vê-las em canto algum. Isso não é legal. Imagina se eu tiver de viajar sozinha?
-- Decente!!! Hehe
Senti o celular vibrar em minha bunda e tirei-o do bolso.
Novas mensagens de textos recebidas de Jega 1 & Jega 2
Jega 1
“TÔ SENDO ASSALTADA”
Jega 2
“ Pera aí que a gente já tá chegando. A Amanda tá arrumando confusão aqui porque a equipe do negócio quer que ela tire o cinto, o salto e a bolsa pra poder passar pra a sala de embarque”
Após passar horas e horas rindo incontrolavelmente das mensagens recebidas, resolvi tomar uma atitude. – Desculpa, se eu sou a salvadora da pátria u.u
Fui em direção ao check in, check up, sei lá como se fala o nome dessa coisa. De longe eu pude ver o movimento se formando e me aproximei devagarzinho pra não chamar muita atenção. Se bem que parecia impossível porque a atenção estava realmente toda voltada pra uma pessoa. Depois de passar meus olhos por toda a multidão, eles chegaram em uma pessoa. Amanda, que se recusava de todas as formas a descer do salto.
- Não, vocês já levaram a minha bolsa, meus brincos, minhas pulseiras, meu sinto... Mas a minha dignidade não vou levar. Do salto eu não desço! – a ouvi falar e me segurei pra não rir. Sério, a cara do pessoal era hilária. Não, mais hilária ainda era a cara de Amanda, nem irritada ela tava. Mas uma coisa é certa. De forma alguma ela iria descer do salto. Cruzou os braços e ficou lá batendo o pé.
- Chamem a segurança! – uma mulher falou – ela tá atrasando a fila. Tira daí.
- Como assim tira daí? – ela respondeu toda afoita – eu paguei uma fortuna por esse voo, ninguém pode tirar ele de mim assim tão fácil!
- Amanda! – me pronunciei finalmente. Isso me fez perguntar uma coisa, onde estava Iara? Também, com aquela movimentação toda, nem me dei tempo de pensar.Opa. – Amanda, fica calma! Tira o sapato.
- Jackie, não adianta falar, você sabe!
- OoO, menina, tira essa sua amiga maluca daí, eu preciso trabalhar!
- Venha tirar você! – falei nervosa. Como pode a pessoa falar comigo desse jeito? – oxe... – direcionei-me a um dos seguranças que tentava se aproximar. – Hey, não pode resolver isso? – perguntei pondo as mãos no bolso.
- Claro que posso, vou dar um fim nessa menina mimada! – ele falou tentando passar por mim e eu entrei na frente dele.
- Cara, é só um salto. Tenho certeza de que não vai fazer mal algum. Sério. O que custa deixar a menina passar? – perguntei usando a minha melhor argumentação – Veja só, deixa ela passar por uma porta especial e vai acabar com tudo. Você nem vai precisar gastar energia. Vai ser gratificante, olha a cara desse pessoal. Você me ajuda que eu ajudo você. Deixa ela passar e eu prometo que isso nunca mais vai acontecer!
Eu já disse que vou ser advogada? Bom, eu vou ser advogada. Não preciso nem comentar que a ninja aqui conseguiu o que queria. Mas, não tentem fazer isso em casa. – Tá fui boba agora, né? Não dá pra fazer isso em casa. Teria que ser num aeroporto né? Tá parei.
- Valeu! – Amanda disse depois de pegar suas coisas na vasilhinha.
- Tu também... Deixa de frescura menina. Agonia com estes traste! – reclamei enquanto a ajudava com as malas.
- Oxe, minha filha não me venha dar lição de moral não que a culpa não foi minha. Do salto eu não descia!
- Sim, mas não podia TR vindo em um salto que não fosse de ferro? – falei gritando e ela riu de canto.
- Não!
Respirei fundo e voltei meus olhos pra qualquer coisa e só então algo passou pela minha cabeça.
- Cadê a Iara? – estranhei e Amanda arregalou os olhos pra mim.
- Ela tava comigo nestante antes de... – disse olhando pra trás – vem, vamos atrás dela! – me puxou pelo braço e cá estamos nós de novo no aeroporto parte A.
- Ai, você tinha que perder ela de vista, né?
- Também, como você queria que eu desse conta dela e ainda mais daquele povo querendo tirar minha dignidade.
- Querendo tirar o seu salto né, descarada?
- Jackie, deixa de agonia. Concentra em uma coisa: IARA!
- Como diabos a gente vai achar essa menina? Ela já é muito alta!
- Ai, sei lá. Ela tá com uma blusa azul.
- Aquela cheia de corações?
- É! E um Chorte.
- Claro que é um chorte. Iara só anda de chorte! – resmunguei enquanto procurava aquele serzinho por todos os lados – Tá vendo? A culpa disso tudo é sua!
- Minha? Minha mesmo não. A culpa é sua que não veio logo.
- Ah, tá. Eu deveria saber que você ia dar uma de louca e arrumar confusão com o povo do aeroporto? – minuto de silêncio – Tá, isso era um pouco provável, mas... Olha aqui, a culpa é sua pra início de conversa que desgrudou os olhos dela. Como agente vai achar ela agora?
Ficamos horas sem olhar uma pra cara da outra, cada uma com um bico e os braços cruzados.
- E se agente mandasse uma mensagem de texto? – ela perguntou virando-se pra mim.
Tá, eu não sou tão idiota assim tá? E se eu for ela também é, hun... Ai que droga, como não pensei nisso antes? Que maravilha, agora vão ficar dizendo que é porque eu sou loira. Mas é por causa disso mesmo. Só que a culpa é da minha mãe. Porque é que eu fui nascer logo loira, hein?
- Respondeu! – Amanda tirou-me dos meus devaneios quando puxou meu cabelo pra baixo desfazendo o rabo de cavalo em que ele se encontrava.
- Ai, anta! – reclamei e tomei o celular da mão dela.
Você recebeu uma nova mensagem de Amiin *--*
“ Eu to aqui na sala de embarque. Cadê tu? E também não to encontrando a Jackie não. Acho que ela se perdeu. Anda logo!”
- Bora! – falei puxando-a pelo braço e ela soltou um grito tão irritante que eu tive vontade de puxá-la pelos cabelos.
- AAAAAIIIIII!
- O que foi, criatura de DEUS?
- Você quebrou meu salto! – falou indignada e eu levei meus olhos pra os pés dela e percebi que u m salto tinha quebrado. Que triste.
- A gente concerta depois, vem! – falei puxando ela pelo braço.
- O que? Assim? De jeito nenhum. Vamos comprar um sapato novo. Não vou chegar no aeroporto assim não. Vão pensar que eu sou doida.
- Vão pensar certo, agora vem. Lá agente compra um sapato novo pra você! – reclamei enquanto tentava puxá-la pelo braço o que não deu muito certo.
- Jackie, eu não vou demorar. Poxa, não custa nada. Você quebrou meu salto. Deve-me pelo menos isso. Eu devia fazer tu pagar! – disse arrastando-me para o outro lado.
Ficamos tipo, horas procurando por uma loja de sapatos. O interessante é que quando não precisa tem por todo lado.
- Aqui! – gritei quando encontrei uma loja enorme.
Entramos correndo e eu fui logo pra a primeira sapatilha.
- Pronto pega essa.
- Não, essa é feia. Eu to de rosa, não vou colocar uma sapatilha dessa cor! – falou fazendo uma cara de nojo.
E foi assim que nós perdemos o voo!
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