Notas iniciais
Bom, mais um dos meus romances doidos.

Abri os olhos.

As luzes brancas ofuscavam minha visão de forma que me fez querer voltar a dormir.

Mas antes que eu pudesse me render novamente, ouvi um grito euforicamente desesperado que me incomodou e fez com que meus ombros enrijecessem.

Senti pontadas na nuca, tentei me mexer e parecia que nem aquilo eu sabia fazer.

Um rosto moreno entrou no meio do pouco que eu podia ver de um quarto totalmente branco cuja as persianas pareciam jamais terem sido abertas.

Era um homem de uns trinta e tantos anos, alto, careca, com um cavanhaque grosso que parecia lhe tornar mais maduro. Seu corpo era atlético, os olhos escuros pareciam cansados, e ele sorria tão exitante que me fez ter medo.

– Rachel eu não acredito que você... — começou, com lágrimas escorrendo pela bochecha.

– É melhor se retirar agora, senhor Gael. — interrompeu a enfermeira.

– Mas.. — ele sussurrou me olhando com compaixão e horror, eu definitivamente não conseguia desviar o olhar, por medo, confusão, e pelas dores estranhas na minha nuca.

– Precisamos fazer muitos exames agora, entregaremos ela prontinha para o senhor no final — ela sorriu de forma forçada, ele suspirou, e saiu, me olhando como se quisesse pular em cima de mim — O médico chegará logo — ela se dirigiu a mim — Está se sentindo bem ? Quer algum sedativo ? — perguntou.

– Eu... — sussurrei e foi o máximo que consegui fazer, depois disso, nenhuma voz saiu de meus lábios, e fiz uma careta esperando que ela entendesse minha dor, pareceu dar certo quando ela sorriu, colocou um comprimido na minha boca e logo em seguida me auxiliou a tomar um pouco d'água. Rapidamente se retirou da sala, e um médico baixo com pouco cabelo entrou, lendo minha ficha.

– Olá Rachel, vejo que finalmente acordou ! — disse ele, encostando o estetoscópio gelado no meu peito — Respire fundo. — obedeci — Ora, está muito bem ! — sorriu — Consegue falar ? — balancei a cabeça num sinal negativo — E se mexer, você consegue ? — fiz o mesmo gesto bem devagar, forçando toda a musculatura novamente — Certo, isso é normal, você esteve muito tempo aí parada, seu corpo vai se readaptar em breve, questão de um mês ou no máximo dois para voltar a poder praticar esportes. Graças ao Gael que não deixou de vir exercita-la nenhum dia, seus músculos estão saudáveis e prontos pra voltar a ativa, tomando mais cuidado dessa vez.

Eu estava tão atordoada agora que tudo que ele dizia me parecia distante, como numa memória antiga. Respirei mais uma vez e adormeci novamente.

*

Acordei no que me pareceu ter sido dez minutos após toda aquela confusão. Olhei em volta, meu pescoço estava ótimo, e o homem moreno tinha voltado, estava sentado na poltrona, dormindo. Então é isso, eu estava internada num hospital. Fechei os olhos.

– Gael, aqui está seu café querido — uma voz de mulher veio se aproximando — Oh, desculpe te acordar ... Ela disse mais alguma coisa ?

– Não ... — ele disse, desanimadamente — obrigada Emery.

Tomei forças e abri os olhos novamente. A mulher de estatura mediana, corpo avantajado em todos os sentidos, morena de cabelo liso até o ombro se espantou. Colocou as mãos sobre a boca e suspirou ' Deus do céu ', com uma risada acompanhada de choro logo em seguida. O rapaz se levantou, e eles deram um abraço confuso rapidamente antes de virem ao meu encontro, segurando em minhas mãos, ajeitando meu cabelo e fazendo perguntas, sendo positivos, eu queria que eles parassem, eu estava bem.

– Ah, ela acordou novamente ! — festejou a enfermeira, vindo até mim — Eles estavam enlouquecendo aqui Rachel, mas expliquei que depois de tanto tempo seria normal que você se sentisse cansada. — deu de ombros para a minha cara de confusa, ajustando a intensidade com que o soro percorria minhas veias aparentes nos braços pardo-amarelados — Sente alguma dor ?

– Não, eu — comecei, minha voz estava bem mais forte dessa vez. ' Oh céus ', o homem bravejou sem conseguir se controlar, me interrompendo. O fitei, séria, ele apertava minha mão direita com mais força, e sorriu, um sorriso tão branco que quase me fez querer sorrir também, mas me forcei a votar minha atenção para a enfermeira, que esperava minha resposta com cara de desaprovação para os visitantes — Eu estou bem.

– Ótimo ! Provavelmente nessa semana mesmo terá alta — disse por cima do ombro, se retirando.

Ficamos apenas eu, a mulher e o rapaz, que me olhavam com os olhos brilhando.

– Querida, sentimos tanto sua falta ... Embora você estivesse bem aí todo o tempo, não sabíamos se voltaria a ser exatamente como era antes ... Esse rapaz aqui — disse ela com um grande sorriso, apertando os ombros dele, que se encolheu com cara de envergonhado — Ele é realmente um anjo na sua vida, esteve aqui todo o tempo, com você, obrigada Gael. Desculpem se eu já estava quase desistindo querida, foi realmente difícil pra mim, primeiro a morte do seu pai e agora isso ... — eu não conseguia ouvir. Meus olhos haviam penetrado nos de Gael, e ele sorria sem disfarçar a felicidade em me ver.

– Emery, eu e a Rachel ... — começou ele, desviando os olhos.

– Oh, claro ! — ela pareceu um pouco envergonhada — Vou trazer alguma coisa pra você comer. — ela saiu cantarolando alguma coisa.

Ele riu, beijou meu rosto, os lábios macios eram quentes como brasa.

– Sua mãe. Ela é uma figura. A perdoe por quase desistir... Foi difícil para todos nós.

– Você pode me explicar ? Eu ... Não consigo lembrar o que é — admiti.

– Ãhn .. Ah. Claro — ele pareceu surpreso — Fomos viajar, para a Bolívia num passeio de bikes pela estrada da ... — ele suspirou — Morte — sorriu desajeitadamente — Me desculpe Rachel. Parecia realmente seguro, tínhamos guias, equipamentos... Era pra ter sido divertido, você andava planejando isso a uns dois anos ! E não pude recusar o convite ... — Me olhou com aquela cara de bobo novamente.

– Eu ... Caí ? — tentei ligar os fatos.

– Sim — ele abaixou a cabeça — Machucou aqui; — tocou meu joelho direito, sua mão estava suada e fria — Aqui; — tocou minhas costelas — E aqui. — tocou meu pescoço. — Seu joelho foi até fácil resolver, pelo que o médico disse, talvez você sinta um pouco de dor nele devido a lesão, e terá que usar um suporte na canela inteira durante algum tempo, mas está tudo bem. As costelas, bom, você tem duas de ferro agora. E a nuca ... Isso foi realmente obra divina Rachel, um pouco mais pra baixo e sua espinha teria sido quebrada de forma fatal. — me encolhi, assustada — Logo você vai voltar pra casa, o pior passou.

Notas finais
Geeente >< Comenta alguma coisa aê pra eu saber se está ficando bom e se vale a pena continuar ? :/ valew ..