Mais que amigos
28 Volta ao trabalho. Secretaria.
Notas iniciais
Por Eduarda
A noite passada foi maravilhosa, pensei que eu já havia até perdido o jeito, mas não, foi como se focemos tão íntimos, muito mais do que se possa imaginar, Lucas me conhece como ninguém e sabe bem como me levar a loucura. Acordo e ao me virar para o lado noto a ausência de Lucas, ele já se levantou? A porta do banheiro de nosso quarto está aberta, percebo que ele não está e resolvo me levantar para ir a sua procura. Coloco uma pequena camisola e desço as escadas.
Escuta movimentações na cozinha, vou em direção a ela então escuto Lucas falando alguma coisa com rosa; apareço na porta e fico o observando, hoje ele voltava a trabalhar, por isso acordou cedo, olho no relógio e ele marca oito horas. Lucas já está com a blusa, gravata e calça social, assim que ele me vê eu falo.
DU: Bom dia Mores! — Dou um sorriso para ele.
JL: Bom dia! Por que já levantou? Eu ia levar para você!
DU: Eu não vi você por lá, pensei que já tinha ido.
JL: Eu nem ia te acordar, ia deixar o café lá a sua espera.
DU: Ele é muito fofo não é Rosa? — Ela assente que sim com a cabeça e sorri sem graça.
JL: Vamos, terminei aqui, vamos tomar lá no quarto.
DU: Você não vai se atrasar?
JL: Não, da tempo até de buscar os bebês com você. — Enquanto falamos caminhamos até nosso quarto.
DU: Serio?! — Falo animada.
JL: Quero dar um beijo neles antes de ir.
DU: Só neles? — Ele coloca a bandeja que carregava sobre a cama e me puxando pela cintura fala.
JL: Claro que não. — Ao dizer isso ele me da um beijo, que ao mesmo tempo que era intenso era suave, era um beijo que transbordava amor. Lucas conseguia em cada gesto fazer eu me sentir amada.
JL: Mores, vamos tomar esse café se não... — Ele ri. — Vamos nos atrasar.
DU: É verdade. — Me sento na cama e começo a comer algumas frutas e ele trouxe enquanto o observo comer também. — Lucas... — Ele para de olhar para o que estava comendo e me encara. — Eu te amo! — Ele abre um enorme sorriso e responde.
JL: Eu também. — Lucas segura uma de minhas mãos, — Você nem imagina o quando me faz bem ouvir isso pela manha. — Ao terminar de falar ele deposita um beijo na mão que segurava.
Sem muita demora terminamos nosso café, estávamos com muita fome em decorrência da noite passada.
DU: Lucas, vou tomar um banho rapidinho.
JL: Tá, vai lá.
Corro até o banheiro e tomo um rápido, mas delicioso banho, quero ver meus filhos logo. Me troco e passo uma leve maquiagem, corretivo, lápis e rímel, nada muito gritante.
DU: Estou pronta!
JL: Nossa que cheirosa essa mulher. — Ele fala se aproximando de mim. Dou um selinho nele e vamos para baixo de mãos dadas.
DU: Pegou as chaves?
JL: Estão aqui! — Diz ele as tirando do bolso e as balançando de leve para me mostrar.
DU: Você anda tão... Atento a tudo!
JL: Agora eu sou um pai de família, sou responsável.
DU: Amo esse cara responsável!
Entramos no carro e seguimos para casa de meus sogros. Demoramos mais que o previsto, segunda de manhã o transito estava meio intenso em algumas partes do trajeto, mesmo não sendo tão longe pegamos alguns pontos de lentidão.
JL: Até que enfim chegamos!
DU: Olha, a noite foi fantásticas, sem interrupções para troca de fraudas ou mamadas, mas eu estou morrendo de saudades. — Damos risadas.
Tocamos a campainha e quem nos atende é Silviano.
SI: Master Lucas, Mademoiselle Eduarda.
JL: E ai Silviano. — Eles se cumprimentam batendo as mãos.
DU: Oi Silviano. Cadê eles?
SI: Estão lá em cima com seus pais.
JL: Bora lá!
Subimos as escadas a caminho do quarto de Marta e Zé Alfredo. Batemos na porta e eu falo.
DU: Podemos entrar?
JA: Mas é claro.
JL: Como passaram a noite? — Lucas pergunta e eu vou ate eles, que estavam no colo dos avós.
MM: Melhor impossível. Acordaram duas vezes para mamarem, juntinhos, aproveitamos para troca-los, ouso dizer que nem sentiram falta de vocês!
DU: Ah. Não sentiram falta da mamãe? Assim eu fico maguadinha! — Falo para meus filhos com voz de criança e todos no quarto acabam rindo.
JA: Temos que fazer isso mais vezes!
JL: Concordo! — Diz ele animado.
DU: Lucas! — O repreendo.
JL: Que mal ha neles dormirem na casa dos avó?!
Marta ri de canto, ela era cúmplice dele nisso, sabia exatamente o porquê da animação de Lucas.
MM: Nenhum ora!
JL: Bom, valeu mesmo coroas, mas infelizmente tenho que ir! Até porque hoje volto a trabalhar.
MM: Até que enfim né?!
JL: Por mim ficaria mais uns três meses de folga.
JA: Também não né Lucas!
DU: Vamos logo então, você ainda tem que me deixar em casa, se demorarmos vai acabar se atrasando.
É isso que fazemos, Marta nos leva até a garagem com Alfredinho no colo e eu levo martinha enquanto Lucas leva a bolsa dos dois. Nos despedimos e depois de colocarmos nossos pequenos devidamente em cada cadeirinha ele nos leva para casa.
Ao chegarmos lá e tirarmos eles do carro ele vai comigo até dentro de casa e se despede de mim e dos nossos filhos.
JL: Papai vai ficar com saudade de vocês! — Fala se referindo a nossos filhos. — Vou tentar voltar para o almoço Mores.
DU: Tá... Vou contar as horas!
Damos um beijo e ele sai novamente. Agora será só eu e meus filhos pelo resto do dia.
Por João Lucas
Estou indo trabalhar no maior desanimo, depois de muitos meses sem ir para a empresa, só de imaginar ter que voltar para aquela loucura me deixa de saco cheio. Desde que Du começou a ter muitas complicações com a gravides não vou, por isso não faço ideia do que se passa por lá.
Ao chegar, vou direto para minha sala, nas ultimas vezes que vim estava atuando na parte contábil com a ajuda do contador oficial daqui, eu até que estava gostando da área, estou pensando em me especializar na área. Assim que me sento na minha mesa vejo vários balanços que terei de conferir. Literalmente não senti falta disso.
Estou concentrado em meus afazeres quando ouço Ester batendo na porta.
ES: Seu Lucas, licença.
JL: Toda!
JL: O senhor fez falta por aqui — Dou um sorriso. — Como estão os bebes?
JL: Ah, eles estão ótimos, não por serem meus filhos, mas, eles estão cada dia mais lindos.
ES: Que bom! Então, não vim até aqui para te atrapalhar batendo papo. É que seu pai quer falar com você. Pediu para eu te chamar.
JL: Mais já?
ES: Sim senhor.
JL: Estou indo então.
Sigo até a sala de meu pai depois de bater na porta entro.
JL: Fala ai coroa, o que manda?
JA: Então Lucas, andei conversando com Pablo nesse tempo que você se afastou, — Pablo é o contabilista da empresa. — ele me falou que você anda se saindo muito bem na área, então decidi aumentar sua responsabilidade, — Fico feliz com a noticia pois se ele está fazendo isso é porque está confiando em meu trabalho. — Com mais responsabilidade resolvi te arrumar uma secretária, para auxiliar mais você, já que você divide a Ester comigo e isso a sobrecarrega.
JL: Ah, tá legal. — Não tenho nada a dizer, ele já falou tudo. — Quando vamos escolhe-la?
JA: Não terá nem que se incomodar com isso, já escolhi uma pessoa para você, ela começa hoje.
JL: Já?! Que rapidez. — Falo brincando.
JA: Vou chama-la para vocês se conhecerem.
Ele pega o telefone e liga para o telefone de sua secretaria, pedindo que Ester a mande entrar. Acho estranho pois quando entrei aqui não vi ninguém, eu deveria estar muito desatento.
Segundos depois a porta se abria, quando olho e vejo quem é levo um susto.
JL: Você? — Falo assustado.
JA: Já conhece a Talita?
JL: É, sim, nós já... — Coso a cabeça. — Tivemos um lance, você não lembra?
JA: Não.
TA: Oi pra você também Lucas!
JL: Ai, me desculpe! — Vou até ela e nos cumprimentamos com um beijo no rosto, ela estava cheirosa, foi inevitável não sentir seu perfume, era o mesmo que ela sempre usou.
Conversamos um tempo os três, meu pai deu algumas instruções a ela, ela se retira e assim que vejo que já não está mais por ali fecho a porta e falo.
JL: Você só pode estar louco pai!
JA: Por que menino?
JL: Pai trazer ela para trabalhar aqui? Dentro da Império?
JA: O que tem isso Lucas?
JL: Vou mandar a real, eu sei muito bem o que estava rolando entre vocês.
JA: Como? — Ele pergunta assustado.
JL: Isso não importa, o que importa no momento é que é errado sua amante trabalhar no mesmo ambiente que sua mulher.
JA: Lucas, a tempos não tenho mais nada com Talita, foi um deslize...
JL: Deslize?
JA: Isso mesmo! — Ele fala meio bravo. — Lucas, eu passava por momentos complicados com sua mãe, agora estamos bem novamente, não tenho mais nada com a menina.
JL: Serio.
JA: Eu não estou falando?
JL: Então por que a trouxe para trabalhar aqui?
JA: Ela está passando por momentos difíceis financeiramente, resolveu me pedir algum tipo de ajuda e eu ofereci o cargo, já que estava procurando alguém mesmo.
JL: Tá se é assim, fico mais tranquilo.
JA: Agora, volte ao trabalho, acredito que ela vá precisar de alguma ajuda.
JL: Está bem, eu vou indo lá.
Fico feliz em saber que ele não está mais traindo minha mãe, mas meio preocupado, tenho medo que de alguma maneira me prejudique com a Du.
Muito ao contrario do que imaginei Talita estava sendo muito legal e, aprendia fácil. Ligo ela estava me ajudando em alguns afazeres. TA: Seu pai me contou que você casou, teve filhos. Parabéns. Eu acho que sempre achei que você e Eduarda tinham tudo a vê.
JL: É, eu sempre gostei muito dela, só não conseguia perceber, mas aos poucos o nosso amor foi vindo a tona.
TA: Fico feliz por vocês. — Ela olha no relógio e constata que deu a hora do almoço. — Está na hora de comer, — Ela ri. — Quer ir comigo? Vou nesse restaurante que tem aqui perto.
JL: Uhm... — Penso um pouco, ir para casa ou almoçar por aqui mesmo... Decido ficar por aqui, seria corrido demais ir para casa, mesmo querendo vê meus amorzinhos, acabo optando por almoçar com Talita. — Tá, vamos.
Nós seguimos para o restaurante que ela tinha falado, que por sinal era muito bom. Tivemos um almoço agradável, conversamos sobre meus filhos, munja vida de casado, mostro algumas fotos de Martinha e Alfredinho, ela fala um pouco sobre o momento complicado que sua família está passando e pelo que consigo entender o único que não sofre com a crise é Rafael seu irmã, que segundo ela de algum tempo pra cá anda estranho e não está morando no Brasil.
Quando nosso almoço termina voltamos para a Império. Passamos o resto da tarde trabalhando sem parar, ainda bem que ela estava me ajudando, realmente meu pai me deixou responsável por mais coisas. Pelas conversas que tive com Talita percebi que teremos uma relação amigável sem muitos problemas, ela mudou bastante nesses últimos tempos.
O resto do expediente custa a passar, quando da a hora de eu ir embora falo.
JL: Talita, acho que por hoje é só, deu a nossa hora.
TA: Ah, até que foi legal trabalhar. — Rimos e falo.
JL: Espero que continue achando isso nos últimos dias.
TA: Você é um bom patrão.
JL: Que bom! Mas com o tempo virarei um carrasco.
TA: Até parece né?!
Nos despedimos e apos pegar meu carro sigo para casa. Como mais uma vez é horário de pico demoro horrores no transito e chego em casa por volta das oito e meia da noite.
Ao abrir a porta escuto Du cantando musicas enquanto nina nossos filhos que estão no carrinho sendo balançados por ela.
JL: Oi meu amor.
Ela estava com um coque mal feito no cabelo e vestia shorts blusa, os pés estavam descalços no chão.
DU: Oi. — Ela sussurra.
JL: Um furacão passou por aqui? — Pergunto risonho ao ver fraudas de pano, algumas descartáveis limpas e uma mamadeira no sofá.
DU: Ah, você não tem ideia. Eles estavam impossíveis hoje e só pra ajudar Rosa passou mal logo cedo e acabei a dispensando.
JL: Serio? Por que não me ligou? Eu viria.
DU: Ah, não posso ficar te atrapalhando. Eu até cheguei a pensar em ligar, mas você tinha falado que viria almoçar se desse, como não veio imaginei que estaca muito ocupado. — Caraca, eu devia ter vindo. — Você conseguiu almoçar Mores?
JL: Eu? Consegui sim, almocei com a... Almocei lá perto.
DU: Ata. Leva eles lá em cima comigo?
JL: Levo sim, bora lá.
Subimos e depois que deixamos nossos bebes nos berços ela fala.
DU: Vamos comer alguma coisa? Estou com a maior fome. — Concordo e enquanto vamos a cozinha ela fala. — Como foi seu dia?
JL: Ah, trabalhei bastante, meu pai decidiu me deixar responsável por mais algumas coisas, ganhei até uma secretaria.
DU: Está ficando importante em Lek?! Diz ai, ela é legal? — Eu vou falar pra ela, não tem porque esconder.
JL: Você não acreditar quem é. — Ela faz cara de curiosa. — A Talita!
DU: Quem?
JL: A Talita Du! — Ela faz cara de quem comeu e não gostou, ela até tentou disfarçar, mas não rolou.
DU: Como seu pai tem coragem de colocar a amante dele lá dentro?
JL: Fiz a mesma pergunta para ele, mas ele me explicou que nem estão mais juntos.
DU: A não é...
JL: Não, e faz algum tempo, ele só a empregou pois ela está passando por dificuldades e, meu pai a contratou para ajudar.
DU: Ah sei... — Eduarda fala isso pegando algumas coisas na geladeira para comermos.
JL: Ela foi bem legal, me ajudou bastante, ficou o dia quase todo comigo. -
Ao falar isso me dou conta de que falei besteira. Ela se fir para mim e me olhando firmemente pergunta.
DU: Você almoçou com ela Lucas?
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