Mais forte que o amor.
13 ...um Tapete Carmesim.
Notas iniciais
CAPÍTULO 13
—…um tapete carmesim.
Camus point of view
Cheguei em casa exausto. Havia passado horas debruçado sobre as imagens, observando cada trechinho, o mais milimetricamente que eu pudesse. Desabei no sofá, ainda frustrado pela falta de resultados.
Afrodite surgiu no corredor, com Lizzie abraçada ao seu pescoço, enquanto ele a balançava. A menina tinha os olhos quase fechados e a boca entreaberta. Meu marido se aproximou e eu me levantei, acariciando o rostinho da pequena que praticamente dormia.
—Bem vindo de volta. Chegou tarde hoje. – Afrodite disse baixinho. Beijei-lhe os lábios antes de responder.
—Dia cheio. E você? Como está se sentindo? – Indaguei preocupado.
—Bem melhor. Mu esteve aqui pela manhã, ainda estava preocupado. Mas eu já estou bem, amanhã mesmo volto ao ateliê para ver como estão os preparativos para o ensaio.
—E essa pequena, por que ainda não está na cama?
—Ela não quis ir deitar de jeito nenhum enquanto você não chegasse. – O loiro respondeu. A pequena se mexeu em seus braços e murmurou um “Cami, quero você” quase inaudível. Senti meu coração bater forte e todo o estresse do dia se esvair. Era impossível não me encantar com aquela garotinha.
Troquei de lugar com Afrodite, pegando-a em meus braços. Senti sua respiração quentinha em meu pescoço enquanto eu a balançava e acariciava seus cabelos cacheados.
—Que tal ir dormir agora, minha flor? – Perguntei baixinho, já caminhando para seu quarto.
—Quero ficar com o Cami e o Flô. – Ela respondeu, apertando mais meu pescoço. Vi Afrodite rir. Desisti da ideia de colocá-la na cama e resolvi ir para nosso quarto. Uma vez só não mataria ninguém.
—Você quer dormir com a gente? – Lizzie fez que sim. – Certo. Só dessa vez tá? – Ela mexeu a cabeça positivamente mais uma vez. – O Camus vai tomar um banho agora por que ele tá todo sujo, você fica com o Afrodite só um pouquinho?
Novamente ela fez que sim. Eu a entreguei a Afrodite, que já estava sentado na cama, e fui para o banho. Quando retornei, Lizzie permanecia lutando para se manter acordada enquanto me esperava. Assim que me deitei ela me abraçou. Afrodite apagou a luz, deixando apenas o abajur ligado, já que a pequena tinha medo de dormir no escuro.
—Cami... – Sua vozinha sonolenta me chamou.
—Sim?
—Eu ti amu. – Ouvi-a dizer. Foi impossível conter o sorriso. Apertei um pouco mais o abraço, em resposta.
—E eu? Onde fico nessa história? – Afrodite indagou, com ciúmes.
—Eu também ti amu, Flô.
—Ah bom! Pensei que não gostasse mais de mim! – O loiro brincou, abraçando-a bem apertado. Lizzie riu, se aconchegando entre nós dois.
Não demorou muito para que os dois pegassem no sono, porém, mesmo estando tão confortável e com as duas pessoas que eu mais amava, minha mente estava em polvorosa e eu não conseguia relaxar o suficiente para dormir. Após algum tempo tentando, levantei-me e fui ao banheiro. Joguei um pouco de água no rosto e encarei meu reflexo.
—Camus, está tudo bem? – A voz de Afrodite soou do outro lado, batendo levemente na porta.
—Está sim... Só estou inquieto. – Respondi, abrindo a porta. O loiro pegou minhas mãos frias e se encostou ao batente. – Aquele maldito enigma está me corroendo por dentro.
—Enigma?
— “A flor de lótus irá murchar as vésperas do florescer da primavera”. Isto não se encaixa em lugar nenhum... Mas também não pode ser um simples trote!
—Lótus? Me faz lembrar... Tinha uma casa noturna com esse nome. Na época da faculdade minha turma fez um desfile lá, era bem conhecida da alta sociedade, mas se eu não me engano fechou faz algum tempo.
Uma casa noturna abandonada! Era o lugar perfeito para um assassinato! Agradeci aos céus por ter Afrodite ao meu lado, dei-lhe um beijo estalado nos lábios e corri para pegar meu telefone celular. No percurso aproveitei para pegar minha farda e sai do quarto. Conferi o calendário: havia acabado de virar véspera de primavera, se corrêssemos daria tempo.
—O que está acontecendo? Onde vai? – O loiro indagou, me seguindo até a sala.
—Pegar o canalha. – Respondi, ajeitando o uniforme e deixando o recinto.
—--x---
Senti meu sangue ferver. Não tinha pulso. A cabeça ainda esta ali, mas a vida havia se esvaído. O alvo da vez era uma garota. As roupas estavam destruídas. Marcas de abuso eram visíveis por sua pele exposta e o terror estampava seu rosto. Um tapete carmesim a envolvia.
Olhei para Dohko. A frustração era o pior dos sentimentos. Mais uma vida perdida. O maldito havia passado por entre nossos dedos e escapado.
—Senhor Dohko, Camus, já cercamos a área e patrulhamos o perímetro. Nem sinal do criminoso.
—Continuem procurando! Ele não deve ter ido muito longe. – Dohko ordenou. O rapaz bateu continência e saiu.
Mais uma vez estávamos em um beco escuro, manchado de sangue fresco. Havíamos passado tão perto de capturá-lo, mas os deuses pareciam não estar do nosso lado. Uma coisa era certa: havíamos deixado-o acuado, Máscara da Morte nem mesmo havia conseguido terminar seu “ritual”. Infelizmente eu não sabia se teríamos outra chance daquelas. A pista havia sido dada por uma denúncia anônima em forma de enigma. Quem quer que tenha a enviado, possivelmente tem alguma ligação com o serial killer. Não seria possível adivinhar onde o crime aconteceria se não fosse dessa forma.
Suspirei, fitando novamente o rosto da vítima. Pele branca, olhos azuis, cabelo loiro e ondulado. Senti meus olhos arderem. Era ainda pior assim. Nas fotos era possível disfarçar, mas tão de perto, a angústia me atingia de tal forma... O rosto de Afrodite se construía diante de meus olhos e me fazia perder o fôlego ao imaginar que...
Balancei a cabeça, tentando afastar aquele pensamento. Fechei os olhos da moça ao ouvir o som dos passos de Dohko. A equipe de forenses havia chegado para recolher material.
Nesse momento eu só queria ir para casa, abraçar Afrodite e me certificar que ele estava bem, de que não era e nem nunca seria uma dessas vítimas.
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