Mais forte que o amor.
14 ... Certas Palavras Frias.
Notas iniciais
CAPÍTULO 14
—… certas palavras frias.
Arround Shaka
Em fim a reunião havia terminado. Shaka sentia um enorme peso em suas costas. Estava cansado de discutir sobre a reforma que Yan, seu cliente, iria começar no prédio da empresa. Respirou fundo e levantou-se, seguindo o homem de meia idade até a porta, a qual ele abriu, dando passagem para que o loiro saísse. Os dois trocaram um breve cumprimento de mãos.
—O aguardo aqui novamente amanhã.
—Certo. – Shaka respondeu e virou-se para ir embora, quando, para sua surpresa uma figura conhecida surgiu em seu campo de visão. – Você...
—Ah! Mu, que bom que já está aqui, assim posso apresenta-los. – O homem disse. – Shaka, este é o arquiteto que contratei para a reforma.
—Sinto lhe informar, mas já nos encontramos antes certo, senhor Shaka? – O rapaz de longos cabelos lilases disse ao empresário, com um pequeno sorriso nos lábios.
—S-sim... temos um amigo em comum. – O advogado respondeu, um tanto desconcertado.
—Ótimo! Bom, a partir de amanhã trabalharão juntos para que tudo ocorra bem com este projeto. – Disse Yan.
—Ah, sim. Será um prazer. – Mu estendeu a mão para Shaka, que a apertou, fingindo não ter percebido a breve expressão de desagrado feita pelo outro, antes de voltar a sorrir.
—Vamos entrar, Mu? Temos ainda muito que conversar. – O diretor voltou-se para sua sala, sendo seguido por Mu.
A cabeça de Shaka estava em polvorosa. Era possível uma coincidência como aquelas? Iria trabalhar com o homem que parecia desprezá-lo tanto, apenas por um deslize?
Suspirou novamente. Sentia e sabia que tinha de resolver as coisas com o rapaz, ou seu espírito não ficaria em paz e sua mente o perturbaria a todo momento.
Seguiu para o elevador. Iria espera-lo no saguão da recepção, pois, para sair do prédio era obrigatório passar por ali. Apesar de cansado, esperou pacientemente pelo outro, dividindo sua atenção entre mexer a perna ansiosamente e olhar a hora no celular, coisas que não o ajudavam muito. Após quase duas horas de espera, finalmente Mu surgiu do elevador. O rapaz de visual exótico não escondeu a surpresa ao ver o loiro ali, a espera-lo.
—Sr. Intrometido... o que faz aqui por todo esse tempo? – Mu disse, aproximando-se e observando Shaka levantar-se.
—Gostaria de conversar com você. – O loiro respondeu, encarando-o com firmeza.
—Imaginei. – O rapaz respirou fundo, soltando os ombros. – Vamos para o meu apartamento. É aqui perto e lá poderemos conversar de forma tranquila.
Shaka surpreendeu-se com a sugestão, mas não negou, seguindo o outro.
—--x---
O loiro estava ansioso. Aguardava Mu na sala, sentado no sofá. Seus olhos passeavam pelo pequeno cômodo, cedido pela empresa para que Mu morasse no período em que ficaria na França. Apesar de algumas caixas ainda estarem espalhadas pelo local e a mobília ser simples, a decoração trazia uma sensação de calmaria a todo o ambiente. Tecidos em tons pastéis nas cortinas deixavam a luz do sol entrar, aquecendo o apartamento. Quadros com pinturas ocupavam quase todas as paredes. Alguns, peças de arte notáveis, outros, desenhos de criança emoldurados, possivelmente feitos pelo filho pequeno de Mu.
O advogado deixou um pequeno sorriso se desenhar em seus lábios, admirado.
—Adoráveis, não? – A voz de Mu fez com que Shaka se sobressaltasse. – Desenhar é a brincadeira favorita de Kiki.
—Sim... são realmente adoráveis. São muito alegres, assim como ele. – O advogado respondeu. Mu entregou uma xícara de chá à Shaka e sentou-se a sua frente.
—Então? Por onde quer começar? – O rapaz de cabelos lilases indagou após tomar um gole de sua própria xícara.
—Eu queria pedir desculpas, novamente. Sei que ouvi algo que não devia, não era minha intenção. Mas, não consegui me mover, quando ouvi Afrodite dizer...
—Tudo bem, não precisa se explicar mais. – Shaka observou Mu suspirar. – Não tem como concertar o que já aconteceu.
—Sabe... não consigo entender... – O loiro iniciou. – Conheço Afrodite praticamente desde que chegou a França. Se algo assim houvesse acontecido, com certeza eu saberia. A não ser que-
—Foi antes dele vir para cá. – Mu passou a mão por seus longos fios coloridos. – Irei lhe contar o que aconteceu, já que imagino que se não o fizer, você irá procurar por respostas sozinho, e isso pode acabar machucando meu amigo.
—Eu agradeço. – Shaka agradeceu, sentindo-se aliviado e apreensivo ao mesmo tempo.
—Só peço que não comente nada com Afrodite e muito menos com Camus. Aquele loiro precisa tomar uma decisão por si só e, se desconfiar que eu te contei... é capaz de não querer falar comigo nunca mais. – O rapaz possuía um semblante preocupado e Shaka sentiu o peso da culpa.
—Eu prometo que não direi nada.
—Certo. Irei confiar em você.
O vento, vindo da janela que Mu abriu, fez com que seus cabelos lilases balançassem. A luz a laranjada do fim de tarde não ajudou a aquecer as palavras de quem contava um relato tão... sombrio.
—--x---
Shaka estendeu a mão à frente dos olhos. Estava deitado na cama, ainda de terno e gravata. Sentia o cansaço. Fazia dias que mal conseguia dormir. O que Mu lhe contou, deixou-o perturbado e, todas as noites, quando fechava os olhos para tentar dormir, sua mente trabalhava inquieta, fazendo-o imaginar o quanto seu amigo havia sofrido. Buscava incansavelmente uma forma de ajuda-lo, sem causar-lhe mais problemas.
Ouviu o interfone tocar, tirando-o dos devaneios e levantou-se da cama, indo atender o aparelho. Do outro lado da linha o porteiro lhe avisou que Afrodite estava subindo para vê-lo. Não demorou muito para que a campainha tocasse e logo abriu a porta.
—Tio Shaaaa!! – Sentiu seu pescoço ser envolvido pelos pequenos bracinhos de Lizzie, que havia praticamente pulado em cima de si.
—Lizzie, por favor... a educação, minha flor. – Afrodite repreendeu-a de forma branda.
—Discupa, tio Sha. Boa noite.
—Boa noite, pequenina. Entrem. – O advogado deu passagem para que Afrodite entrasse e seguiu-o, com a loirinha nos braços. – Querem alguma coisa para beber?
—Não, não. Obrigado Shaka, não vamos demorar. – O loiro de cabelos cacheados respondeu. – Vim apenas lhe entregar alguns papéis que Camus pediu e... um convite.
—Convite? – Shaka indagou, colocando Lizzie no chão e fitando Afrodite mexer em sua bolsa.
—É. A revista onde sairão as fotos da minha ultima coleção me convidou para participar de um desfile no final do mês. – O estilista disse, com orgulho. – As coisas estão uma loucura, tive que desenhar peças novas para este desfile, estou com trabalho até o pescoço.
—Não precisava ter se incomodado de vir aqui então, eu poderia passar na sua casa!
—Nem pensar! Queria eu mesmo entregar, fora que é caminho né. – Ele respondeu, sorrindo e piscando, entregando os papéis e o convite nas mãos de Shaka.
—A Lizzie também tá ajudano o Flô! É muito divertido! – Lizzie disse, agarrando-se às pernas de Afrodite.
—Shun está doente, então tive que leva-la comigo ao ateliê esses dias.
—Entendo.
—Shaka... Está tudo bem? Seu rosto... está com uma cara péssima. – Afrodite tinha um semblante preocupado.
—Está... está sim. É apenas excesso de trabalho. Não se preocupe. – Respondeu, de forma evasiva e sorriu. Não queria deixar o amigo preocupado.
—Se diz, tudo bem. Mas não exagere. — Shaka assentiu positivamente e Afrodite pegou Lizzie nos braços. – Agora temos que ir.
Shaka guiou-os até a porta, abrindo-a em seguida.
—Tio Sha, você vem me ver?
—Vou sim, pequena. Logo logo. – Respondeu-a bagunçando seus cabelos cacheados. — Obrigado por virem.
—Se precisar desabafar, sabe que pode contar comigo, não é? – Afrodite ainda tinha preocupação no olhar. Shaka assentiu novamente. – Certo. Não esqueça o que eu disse: Não exagere! – Disse, despedindo-se.
Shaka fitou-os indo embora. Sentiu certo vazio no peito. Seus amigos haviam construído família e ele permanecia ali: Sozinho em seu apartamento frio e vazio.
—Vamos lá Shaka, você não precisa disso. – Suspirou.
—--x---
Camus Point of View
Adentrei o apartamento estranhando o fato das luzes estarem acesas. Na sala, esparramado no sofá estava Afrodite, dormindo. Sua camisa estava aberta e uma muda de roupas estava caída no chão, junto com uma toalha. Lizzie dormia tranquila sobre seu peito, vestida em seu pijaminha de morangos. O loiro parecia desconfortável, mas o cansaço possivelmente devia ser maior que o desconforto da posição em que se encontrava.
Aproximei-me, pegando Lizzie delicadamente em meus braços, para que a pequena não acordasse e levei-a até seu quarto. Quando retornei, deparei-me com Afrodite, sonolento, sentado no sofá. Sentei-me ao seu lado e toquei seu rosto, ajudando-o a colocar uma mecha do cabelo para trás.
—Camus... Já está tão tarde assim? – O loiro indagou, abraçando-me e deitando o rosto na curva de meu pescoço.
—Sim... bastante. – Respondi, sentindo-o depositar ali um beijo. Sua respiração quente fazia cócegas e me arrepiava. Enlacei sua cintura, fazendo meus dedos deslizarem de forma suave por sua pele, o que o fez soltar um gemido baixo. Tateei por suas costas, descendo as mãos para suas pernas em seguida, fazendo-o sentar-se melhor em meu colo.
—Camus... a Lizzie... – Murmurou, assim que mordisquei o lóbulo de sua orelha, arrancando-lhe um novo gemido.
—Está tudo bem. Ela não vai acordar tão fácil e eu passei a chave na porta. – Respondi-o, sussurrando. – Só precisamos tomar cuidado com o barulho.
—Hmm...
Deslizei meus dedos para o cós de sua calça, abrindo-a, enquanto o observava desabotoar calmamente minha farda. Suas mãos infiltraram-se por dentro da minha roupa e logo seus dedos tocavam minha pele, arrastando as unhas por ela. Afrodite riu quando levei meus lábios de encontro ao seu pescoço, beijando-o e mordiscando-o. O loiro inclinou-se, jogando o peso de seu corpo sobre o meu. Levei minha mão até sua cueca, sentindo seu membro pulsar sob o tecido fino e passei a massageá-lo. Fite-o morder o lábio inferior, abafando os gemidos. Afrodite passou a mover-se sobre mim, mexendo os quadris em um lento rebolado. Tateei suas costas com a mão livre, sem cessar o lento masturbar em seu pênis, e puxei-o para mais perto, colando nossos corpos. O loiro enfiou as mãos por dentro de minhas calças buscando retribuir o prazer enquanto eu tateava suas costas com a mão livre, colando ainda mais nossos corpos. A tensão era alta, gotículas de suor começavam a brotar e a ânsia de um pelo outro apenas aumentava. Empurrei Afrodite para trás, fazendo com que se deitasse no sofá. O loiro enlaçou meu pescoço e beijou-me com ainda mais intensidade, fazendo-me sentir todo meu corpo estremecer. Apertei suas nádegas, trazendo suas pernas para cima, ao mesmo tempo em que suas unhas arranhavam minhas costas com força e eu tinha que me controlar para não deixar que gemidos mais altos escapassem. Com alguma destreza, puxei a calça do loiro para baixo, deixando a mostra seu membro ereto. Aproveitei para beijar seu peito, seguindo lentamente para baixo, chegando a base de seu pênis. Afrodite movia-se quase desesperado, tencionando os músculos, tentando resistir e não fazer barulhos de mais, suas mãos deslizaram até meus cabelos, agarrando-os com força, porém, o loiro não tinha intenção de ditar o ritmo do jogo, entregava-se totalmente a mim, sabia que aquela tortura em demasia deixava o sexo ainda mais excitante e prazeroso. Sorri, lambendo toda a extensão de seu membro, para abocanhá-lo, sugando-o lentamente em seguida. Afrodite inclinou o corpo para trás, sem soltar de meus cabelos e eu passei a observá-lo enquanto mantinhas os movimentos de vai e vem. Seu rosto corado transpirava luxúria, ele mordia o lábio, contendo a voz enquanto apertava meus fios ruivos e fechava os olhos vez e outra tentando se concentrar.
—Camus... eu... – Sussurrou, ofegante, descendo as mãos ao me pescoço, puxando-me para cima. Interrompeu a própria fala para beijar-me e não a completou. E nem precisava, eu sabia exatamente o que diria.
O loiro envolveu minha cintura com suas pernas, fazendo com que nossas ereções se encontrassem, deixando-me ainda mais louco de desejo. Despi-me da farda e afastei suas nádegas, introduzindo um de meus dedos em seu interior. Enquanto isso, Afrodite rebolava, fazendo com que nossos membros se roçassem e com uma das mãos masturbava-os. Busquei seus lábios para mais um beijo e não demorou para que eu lhe introduzisse o segundo e terceiro dedos.
—Por favor, Camus... eu preciso de você... – Sua voz arrastada pedia por mim. Meus lábios se curvaram em um novo sorriso.
Ajeitei-me entre suas pernas e com sua ajuda adentrei-o vagarosamente, sentindo cada um de seus músculos se tencionarem e todo seu interior pulsar, causando-me a melhor das sensações. Segurei sua cintura com firmeza, movendo-me para fora de si, apenas para enterrar-me entre suas pernas novamente. O loiro parecia estar em um universo paralelo, contorcia-se, tencionava-se, ofegava e gemia enquanto eu repetia os movimentos a cada instante com mais intensidade.
—Mon ange... temos uma criança em casa... um pouco mais baixo, certo? – Lembrei-o, afastando os fios loiros que grudavam em seu rosto, enquanto ele assentia minimamente, levando a mão aos lábios e mordendo o indicador, para conter os gemidos. Com a mão livre, buscou a minha, entrelaçando nossos dedos e apertando-os, como que para lembrá-lo da realidade.
Aumentei ainda mais a velocidade dos movimentos, jogando o peso de meu corpo sobre si e lançando-me contra Afrodite com cada vez mais força. Minha mão buscou seu pênis, voltando a masturbá-lo, sentindo que o ápice se aproximava. O loiro enlaçou meu pescoço, puxando-me para ainda mais perto. Com uma estocada mais funda, fiz com que Afrodite deixasse escapar mais um gemido alto. Beijei-o, mantendo nossas bocas coladas e arremetendo-me ainda mais fundo em seu interior. Senti Afrodite estremecer. Eu mesmo estava prestes a explodir, meu corpo estava quente e dolorido, louco pelo orgasmo.
—Camus... Camus... Eu... não aguento mais...– Ouvi-o sussurrar, enterrando o rosto em meu ombro, mordendo minha pele.
—Afrodite... Je t’aime— Declarei-me, entre a respiração sôfrega. Lancei-me contra seu corpo uma ultima vez, ainda mais forte e fundo, sentindo todo meu corpo pulsar e o coração ribombar em meu peito, o orgasmo atingindo-nos em proporção máxima. Ouvi o gemido arrastado do loiro, abafado pela mordida, ainda cravada em meu ombro e senti o líquido quente envolver minha mão, que ainda segurava seu membro. Retire-a dali, levando-a até os lábios e lambendo o gozo que restava.
Meu corpo estava pesado e leve ao mesmo tempo. Era como mágica, sentir tanto prazer assim, todos os dias, com a mesma pessoa, como se fosse sempre a primeira vez. Toquei o rosto de Afrodite, que mantinha os olhos fechados enquanto tentava regularizar a respiração, e acariciei-o, sentindo sua pele macia, porém suada, enquanto admirava toda sua beleza.
Ele era a minha rosa, o meu anjo. O homem que eu amava e com quem passaria todos os dias da minha vida.
Peguei-o nos braços quando finalmente reabriu os olhos.
—Camus... obrigado. Eu o amo. – Declarou, colocando as mãos em volta de meu pescoço. – Que tal uma segunda rodada? – Sugeriu.
Deixei um sorriso se formar em meus lábios e beijei-o, ignorando as roupas jogadas pela sala e carregando-o ao quarto. Não iria desperdiçar toda aquela vontade.
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