Notas iniciais
Olá! Demorei um pouquinho, mas pelo menos foi um tempo mais curto que o capítulo anterior, não é?! Mais um capítulo que fará as pulguinhas atrás da orelha de vocês coçarem insanamente! Beijos! Nos vemos nas notas finais!

CAPÍTULO 15

—... mais uma vez.

A escuridão encobria-o. Observava de longe o desenvolvimento da situação ao mesmo tempo em que monitorava de perto pelo laptop.

—Está tudo indo como o planejado. – Falou baixo, ajustando o ponto eletrônico, para ouvir melhor, não podia se dar ao luxo de ser descoberto. — O idiota está caindo direitinho no meu jogo, não vai demorar muito para que o investigador consiga captura-lo.

—Tenha certeza de fazer isto acontecer antes dele conseguir o que quer. – A voz do outro lado da linha lhe respondeu.

—Pode deixar, o escorpiãozinho aqui garante o serviço, você sabe.

—Sim, sei muito bem. Espero que garanta estar na minha cama amanhã à noite também.

—Ei ei, está assim tão carente? – Riu, ouvindo o outro xingá-lo. – Está bem, estarei aí. Mal posso esperar para saciar essa sua cede. – Provocou. O som de carros se aproximando chamou a atenção de Milo. – Opa, a polícia chegou, é melhor eu sair daqui antes que sobre pra mim, até amanhã.

Dizendo isto, o loiro recolheu seus objetos e tão silencioso como chegou ali, saiu, esgueirando-se pelas sombras, não sem antes espiar a cena que se desenrolava. Novamente a Gendermarie passou a um fio de prender o criminoso. Não conteve o pequeno sorriso em seus lábios, tudo ia perfeitamente de acordo com os seus planos.

—--x---

Sentia-me nervoso. O local estava repleto de gente e aquilo me deixava extremamente ansioso. As modelos passavam de um lado para o outro pelo corredor, retocando a maquiagem, vestindo as peças enquanto os assistentes ajudavam a preparar os últimos detalhes. Logo seria a vez de minha coleção desfilar. Nunca havia participado de um evento tão grande, sentia minhas pernas tremerem apenas de pensar que também teria que desfilar no final. Respirei fundo, tentando acalmar meu coração.

Espiei a plateia, da janela, apenas para confirmar que o lugar reservado a Camus permanecia vago. Lizzie estava sentada junto a Shaka e parecia animada conversando com Kiki, que estava ao lado de Mu.

—Ansioso, Sr. Legrand? – A voz de Cecile chamou-me a atenção. Voltei-me para si, apertando meus dedos uns nos outros para tentar controlar o nervosismo.

—Um pouco. É a primeira vez que participo de um evento tão grande. – Expliquei. Ela sorriu e apertou meu ombro, tentando transmitir conforto.

Cecile era a coordenadora do desfile e representante internacional da revista Rose. Tinha cabelos curtos, castanhos e cacheados, olhos pequenos cor de mel. Ela era baixinha, italiana com descendência japonesa. Segundo ela, morava no Japão há dez anos e estava na França especialmente para organizar este evento. Seu filho pequeno havia vindo com ela e estava agarrado a suas pernas. Ele era tímido e quase não falava nada, apenas observava tudo ao redor e não desgrudava da mãe.

Abri um pequeno sorriso e voltei minha atenção novamente para o público. O lugar continuava vago.

—Seu marido ainda não chegou? – Indagou, preocupada.

—É... Mas tudo bem. Eu sei que nem sempre ele pode estar presente. – Respondi, tentando não parecer desapontado.

—Você disse que ele é da polícia não né? Eu entendo um pouco de como você se sente. Mas com certeza ele está torcendo pelo seu sucesso.

Fiz que sim com a cabeça, seguindo-a para longe da janela onde estávamos. Quando estávamos próximos à mesa com alguns aperitivos, Cecile encostou a mão na orelha, concentrando-se para ouvir algo pelo fone do rádio que carregava consigo.

—Pronto... Ótimo, ótimo! Mande alguém trazê-lo até aqui, por favor, depressa. Sim, sim. Okay. Quinze? Certo. Obrigada. – Cecile olhou para mim e abriu um enorme sorriso. – Vamos fazer uma pausa de quinze minutos e logo depois, sua coleção entra, Sr. Legrand. – Avisou. Senti como se meu estômago tivesse congelado. – Ah! O Sr. Camus está subindo para vê-lo. Aproveite os quinze minutos para relaxar.

Dizendo isso, ela pegou o filho nos braços e passou a dar ordens para sua equipe de assistentes.

Senti-me ainda mais nervoso e eufórico. Camus estaria ali para me assistir! Era tão difícil para ele conseguir participar desses eventos que já estava praticamente conformado. Quando vi o ruivo surgir no corredor, acompanhado de um dos assistentes de Cecile, meu coração acelerou e tive que me conter para não sair correndo até ele.

—Você veio! – Exclamei, abraçando-o assim que o outro rapaz se afastou.

—Desculpe o atraso. O escorpião enviou outra mensagem, o departamento estava um caos, mas conseguimos resolver a situação.

—Entendo... não era melhor você ter ficado lá?

—Não se preocupe com isso. Hoje é seu dia, e eu não perderia por nada. – Ele respondeu, dando-me um beijo nos lábios. – Agora, acho melhor ir para o meu lugar. Não quero atrapalhar aqui e logo vai começar o seu desfile, não é? – Fiz que sim com a cabeça, recebendo de meu marido um abraço apertado e um beijo na testa. – Vai dar tudo certo.

Camus deu-me as costas, mas antes que pudesse se afastar, segurei sua mão.

—Camus... Obrigado. – O ruivo sorriu de lado, deu-me um novo beijo e se foi. Observei-o tomar seu lugar, pela janela, e pegar Lizzie para sentar-se junto a si.

Em seguida, Cecile veio ao meu encontro. As modelos já começavam a descer e se posicionar. As luzes do palco se apagaram e iniciou-se a introdução.

—Chegou a hora, Sr. Legrand. – Assenti, seguindo Cecile.

Era a minha hora.

—--x---

—Parabéns pelo desfile, Afrodite! Suas peças estavam maravilhosas! – Disse Mu, abraçando-me, assim que nos encontramos no coquetel reservado aos amigos íntimos dos estilistas convidados para o evento e pessoas influentes no mundo da moda. – Mas... você com certeza foi o mais belo a desfilar naquele palco!

—Obrigado. – Agradeci, sentindo meu rosto se aquecer. – Mas todas as modelos também estavam muito belas.

—Mesmo assim, o que Mu disse não deixa de ser verdade. — Disse Camus, que estava ao meu lado, com Lizzie nos braços. O ruivo segurou minha mão, entrelaçando nossos dedos. – Você era o mais lindo de todos.

—Cami, o Flô sempre foi o mais lindo! – A pequena disse, animada, estendendo os braços para que eu a pegasse.

—Obrigada, minha florzinha. Pra mim você que é a mais bela. – Vi-a abrir um de seus enormes sorrisos e me apertar em um abraço. – Mu, onde está o Shaka? – Indaguei, notando a ausência do loiro.

—Foi pegar algo para comer, com o Kiki. Meu filho não desgruda mais daquele cara, acredita?

—Shaka é um bom homem e tem muito jeito com crianças. – Falei, rindo da reação exagerada de Mu.

—O tio Sha é muito bonzinho, tio Mu! Ele binca com a Lizzie e com o Kiki mesmo tarabalando muito! – A loirinha explicou, entusiasmada. O outro deu de ombros, não muito interessado no que Lizzie tinha a dizer.

—Pequena, você não está com fome? – Lizzie respondeu a pergunta de Camus balançando a cabeça positivamente de forma animada. – Então vem comigo, vamos buscar algo pra você também.

Entreguei Lizzie novamente a Camus, que seguiu com ela até a área do restaurante. Voltei-me para Mu, com uma sobrancelha arqueada.

—Você devia desencanar um pouco do Shaka, Mu. Não entendo o que ele fez de errado para deixá-lo tão irritado.

—Nada. Só não fui com a cara dele. – O outro respondeu, com uma expressão desgostosa. Suspirei, resignado.

—Não devia julgá-lo de forma tão leviana. O Shaka é uma boa pessoa. É meu amigo desde que cheguei à França praticamente e têm sempre me apoiado.

—Eu tenho meus motivos, Afrodite. Podemos mudar de assunto? – Tive que ceder, ou deixaria Mu ainda mais irritado.

Não demorou muito para que Cecile surgisse entre os que desfrutavam do coquetel.

—Desculpe atrapalhá-los, Sr. Legrand, mas poderia me acompanhar? Precisamos fazer algumas fotos para os veículos de comunicação da revista. – Ela explicou, educadamente. Concordei, pedindo licença a Mu, e segui-a.

Sentia-me mal com tanta exposição, mas precisava superar aquilo para que meu trabalho pudesse crescer. Tentei não pensar em nada além de quanta felicidade tudo o que estava acontecendo podia me trazer.

—--x---

Normalmente não possuía interesse nenhum naquelas coisas. Mas as imagens exibidas pelos monitores da loja de eletrônicos haviam capturado sua atenção de longe.

—“Jovem estilista é destaque da próxima edição da revista Rose. O belo rapaz é a mais nova revelação da marca. Apesar de já trabalhar para a elite há algum tempo, apenas agora resolveu se mostrar para as câmeras. Com certeza seu talento é tão grandioso quanto sua beleza!” – Dizia a repórter, enquanto fotos do rapaz surgiam na tela.

O sorriso encantador, o rosto delicado e angelical, a tez branca e visivelmente macia, a pinta charmosa abaixo do olho, os longos cachos dourados...

Sua pequena criança havia crescido, mas permanecia insanamente bela.

—Te encontrei... mia bella rosa... – Um sorriso sádico formou-se em seus lábios. Havia finalmente encontrado o que queria. Uma enorme euforia tomou posse de si.

Mal podia esperar para ter em suas mãos aquele corpo tão desejado, mais uma vez.

Notas finais
Vocês perceberam? Eu retirei as indicações de Ponto de Vista dos personagens. Na verdade é mais um teste, e gostaria de saber a opinião de vocês: Desta forma, a leitura continua clara ou vocês ficaram confusos? Conseguiram perceber de início quem eram os personagens? Espero que possam responder para mim nos comentários ^^ dependendo de como for, mantenho assim ou retorno para a forma de escrita anterior. Além disso, o que acharam do capítulo? ~~mistério né? Têm alguma ideia do que pode acontecer no próximo?! Conta pra mim! Vamos ver se vocês estão no rastro certo dessa investigação! Beijokas. L.W.