Mais forte que o amor.
21 ... uma nova vida - Epílogo
Notas iniciais
Eu estava deitado em minha cama de hospital. Fazia alguns dias que havia sido internado e, se tudo corresse bem logo teria alta. As sequelas do mal pelo qual tinha passado ainda estavam por todo o meu corpo, mal podia mexer os dedos sem sentir dor ou mesmo me sentar direito, mas estava sendo cuidado e tinha todo o carinho do mundo ao meu redor. O pesadelo havia passado e agora eu poderia viver os meus sonhos.
Encarei novamente o relógio de parede, impaciente. Não me aguentava de ansiedade a espera do horário de visitas começar. Queria ver Camus e minha pequena Lizzie, abraça-los bem forte e não largar mais. Mas qual não foi minha decepção quando percebi que não era meu marido a cruzar a porta.
—Bom dia! Ei, que cara feia é essa! Até parece que não gostou de me ver aqui... – Mu adentrou o cômodo com Kiki em um dos braços, enquanto a mão livre se entrelaçava com a de um certo loiro de olhos azuis. Encarei os dois com minha melhor cara de indignação.
—O que é que está acontecendo aqui? – Indaguei, sem retribuir o cumprimento do outro.
—O papa e o Tio Shaka estão namorando! – Kiki pulou dos braços do pai.
—Não estamos namorando ainda, Kiki. – Shaka tentou se explicar, com um enorme vermelho cobrindo seu rosto.
—Só estamos ficando, nada sério Dite. – Disse Mu, fingindo desinteresse, mas pude nota-lo apertar mais a mão na do loiro.
—Sei... Mas vem cá, cadê meu maridinho e minha florzinha? – Eu já começava a ficar nervoso, queria os amores da minha vida bem pertinho de mim.
—Quanto desespero! Parece até que não gostou da nossa visita!
—Eu amei, Mu! Obrigado por virem me ver, mas...
—Tá tudo bem, eu vou ver se eles já chegaram. Camus disse que Lizzie tinha uma surpresa para você hoje, por isso iria demorar um pouco mais e pediu que nós viéssemos para te fazer companhia. – Shaka explicou.
Senti meu coração palpitar. Uma surpresa? O que poderia ser? O loiro atravessou a porta e não tardou a reaparecer, meu ruivo entrou logo atrás.
—Meu amor! – Estiquei os braços, ignorando uma pontada de dor. Camus sorriu e se aproximou, dando-me um selinho rápido. – Cadê minha pequena?
—Pode entrar, Lizzie! – Camus a chamou. A porta se abriu devagarinho e por ela Lizzie entrou, toda tímida. Senti meu coração bater forte no peito e cobri os lábios com as mãos. Ela usava um vestido vermelho cheio de bordados de rosas. Mas o que chamava minha atenção eram os cabelos. Seus cachos agora estavam curtos, na linha do queixo, exatamente iguais aos meus. Seus grandes olhos azuis me encaravam cheios de expectativa.
—Vem cá minha florzinha! – Chamei, já com a voz embargada. Camus a pegou nos braços e colocou sentada sobre o meu leito. Ela me abraçou e eu retribui, sentindo a macies de seus fios dourados.
—Eu queria ficar igual o Flô. Pedi pro Cami cotá meu cabelo, pra ficar cutinho igual o seu. – Ela explicou, me abraçando mais forte e escondendo o rosto em meu peito.
—Você é um anjo pequena e eu te amo tanto! – Abracei-a ainda mais, sentindo os braços de Camus nos envolver.
Era exatamente ali onde eu queria estar, com o amor da minha vida e nossa pequena família. Sorri, deixando as lágrimas me vencerem.
—O Cami queria cotá igual também. Eu disse pa ele que o Flô ia fica tristi se ele cotásse. – Lizzie afastou o abraço e pude ver Camus corar.
—Fez muito bem em impedi-lo, Lizzie! – Falei, limpando as lágrimas e sorrindo em brincadeira. Encarei Camus. – Obrigado, amor.
Camus me beijou mais uma vez e todos riram. Era tão bom ter a certeza de que eu realmente estava livre, que nós poderíamos ter uma vida repleta de amor e carinho e sem a sombra de um monstro a nos perseguir. Logo estaria em casa, com meus amigos e minha família e tudo o que aconteceu não passaria de um pesadelo distante.
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—Camus, o que realmente aconteceu com o Máscara da Morte? – Shaka me perguntou. Estávamos na cafeteria do hospital, apenas nós dois, enquanto Mu, Kiki e Lizzie faziam companhia a Afrodite.
—Na realidade, eu também não sei. Recebemos uma foto do Escorpião o capturando e desde então não tivemos mais notícias. – Respondi, bebericando da xícara de café. — Não sei por que motivo ele possa ter interesse nesse assassino, mas só espero que não seja para se juntarem e cometer mais crimes. De qualquer forma estamos investigando, os dois são criminosos e tem que ser presos.
—Entendo... espero que possam captura-los logo. Agora, precisamos falar de outra coisa. – O loiro se endireitou na cadeira, deixando seu chá de lado. – Foi marcada a data da audiência de Guarda da Lizzie. Estou confiante de que consigam ficar com a menina sem precisar de outras audiências.
—É tudo o que eu mais quero, Shaka. Para mim ela já é minha filha. – Falei, sentindo um aperto no peito. Eu já sabia como o processo de adoção era burocrático e demorado, ter esperança de conseguir a guarda de Lizzie logo de cara era algo que me tranquilizava, estávamos a cada dia mais perto de tê-la oficialmente como nossa filha.
—Eu sei disso. Por isso mesmo já enviei um pedido para o psicólogo depor e Afrodite já me disse antes que ele está totalmente do nosso lado. Agora é esperar que a Assistente Social também esteja.
—Se os deuses quiserem, ela vai estar.
—Tio Camus! Tio Camus! – Kiki surgiu na cafeteria afobado, parecia ter corrido por todo o Hospital – Papa falou pra te chamar, Tio Afrodite vai poder voltar pra casa!
Mal esperei o menino terminar de falar e me levantei, sendo seguido por Shaka. Uma enorme felicidade me invadia. Dali por diante nossa vida seria diferente, ainda mais repleta de amor e felicidade. Teríamos Lizzie vivendo conosco, crescendo ao nosso lado, uma pequena e quente luz que iriamos cuidar e mimar. Eu não poderia pedir por nada mais perfeito.
Sorri ao passar pela porta do quarto. Afrodite já se encontrava na cadeira de rodas, pronto para sair dali. O médico receitava remédios e cuidados, fechando o prontuário e assinando a alta.
—Prontinho, Sr. Legrand. Está liberado, mas não se esqueça de tomar os remédios e permanecer em repouso absoluto pela próxima semana. – Falou o Doutor, então dirigindo-se a mim. – Cuide bem dele, rapaz e não o deixe fazer qualquer esforço.
—Pode deixar. – Respondi. Mu recolheu a mala com os pertences de Afrodite e eu o empurrei pelo corredor. As crianças nos acompanhavam animadas. – Está pronto para a nossa nova vida, meu amor?
—Mais pronto que isso, impossível. Era tudo o que eu mais queria.
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