Mais forte que o amor.

9 ... um medo Aterrorizante.


Notas iniciais
Comemorem! Hoje vocês tem um pouquinho mais desse loiro gostoso do Saga *m* E claro, como não pode faltar, o nosso casal maravilha, maravilhando s2

CAPÍTULO 9

—... um medo aterrorizante.

Saga havia acabado de entrar em seu quarto. Afrouxou a gravata e jogou o terno sobre a cama, retirando de seu frigobar uma jarra de água gelada, enchendo um copo e bebendo-o de uma só vez. Sentou-se em sua poltrona e retirou os sapatos, sentindo seu corpo relaxar.

Havia sido um dia cansativo, todo seu corpo pedia por um descanso. Agora que estava confortável, a preguiça tomava conta da sua vontade de ir para o banho. Era em momentos assim que se arrependia de não ter uma banheira para se afundar até o pescoço na água morna e só sair depois de ver toda a sua pele enrugar.

Após alguns minutos de silêncio, resolveu rumar para o banheiro. O quanto antes se lavasse, mais cedo poderia se entregar ao sono e ao descanso. Quando já estava sem camisa e prestes a retirar a calça, ouviu seu celular tocar. Pensou logo no irmão que, possivelmente havia esquecido a chave mais uma vez. Precisava pensar em um jeito de se livrar de Kanon, que já havia se plantado em seu apartamento. Suspirou, resignado, saindo do banheiro, indo para o quarto e atendendo o aparelho, sem nem mesmo olhar para ver quem o chamava. Porém, não teve tempo de bronquear com o irmão. A voz chorosa e desesperada, claramente não era a de seu gêmeo.

Saga... por favor, me ajuda... eu preciso de você...— Reconheceu o timbre de Afrodite, que falava baixo entre soluços.

—Afrodite? O que aconteceu?

—Eu... ele... ele está atrás de mim... eu... eu não quero passar por aquilo de novo... por favor Saga... fica comigo...

A raciocínio de Saga agiu rápido. Sabia exatamente do que Afrodite estava falando. Lembrava-se do caso de Afrodite melhor do que de qualquer outro paciente e podia imaginar o que estava acontecendo.

—Onde você está? Eu vou te buscar, está bem?

Assim que Afrodite passou o endereço de onde se encontrava, Saga vestiu-se rapidamente e tratou de ir atrás do estilista. Possuía um carinho especial pelo outro, haviam tido um relacionamento no passado, enquanto ainda cuidava do tratamento do loiro, por isso, sabia melhor do que ninguém os problemas que ele havia enfrentado e o problema que estava enfrentando agora.

Encontrou-o aos prantos, sentado enfrente a loja de eletrônicos que, a essa altura já havia fechado. Todos os aparelhos estavam desligados no interior da vitrine. Aproximou-se, ficando de frente para o loiro.

—Afrodite? – Chamou. Sua voz o despertou e ele levantou o rosto. Seus olhos estavam completamente diferentes de quando foi ao consultório do psicólogo, estavam perdidos em qualquer lugar de seu passado, cheios de angústia e desespero.

—Saga! – Ele o abraçou apertado, chorando ainda mais. – Ele veio... pra me pegar! Eu não quero... preciso ir embora daqui. Preciso de você, Saga... me ajuda...

—Afrodite, fica calmo. Está tudo bem, ele não vai te pegar. Você está seguro. – Saga soltou-o do abraço, fazendo-o encarar seus olhos. – Você tem o Camus, ele vai te proteger, lembra? Não precisa de mim. Não mais.

—Camus... – Ele murmurou, abaixando os olhos. – é verdade... ele vai me proteger... eu o amo tanto... – Suas palavras eram soltas e se perdiam em seus lábios. Aos poucos seus olhos foram se fechando e ele adormeceu, tombando a cabeça no ombro de Saga.

Afrodite com certeza devia estar exausto. Sua mente havia feito uma viajem para o passado, o momento de maior sofrimento na vida do pisciano e Saga sabia que isto exigia muito, tanto de seu corpo, quanto de seu psicológico. Pegou o loiro nos braços, levando-o até o carro. Não queria leva-lo para sua casa, sabia que o marido de seu ex-paciente devia estar preocupado, então, antes mesmo de ligar o veículo, pegou o celular do loiro. No display, uma notificação de mais de quinze chamadas perdidas, com o nome de Camus. O aparelho começou a vibrar e logo Saga o atendeu.

—Até que enfim Afrodite!

—Desculpe decepcioná-lo, Legrand, mas é Saga quem está falando.

O que?! Por que está com o celular do Afrodite? O que você fez com ele?!— O ruivo parecia praticamente desesperado do outro lado da linha.

—Eu não fiz nada, ele passou mal na rua. Eu estou levando ele para sua casa, pode me passar o endereço? Assim que chegar aí, te explico o que aconteceu direito.

O investigador passou o endereço, relutante. Além de preocupado, agora parecia irritado também, com toda aquela situação. O médico loiro massageou as têmporas e ligou o carro. O apartamento do casal não era muito longe dali e em alguns minutos estava de frente para o prédio onde moravam.

Camus aguardava no saguão, andando de um lado para o outro, visivelmente nervoso. Quando Saga entrou no prédio com Afrodite abraçado ao seu pescoço, o policial fuzilou o doutor com os olhos.

—Está tudo bem, ele só está dormindo. – Entregou o loiro aos cuidados de seu companheiro, que permanecia com uma expressão irritada.

—O que diabos aconteceu?

—Ele teve algo que eu chamo de retrocesso. – Respondi. – Alguma situação de extremo estresse fez com que ele retornasse a algum momento do passado. – O psicólogo tentou explicar de forma simples, para que Camus entendesse. – Isso está ligado ao trauma dele.

—Isso significa que ele não está curado desse tal trauma? É uma espécie de recaída? – A irritação sumiu de seu rosto, dando lugar à preocupação.

—Sim. Eu não posso te dizer muita coisa sem a permissão dele, Camus. O que posso dizer agora é que ele precisa de cuidado e atenção. Não o pressione, pode apenas piorar a situação. – Saga recomendou, não apenas como psicólogo, mas como amigo de Afrodite também.

—Certo. Obrigado... por cuidar dele. – Saga se surpreendeu com o gesto do ruivo, que agora tinha as bochechas levemente coradas. – E me desculpe por ser grosso com você. Você só quer ajudar e eu aqui agindo como um idiota.

—Ah, por favor, não se preocupe com isso. É difícil não ser ciumento tendo um companheiro como o Afrodite. – O médico disse, rindo, e em seguida apertou o ombro de Camus. – Cuida bem dele.

—Vou cuidar.

—Tenha uma boa noite. – Disse, despedindo-se. Finalmente poderia voltar para sua casa, relaxar e dormir.

—--x---

Afrodite Point of View

Minha cabeça doía como se não houvesse amanhã. Abri os olhos minimamente, tentando evitar a pouca claridade do quarto. Sentia meu corpo todo doer e o frio me fazia tremer sobre o colchão. Enrolei-me ainda mais nas cobertas, mas meu estômago pedia por comida.

Levantei da cama, com dificuldade e, ainda enrolado no cobertor, fui até a cozinha, onde estava Camus, preparando o café.

—Camus... – Chamei baixo, cada palavra latejando em minha cabeça. – O que aconteceu ontem à noite? Não consigo lembrar de quase nada.

O ruivo virou em minha direção, com a chaleira na mão e, colocando-a sobre a mesa, se aproximou de mim.

—Você passou mal ontem. Saga veio deixa-lo em casa.

—O Saga? Por que ele?

—Parece que você ligou para ele. Tem a ver com o seu tratamento do passado. – Olhei Camus nos olhos, tentando entender o que havia acontecido. Por que liguei para Saga, sendo que poderia ter chamado por Camus? Me senti culpado por isso.

—Olha... me desculpa Camus, eu não sei o que aconteceu comigo... não consigo lembrar de nada... lembro de ter saído do ateliê, passado no shopping e, quando estava a caminho de casa o Mu me ligou.... a partir daí, não lembro de nada. Me desculpa.

—Hey, por que está se desculpando? Você não fez nada de errado... – Ele disse, tocando meu rosto. Porém, sua expressão mudou de compreensiva para assustada em questão de segundos – Afrodite, você está ardendo em febre! Volte pra cama, eu levo o café lá para você e aproveito para preparar um antitérmico. – O ruivo me ajudou a caminhar até a porta do quarto e voltou para a cozinha.

Deitei-me na cama de qualquer jeito e, mesmo com a cabeça doendo como nunca, me esforcei para lembrar o que havia acontecido na noite passada, mas apenas palavras desconexas pairavam entre minhas lembranças.

monstro... rosto... assassino... estupro... decapitada... França... aqui... jovem...”

“Carlo Benetti”

As palavras voltaram a fazer sentido, me atingindo como um raio. O rosto dele surgiu, na manchete de um noticiário transmitido pelas televisões da loja de eletrônicos. O nome era outro, mas ainda assim era ele. “Ele está de volta, Dite. O rosto daquele monstro está estampado em todos os jornais.”

Tudo ao meu redor começou a girar e uma forte náusea fez meu estômago revirar. Corri como pude até o banheiro, colocando tudo o que não tinha no estômago para fora. Camus chegou a tempo de me segurar antes que eu caísse no chão, por conta da fraqueza. Todo o meu corpo tremia e as lágrimas banhavam meu rosto.

Eu estava com medo.

Um medo tão forte que eu não sabia se minha sanidade aguentaria.

Notas finais
Eai, eai, eai? O que acharam desse capítulo? Tá doendo no kokoro, né gente? Não sei, mas acho que a coisa só tende a piorar, daqui pra frente :( Comentem! Não fiquem com vergonha de dizer o que acham que vai acontecer, deixem seus palpites, isso ajuda muito a saber se vocês estão pegando o feeling da história :3