Mais além de la pareja tekila
41 Eu sou sua mãe!
Notas iniciais
No capítulo anterior...
Estevão a envolveu com seus braços e seu calor, entrelaçando suas mãos com as dela.
– Confia em mim, voltaremos a ser felizes juntos. E vamos permanecer assim... Para sempre! (sussurrou)
Maria não respondeu nada, pois já havia pegado no sono. Estava esgotada. Percebendo isso, Estevão também acabou dormindo com ela. Os dois precisavam estar preparados para tudo o que os esperava...
CONTINUA.
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Já era por volta das 17h e os dois permaneciam dormindo, abraçados da mesma forma. Maria se encontrava imergida num sono profundo, e nesse sono um sonho, ou melhor, um pesadelo a perturbava:
“Maria – Filhos, eu sou a verdadeira mãe de vocês, mamãe está aqui! (chorando)
Aquela frase era como um eco que soava por aquela mansão
Estrela – É mentira, isso é mentira! Sai daqui! (gritando)
Heitor – Você não passa de uma assassina, uma mentirosa, uma... Você não é minha mãe!
Maria – Meus filhos, por favor eu suplico...
Estrela – Vá embora!!! (chorando e gritando)
Maria – Não! Eu preciso de vocês, eu preciso ficar com vocês!
Heitor começa a rir e a interrompe – Eu nunca vou te considerar como mãe, sabe por quê? Porque uma verdadeira mãe, por mais que passe a vida inteira na cadeia, jamais abandona seus filhos!
Estrela – Você não tem o direito de nos exigir nada!
Maria – Filhos... Meus filhos, por favor! (se ajoelha no chão, suplicando)
(...)”
De repente a voz de Estevão invade seus pensamentos:
– Maria! Maria meu amor, o que houve? Maria! — Chamava por ela, assustado.
Maria abriu os olhos e se sentou na cama, ainda confusa. Seus olhos estavam cheios de lágrimas e seu coração acelerado.
– Estevão, estou com medo... Com muito medo! (o abraçou e começou a chorar)
– Calma meu amor, calma... Não chora! Conta pra mim, o que foi? Teve algum pesadelo, algo...?
– Meus filhos nunca vão me aceitar como mãe, não vão!
– Maria... Se você continuar pensando assim nunca terá coragem de contar a verdade a eles e será pior. Eu sei que eu sou o principal culpado por tudo isso, mas agora não há mais porque continuar mentindo, não é isso que você sempre diz?
– Não, você não tem culpa de nada meu amor, os principais culpados de todo o nosso sofrimento são Alba (que já não está mais entre nós) e Bruno! E eu em certa parte, por ter colocado as minhas mãos naquele maldito revólver! (voltou a chorar)
– Vamos! Pare de chorar, sim? Levante-se, tome um banho, se acalme e vamos logo voltar para casa, vamos acabar com essa agonia que nos sufoca! Você é uma mulher forte, sofreu tudo sem merecer e agora eu tenho certeza de que os nossos filhos vão entender. Eles têm que entender!
– Mas não é bem assim... É...
Estevão a interrompe – Maria! Já são quase seis horas, daqui a pouco vão estranhar a nossa demora e vai ser pior.
– Tudo bem... (suspirou)
(…)
~~ Mansão dos San Román ~~
Estrela desce as escadas e encontra Carmem sentada sozinha na sala, com um copo de whisky na mãos e muito pensativa.
– Tia? Bebendo em plena segunda-feira?
– E por acaso existe dia certo pra tomar uns drinks, filhinha?
– Não, ué... Se quer beber, tudo bem! Só estou achando você um pouco estranha, pensativa... Algum problema? Tudo bem?
Carmem sorri e responde – Oh, minha linda... Está tudo bem meu amor! É que às vezes nós paramos pra pensar na vida, em tudo o que já aconteceu, em como as coisas passam rápido e a gente nem se dá conta...
– É verdade. Até ontem eu era uma menina que me sentia muito sozinha; quase todas as noites chorava até pegar no sono por sentir falta da minha mãe... Recebia muitas broncas da tia Alba... (as duas riram) Hoje não tenho mais a tia aqui, e apesar de todas as coisas ruins que ela fez eu sinto falta, sabe? Mal ou bem você e ela foram como a mãe que eu perdi. (ela se emociona)
– Por que ficou assim, meu amor? Você estava aqui perguntando o por que de eu estar quieta e agora já está com essa carinha de choro? Ah não, vem cá! (fazendo gestos para que Estrela se aproximasse)
Carmem se levanta e dá um abraço em Estrela:
– Ah minha sobrinhazinha... — Carmem continua – Não precisa mais chorar, não há mais por que sofrer. Não sabe como me dói te ver tristinha!
Estrela se separa dela e a olha fixamente.
– Eu não estou triste tia, só fico meio... Fico mexida quando paro para lembrar de algumas coisas.Quando penso na minha vida parece que sinto um vazio e ao mesmo tempo... Não sei!
– Eu sei que a ausência da sua mãe te fez muito mal; não só a você, mas também ao seu irmão, ao seu pai e a mim também. A sua mãe é... Bem... Era a alegria desta casa! E eu sempre vejo muito dela em você. Mas eu te digo, meu amorzinho, (pegando em uma das mãos de Estrela) não há mais motivos para sofrimentos! A sua família está completa, então aproveite todos os momentos juntos, viva a sua felicidade! Você ainda é muito jovem e tem muito o que viver pela frente, hm?!
– Você diz que a minha família está completa só porque agora temos a Maria e eu vou ter uma irmã? Mas não é a mesma coisa. Eu amo a Maria, sabe? Amo de verdade, amo como se ela...
– Como se ela fosse sua mãe, acertei?
– Mas ela não é a minha mãe! Ela não é a minha mãe e esse lugar ninguém vai poder preencher.
– Essa vida nos traz muitas surpresas Estrelinha... E esse amor que você sente pela Maria é muito maior do que você pensa.
Estrela encara a tia com muitas dúvidas. Realmente não conseguia entender por que Carmem estava falando daquele jeito. Como ela sabia que o amor que ela (Estrela) sentia pela Maria era muito maior do que demonstrava?
Estevão e Maria chegam no exato momento daquela conversa que deixou nossa Estrelinha cheia de interrogações na cabeça.
Carmem – Amores! Até que enfim lembraram de que têm uma casa, uma família... (riu)
Estevão dá aquele sorriso e responde – Maria precisava descansar um pouco, tia.
Maria – Carmem! (as duas se abraçam)
Carmem – Ai Mariazinha como você faz falta nessa casa! Isso aqui sem você fica sem vida, sem cor. Você é a alegria desse lugar!
Estrela as encara de um jeito muito estranho, ainda se sentia confusa.
Maria se separa de Carmem – Ah, não exagere! Só fiquei o quê, uns quatro dias fora?
Estrela – Mas já faz uma diferença, né... — Comentou timidamente.
Maria – Estrela... (sorriu ternamente) Então, onde estão todos? Cadê o Heitor, Vivian? Estou morrendo de saudades do meu neto!
Estrela olha para Maria novamente com estranheza; Estevão comenta – Parecem ter saído...
Carmem – O Heitorzinho ainda não voltou da empresa e a Vivian saiu com o bebê e até agora não voltou.
Estrela – Eu também já estou de saída, marquei com o Greco e por falar nisso, ele já deveria ter vindo me buscar...
Maria – É... Bem... Estrela, seu pai e eu gostaríamos de conversar com você.
Estrela – Mas precisa ser agora? É sobre aquela coisa importante que você comentou, ou não?
Estevão – Sim, é sobre algo muito importante. Algo que tem a ver com a nossa família, com todos nós.
Estrela – E não podem ir me contando logo?
Maria – Não, preciso que Heitor também esteja presente. Precisamos falar com vocês dois.
Carmem fala consigo mesma – Ai virgem santíssima, é hoje que eles falam tudo de uma vez! (dá uma golada no whisky)
Estrela olha para Carmem – O que foi tia? Por que está desse jeito?
Carmem – Não é nada filhinha. Bom, eu vou dar uma voltinha...
Heitor e Vivian chegam muito felizes e sorridentes. Heitor carregava Juanzinho no colo e Vivian trazia umas sacolas na mão.
Vivian – Amiga!
Maria – Vivian, minha linda!
As duas se abraçam.
Estevão pega o neto no colo e Maria começa a brincar com o pequeno, cheia de mimos:
– Ai que saudade que eu estava desse meu bebê! — A criança respondia com um sorriso gostoso – Olha Estevão, que lindo esse netinho de vovó!
Estevão – Então vai com sua vó, garotão. Prefere mais ela do que eu...
Heitor – Calma, não precisa ficar com ciúmes. Tem Juan pra todo mundo!
Maria – É que ele não aguenta ficar olhando pra sua carinha feia por muito tempo, Estevão. (pegando o bebê no colo) Não é meu amor? Ai minha vida que saudades de você! — O pequeno continuava sorrindo.
Heitor – Pelo visto ele gosta mesmo da senhora, hein! É bom que já está treinando para quando nossa irmãzinha chegar.
Estrela – Verdade...
Maria – Meu amor – Olhando para Heitor – Ele é igualzinho a você.
Estevão – Maria... (nervoso)
Maria entrega Juan para Vivian e diz – Bom, agora que Heitor já chegou, podemos conversar.
Estrela – É né, quero logo saber o que tanto vocês têm pra falar que nunca falam. Daqui a pouco o Greco chega e...
Heitor a interrompe – O que foi? Aconteceu alguma coisa séria?
Maria – Sim, há vinte anos.
Vivian logo entende do que se trata e fica espantada – Maria?
Maria – Vivian, Carmem... Peço que nos deixem a sós, por favor. Somente os quatro.
Carmem – Eu não ligo, olha Mary eu já ia dar uma voltinha lá no jardim... Me acompanha, Vivianzinha?
Vivian – Sim, claro... Se Deus quiser tudo vai dar certo, amiga. Confia! — Ela dá um beijo no rosto de Maria e um selinho no marido, e sai sem dizer mais nada.
Heitor – Espera aí, eu não estou entendendo. Por que as duas tiveram que sair? É algo tão grave assim que elas não podem ouvir?
Estevão – Eu peço que se sentem, por favor.
Estrela – Não... A Vivian falou de um jeito como se já soubesse do que se trata e a minha tia Carmem esteve esquisita o dia todo. Dá pra vocês falarem logo?
Estevão – Sentem-se. (sério)
Heitor e Estrela se sentam no sofá da sala de visitas. Maria começa a gesticular com as mãos, nervosa.
Estrela – E então, não vão falar nada?
Estevão – Quer que eu comece? (olhando para Maria)
Maria – Não sei... (com os olhos marejados)
Heitor – Falem logo, meu Deus!
Estevão – Bom... Há alguns anos, ou melhor, há vinte anos eu... Eu tive que contar algo para vocês que não era verdade. Eu tive que...
Estrela – Você mentiu, acertei?
Maria – Estrela...
Estrela – Mas não é isso?
Estevão – Você está certa, minha filha. Foi isso mesmo. Eu tive que inventar uma mentira, e essa mentira acabou afetando não só a vida de vocês, mas também a minha vida. E principalmente a vida da Maria.
Heitor – Não... Se é algo de vinte anos atrás, como a Maria pode ter alguma coisa a ver com isso?
Estrela – Também não entendi. Dá para o senhor explicar direito?
Estevão – Tudo bem, vou ser direto. Eu inventei... Eu disse que a mãe de vocês estava morta, quando na verdade ela está mais viva do que vocês imaginam.
Maria não consegue conter o nervosismo e começa a chorar.
Estrela – O quê?! Minha mãe? A minha mãe está viva? (perplexa)
Heitor – Ah, para! Isso é brincadeira, né?
Maria – Não meninos, isso é sério. Ouçam o pai de vocês, por favor.
Estrela – E por que você está chorando, Maria? Me falem logo de uma vez, o que está acontecendo aqui?! (nervosa)
Estevão – Estrela é que...
Estrela o interrompe – Não papai, vocês começaram agora terminem. O senhor disse que a nossa mãe está viva, ok, vamos supor que isso seja verdade... Então onde ela está que ficou sem nos procurar esse tempo todo? O que aconteceu com ela para ter nos abandonado? Por acaso também foi presa? (debochando)
Estevão – Sim, exatamente. A mãe de vocês não pode vê-los porque foi condenada por um crime que não cometeu, foi presa injustamente. E por isso eu precisei, eu fui obrigado a inventar toda essa história pra vocês, para não fazê-los sofrer. Eu não queria que vocês tivessem que frequentar uma cadeia e eu...
Heitor – Pra começo de conversa, o que a mamãe fez pra ter sido presa? E por que você se achou no direito de inventar toda essa mentira? Você é nosso pai, mas não tinha esse direito! (exaltado)
Maria – Heitor, se acalme por favor.
Estevão fica nervoso e sem resposta.
Heitor continua – Responda papai, responda! Qual foi a necessidade de ter inventado uma morte para a nossa mãe? Por que não nos deixou vê-la? Eu não me importaria se ela estivesse presa, eu não me importaria em ter que ir todos os dias numa cadeia visitá-la!
Estevão – Mas a sua mãe foi acusada de assassinato! Eu era muito jovem na época, me deixava influenciar pelas ideias de sua tia Alba e ela nunca aceitou o fato de eu ter me casado com uma mulher humilde. Ela fazia de tudo para que eu e sua mãe não fôssemos felizes e com todo o seu veneno conseguiu fazer com que eu abandonasse minha esposa. Sofri muito por isso, sofri muito por ver vocês chorarem por falta de uma mãe, sofri ao ver que eu não podia suprir aquilo que tanto precisavam, que os presentes que eu comprava não eram suficientes para aliviar a dor do vazio que ficou nesta casa!
Heitor — Dane-se se ela foi considerada assassina, ou até se ela tivesse realmente matado alguém, não importa! É a minha mãe, caramba! (chorando) Você não podia ter me afastado do carinho da minha mãe! VOCÊ NÃO TINHA ESSE DIREITO! (apontando o dedo para o pai, gritando)
Estrela chorava e repetia, desnorteada – Eu não estou entendendo nada. Minha mãe... Viva...
Maria – Heitor pelo amor de Deus!
Estevão – Abaixe o seu tom de voz pra falar comigo! Eu errei, sim, eu fui um covarde por ter escondido a verdade de vocês esse tempo todo, mas isso não tira a minha autoridade de pai e não vou deixar que filho nenhum aponte o dedo pra mim. Se eu tive que mentir, se eu tive que dizer que ela estava morta foi pelo próprio bem de vocês.
Estrela chorava baixinho, de cabeça baixa – Papai, diga logo onde ela está... Onde eu posso ver a minha mãe? Eu quero conhecer a minha mãe...
Maria se aproxima de Estrela – Não, meu amor! Não chore...
Estrela levanta o rosto e encara Maria por uns segundos, como se pudesse encontrar em seu olhar as respostas para todas as perguntas. Aqueles olhos eram uma lembrança que estava perdida em seu íntimo, uma expressão única que ela havia guardado de sua mãe e que naquele momento foi reconhecida. No fundo, no fundo ela já sabia a verdade, mas lhe custava muito acreditar naquilo que estava pensando. Era algo improvável, irreal, inimaginável.
– E você?! Por que está aqui? Você é só minha madrasta! — Balbuciava
Heitor contesta – Verdade, eu também não sei qual é a necessidade dessa senhora estar participando da conversa se é algo que cabe somente a nós três.
Estevão – Não, isso não cabe somente a nós, isso envolve principalmente a ela. Maria foi a que mais sofreu com tudo isso! Será que vocês ainda não se deram conta?!
Maria finalmente se atreve a falar:
– Além de ter passado vinte anos numa cadeia condenada por um crime que eu não cometi, mas que se Deus quiser vou provar na justiça quem foi o culpado, ainda tive que sofrer mais ainda quando voltei para esta casa. Tive que olhar para um quadro de uma mulher que não existe, de um rosto e um nome falsos, onde a única semelhança que tínhamos era na cor dos olhos... Bela invenção! Além disso, precisei suportar humilhações, xingamentos, gritos... Precisei me casar novamente com o meu ex marido, o mesmo que me abandonou na cadeia, que não confiou em mim, mas que eu ainda amava. Precisei me passar como... Essa palavra que dói no fundo da minha alma apenas em ouvi-la: madrasta. Eu precisei me passar como a madrasta para que assim eu pudesse, quem sabe, ganhar pouco a pouco o amor e o carinho de vocês. Um sorriso de afeto, um abraço, uma palavra... Qualquer coisa por menor que fosse me enchia e me enche de alegria, porque vocês são tudo pra mim! Vocês são a minha maior herança, (enfatizando) vocês são MEUS FILHOS!
Estrela – O quê? (assustada) Eu... (se levantou)
Heitor – Eu não acredito!
Estevão não conseguia dizer nada, pois estava muito emocionado e Heitor continuava olhando para Maria sem reação alguma.
Estrela se aproxima da mãe e segura em suas mãos – Não... Não pode ser você... Não... É você? (chorou)
Maria respondeu, aos prantos:
– Sim Estrela, minha pequena... Sim meus filhos...
EU SOU SUA MÃE!
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