Mais além de la pareja tekila
42 Capítulo XLII
Notas iniciais
No capítulo anterior...
Estevão não conseguia dizer nada, pois estava muito emocionado e Heitor continuava olhando para Maria sem reação alguma.
Estrela se aproxima da mãe e segura em suas mãos – Não... Não pode ser você... Não... É você? (chorou)
Maria respondeu, aos prantos:
– Sim Estrela, minha pequena... Sim meus filhos...
EU SOU SUA MÃE!
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Na mesma hora, tomado pelo impulso, Heitor puxou a irmã, afastando-a de Maria.
– Não acredite nisso! Não está vendo que mais uma vez estão nos enganando? Essa mulher... Isso é tudo mentira! Você não é minha mãe!
Maria dizia, em meio ao choro – Por que acha que eu inventaria uma coisa dessas? Assim como estou carregando esta criança que está por vir, eu carreguei vocês em meu ventre durante nove meses! Me lembro até hoje de quando descobri que estava lhe esperando, meu filho! A alegria que senti em saber que o primeiro fruto do imenso amor que sinto pelo seu pai estava dentro de mim, e que viria para encher a nossa vida de alegria. Você se lembra, Estevão? Lembra de quando eu deixei aquela caixinha em cima da cama, no nosso quarto do Hotel?
Estevão – Claro meu amor, lembro perfeitamente. Tanto da gravidez do Heitor, como a da Estrela. “Parabéns papai”... — Conseguiu sorrir em meio as lembranças.
Maria – E na caixinha tinham dois sapatinhos, os do Heitor, azuis.
Estevão – Os da Estrela, rosa.
Maria – E eu os guardo até hoje, junto com o primeiro vestidinho, a primeira roupinha... Até o primeiro desenho que Heitor fez na escola eu tenho! (sorria e chorava ao mesmo tempo)
Heitor andava de um canto para o outro, não sabia se sentia raiva dos pais por terem escondido a verdade por tanto tempo ou se sentia raiva de si mesmo, por ter feito tanto mal à aquela mulher que lhe deu a vida.
Estrela – Eu... Eu não sei o que dizer. Estou confusa, estou sentindo algo em mim que não me deixa decidir, não me deixa... (voltou a chorar) Por que você não contou tudo de uma vez quando voltou? (soluçava)
Maria – Eu queria contar, se eu pudesse já teria acabado com esse sofrimento há muito tempo. Por mim vocês nunca teriam ficado distantes de mim, mesmo na situação que eu estava. Sei que assim como minha alma permaneceu vazia por tantos anos, vocês também sofreram demais e eu daria a minha vida para não vê-los chorar, eu faria qualquer coisa pra que não sofressem mais!
Heitor – Realmente faria qualquer coisa por nós? Qualquer coisa pra aliviar esse fardo que carregamos sem merecer? Se sacrificaria para que todos os anos que passamos indo à missas, venerando quadros e chorando feito idiotas fossem compensados? Você faria?!
Estevão – Heitor?! (surpreso)
Maria – Sim, meu filho. Qualquer coisa...
Estrela os observava com espanto, pois tinha medo do que o irmão poderia dizer.
Heitor – Então ótimo, já que você faz qualquer coisa pela nossa felicidade, vá embora e nos deixe em paz!
Estevão – O que é isso? Você não pode...
Maria o interrompe – Tudo bem, eu já esperava uma reação dessas. Para falar a verdade eu esperava coisas muito piores, já fui posta para fora uma vez, não poderia esperar que me aceitassem de braços abertos. Se assim vocês vão se sentir melhor, arrumo minhas coisas e vou... (se virando)
Estevão – Você não vai embora coisa nenhuma Maria! Maria! (gritou)
Maria continuou andando em passos lentos, em direção às escadas.
Estrela foi correndo desesperada atrás da mãe, gritando – Não! Não!
Heitor – Estrela?
Estrela – Não mamãe, não me deixe por favor! Não me deixe! (chorando muito)
Maria parou ao ouvir a súplica da filha, e as duas se uniram num abraço forte, terno, cheio de amor. Em meio as lágrimas Estrela continuava pedindo para que a mãe não a deixasse.
Maria – Meu amor, de verdade quer que eu fique? Eu não quero mais causar problemas... (dizia com a voz embargada)
Estrela – Por favor mamãe, por favor não me deixe mais sozinha! Eu te amo muito! (a abraçou novamente)
Maria – Ah minha Estrela, minha Estrelinha linda! Minha vida!
Estevão – E você? Vai continuar julgando a sua própria mãe? Já não basta tudo o que ela já passou, tudo o que sofreu por vocês? Heitor, você já é pai, agora você vai começar a aprender o que é sofrer por um filho, o que é se doar por um filho... Pare para raciocinar! Será que vale a pena continuar com todo esse rancor?
Heitor – Você, papai... Você é a pessoa menos indicada para me dar conselhos agora. Você não passa de um mentiroso, aliás, todos vocês são iguais! (suspirou) Preciso dar uma volta.
Heitor sai e bate a porta, revoltado.
Maria – Estevão, onde o Heitor foi? Eu não quero que ele...
Estevão a interrompe – Maria, o Heitor já é homem o suficiente para saber lidar com os problemas da vida. Ele precisa amadurecer!
Maria – Mas eu temo que aconteça algo com ele por minha causa.
Estrela – Por sua causa? Mas mamãe, você não fez nada!
Maria – Ele não vai me aceitar como mãe... Nunca irá me aceitar... E com razão...
Maria se desequilibra e por pouco não cai desmaiada, sorte que Estevão estava ali para ampará-la.
Estevão – Meu amor, tudo bem? Maria!
Estrela – Mamãe! Mamãe fala comigo!
Maria abriu os olhos e respondeu – Estou bem, não se preocupem.
Estevão – Você não devia se emocionar tanto assim, foram muitas coisas durante esses dias! Temos que pensar na nossa filha também.
Maria – Eu estou bem, acho que foi só uma leve queda de pressão, mas já passou.
Estrela – Não, você precisa ficar em repouso. Já não basta a viagem que teve que fazer, a emoção por nos contar que é nossa mãe e ainda o Heitor com toda essa grosseria...
Estevão – Vamos pro quarto e eu peço para a Rebeca levar seu jantar.
Maria – Tudo bem...
(…)
–
~Em um bar perto dali...
Garçom – Você por aqui de novo, rapaz?
Heitor – Pois é. Agora me dá uma garrafa de tequila aí!
Garçom – Uma garrafa? Mas você não tinha parado de beber?
Heitor – Para de conversa e me dá logo uma garrafa! (tirou algumas notas do bolso e colocou em cima do balcão)
~~Apartamento de Adriana~~
Laura – Vamos Adri, se arruma logo, vai!
Adriana – Me arrumar pra quê, Laura? Eu tenho que trabalhar amanhã cedo, sabia?
Laura – Mas claro que eu sei, tem que ver o chefe gostosão. (riu)
Adriana – Para de graça!
Laura – Vamos, poxa! Estou cansada de ficar enfurnada nesse ap!
Adriana – Então sai minha querida, olha a porta ali...
Laura – Ah... Engraçadinha! Mas eu não quero sair sozinha, quero que você saia também! Anda logo! (puxando Adriana pelo braço)
Adriana – O que eu ganho saindo com você?
Laura – Eu lavo seu uniforme.
Adriana – Só isso? Muito pouco.
Laura – Eu arrumo a casa e lavo suas roupas amanhã, ok?
Adriana – Lava e passa!
Laura – Ah não, aí você já tá querendo muito.
Adriana – Então não vou!
Laura – Tá bom: eu lavo e passo! Mas depois isso vai ter volta, hein!
Adriana – Nada disso!
Laura – Anda minha filha, se arruma!
(…)
~~Mansão de Fabíola e Bruno~~
Fabíola falava enquanto dava um trago em seu inseparável cigarro – Estou sentindo falta dos San Román, sabia?
Bruno – É mesmo meu amor? Sabia que o seu querido Estevão acabou de fechar um negócio com o Gabriel?
– Gabriel? Que Gabriel?
– Ah, vai me dizer que você não lembra dele? O Ramírez, aquele amigo do Estevão que uniu Demétrio e Daniela... Casal maravilhoso! (riu)
– Mentira! Ele voltou da Califórnia? Depois de tantos anos?! (surpresa)
– Isso mesmo! Voltou e disse, bem, ele disse que vai investir em eletrônicos e não sei mais o quê lá com as empresas San Román.
– Mas calma aí: o Gabriel tem dinheiro pra isso tudo? Você não me disse uma vez que a empresa dele estava falida?
– Aham. Exatamente! E o Estevãozinho aceitou a proposta de seu amigo de anos... (debochando)
– Não, 'pera' aí: que o Estevão é idiota às vezes eu até admito, afinal não é a toa que ele se casou de novo com aquela ridícula da Maria, mas burro?! Meu Deus, essa foi uma das piores burradas que ele fez na vida! O Gabriel sempre quis se dar bem em cima dele!
– É mesmo meu amor? E como sabe?
– Se você não se lembra eu fui noiva do Estevão. E lembro muito bem como o Gabriel era invejoso, sempre queria tudo o que era dele...
– Ele não quis te pegar também não, amor? (agarrando Fabíola)
– Ai me solta! (se afastando dele) Quis, quis e muito. Mas eu não dei confiança, só tinha olhos para o meu Estevão. (soltou a fumaça do cigarro)
– E tem até hoje, não é? Ah, Fabíola...
–
~~Mansão dos San Román~~
~Quarto de Maria
Estevão deita Maria na cama e Estrela se senta na beirada. Admirando o cuidado que o pai tem com a mãe ela diz, sorridente:
– Dá pra se notar de longe o quanto se amam... Não sei como conseguiram ficar tanto tempo separados.
Maria também sorri e responde – Eu também não sei... (olhando para Estevão) Mas se as coisas acontecem nessa vida, sejam boas ou ruins, não é por acaso. Talvez tenha sido necessário todo esse sofrimento para que déssemos mais valor à nossa família, às coisas simples...
Estevão – E para que aprendêssemos que nessa vida não devemos confiar cegamente nas pessoas, pois o perigo pode morar conosco, ou frequentar a nossa casa.
Estrela – De que está falando papai? É sobre... Ah, meu Deus! (colocando as mãos na boca) Eu já tinha me esquecido! Mamãe, você já sabe quem matou a mãe do Leonel?
Maria – Sim, já sabemos. Sabemos de tudo! Por isso precisei viajar às pressas, mesmo estando grávida. Precisava descobrir quem matou a Patrícia para poder finalmente fazer justiça e tirar todos os pensamentos que vocês possam ter de que eu seja uma assassina.
Estrela – Não, pra mim você nunca pareceu alguém capaz de fazer algo assim. Por mais que relutasse, eu acreditava nas suas palavras.
Estevão sorri.
Maria – Ah meu amor! (segura a mão da filha)
Estevão – Bom... Já vi que vocês têm muito o que conversar, não é? Vou deixar as moças sozinhas.
Estrela – Não papai, pode ficar.
Estevão – Eu vou descer pra jantar e peço pra Rebeca trazer a janta da Maria. Quer que eu peça pra você também, filha?
Estrela – Não precisa, não estou com fome.
Estevão – Tudo bem então. Até mais! — Estevão pisca para Maria que apenas sorri como resposta.
Estrela – Hmmm eu vi essa piscadinha, tá! (riu)
Maria – Fico feliz em saber que nunca desconfiou de mim. (sorri)
Estrela – Não, nunca! Se eu já te ofendi em relação a isso, mamãe, me perdoe.
Maria sorria, mas uma lágrima insistia em rolar pelo seu rosto.
Estrela – O que foi, mamãe? Por que está chorando agora? (acariciava o rosto da mãe, enxugando as lágrimas)
Maria – Por que você não sabe quantas vezes sonhei com isso, em ouvir vocês me chamando de mamãe e não pelo meu nome.
Estrela – Ah, mamãe! (riu) Não chora porque senão eu também choro! (a abraçou) Já choramos demais esta noite, não quero dormir com dor de cabeça.
Maria começou a rir – Tudo bem meu amor! (enxugando as lágrimas) Parei de chorar, tá? Mas ainda fico triste pelo seu irmão, não consigo deixar de estar preocupada com ele.
Estrela – O Heitor é assim mesmo, cabeça dura! Mas tenho certeza que logo ele também vai te aceitar, te chamar de mamãe e te dar todos os mimos que você merece!
Maria – Mas eu não estou preocupada por mim, me preocupo pelo o que ele possa estar fazendo por aí. Sabe-se lá Deus onde esse menino foi!
–
~~ Bar ~~
Heitor já havia bebido demais, mas mesmo assim continuava. Chorava sozinho, sentado à beira do balcão quando viu uma mulher linda entrar, chamando sua atenção.
–
Adriana – Vamos sentar aqui? (puxando uma cadeira da mesa)
Laura – Aqui? Nada disso! Vamos lá pro balcão, é lá que aparecem os homens lindos, ricos e carentes. (riu)
Adriana – Laura, eu não posso beber muito, amanhã tenho que trabalhar!
Laura – Ai garota, para de palhaçada! Está bem, não vamos abusar. Agora vem! (puxando Adriana pelo braço)
Vendo que aquela mulher se aproximava, Heitor foi logo perguntando:
– Aceita um drink?
Laura – Claro que aceito (sorriu e piscou para Adriana)
Heitor olhou para Adriana e perguntou – Vem cá, você é a Adriana né? A secretária do meu... A secretária lá da empresa?
Laura – O quê? Vocês se conhecem?
Adriana – Sim, sou eu mesma. Esse é o Heitor, filho do senhor Estevão.
Os olhos de Laura brilharam ao ouvir aquilo – Mentira! Tá de brincadeira né? Você é filho do Estevão San Román?
Heitor – Infelizmente... Nem sei se o considero mais dessa forma. (tomando mais uma dose de tequila)
Adriana olha para Laura de um jeito como quem já soubesse o que a amiga pretendia e diz:
– Bom, é... Eu vou ali rapidinho e depois volto, tá?
Laura – Pode ir tranquila amiga! (piscou)
Heitor – Tudo bem... Foi legal encontrar com você! (sorriu)
–
Adriana estava pretendendo voltar pra casa quando sem querer esbarra em alguém...
– Ai, perdão!
Gabriel – Não foi nada, senhorita.
Adriana – O senhor por aqui? Nossa!
– Pois é... Você é secretária do Estevão, né? Como é seu nome mesmo?
– Adriana.
– Adriana... Bem, você já está de saída?
– É que eu vim com uma amiga e ela... Ela encontrou com...
– Ah, já sei. Você não quis ficar sozinha e quer voltar pra casa. (riu) Por que então não tomamos alguma coisa e conversamos, hm?
– Mas eu não posso ficar aqui até tarde, só vim porque ela insistiu muito. Amanhã preciso estar cedo na empresa.
– Não, a gente só fica um pouquinho, conversa, curte uma música e depois te deixo em casa.
Adriana olha para Gabriel com hesitação; ele insiste:
– Só pra você não dizer que veio à toa, vai... Eu também estou sozinho, vim pra esparecer um pouco e esquecer dos problemas. Já fazia muito tempo que não vinha aqui.
– Tudo bem então, mas não vou demorar muito.
– Ótimo! (sorriu)
–
~~ Mansão dos San Román ~~
Maria já havia terminado de jantar e Estrela se deitou ao lado dela. A menina até desmarcou o compromisso com o namorado, pois queria aproveitar aquele momento todo com a mãe:
Estrela – Pronto, já liguei pro Greco, não vou mais sair. Vou ficar aqui cuidando de você.
Maria – Ah minha filha, não precisa! Seu namorado vai se chatear por você ter desmarcado assim em cima da hora, ainda mais sem explicar o motivo direito.
– Depois eu converso com ele e ele vai entender, (sorriu) mas agora eu quero ficar o resto da noite com a minha mãe; isso se ela não se incomodar, claro!
– É claro que sua mãe não se incomoda, meu amor! (também sorriu)
– Mamãe, agora que você está mais calma, me conta quem foi a pessoa que matou a Patrícia.
Maria se ajeitou na cama e respondeu – Filha, esse assunto é algo muito delicado, envolve muitas vidas. Já descobrimos quem foi que fez essa atrocidade, mas enquanto não formos à delegacia e resolvermos tudo não posso falar.
– Ai, mas sabe como eu sou, né? Vou ficar com isso na cabeça até saber de toda a verdade!
– Amanhã, seu pai e eu vamos tentar resolver isso. Tenho uma fita que mostra exatamente como tudo aconteceu, essa fita era a salvação que eu precisava e não tive.
– Se eu te perguntar uma coisa, você vai se chatear comigo?
– Claro que não, Estrela. Pode falar.
– Já te agrediram alguma vez na prisão? Eu não consigo imaginar nada de bom num lugar desses, é quase impossível de acreditar que você suportou tanto tempo.
– Bom, quando eu entrei no presídio as mulheres queriam se aproveitar de mim e me mandavam fazer tudo pra elas, me roubaram muitos pertences... Levei alguns tapas por não me vender e por não aceitar ordens, mas com isso aprendi a me impor. Aos poucos as coisas foram mudando pra mim e eu passei a liderar. Os anos passavam, algumas morriam, outras saíam... E eu continuava, firme e forte... A veterana... Todas me respeitavam... Até que Luciano conseguiu me tirar de lá, e aqui estou.
– Por isso te admiro, sabia?
– Por quê?
– Por você ser uma mulher forte, que lutou muito e venceu.
– Venci? Será que realmente venci? Seu irmão ainda não me aceita, e o assassino ainda não está atrás das grades.
– Mas eu tenho certeza de que tudo irá se resolver, e a senhora vai viver muitos e muitos anos de felicidade ao lado do meu pai, é claro (riu), e com a gente.
– Ah meu amor, você é tão linda! (a abraçou)
– Você que é mamãe! E, sabe de uma coisa?
– O quê?
Estrela olhou fixamente para a mãe e disse – No fundo eu sempre senti que algo nos unia... Eu tinha uma lembrança sua guardada, uma coisa que eu nunca esqueci e sempre quando eu te olhava, pensava que era coisa da minha cabeça.
– Você se lembrava de mim? Mas você era tão pequena quando nos separamos...
– Os seus olhos, eu sempre tive esse olhar nos meus pensamentos e às vezes eu até sonhava, mas nunca conseguia ver o rosto por completo.
Maria se emociona – De verdade, meu amor?
– Sim, mamãe! Eu nunca contei isso pra ninguém, se eu falasse pras minhas tias ou pro meu pai acho que iriam pensar que eu estava louca, aí já viu!
As duas riem e continuam conversando.
–
~Enquanto isso, na sala de jantar...
Ângelo – Então quer dizer que a Estrela e o Heitor são seus filhos com a Maria?
Estevão – Sim, Ângelo. Maria foi, é e sempre será minha única esposa.
Ângelo – E a Monserrat? Nós sempre íamos a missa, e...
Estevão o interrompe – Era tudo mentira. Tive que inventar isso para não fazê-los sofrer.
Ângelo – Nossa... Espero que o Heitor reconsidere, porque tenho certeza que a Maria é uma boa mulher, tem um grande coração. E tudo o que vocês fizeram foi para o bem deles.
Estevão – Sim, meu filho. Ainda bem que pelo menos a Estrela entendeu, mas acredito que aos poucos Heitor também vá se acostumando...
Vivian desce para a sala e pergunta:
– Vocês sabem onde está o Heitor?
Estevão – Saiu daqui revoltado ao saber que Maria é a mãe dele.
Vivian – Então vocês já contaram mesmo? Eles já sabem de tudo?
Estevão – Sim, foi difícil, mas finalmente a verdade foi dita.
Vivian – Nossa! E por acaso ele disse pra onde ia? Já é tarde e nem pro celular dele eu estou conseguindo ligar
Estevão – Infelizmente eu não sei, Vivian. Ele só disse que ia dar uma volta e saiu... Só espero que não esteja fazendo o que eu estou pensando
Vivian – Ai, tomara Deus que não! (preocupada) E a Estrela, está bem?
Estevão – Por incrível que pareça, sim. Está no quarto com a mãe, as duas estão num apego... (riu)
Vivian – Ah, que bom! Eu sabia que mesmo a Estrela tendo um gênio difícil iria aceitar melhor. Bom, então vou lá em cima falar com elas e depois tentar dormir... Boa noite!
Ângelo – Boa noite, Vivian. E fica tranquila, qualquer coisa eu posso ir atrás dele.
Vivian – Não precisa querido, obrigada.
Estevão – Boa noite! Eu vou tentar falar com ele e ele vai ter que me ouvir.
–
~~ Bar ~~
Heitor – Hm, Laura... Gostei de você! Que tal se nós fôssemos...? (ele se levanta, tonto)
Laura sorri e responde – Se nós fôssemos o quê, hein? (beijando o canto da boca dele)
Heitor – Se nós fôssemos... (a beija) Eu tenho um apartamento grande, hm... (beija de novo) Um lugar reservado pra nós...
–
Adriana estava do outro lado conversando com Gabriel, mas não parava de prestar atenção nos dois.
Gabriel – O que você tanto olha pra lá, hein? Tá procurando a sua amiga?
Adriana – É... (disfarçando) Acho que já está na minha hora...
Gabriel olha pro relógio e responde – Verdade, já está ficando um pouco tarde. Vamos então, eu te levo.
– Não sei se... Bom, é que eu vim com a minha amiga... — Ela olha novamente para Laura, que estava aos beijos com Heitor.
Gabriel percebe e pergunta – Por acaso a sua amiga é aquela ali?
Adriana – Sim... É ela.
–
Heitor – Aqui ó: (pagando a conta) até mais!
Garçom – Volte sempre... (riu)
Heitor sai com Laura e nesse momento Gabriel o reconhece, mesmo de longe.
Gabriel – Espera aí, não é o filho do Estevão que saiu com a sua amiga?
Adriana responde, nervosa – Não sei... É?
Gabriel – Vai me dizer que você não sabe quem sai com ela?
Adriana – Mas ela não sai com ele, eles se conheceram hoje.
Gabriel – Hm... Está vendo? Heitor San Román... (riu)
Adriana recebe uma mensagem de Laura no celular:
“Amg não precisa me esperar pq eu vou sair com o Heitor... Não preciso te contar pra onde, né? Viu como é q são as coisas? Agr vê se aprende! E eu fiquei de olho em vc hein, amanhã cê vai me contar direitinho qm é esse bofe, haha! Bjos, se cuida.”
– Ai meu Deus!
Gabriel – O que foi?
Adriana – Não, nada... Vamos?
Gabriel – Vamos.
~~ Mansão dos San Román ~~
Vivian – Nossa, Estrela só tem tamanho e idade, porque ainda parece uma menininha do seu lado!
Maria – É, estávamos conversando tanto aqui que ela acabou pegando no sono. Vamos conversar lá fora, senão ela acorda.
Vivian – Igual a um bebê (riu)
Maria – Ai, não me faz rir! Se ela escuta você zoando ela, vai ficar chateada.
Vivian – Está bem, parei de zoar sua filhinha.
As duas desceram para a sala.
Maria – Heitor ainda não chegou?
Estevão – Não, e tampouco atende o celular.
Vivian – Ai gente eu estou começando a ficar preocupada, daqui a pouco dá meia noite e ele na rua.
Maria – Também me sinto preocupada, mas não vamos nos desesperar. Daqui a pouco ele está aí.
Estevão – E Estrela?
Maria – Está dormindo feito um anjinho... Na minha cama.
Estevão – Ah, não acredito. Maria, você deixou ela dormir na nossa cama?
Vivian começa a rir – Coitada, gente!
Maria – E que mal tem? Essa noite ela dorme comigo.
Estevão – E eu?
Maria – Você? Dorme no seu quarto, oras!
Estevão – É mole! Está vendo, Vivian? Já ficamos dias separados e hoje também?
Maria – Ai como você reclama! Não acha que foi muita coisa pra um dia só, não?
Estevão – Tudo bem... Verdade. Os meninos acabaram de saber que têm uma mãe, e logo vamos dar um fim nesse pesadelo que nos perturba...
Vivian – E deu tudo certo na investigação do assassino? Acharam provas?
Maria – Sim, já sabemos quem foi e amanhã mesmo nós vamos à delegacia. Temos que avisar ao Leonel também, Estevão.
Estevão – Claro, já liguei pra ele. Amanhã cedo já vamos.
Vivian – E quem fez isso? Podem falar?
Maria olha para Estevão como que pedindo uma confirmação e ele consente.
Maria – Foi... Foi o Bruno.
Vivian – O quê?! (surpresa) O Bruno? Nossa, ele era uma das últimas pessoas que eu suspeitava!
Estevão – É... Eu também, eu também duvidava de que ele fosse capaz disso, mas... Só sei que não quero nem olhar pra cara desse desgraçado, minha vontade era de acabar com ele de uma vez! (nervoso)
Maria – Calma Estevão, violência não vai nos levar à nada. O jeito é deixar que a justiça seja feita pelas autoridades. Ele não matou? Então ele que arque com as consequências!
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