Mais além de la pareja tekila
33 Capítulo XXXIII
Notas iniciais
No capítulo anterior...
– Promete não me chamar mais de senhora também?
– Isso aí já é difícil de prometer (rindo)
– Não disse que prometia tudo? Viu como você é mentiroso!
Os dois se beijam novamente e continuam conversando, fazendo suas brincadeirinhas de costume. Acabaram pegando no sono do jeito em que estavam.
–----------------------------------------------------------------------------------
Dia seguinte.
C a l i f ó r n i a
Ângelo havia sido dopado por Raquel e se encontrava extremamente zonzo, sentindo muita dor de cabeça. Ao abrir os olhos, tentou reconhecer o lugar em que estava, olhou para o lado e...
– Raquel?! (espantado)
– Hmmm meu amor, já acordou? Tão cedo...!
– Meu amor? O... Mas... Mas o que é que é isso?! Que lugar é esse e...? (olhou debaixo dos lençóis e percebeu que estava nu) Eu não acredito que você e eu...
– Sim meu Angelito, foi maravilhoso! Você foi tão carinhoso comigo, tão... Ah! (suspirando) Vai me dizer que não se lembra de nada?
– Como vou lembrar? A única coisa que eu lembro é que estávamos naquele bar tomando umas tequilas e depois não sei... Não sei o que aconteceu. Raquel, não é possível, eu nunca... Eu nunca faria isso com a Alma! Alma?! (se levantando e procurando o celular)
– Deve ser porque bebemos muito. (rindo)
Ângelo tentava falar com sua esposa, mas o telefone só chamava e ninguém atendia.
Raquel se levanta e abraça Ângelo por trás – Ahhh carinho, vem, já que você não se lembra de absolutamente nada, que tal nós fazermos um flashback? Hmm? Foi tão bom!
– Me solta! (se livrando bruscamente dos braços de Raquel) Eu preciso ir pra casa... (pegando as roupas que estavam no chão e se vestindo de qualquer jeito)
– Pra que essa pressa? Vamos tomar café pelo menos...
– Não, não! Eu preciso ir. Ai meu Deus, o que a Alma vai pensar? – Ângelo pega o resto de suas coisas e sai do quarto.
Raquel se enrola no lençol e corre atrás dele, gritando – Amor! Não me deixa aqui, volta! Angelito! Angelito!
– É Angelito... Sinto muito em fazer isso contigo! Você é um homem admirável e... Mas se eu não fizer isso, Gabriel acaba com a minha vida. (colocando as mãos no rosto) Que ódio! – Falava consigo mesma.
~~ Hotel ~~
Alma estava deitada no sofá; acabou adormecendo ali depois de passar a noite em claro esperando por Ângelo. Eram aproximadamente sete da manhã quando ele entrou, procurando não fazer muito barulho para que ela não percebesse, mas era impossível.
Ângelo observava sua esposa dormir e ia tirando os sapatos quando foi surpreendido por ela:
– A reunião deve ter sido muito longa, não é? (se levantando)
– É... É... Alma, você não sabe o que aconteceu comigo, eu...
– Não precisa me explicar nada! (chorando) Como você foi capaz disso? Como você pode ser tão baixo?
– Meu amor, eu não fiz nada, eu apenas tinha ido a uma reunião com o senhor Ramírez e...
– Reunião? Reunião que começa às sete da noite e termina às sete da manhã? Você pensa que eu sou idiota? E eu que pensava que o seu amor era puro, que você era uma pessoa íntegra, me casei iludida achando que você... Você me enganou! (gritando e dando socos no peito de Ângelo)
– Para com isso Alma, por favor! (segurando os braços dela) Eu não sei o que aconteceu! Eu não fiz nada, eu juro pra você que eu não me lembro de nada! (chorando)
– E ainda chora dessa forma achando que eu vou acreditar?! Seu cínico, eu te odeio! Eu te odeio! (gritando) Eu não vou aceitar uma traição dessas! Não vou aceitar! (chorando) Eu vou voltar hoje mesmo pro México e você que fique aí com as suas amantes e com o emprego dos seus sonhos, porque eu vou me divorciar de você!
– Não meu amor, não, por favor! Eu juro que eu não tenho culpa de nada, eu não fiz nada! Devem ter colocado alguma coisa na minha bebida, eu não sei... Só sei que...
– Não quero mais ouvir a sua voz! Não quero ouvir suas explicações!
– Eu te amo, por favor, tenta me entender... (tentando puxar Alma)
– Eu já te entendi, eu entendi que você não passa de um traidor e mentiroso como todos os outros homens! Eu vou te odiar pro resto da vida Ângelo San Román. E nunca mais quero te ver, não quero mais saber de você! – Indo para o quarto, furiosa.
M é x i c o
~~ Mansão dos San Román ~~
Maria – Bom dia meu amor... (sussurrando no ouvido de Estevão de dando um beijo no rosto dele)
Estevão – Hmm... Já é de manhã? Eu estou sonhando, sim?
– Nada disso. (rindo) Já está na hora de levantar, preguiçoso!
– Nãaaao!
– Siiiiiim! Agora anda, vamos! (fazendo com que ele virasse de barriga para cima)
– Ah Maria, por favor... (resmungando)
Maria começa a dar beijos e acariciar o peitoral de Estevão, beijando até o final do abdômen.
Estevão – Maria... (gemendo) Desse jeito vai levantar é outra coisa aqui! (rindo)
– Assim?! – Maria o descobre – Nossa! (pegando delicadamente no membro de Estevão, que já estava bem ereto).
– Com a noite que tivemos, com os sonhos maravilhosos que eu tive e com você me acordando desse jeito... Não tem como não...
Ahhhh Mariaaaaa! (Estevão gemeu alto quando sentiu a boca dela chupando sua ereção)
Maria dá uma pausa e o olha fixamente, falando com uma voz doce e sensual – Se controle, porque já é de manhã e eu não quero que todos saibam o que estamos fazendo... (chupando novamente)
– Ahhh... Sim... Isso... – Estevão pega nos cabelos de Maria.
Batem à porta e Maria para o que estava fazendo.
Estevão sussurra – Vai! Continua meu amor, por favor.
– Mas deve ser algo importante...
– Que droga! – Quem é?! – Ele grita.
– Também não precisa gritar! – Maria diz.
–-
Rebeca – Senhor Estevão, estão ligando da empresa! (gritando)
Estevão – Que retornem depois! (gritando também)
Rebeca – O quê?!
Estevão – Que retornem depois! Caramba!
Maria começou a rir e disse – Calma aí que eu vou falar com ela.
Estevão – Ah não, deixa que depois nós vemos isso...
Maria – Não, me deixa ver logo o que é! – Maria se ajeita e abre a porta
–-
Rebeca – Senhora me desculpe por incomodá-los, é que estão ligando da empresa. Parece ser algo muito sério.
Maria – O que foi que aconteceu dessa vez?
Rebeca – Não sei, uma jovem ligou pedindo para falar com o Senhor Estevão.
Maria – E ela disse seu nome?
Rebeca – Disse, acho que é Adriana.
Maria dá um suspiro e responde – Ah, tinha que ser!
Rebeca fica sem entender nada.
Maria – Está bem, pode se retirar. Não deve ser nada demais. Eu já sei o que essa senhorita quer.
Rebeca – Com licença.
Maria fecha a porta.
Estevão – E quem era?
Maria – Adivinha meu amor!
– Não sei, Rebeca disse que estavam ligando da empresa, não sei...
– Sua secretariazinha, querido.
– Adriana? Mas... Mas pra quê?
– Isso eu não sei. Rebeca disse que parecia ser algo grave, mas a menina não especificou o assunto.
Estevão olhou o relógio e respondeu – Mas ela já está na empresa? Ainda faltam pras sete.
– Que secretária pontual o senhor tem, hein?! Estou gostando de ver. – Maria falava ironicamente enquanto caminhava na direção de seu closet
– Não vai começar isso de novo, por favor! – Estevão respondia enquanto a seguia
– Eu? Eu não. Eu vou é tomar banho... (pegando um conjunto e medindo em seu corpo) E me arrumar.
– Pra que está medindo a roupa? Não serve mais? (rindo)
– Não sei por que está rindo. Eu estou esperando uma filha sua, ou já se esqueceu? (Indo em direção ao banheiro).
– Claro que não. Maria, para com isso, por favor!
– Estevão, vá se arrumar e me deixe tomar meu banho tranquila.
– Como quiser, senhora San Román. – Estevão sai do quarto pela porta de acesso.
Enquanto tomava banho, Maria não parava de pensar:
– Será que realmente houve algo sério na empresa pra essa garota ligar à uma hora dessas? Eu não queria ser tão cismada assim, estou parecendo uma louca! Eu não sei por que, mas algo me diz que a Adriana vai nos dar muita dor de cabeça... Estevão, ah, Estevão!
Horas depois.
~~Empresas San Román~~
Maria estava tranquila em sua sala assinando alguns papeis quando Adriana bate à porta:
Maria – Entre.
– Com licença, senhora.
– O que quer? (sendo fria)
– É... Vim entregar esses papeis a mando do Senhor Estevão.
– Hum... E por que ele não veio me entregar?
– Deve ser porque está muito ocupado.
Maria se levanta e pega os papeis das mãos de Adriana, dizendo:
– Muito bem. E posso saber por que a senhorita ligou para a minha casa tão cedo? O que havia de tão sério aqui na empresa para você ligar antes das sete da manhã?
Adriana fica completamente sem graça e responde – É que um senhor chamado Ramírez... É... Gabriel Ramírez ligou para a empresa procurando pelo senhor Estevão e me pediu para contatá-lo o mais rápido possível.
– Hmm... E você já falou com Estevão?
– Ainda não, eu acabei me esquecendo disso, mas já vou falar.
– Não precisa, pode deixar que eu mesma falo. Agora a única coisa que eu acho estranha é por que você não aproveitou e disse tudo isso quando ligou para a mansão?
– Mas eu disse...
– Claro que não, se tivesse dito eu não teria lhe perguntado. Agora pode se retirar, por favor.
– Com licença. (Adriana sai cabisbaixa)
Maria faz aquela sua típica expressão de “la fiera”. Desconfiando de tudo e de todos, como sempre.
No corredor...
Lupita percebe como Adriana estava e pergunta – O que houve?
Adriana – Não, nada. (dando um sorriso sem graça)
Lupita – Nada? E por que você está com essa cara, então?
Adriana – É que... (querendo chorar)
Estevão sai de sua sala e pergunta para Lupita – Alguma ligação do exterior?
Lupita – Sim senhor, uma empresa da Califórnia ligou umas quatro vezes.
Estevão – Está bem. Retorne a ligação e mande para a sala da Maria.
Adriana – Com licença. (cabisbaixa)
Estevão puxa Adriana pelo braço e pergunta – Ei, o que houve?
Adriana tenta conter as lágrimas e responde – Não foi nada senhor. Apenas não estou me sentindo muito bem.
Estevão – Mentira... (sorrindo)
Lupita – Ela ficou assim desde que saiu da sala da senhora Maria.
Estevão – O quê?! (falando em tom exaltado)
Adriana – Não é que a sua esposa queria saber por que eu liguei para a sua casa tão cedo... Me desculpe, eu prometo que nunca mais farei isso.
Estevão – Não tenho o que desculpar. Sempre que for algo importante você, aliás, vocês devem ligar sim. Mas a Maria foi grosseira com você?
Adriana – Não. (chorando e indo em direção ao elevador)
Estevão – Meu Deus! O que será que aconteceu?
Lupita faz uma cara de “não faço a mínima ideia”.
Estevão – Vou falar com Maria.
~ Sala de Maria~
Estevão – O que você falou para a Adriana, Maria?
Maria – O que foi que sua secretária inventou, Estevão?
– Não comece com isso, por favor. Já está ficando uma coisa chata esse seu jeito ciumento, desconfiado. Poxa, a menina não fez nada!
Maria aumenta o tom de voz e responde – Por que está falando desse jeito comigo?
– Maria... Maria por favor! Já conversamos inúmeras vezes sobre isso e você me prometeu que mudaria, prometeu que controlaria seus ciúmes e seu jeito, mas assim já está ficando demais. Poxa, eu...
Maria o interrompe – Você nem sabe o que eu disse para ela e já vem com seus julgamentos. A culpada sempre sou eu! Coitada da Adriana, ela é tão inocente...
– Olhe a forma como você está falando meu amor, você não é assim!
– O que foi que ela te disse?
– Nada, mas ela estava chorosa, saiu sem explicar nada. E a Lupita disse que ela ficou assim depois que saiu daqui. Então só pode ser por alguma coisa que você fez a ela.
– Meu Deus, agora eu sou a malvada da história. Eu não disse nada demais pra essa garota, apenas perguntei por que ela ligou lá pra casa tão cedo! Por favor Estevão, já temos problemas demais, eu não quero mais um na minha vida, por favor!
Estevão dá um suspiro profundo e se aproxima de Maria – Está bem. Não vamos brigar por coisas sem importância. O que devemos pensar agora é no bem dos nossos filhos, no nosso próprio bem. Vamos viver sem desconfianças, sem cobranças. Já sofremos demais, vamos dar uma trégua nisso tudo, hm?! – Ele a abraça e lhe dá um selinho.
– Tudo bem meu amor. Eu vou procurar ser mais compreensiva e paciente. (ela o beija novamente) Já se deu conta de que a semana passou rápido e... Amanhã eu vou para Aruba?
– O quê?! (espantado)
– Sim... Vai me dizer que esqueceu? Preciso acabar logo com esse tormento.
– Verdade. E quantos dias você pretende ficar lá?
– Bom, acho que só até segunda, mas não sei, posso demorar um pouco mais.
– Ah não, já estou com saudades! (rindo) Eu te amo tanto... (perdendo-se nos olhos dela)
– Eu também, apesar de tudo, eu te amo com todo o coração.
Estevão beija Maria com muita paixão, com muito amor e ternura. Os dois ficam envolvidos por um bom tempo, saboreando aquele beijo, quando o telefone toca:
Maria finaliza o beijo e diz – Ah, sempre tem alguém que... (rindo)
Ela atende o telefone:
– Alô
– Olá, aqui é Gabriel Ramírez, das empresas C.W da Califórnia, com quem eu falo?
– Com Maria San Román. Creio que queira falar com meu marido, não?
– Sim... Mas... Hum então a senhora é esposa de Estevão San Román? (dando um trago no cigarro)
– Sim.
Estevão se põe sério e pergunta – Quem é?
Maria faz sinal de “espera” com a mão.
–-
– Ah, que prazer em falar com a senhora! Mas, é com Estevão que eu preciso falar agora. Ele se encontra?
– Sim, está aqui. Vou passar para ele.
– Ok, “me gustó mucho hablar contigo, MARÍA.”
–-
Maria se sente incomodada com o tom de voz de Gabriel e passa a ligação para Estevão:
Estevão – Quem é?
Maria responde, quase sussurrando – Gabriel Ramírez, de uma empresa da Califórnia.
Estevão – Ramírez? Gabriel Ramírez?! (sorrindo) Ah, sim! Deixa eu falar com ele, meu amor.
–-
Estevão – Gabriel Ramírez? Então é você mesmo rapaz?
– Eita! Grande Estevão! Pensei que era missão impossível “hablar contigo, señor”.
– Ah... Agora que está na Califórnia debocha de suas origens? (rindo) Nossa! Há quanto tempo não nos vemos!
– Sim meu brother, há muuuuito tempo! “Mira”, não sei se você sabe, mas eu sou um dos donos da CW.
– Essa eu não sabia! Quem diria você, empresário. (dando gargalhadas) Você, que sempre matava as aulas de gestão!
–-
Maria observava Estevão com uma cara estranha.
–-
– Pois é, né? A vida dá muitas voltas! E aqui estou eu, com essa empresa maravilhosa e suplicando pra fazer negócio com você, meu amigo.
– Suplicando? Também não precisa exagerar né, mexicano-americano?
– E você é cubano-mexicano, que é pior ainda. (rindo)
– Você não muda cara! Aposto que continua o mesmo garanhão de sempre!
–-
Maria balançava a cabeça em negativa. Estevão falava no telefone enquanto a olhava, sorridente.
–-
– Claro né garotão! Estou velho, mas não estou morto. Mulher agora tá melhor que antes, rapaz!
– É... Vai pensando que isso dura pra sempre, não dura não.
– Está dizendo isso só porque se amarrou? Eu ouvi a voz da Senhora San Román, nossa, cheia de pose. Tinha que ser mulher do San Román. (rindo)
– Minha mulher, claro. A melhor mulher de todas. Acho que você chegou a conhecê-la, não? (rindo)
– Não sei... Não lembro. Bem, eu vou voltar aí pra essa terrinha e aí vamos todos nos reencontrar, certo? Matar a saudade dos velhos tempos...
– Nada disso! A parte do vamos nos reencontrar tudo bem, agora velhos tempos, tô fora.
– Eu sei, estou brincando. Agora vejo que você é um homem de respeito! (ironizando) Enfim, liguei pra dizer que quero fechar um negócio importante contigo e... Ah, um dos seus filhos está aqui comigo, você não sabia disso?
– Filho?
– Sim, o Ângelo.
– Ah! O Ângelo está aí? – Olhando com uma cara estranha para Maria
–-
Maria pergunta, o olhando com uma cara séria – Ângelo?!
(...)
~Enquanto isso, no corredor da empresa...
Adriana estava voltando para a sua sala quando sem querer esbarrou em Miguel, derramando o suco que estava bebendo em sua própria roupa:
Miguel – Nossa, perdão, me perdoa eu... Eu...
Adriana – Vê se olha por onde anda! Olha o que você fez no meu uniforme!
Miguel – Se quiser eu posso pedir outro pra você e mandar esse para a lavanderia. Me desculpe, é que você estava...
Adriana o interrompe – Não enche! – Ela joga o resto do suco na lixeira e segue andando, enfurecida.
C a l i f ó r n i a
~~Hotel~~
Ângelo – Por favor, meu amor, não faça isso! Você está fazendo uma besteira! Como você pode voltar sozinha, o que... O que vão dizer?
Alma – A mim pouco importa o que vão pensar, o que vão dizer... Você devia ter pensado em tudo isso antes de ter me traído com uma qualquer! (pegando as malas)
Ângelo – Não, eu não vou deixar você ir! (puxando o braço dela)
Alma – Me solta! – Ela faz força para se soltar de Ângelo, quando desmaia.
Ângelo a ampara e começa a chamar por ela, desesperado:
– Alma?! Alma, por favor, me responde! Alma?!
M é x i c o
~~Mansão dos San Román~~
Estrela estava deitada em sua cama, recordando tudo o que havia acontecido na noite anterior:
Greco – Meu amor, você tem certeza que está pronta?
Estrela o beija intensamente e responde – Bom... Certeza eu não tenho, mas a única coisa que eu sei é que... Greco eu te quero tanto... – Os dois se beijam novamente
Greco interrompe – Estrela, se você sente que ainda não é o momento de se entregar pra mim eu vou entender. Eu não estou te forçando a nada nem quero que você se sinta pressionada! Não quero que faça por fazer, quero que você faça amor comigo, que você desfrute o momento.
Estrela chora e responde – Por que eu sou tão imatura? Tão insegura? Eu e Maria tivemos uma conversa tão... Sabe, que me deu confiança! Só que quando chega na hora, agora, eu... Eu não consigo! Você deve estar me achando uma criança, não é?
– Ei, não chora! Claro que eu não te acho uma criança, por favor. Você tem todo o direito de escolher o que quer ou não, se não quer, vou entender. Não vou deixar de te amar por causa disso. Olha pra mim... (levantando o rosto de Estrela) Eu amo você e não é isso que vai fazer com que eu troque você por outra, hm?
– Jura que vai me esperar? Que vai me entender?
– Claro que sim, amor. (dando um selinho nela)
(...)
Estrela fala consigo mesma – Nossa, eu sou tão estúpida! Por que não consigo mudar meu jeito? Por que eu não consegui me entregar pro homem que eu amo? (chorando) Ai mamãe, que falta você me faz nessas horas... Como eu queria os seus conselhos! Como eu queria o seu abraço! (abraçando um ursinho de pelúcia).
Horas depois...
~ Sala de jantar ~
Leonel chega acompanhado de sua namorada – Boa noite!
Todos respondem – Boa noite.
Carmem – Ai que lindinha que você está hoje... É... – Carmem sussurra para Maria: Qual é o nome dela mesmo?
Maria – Lupita. (rindo)
Carmem – Isso, sim, Lupita! Hehehe (rindo para disfarçar)
Estevão começa a rir.
Leonel – E aí, Maria? Preparada para a viagem?
Estrela – Viagem? Que viagem?
Heitor – Vocês não nos falaram nada sobre isso. Por que Maria vai viajar estando grávida?
Maria – É que eu e Leonel precisamos descobrir sobre o assassinato de Patrícia.
Estrela – Ainda isso? Maria...
Estevão – Eles precisam ir Estrela. É uma questão de honra para nós desvendarmos isso e fazer justiça, Maria perdeu anos de sua vida numa cadeia, e a pessoa que foi culpada que deve pagar por isso.
Vivian – Mas não é perigoso pra você viajar assim, já com quase seis meses de gravidez? O médico te autorizou?
Maria – Na verdade não sei se deveria ir, mas... É a minha vida que está em jogo! Eu preciso ir, me entendam!
Heitor – Se quiser eu vou por você.
Estevão – Não Heitor, nem a mim ela deixou ir. (suspirando) Isso é um assunto entre ela e Leonel, só os dois podem resolver.
Leonel – Sim, se vocês forem podem complicar ainda mais as coisas.
Estrela – Quanta doideira nisso tudo... (dando uma garfada na comida) E quando voltam?
Leonel – Não sabemos, vai depender de como tudo vai sair. Talvez na segunda mesmo estaremos de volta.
Carmem – Ah, espero que voltem logo em breve!
Maria – É...
~~ Apartamento de Adriana ~~
Laura – Posso saber por que você está assim tão mal humorada?
Adriana – Meus dias nessa empresa não estão sendo os melhores... Não sei se vou aguentar tanto tempo lá.
– Mas por quê? Você mal começou e já está assim?
– Ah... Hoje, a patroa (enfatizando a última palavra) fez questão de me dar uma bronca por eu ter ligado para a casa dela de manhã.
– E por que também você foi ligar, hein? Hum...
– Para com isso, garota! Eu liguei foi por coisa séria!
– Aham, sei. Só por isso?
– Além da bronca da dona Maria San Román, um idiota fez questão de derramar o suco que eu estava bebendo todo em cima de mim!
– Nossa! Então realmente, amiga, estou com dó de você!
– Só tem estresse nessa empresa!
– E como fez com a roupa?
– Troquei o uniforme, claro. Sorte que tinha pro meu tamanho.
– Tem certeza que só tem estresse? Será que não tem nenhuma, mas nenhuma pessoa que te faça feliz naquele lugar? (rindo ironicamente)
– Ai Laura, vai... Vai...! (indo para o quarto)
– Olha o que você vai falar garota! (rindo)
~~ Mansão dos San Román ~~
Leonel – Bom, já vamos. Preciso arrumar minhas coisas para amanhã, nosso voo sai às 7h, Maria.
Maria – Eu sei. Também preciso terminar de arrumar a mala. Só levarei o essencial.
Estevão – Então amanhã você vem buscar minha mulher pra viajar contigo, é rapaz? Olha lá, hein! Estou de olho em você.
Leonel sorri e responde – Não precisa se preocupar mais. Agora preciso ir. Boa noite a todos!
Lupita – Adorei o jantar. (cumprimentando Maria e os demais)
Leonel também cumprimenta a todos e vai embora com Lupita.
Estrela – Ai... Tem certeza que vai viajar? Não vai não, Maria! (ela se aproxima de Maria e a abraça)
Maria sorri olhando surpresa para Estevão.
Heitor também se une ao abraço das duas – Também vou sentir sua falta. (dando um beijo no rosto de Maria)
Maria – Ai meus amores! (sorrindo) Eu não vou ficar por muito tempo, logo estarei de volta. Só ficarei em Aruba por no máximo uma semana, não vai passar disso, prometo!
Estevão, Vivian e Carmem observavam aquela linda cena, sorridentes.
Estrela – Promete mais uma coisa?
Maria – O quê?
Estrela – Que quando voltar vai jogar umas partidas de xadrez com a gente?
Maria – Sim, prometo.
Heitor – Quando voltar? Por que não aproveitamos e jogamos agora?
Estevão – Heitor, a Maria precisa descansar.
Maria responde, emocionada – Não meu amor, não tem problema. Vamos jogar agora então!
Estrela – Eba! É por isso que eu gosto da Maria, ela é das minhas! (rindo e indo em direção ao escritório)
Carmem – Já que vocês vão jogar, eu vou é dormir.
Vivian – Ah, eu também. Preciso dar uma olhada no Juanzinho.
Heitor – Não vem com a gente, amor? Tia, a senhora também não vem?
Carmem gesticula dizendo que não.
Vivian – Vão lá vocês. Amor, te espero no nosso quarto! (piscando)
Heitor entende o sinal de Vivian e responde – Hum... Está bem então. (sorrindo)
Estevão – Hummm... Que bonito! (rindo)
Heitor – Ah, para de me zoar e vem jogar com a gente, vamos!
Estevão – Ué, não posso? Quando sou eu e Maria os comentários são os piores...
Heitor – Nada a ver, papai. Vamos logo para o xadrez e para de assunto.
Estevão – Ah... (brincando)
Heitor – Vamos!
Maria e Estrela já estavam no escritório, quando Heitor e Estevão entram:
Estevão – Chegamos!
Estrela – Uau! Dois mocinhos elegantes! (rindo) E a Vivian?
Estevão – “Amor, estou te esperando no nosso quarto” (fazendo voz de mulher).
Todos caem na risada, principalmente Maria.
Maria – Nossa! Estevão, não conhecia esse seu lado.
Estrela – Papai está se saindo uma bela de uma mocinha. Cuidado hein Maria!
Estevão – Tá, agora parou a brincadeira. Olha o respeito, garota! Respeito porque hoje somos nós que vamos ganhar, não é meu filho?
Maria – Coitados.
Heitor – Mas é claro, sempre somos OS MELHORES.
Estrela – Só que não. (dando gargalhadas) Papai sempre perde, principalmente para a Maria.
Heitor – É, tenho que admitir que Maria é uma forte candidata.
Maria – Que isso, apenas tenho experiência nisso. Mas vocês também são bons jogadores, seu pai que o diga!
Estevão – Claro que sim, senhora. Agora vamos jogar mais e falar menos!
Maria apenas sorri.
Estrela – Nossa! E então, quem começa?
O jogo começou com Estrela e Estevão; Estevão ganhou e jogou com Heitor, que também perdeu para ele. Até que finalmente sobraram Estevão e Maria.
Heitor – Não acredito que perdi pro senhor, sinceramente. Agora você perde!
Estrela – Agora ele perde mesmo! Maria é a melhor, baby.
Estevão sorri e diz – Vamos ver... (encarando Maria com seu olhar provocante)
Os dois começaram a jogar, Maria deu “xeque” em Estevão fazendo com que Estrela cantasse vitória para Maria antes do tempo. Minutos depois, Estevão vira o jogo e...
– Xeque-Mate, SENHORA SAN ROMÁN.
Heitor – Ah! Caramba papai, arrasou! Viram vocês?! (batendo a mão na mão de Estevão)
Estrela – Não valeu! Eu prestei atenção! Maria, como você deixou ele te roubar assim?
Maria – Apenas fiz uma caridade pra ele... Nunca ganhou, coitado. Sempre tem que ter uma primeira vez, né?
Estevão – Sabe que não é bem assim. (piscando para Maria)
Heitor pigarreia e fala – Bem, eu vou para o meu quarto porque...
Estevão – Seu amor está te esperando, já sabemos.
Todos riem.
Heitor – Bom, é isso aí mesmo! Boa noite Maria e que você tenha uma viagem tranquila. (dando um beijo no rosto de Maria)
Maria – Obrigada, filho. Boa noite.
Estrela – Eu não estou com sono ainda, mas como eu não sou idiota de ficar aqui de vela, também vou para o meu quarto. Boa noite Maria! Amanhã quero ir com vocês para o aeroporto. (dando um abraço em Maria)
Estevão – Não precisa, Estrela...
Maria – Deixe ela, se ela quer ir...
Estrela – Então? Eu vou! A-ha! (empolgada)
Heitor – Vamos, Estrela?! (enfatizando)
Estrela – Ah tá. (entendendo o que seu irmão quis dizer) Boa noite casal! (rindo e saindo correndo)
Maria e Estevão sorriem, sem jeito.
Estevão – É... Enfim, sós. (se servindo de um copo de whisky) Dessa vez, não foi a sua vez, Maria.
Maria – É como eu disse, sempre tem a primeira vez. Nem sempre a vida é ganhar, em muitas vezes perdemos. (se pondo séria)
Estevão dá um gole no whisky e põe o copo na mesinha – Tem razão, muitas das vezes nós perdemos nosso tempo, perdemos momentos preciosos como esse que acabamos de passar por nossos erros e dúvidas que insistem em nos perturbar. É como Shakespeare diz em uma de suas obras: “Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que com frequência poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.” Ao invés de perder tempo com receios e dúvidas, deveríamos ter nos arriscado mais, ter corrido riscos sem pensar nas consequências... Talvez teríamos sido mais felizes.
Maria – Uau, a vitória na partida de xadrez te fez filosofar hoje! (rindo)
Estevão – Sabe que eu sempre digo coisas... Inspiradoras?
Maria – Inspiradoras, profundas, românticas... Cada palavra que você diz revela um pouco mais de você, me faz querer te descobrir mais a fundo, embora eu já te conheça.
– Hum... Como assim?
– Passamos tanto tempo distantes que... Muitas coisas mudaram entre nós, por isso, apesar de te conhecer, eu preciso te redescobrir dia após dia.
Estevão se aproxima de Maria e diz – Eu também. Assim como eu preciso te redescobrir todos os dias, também sinto o desejo e a obrigação de te reconquistar a cada dia que passa, a tentar fazer coisas que te preencham, que te encham de alegria. Me sinto no dever de te fazer feliz enquanto eu existir. E é só isso que eu preciso, te viver pra me sentir vivo.
– Estevão... (sorrindo sem graça)
Estevão pega nas mãos de Maria e dá um beijo singelo, um sinal de respeito que era marcante entre eles. Maria o observava dando um sorriso tímido.
– É por isso que eu aposto todas as minhas fichas na sua viagem de amanhã, porque uma das coisas que eu mais quero é que esse peso saia de cima de você e que nossos filhos possam finalmente desfrutar a vida sabendo que tem a mãe deles ao seu lado todo esse tempo, a mãe que sempre fez tudo por eles, por nós. Eu pago o preço que for preciso só pra te ver feliz, pra vê-los felizes. Não preciso mais de nada, pois teu amor me ilumina totalmente, eu...
Maria o interrompe, com os olhos cheios de lágrimas – Shiu! (colocando o dedo indicador em seus lábios) Você gosta de me ver chorar, não é?
Estevão sorri – Apenas estou te dizendo tudo o que sinto “mi vida”.
– O que há entre nós dá pra sentir no ar que respiramos, na nossa troca de olhares... É algo que de longe qualquer um percebe. E eu não duvido de você! As palavras são coisas que menos fazem falta, pois os seus gestos e seu olhar falam por ti. A única coisa que desejo agora, nesse momento é estar em seus braços e viver todo esse amor que há dentro de mim.
– Dentro de nós... (sorrindo)
– Te amo tanto, Estevão. Ficar longe de você dói tanto... (uma lágrima teimosa insiste em cair)
– Eu sei, porque eu também senti. (ele a abraça forte) Todos os meus sentidos pedem por você.
Maria o encara rapidamente e segura em seu rosto, lhe dando um beijo maravilhoso. Eles continuam por um bom tempo aos beijos até que param um pouco por falta de ar.
– Quero te fazer minha agora (voltando a beijá-la e fazendo com que ela se sentasse em cima da mesa do escritório)
Maria fala entre os beijos – Eu quero... Mas... No quarto!
– Aonde você quiser, até no jardim... Lembra de quando fazíamos amor no jardim?
– Estevão! (colocando as mãos no rosto, envergonhada) Vamos pro quarto. (rindo)
CONTINUA?
Fale com o autor