Magic Insurgence: The Rift - Interativa
4 The First Battle - I
Notas iniciais
Era quase meia-noite quando Sabrina, Mirai e Anne chegaram ao local que haviam combinado. Cada um deles veio de uma direção diferente, cuidando com os arredores e se havia alguém os seguindo, mas não encontraram ninguém. O trio havia ficado responsável pela extração do objeto que buscavam e caso necessário, combate frontal. Mirai estava esperando que não fosse preciso chegar a isso, mas sempre existiria a possibilidade.
As três estavam no topo de uma casa, observando o que parecia ser um aeroporto. Estava desocupado, como esperavam que estivesse. A Sociedade precisava isolar o local para fazer o transporte do objeto, as luzes do local permaneciam apagadas, dificultando a observação delas, mas sabiam que já estava lá. Olhando bem, os quarteirões todos ao redor pareciam muito vazios e quietos.
— Já não aguento mais esperar. — Sabrina batia o pé ansiosa, sua voz saiu demonstrando que realmente estava ficando entediada. Seus longos cabelos rosas chamavam um pouco a atenção, contrastando muito com a roupa toda preta que usava.
— Calma, sei que consegue aguentar. — Anne não tirava os olhos do local onde o avião que descarregaria o que buscavam estava. Não havia muito o que observar realmente, já que não havia ninguém lá. Mirai percebeu que ela estava olhando de canto para Sabrina, tentando ser discreta.
As três estavam usando o mesmo tipo de roupa negra, que as ajudava a se misturar com as sombras daquela noite, não era exatamente um disfarce, já que não as escondia para olhares atentos.
Anne checou o relógio, que agora marcava meia noite e quinze minutos. Com a mão sinalizou para as duas companheiras que estava na hora de agirem. Mirai levantou os braços e as duas sentiram uma brisa fraca, que começou a ganhar intensidade. Sabrina e Anne conseguiam sentir que seu mana parecia estar sendo puxado por ela, mas não era exatamente isso. Ela apenas usava para sentir a presença de outros sinais de mana no ambiente.
— Não senti nada por perto. Podemos ir. — Ela disse pegando a corda que estava enrolada próximo dela. Sabrina segurou uma ponta e atirou a outra para baixo, depois fortaleceu seus braços e pernas, enquanto as suas parceiras desciam até o chão. Em seguida ela soltou a corda e saltou diretamente, deixando algumas marcas no local da queda. Não estavam num telhado muito alto, mas era melhor evitar qualquer possibilidade de ferimento.
* * *
Daedalus, Liadam e Edward estavam todos parados, atrás de caixas e outros objetos enormes que ficavam próximos a pista de pouso onde o avião estava. Pessoas uniformizadas estavam se esforçando para puxar um grande cubo metálico pela rampa traseira da aeronave. A caixa tinha medidas de dois metros, e parecia ser feita de um metal espesso e muito resistente, visto que quatro homens estavam se esforçando para carregá-la. Usando magia de Realidade, como Daedalus e Edward podiam perceber pelo fluxo de mana que emanava de seus braços e pernas.
— Não parece que eles vão conseguir carregar aquilo. — Edward fez a observação sussurrando, e realmente não estavam conseguindo. — Eles podiam simplesmente combinar as magias...
Nem bem terminou de falar, e um dos homens se afastou do objeto. Apontando as duas mãos para frente, enquanto outro que ainda estava com as mãos no cubo fechou os olhos. Estava diminuindo a densidade do objeto, e seu colega o empurrava de longe. Com a ajuda dos outros dois que empurravam manualmente, finalmente começaram a fazer um movimento significativo.
Foi fácil para ele perceber a aproximação de pessoas, devido a sua exagerada sensibilidade, mas devido a estarem ocultando sua presença, ele não conseguia discernir qualquer outra coisa além do número de pessoas que haviam entrado na sua área de percepção.
— São três... — Ele disse, mas fechou os olhos e levou a mão ao peito após sentir mais uma presença repentinamente entrando em sua área. Como estava concentrado em aumentar sua sensibilidade natural, alguém adentrar em seu campo de identificação sem estar oculto causava uma certa dor em seu corpo. — Quatro, e ele está se movendo extremamente rápido. Mas não é magia temporal. — Acho que é nossa...
Antes que concluísse sua frase algo atingiu um dos homens que carregava a caixa. Ele caiu no chão, enquanto sangue escorria de seu peito. Os outros se olharam, confusos, tentando decifrar de onde havia partido aquele tiro. Um começou a juntar suas mãos, acumulando mana para criar uma barreira, mas algo perfurou sua cabeça antes que concluísse a magia. Seu corpo caiu, logo acompanhado de tiros que derrubaram os outros dois. A ação toda durou não mais que dez segundos, Edward havia se levantado para os proteger, mas não teve tempo de fazer nada. Liadam o puxou para baixo, já que havia revelado sua posição. Por pouco não foi atingido pela bala que passou sobre ele.
— Tiros acelerados! — Liadam reconheceu imediatamente a técnica, pois também costumava usá-la. E como demonstrado, era letal em pessoas despreparadas. — Eles estão vindo!
Liadam viu a silhueta de Sabrina de longe, ela estava correndo bem rápido, mas não havia sido de sua direção que os tiros partiram, suas mãos estavam sob efeito de magia de realidade, enquanto as pernas pela temporal.
— Droga, do outro lado também... — Daedalus via Anne correndo na direção deles, estava recarregando o revólver que havia usado.
— Se segurem. — Edward levantou suas mãos, num movimento drástico. — Aer moveatur! — Assim que disse as palavras, apontou uma mão para Anne e outra para Sabrina. Uma quantia enorme de ar se acumulou no centro de cada uma das palmas dele, e delas foi liberado um poderoso vento, suficiente para jogar as duas mulheres para trás. — Vamos, vamos, crescera natureza! — O jovem colocou as mãos no chão, enquanto as duas oponentes se recuperavam, Daedalus e Liadam correram para perto da caixa, e logo em seguida Edward os acompanhou. Enquanto corria, Daedalus tirou uma pequena pedra branca de seu bolso e a jogou para cima, uma runa, que explodiu emitindo apenas um clarão. Era o sinal que Adrien e o Caçador precisavam para se porem em posição.
Ao chegar perto da caixa, Edward viu Mirai se aproximando de trás deles, na direção para onde o avião havia pousado. Ela parou sua corrida e apontou os dois braços para frente. Uma corrente de ar começou a se formar contra eles, mas Edward apenas balançou a mão como se espantasse alguma mosca e o efeito se dissipou.
A magia que usou anteriormente começou a se ativar. No limite demarcado pelas cercas do aeroporto, árvores começavam a crescer, sem as mulheres notar, não pareciam grande coisa, mas em tempo seria suficiente para isolar o local.
— Nossa luta começa agora. — Liadam disse enquanto tirava uma pequena adaga do cinto de sua roupa. Estava virada para Sabrina, que agora parada, como Anne e Mirai, haviam cercado eles de ireções opostas.
— Eu posso neutralizar as magias naturais, e dar algum suporte... mas — Edward estava visivelmente enjoado pelo sangue dos corpos que estavam a seus pés. Não conseguia esconder seu incomôdo, então apenas tentava desviar sua atenção da poça enorme e vermelha onde ele e seus parceiros pisavam.
— Echontai se mena! — Diferente de Edward, Daedalus falou as palavras em grego e não latim, e após as falar, retirou uma runa roxa de seu bolso e a atirou no chão. Esta liberou uma fumaça cinzenta, que começou a se moldar em um felino quadrupede e tomar uma cor esverdeada. Ganhou uma forma quase física, ao mesmo tempo fantasmagórica, com seus contornos na cor verde. Parecia um "desenho real", em uma forma simples de descrever aquele tigre.
O espirito estava conectado a Daedalus como uma marionete, através de fios quase invisíveis e intocáveis, mas era possível ver a ponta de cada dedo de sua mão direita brilhando na mesma cor do espectro que ele invocou. Ele apontou sua mão para Anne, e a alma avançou contra ela.
Liadam avançou contra Sabrina, que correu gritando em sua direção. Aplicou um soco direto em Liadam, mas essa agilmente desviou para o lado. Tocando o braço de Sabrina, seus olhos brilharam por um momento. Estava usando a técnica de previsão. Desviou abaixando o corpo, do soco horizontal que a mulher de cabelos rosas deu, e ao se agachar, pegou uma faca atrás de sua bota. Estava prestes a cortar a perna de Sabrina, com um golpe certeiro.
— Accelerate duplici! — Ela gritou e seu corpo acelerou, conseguindo dar dois passos para trás a tempo de escapar do corte. Liadam se levantou enquanto se preparava para atacar novamente. — Accelerate triplici! — Liadam apenas viu Sabrina se abaixar e pegar uma faca de sua bota também, logo depois sentiu ela atrás de si. Se abaixou novamente, instantaneamente após a oponente desaparecer, fazendo ela errar o golpe com a faca.
— Não deveria usar uma magia tão poderosa logo no início. — Liadam levou a mão a sua cintura para pegar algo, fazendo o movimento instintivo de agarrar algum objeto ali, mas não sentiu nada.
— Procurando por isso?! — Sabrina estava visivelmente empolgada, visto que gritou sem perceber. Segurava a pistola que provavelmente era de Liadam. — Merda. — Enquanto apontava a arma para ela, esta atirou a adaga contra Sabrina, que voou muito mais rápido que deveria. A mulher soltou a arma e a faca que segurava, as deixando cair no chão enquanto criava uma barreira usando as duas mãos apontadas para frente.
A adaga fez um som como se batesse em algum metal, mesmo não tendo aparentemente nada em sua frente. Ricocheteou no ar, mas a esse ponto, Liadam já havia se aproximado, saltado e a pegado no ar.
— Você não é tão ruim! — Sabrina, desarmada contra Liadam, que estava acima dela, devido ao salto, rapidamente pegou uma runa de seu bolso, e a jogou para frente. Assim que a jogou, Sabrina recuou, e a runa explodiu como uma pequena bomba, devido a proximidade, Liadam foi atingida e jogada para trás, caindo no chão e rolando. Suas roupas ficaram rasgadas e partes de sua pele estavam queimadas, tendo até alguns arranhões no rosto. Em compensação Sabrina estava intacta, mas as veias de seu rosto próxima aos olhos estavam muito dilatadas, efeitos da magia de aceleração, ela deveria estar sentindo uma forte dor de cabeça também.
Na direção de Anne, o tigre espiritual de Daedalus avançava. Ela não parou e envolveu todo seu corpo em uma magia de Realidade. Assim que este saltou contra ela, se preparando para morde-lá, Anne segurou ele com seus braços, as mãos na boca do animal, uma na parte superior e outra na inferior, o impedindo de morder. Sangue começou a escorrer de ambas as mãos, mas não era um ferimento profundo, embora ela estivesse fazendo muita força para o manter naquela posição. Com um grito furioso ela girou seu corpo, sem soltar o tigre e o atirou para longe, precisamente o tirando do caminho entre ela e Daedalus. Assim que tocou o chão ele se dissipou numa fumaça semelhante a que havia o formado.
— Você acha mesmo que isso vai me parar?
O jovem pegou mais algumas runas do bolso, enquanto a mulher recarregava sua arma. Assim que Daedalus atirou outra runa roxa, uma bala a atravessou, destruindo a pedra sem fazer a invocação. Ela mudou a trajetória da bala para ser precisa o suficiente para atingir algo daquele tamanho. Apontou a arma para Daedalus e este levou as duas mãos para frente, liberando um poderoso ventou que a desequilibrou, fazendo perder a concentração e errar o tiro. Enquanto a loira ajustava sua mira, Daedalus não perdeu tempo e jogou um punhado de runas na direção dela. Essas tinham uma coloração verde arroxeada, Anne identificou três delas, e conseguiu atirar em uma, a impedindo de ativar. A outra foi segurada por uma barreira criada usando a mão livre da mulher, mas explodiu liberando chamas roxas, que acabaram também seguradas pela barreira. A terceira runa, não podia ser defendida por Anne, e acabou explodindo a menos de um metro dela. Era o fogo-selvagem, uma técnica que consistia em usar almas para a combustão. Daedalus direcionou uma mão para o local da explosão, conectando-se a chama, e fechou sua mão com força.
As chamas que se espalhavam então obedeceram ao comando dele, formando um círculo ao redor dela e então se fechando. O fogo não causava um real dano físico, não deixando marcas no corpo dela ou em suas vestes, mas pelo grito que deu e como caiu de joelhos no chão pareciam machucar muito. Daedalus sentiu um pouco de sangue escorrer pelo seu nariz, manipular aquele tipo de fogo era bem cansativo no seu corpo.
Enquanto aqueles dois combates se desenrolavam, Edward enfrentava Mirai. Ele não sabia exatamente o que fazer em um combate. Não tinha técnicas letais ou nada muito poderoso para combate, então rapidamente pensou em como usar o ambiente a seu favor. Direcionou seu braço para Mirai que continuava correndo em sua direção. Ela sentiu o ar ao seu redor alterar, mas imaginou que levaria um certo tempo para ele a parar com esse tipo de magia. Se concentrou em afastar o ar que se acumulava ao seu redor, mas para a surpresa dela, quando percebeu já estava sentindo a pressão dele a esmagando contra o chão. Tentou se levantar, mas a força exercida sobre ela era tão forte que a mantinha de joelhos no chão, independente de quanto tentasse se levantar. O ataque não estava a ferindo exatamente, mas a mantinha completamente imóvel, e seu oponente não estava nem se esforçando para a inutilizar completamente.
Mirai sentiu o ar ao seu redor ficar mais úmido e então pequenas gotas de água começavam a surgir, estáticas no ar. Era Edward conjurando outra magia enquanto a segurava, pretendia a afogar com aquela técnica. A mulher estava vendo a água se formar, e num gesto desesperado forçou as mãos contra o chão. Não era exatamente o seu tipo preferido de técnica, mas precisava fazê-la. Uma vinha cresceu sob Edward, e sem ele perceber, ela se agarrou em seu pé, o puxando para baixo. Ele imediatamente a ordenou para se desmanchar, mas acabou enfraquecendo o efeito da sua primeira magia em Mirai, que conseguiu mover seu braço um pouco, comandando a água formada pela segunda magia, contra o próprio Edward, que se defendeu desviando toda a água com um gesto da mão semelhante a um tapa. Mirai percebeu facilmente que não tinha chances contra ele, mas ao ver a joia em sua orelha brilhar, entendeu o motivo, e também pensou em algo. Kamau deveria estar chegando a qualquer momento.
E como ela esperava, o homem saltou por entre as árvores que cercavam o local. Estas formavam uma enorme parede de madeira de mais de cinco metros de altura, isolando completamente o aeroporto. Kamau, era o Caçador que elas estavam esperando. Ele descia escorregando pelas árvores e logo que chegou ao chão começou a correr na direção de Edward e Mirai. A mulher percebeu que seu oponente não o viu se aproximar, e os outros dois estavam ocupados em suas lutas. Se conseguisse segurar o jovem, podiam incapacitá-lo e mudar a luta. Olhou para o isqueiro que tinha consigo, um pouco insegura, era sua única opção. Sabia bem que Edward Nigetlam era completamente fraco lutando contra fogo. Pegou o objeto e acendeu a chama, enquanto seu inimigo se preparava para atacar. Soprou ela que se expandiu, crescendo. Olhava para aquelas chamas, que iluminavam seus olhos, não conseguindo evitar sentir o medo irracional que tinha delas. Não pensou muito, apenas a jogou contra Edward, fazendo um longo movimento que parecia um golpe de arte marcial.
Este tentou condensar o ar próximo de si para evitar o ataque, mas não teve tempo de fazer uma barreira completa de água. As chamas a evaporaram antes que terminasse, e ele acabou sendo atingido por algumas. Gritou de dor enquanto usava toda sua concentração para as dissipar antes que se espalhassem por seu corpo. Alheio a aproximação de Kamau, não tinha como se defender do golpe com a faca que se aproximava de sua costela pela lateral.
— Não, não mate... — Mirai tentou avisar Kamau, que a ignorou completamente. Estava com os olhos escuros, e sorria ao avançar em seu inimigo. Ele não parecia o Caçador que ela havia contatado dias antes, o homem gentil não estava ali.
Daedalus ouviu o grito de Mirai, e se virou para trás. Viu Kamau se aproximar rapidamente, a faca envolta em magia de realidade para penetrar ainda mais facilmente o corpo atingido. Revirou seu bolso em busca da última runa que havia trazido para aquela luta, sem muita escolha a não ser a usa-lá naquele momento.
— Edward! — Ele gritou e atirou a pedra verde na direção de Edward, que definitivamente não tinha reflexos velozes, mas ao ver a runa explodir e liberar cerca de dois litros de água, ele imediatamente assumiu o controle da água e envolveu seu corpo nela, a congelando imediatamente, se isolando em uma barreira de gelo. Ouviu a mesma se estilhaçar e sentiu algo na lateral de seu corpo, antes de ouvir outro grito de Mirai e sentir uma dor enorme no local atingido.
* * *
— Por favor, se rendam. Odiaria ter que brigar nessa noite tão linda. — Adrien estava em frente a três inimigos. Susan, Joe e Joseph. Ele iniciou uma conversa com eles, mas não obteve resposta de nenhum. Estava falando em um tom bem humorado, mas realmente queria negociar a rendição deles.
— Saia do nosso caminho. Agora. — Susan, deu dois passos a frente e respondeu agressivamente.
— Minha nossa. As crianças de hoje em dia não respeitam mais ninguém. — Adrien falou a desafiando, vendo a jovem cerrar o punho. Ele continuava falando de forma despreocupada e irreverente.
— Olha, tiozão, nós estamos em três. Você em um, seja Abençoado ou o que for, não deveria nos enfrentar. — Joe também avançou, pela posição que tomava, se preparava para correr. Eles estavam numa rua deserta, bem iluminada, parecia ser um campo bom para ele usar sua agilidade.
— E quem disse que estou sozinho? — Adrien deu um sorriso debochado, de cima de uma casa, Gabriel pulou no local onde os três jovem estavam, Joe foi rápido o suficiente para empurrar Joseph para trás, enquanto Susan se envolvia em uma barreira. Gabriel não disse nada, apenas levantou a mão. Estava de frente para a jovem, muito menor que ele.
— Cuidado! — Joe apontou para o chão, de onde começava a verter água. Gabriel envolveu a barreira de Susan, e começou a aplicar pressão nela. Inicialmente ela parecia estar segurando bem, mas conforme mais água ia se acumulando, o espaço que a afastava do liquido ia diminuindo.
— Você é bem nova pra morrer, mas ainda assim vai. — Ele disse, reforçando ainda mais a pressão da água.
— Ah, ela não vai. — Joseph com suas mãos fez um movimento de como se puxasse algo para si, a água obedeceu ao seu chamado e liberou Susan que recuou, ofegante. Joe então correu com sua magia temporal e a pegou em seus braços, antes que Gabriel a atingisse com um poderoso jato de água concentrado que chegou a deixar um buraco na parede atrás de onde Susan estava.
— Por favor, me devolva isso. — Fazendo o mesmo gesto de Joseph, Adrien puxou a água que ele havia acumulado ao seu redor, e a direcionou para onde Joe havia soltado a garota.
— Fique a vontade. — Joseph disse e não tentou segurar a água, ao invés, cercou Susan com uma barreira de plantas, que foram suficiente para segurar o impacto da água.
Gabriel não esperou ela cair, assumindo o comando repetiu o mesmo ataque de antes, e fez o líquido envolver e apertar a barreira de Joseph.
— Caramba, como você é chato! — Joe iniciou um combate próximo de Gabriel, que se defendeu facilmente do soco dele, colocando seu antebraço no caminho.
— Pelo menos não sou você. — Usando a água que controlava, Gabriel fez ela assumir a forma de um grande fio, um chicote mais precisamente, e balançou ele em um golpe vertical contra Joe. Este foi rápido o suficiente para desviar para o lado, ao atingir o chão o chicote deixou uma marca em toda a área tocada, mostrando que causava um dano significativo. Com a mão que controlava o chicote fez um outro movimento, dessa vez horizontal. O chicote assumiu uma forma mais fina e afiada, Joe conseguiu desviar dobrando seu corpo para trás, mas o ataque de Gabriel chegou a partir um poste de metal ao atingi-lo.
Susan não deixou a chance passar e apontou sua mão para o objeto, o jogando contra o homem, que desfez sua arma e usando a água criou uma barreira, que segurou o pedaço de metal. Ela então recuou, voltando para perto de Joseph e Joe, que também se alinhavam de frente para seus oponentes. Nenhum dano havia sido causado por nenhuma das partes ao grupo inimigo.
— Isso está sinceramente brochante. — Gabriel juntou as mãos a frente de seu corpo e as levantou.
— Agora que a diversão começa. — Adrien fez o mesmo gesto que ele, e uma parede de água irrompeu do chão. Com outro movimento, apontando apenas uma mão para frente, a água se partiu em pequenas "linhas", se comprimindo até ficarem quase invisíveis na grossura, embora mantivessem uma largura considerável, ou seja, tinham o formato de uma lâmina.
— Ah não, tá vindo, tá vindo! — Joe sabia que tipo de técnica era aquela. Consistia em comprimir a água usando o ar, a um ponto que ficasse extremamente afiada. — Merda. — Gabriel e Adrien empurraram as lâminas para frente.
Joseph foi rápido o suficiente para levantar uma barreira de grossas arvores no caminho, as lâminas direcionadas a ele cortaram a primeira com facilidade, mas pela segunda já haviam perdido sua potência antes de chegar ao fim. Liadam usou sua barreira para proteger-se, mas sentiu o impacto dos ataques, seus braços já estavam doendo por manter a barreira contra ataques tão poderoso, enquanto Joe apenas correu com sua magia para desviar delas.
Conseguiu ser mais rápido que a primeira e a segunda, mas a terceira direcionada a ele, mirada por Gabriel, havia sido propositalmente jogada um pouco a frente dele, quando correu naquela direção para desviar acabou ficando na mira perfeita do ataque, sem formas de desviar apenas se envolveu numa barreira, que acabou sendo facilmente quebrada, servindo apenas para impedir que seu corpo fosse partido ao meio pelo ataque. Ainda sentiu o impacto daquilo em seu peito.
— Isso foi tão inteligente. — Gabriel sorriu e apontou sua mão para ele. A água ao seu redor ficou estagnada no ar, e ele então fechou a mão. Dessa vez, diferente de Susan, Joe não era forte o suficiente para manter uma escudo que o protegesse.
Joseph tentou remover a água mas uma poderosa rajada de vento atirada por Adrien o impediu de se concentrar e o jogou para trás. Susan pretendia reforçar a barreira dele, mas foi pega no ataque de Adrien também, acabando por jogá-la contra uma parede.
— Não, não pode... — O rosto de Joe foi envolvido pela água e ele não conseguiu terminar de falar. Levou as mãos a garganta em busca do ar, caiu de joelhos no chão. Gabriel continuava mantendo a esfera de água envolvendo a cabeça do jovem, não parecendo exatamente afetado pela ação.
— Nada pessoal. — Foram as únicas palavras dele antes de apertar ainda mais seu punho, reforçando a pressão que a água fazia sobre o crânio de Joe.
Susan olhou ao redor, com uma intensa dor nas costas devido ao impacto. Sua visão estava um pouco turva pelo uso excessivo de seus escudos, mas não tinha tempo para esperar ela clarear. Joseph estava sendo segurado pelo poderoso vento que Adrien mantinha na direção dele, e portando não havia percebido que ela não estava desacordada ainda. Apontou seu braço para Gabriel, não tinha tempo para se concentrar em algo complexo ou atingir algum ponto vital. Com sua outra mão buscou um pequeno objeto em seu bolso, uma esfera metálica. Um pequeno botão nela fez espinhos surgirem, e então ela fechou os olhos.
A esfera desapareceu de sua mão, sangue começou a escorrer de seu nariz, e seus olhos ficaram extremamente vermelhos, em seguida ela tossiu um pouco de sangue. O pequeno objeto foi parar onde sua mão apontava, na direção de Gabriel. Precisamente, dentro de seu braço. Com um grito de dor dele, a esfera de água ao redor de Joe se desfez, e ele começou a tossir a água que havia ingerido, desesperadamente buscando respirar.
Gabriel levou a mão direita até seu braço esquerdo. Viu metade da esfera dentro de seu corpo, cravada em seu braço, a puxou para fora, apenas para sentir mais uma enorme quantia de dor que o fez gritar mais uma vez, enquanto estancava com a mão todo sangue que escorria de seu braço, já completamente ensaguentado. Sua visão estava ficando um pouco embaçada, e rapidamente ele percebeu que havia veneno naquele objeto, seu braço doía ainda mais do que antes, e ele se segurou para não gritar novamente. Uma pequena poça de sangue havia se formado no chão.
— Isso deve doer muito. Vamos, já cumprimos nossa missão por aqui, vencemos. Nessas condições eles não vão conseguir ajudar seu outro time, e Maya já está a caminho. Odiaria ver um antigo colega morrer na minha frente. — Adrien falou e deu alguns passos para trás, desfazendo o vento que segurava Joseph.
Gabriel estava definitivamente com raiva da garota, mas nessas condições não conseguiria se concentrar o suficiente para fazer qualquer coisa, e se tratando do veneno em seu corpo, cada segundo a mais com ele era mais perigoso. Junto com Adrien, correram em direções diferentes, deixando os inimigos, que nem tentaram os perseguir, para trás.
— Vocês estão bem? — Joseph era o único de certa forma ainda em bom estado, perguntando apenas por educação, sabia muito bem que não estavam. Já estava trabalhando em criar uma planta para ajudar Susan, que caiu desmaiada no chão. Um pequeno fio de sangue escorria de seu olho direito, mostrando que havia levado seu corpo ao limite para realizar aquela magia.
Joe ainda tossia, respirava ofegante. Suas mãos estavam em seu peito, e ele permanecia de joelhos. Olhou preocupado para a garota, mas Joseph, que envolveu ela com folhas da planta que fez, sinalizou que ela ficaria bem.
— Essa foi... uma experiencia e tanto... — Ele mal conseguia falar. Se levantou com dificuldade, apoiando-se na parede da rua onde estava. — Você ouviu... Maya está a caminho... temos que avisar... — Ele caiu de joelhos novamente, mas estava começando a respirar de forma mais regular.
— Calma. Se sair assim você vai morrer antes de chegar lá. — Joseph falou, cuidadosamente colocou uma folha grande sobre o rosto de Susan, ela abriu os olhos repentinamente, confusa quase atacou o jovem, mas o reconheceu.
— O que você está fazendo? Não preciso que...
— Salvando sua vida. De nada. — Joseph a impediu de levantar. — Segure isso no seu rosto, vai ajudar a restabelecer seu mana. Não esperava que pudesse fazer algo daquela magnitude.
— Eu não esperava fazer aquilo. Mas de certa forma estou responsável por vocês, então não vou deixar um aliado morrer no meu turno.
— Eu estou indo. — Joe conseguiu se levantar, agora com a respiração estabilizada. Estava fazendo alguns agachamentos para se alongar.
— Eu já te falei que...
— Se eu chegar lá sem morrer, você me deve um beijo. — Ele se agachou uma última vez, e envolvendo seu corpo em mana, saltou para cima de uma casa.
— Nem parece que quase morreu. — Joseph falou e Joe respondeu apenas balançando os ombros. Provavelmente naquele ramo, não era a primeira vez que isso acontecia. — E você parada aí. — O jovem impediu Susan de se levantar mais uma vez. Ela queria seguir Joe, mas mal conseguia fazer força para levantar.
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