Magic Insurgence: The Rift - Interativa
5 The First Battle - II
Notas iniciais
Edward sentiu algo penetrar seu corpo, após a barreira de gelo que fez se estilhaçar. Primeiro era frio, depois sentiu esquentar e suas roupas molhadas. Olhou para o lado, enquanto levava a mão até a cintura, no local atingido. Sentiu o cabo da faca, tamanha profundidade do corte. Viu o homem moreno ao seu lado, da mesma idade que a sua. Porém parecia alguém muito mais perigoso, apenas pelo olhar. Estava claramente focado em matar Edward.
— Não, Kamau, não é pra matar... — Mirai não conseguiu terminar sua frase. Kamau puxou a faca de volta, e uma enorme quantia de sangue começava a manchar a camisa de Edward.
— Morra, desgraçado! — Kamau levantou a faca, pronto para aplicar um golpe no pescoço do Grande Mestre. Teria atingido se a própria Mirai não o tivesse puxado com uma rajada de vento para a direção dela.
— Você enlouqueceu?! — Ela gritou sem perceber. O olhar que Kamau deu para ela a fez sentir um frio na barriga. Não era aquele jovem educado que estava ali, e sim um assassino. Não poderia enfrentá-lo naquela situação também, já que os oponentes não esperariam eles se resolverem.
Daedalus se preparava para invocar algo, fechou os olhos e começou a murmurar uma série de encantamentos em grego. Liadam se voltou para Edward, agora caído no chão. Podia curá-lo com sua magia temporal, mas teria que se aproximar de Kamau e Mirai para isso. Valia a pena arriscar sua vida por ele? Ela avançou, pensando em ajudar o jovem. Mas algo em sua cabeça a impediu. "Ele é irmão da Maya. A mulher que matou seus pais. É justo que ele morra aqui e ela sinta sua dor". Liadam não conseguiu dar um passo a mais, olhando para o corpo de seu aliado no chão.
A essa altura, Sabrina e Anne já haviam voltado para perto de Mirai. Dois contra três e um Caçador louco certamente não era uma boa combinação. Kamau estava com uma mão no rosto, enquanto seu braço que segurava a faca tremia um pouco.
Eles iam avançar de qualquer jeito, mas um grito distante de Joe impediu isso. Saltou por cima das árvores e mal caiu, já começou a falar.
— Vamos... sair daqui. — Ele disse ofegante, enquanto se apoiava numa caixa. — Maya está vindo... VOCÊS FERIRAM O EDWARD? — Ele gritou ao ver o corpo do jovem no chão. Olhou para o grupo, incrédulo.
— Não foi... — Kamau começou a se justificar, mas Sabrina o impediu.
— Nós não vamos fugir. Eu não vou. — Estava convicta. Seus olhos brilhavam olhando para seus dois oponentes. Por ela, lutava sozinha contra os dois, e contra quem mais estivesse a caminho.
— Espera. Espera, podemos levar ele e usar como barganha. — Anne olhava para o corpo do inimigo, ainda no chão. Daedalus e Liadam permaneciam parados, a distância. Nenhum dos dois podia fazer nada realmente, se tentassem avançar para salvar o aliado, seriam bombardeados. — Vocês, não se mexam! — Ela apontou sua arma para a cabeça de Edward, mas olhava para os dois inimigos. — Não vamos ferir mais ninguém se não derem motivos.
Liadam não hesitou. Levantou seus braços e recuou, enquanto Daedalus analisava a situação mais um momento. Era a melhor decisão no momento, e que provavelmente sairia sem ninguém ferido, sem contar que eles não deixariam Edward morrer.
— Muito bem, Sabrina. — Anne olhou para ela e depois para o corpo, ela revirou os olhos, decepcionada com o desenrolar da situação, mas ela não era estúpida. Pegou Edward com facilidade em seus braços, e com uma mão envolveu o ferimento dele, ativando uma magia para estancar o sangramento, não que adiantasse muito, já que seus braços acabaram completamente encharcados.
— Vocês gostariam de se apressar um pouco, madames? — Joe colocou as mãos na cintura, em uma pose exageradamente impaciente. Era quase perturbador como ele se mantinha bem humorado naquela situação. — Você vem com a gente. Não vai botar o pé fora da confusão que fez. — Ele olhou para Kamau, que não respondeu, mas pelo rosto de culpa, ele estaria disposto a ajudar sim.
Mirai abriu um caminho entre as árvores, enquanto os quatro saíam sem qualquer perseguição. Ao menos visível para eles, não tendo nenhum mago espiritual entre o grupo, era fácil para Daedalus mandar um espectro atrás deles, e mandou, em forma de uma coruja.
— Eu não sei se chamo isso de sucesso ou falha... — Daedalus pensava na situação. Haviam protegido o objeto, claro, mas a que custo? Em posse de um dos Grandes Mestres, a Insurgência podia fazer muita coisa, sem contar tudo que podiam conseguir dele, usando métodos menos humanos...
— Como a gente vai explicar isso pra... — As árvores ao redor começavam a cair e se decompor rapidamente, até desaparecer no chão. A magia de Edward havia sido feita para não deixar traços, e desaparecer assim que...
— O que aconteceu? — A mulher de quarenta anos entrou no campo de batalha olhando ao redor. Seu primeiro olhar foi para a caixa, que estava segura atrás dos dois jovens. Maya era uma mulher loira e alta, com um cabelo curto e liso, a parte mais longa sendo a franja que caia sobre a testa, e uma mecha longa até o queixo. Seus olhos azuis eram brilhantes, realçados pela sua pele clara. Usava apenas um vestido preto e sapatos da mesma cor.
Liadam sentiu aquela raiva tomar conta dela, mas a segurou dentro de si. Levantou-se imóvel, na pose de respeito a Grandes Mestres.
— Onde está Edward, preciso falar com ele sobre algo. Rápido. — Maya dirigiu seu olhar a Liadam, que apenas baixou sua cabeça. Daedalus respirou fundo, não sabia exatamente como dar a notícia a ela.
— Edward foi levado... pelos Insurgentes. — Ele reportou o acontecimento e rapidamente virou o rosto, esperando uma explosão da mulher. Ela apenas ficou em silêncio, olhando ao redor. A esse momento Adrien já havia chegado com uma equipe, e eles estavam retirando os corpos do local. Ele atirou um cigarro para a mulher, que o pegou ainda no ar, já aceso ela simplesmente começou a fumar.
— Como aconteceu, ele está ferido? — Ela perguntou após o longo minuto de silêncio que pareceu horas para os dois jovens.
— Ele foi ferido por um Caçador... Eu mandei um espírito atrás deles, acho que em breve saberemos para onde o levaram. — Daedalus mantinha sua calma, mesmo inseguro diante das reações que Maya poderia ter.
— Muito bem. Foi um bom movimento. — Ela disse e deu as costas para os dois, continuando a fumar silenciosamente. A essa hora o sol já começava a nascer, e ela apenas ficou olhando para a direção dele.
Adrien se aproximou e ficou quieto ao lado dela também por alguns minutos, após seu cigarro acabar, ela suspirou uma última vez e se virou para o homem.
— Contate a Sociedade. Chame Christen Pendragon, diga que está na hora de saciar a sede de sangue dele. Arrume alguns Caçadores, e fale com aquelas duas crianças. Um deles sabe onde meu irmão está, vamos matar todos envolvidos nisso.
— Não querendo me meter, mas já fazendo isso. Tem certeza que deve chamar essa quantia de forças para lutar contra eles? — Adrien cruzou os braços atrás das costas, conhecia a mulher bem o suficiente para saber que por mais calma que estivesse parecendo, estava fervendo pela fúria de saber que haviam ferido Edward, o último membro de sua família.
— Eles não vão tirar mais ninguém de mim. Meus pais, meus irmãos. Meu marido... droga, você sabe, até meu filho... eles mataram todos. — Maya não demonstrava fisicamente seu ódio, mas Adrien sabia o que ela estava sentindo. Lembrava do lendário ataque da Insurgência ao castelo da família Nigetlam na Europa. Faziam alguns anos já, o único filho de Maya havia sido assassinado na sua frente. Quando percebeu o que estava acontecendo, já era tarde. Não havia mais ninguém vivo na casa. Ela perseguiu e matou cada um dos duzentos envolvidos no ataque naquela mesma noite. Enquanto empilhava corpos ensaguentados no campo de batalha, ninguém viu a primeira e provável última vez que ela chorou
— Entendo. Vou providenciar tudo até o anoitecer. Vamos salvar Edward. — Adrien sinalizou para membros da Sociedade se aproximarem, e foi os encontrar para realizar os pedidos de Maya.
Daedalus e Liadam estavam sendo inspecionados por outros magos, que os deixaram após não encontrar nenhum ferimento significativo em seus corpos. Liadam apenas sentou-se no chão, revendo os acontecimentos da noite.
— Porque não ajudou ele? — Daedalus repentinamente falou. Permanecia de pé, e quando a mulher olhou para ele, seus olhos estavam fixados nela.
— Como assim...? — Liadam impersonificou a garota distraída, que havia deixado fugir graças a raiva que sentiu ao ver Maya.
— É óbvio que você poderia buscar Edward naquele momento, vi você andar, mas repentinamente parou. Foi quando eles começaram a agir.
— Não sei do que você está falando... acho que se engano...
— Eu sei bem o que eu vi. Seja lá qual seu problema com a Sociedade, sugiro que não descarregue em pessoas que não são culpadas por eles. — Daedalus não falou com tom agressivo, embora a escolha de palavras fosse. Liadam não respondeu, mas ficou com as palavras dele em mente.
Maya chamou Daedalus, antes que ele pudesse falar qualquer coisa a mais para a mulher. A deixou pensando sozinha, enquanto se preparava para ouvir o que Maya falaria para ele, não sabendo o que esperar dela.
— Você é Daedalus Glaukopis, certo? — Ela fez a pergunta figurativamente, pela ficha em sua mão, sabia exatamente quem ele era. — Estou lhe dando uma ordem, como sua superior na hierarquia. Não aceito questões e desobediências, então vou falar isso apenas uma vez. Se. Afaste. De. Edward.
Daedalus foi pego de surpresa pelas palavras dela, e embora fosse responder de acordo, era com Maya Nigetlam que estava falando. Se a fama dela a precedesse, o executaria por levantar a voz.
— Não acho que esteja na sua jurisdição dar esse tipo de ordem. Ainda mais, que teoricamente não sou seu subordinado ainda. — Ele respondeu, tentando soar o menos rude possível, mas não deu muito certo.
— Talvez você me entendeu errado. Não tenho problemas com seja-lá-o-que vocês gostam de fazer. Não aprovo, mas o mundo não gira ao meu redor. Edward é o último membro fértil da nossa família. Eu quero vê-lo feliz, tanto quanto quero que nossa linhagem continue. São os únicos sonhos que me restam, então até ele ter um filho, você não vai chegar perto dele. Após isso, não me importo. Seja o amante dele, sei lá. Mas nossa família não vai acabar.
Daedalus não respondeu. Apenas a olhava diretamente nos olhos, a mulher não parecia estar falando aquilo por preconceito, e estava genuinamente preocupada com a continuação de seu nome. De qualquer forma, não podia desobedecer abertamente ela, apenas o que falou já era um desafio, que felizmente ela aceitou bem.
* * *
Joseph e Susan receberam o grupo na porta do Wonder Black. Anne quase arrombou a porta, mas pensar no gasto a impediu. Assim que viram Sabrina carregando um corpo ensanguentado, não perderam tempo em juntar duas mesas para o colocar em cima.
— Ele está branco, quanto sangue vocês deixaram ele perder? — Joseph colocou a mão no pulso do homem, sentiu uma fraca e lenta pulsação. — Todo mundo com magia temporal, concentrem em reparar o interior do corpo dele. Uma parte do intestino foi dilacerada. Se não queriam matar ele, porquê feriram tão profundamente?
Kamau apenas baixou a cabeça, vendo os olhares de Mirai, Sabrina e Joe direcionados a ele.
— Vocês estão completamente loucos?! — Susan gritou, sentiu uma pontada em seu corpo, ainda não estava completamente recuperada do combate, mas não conseguiu se segurar. — Trouxeram um Grande Mestre direto pro nosso esconderijo? Se queriam morrer podiam ter se suicidado de uma forma mais rápida! Vamos sumir com ele, agora.
— Ninguém vai fazer nada. — Sabrina cruzou o caminho de Susan, a encarando. A jovem não pereceu nem um pouco intimidada e a encarou de volta.
— Não sei se vocês sabem, mas eu que estou responsável por vocês, então acho melhor...
— É uma missão solo. Então sabe que nós estamos completamente livres para tomarmos a porra da decisão que bem entendermos. — Sabrina se aproximou ainda mais dela, agora o rosto das duas estava separado por centímetros de tensão.
— Calma, minions. — Joe entrou para separá-las, mas foi fuzilado por olhares violentos. — Meu Deus. — Ele deu as costas imediatamente voltando a ajudar Anne com Edward.
Mirai e Joseph apontavam as mãos para uma pequena planta, a infundindo com mana. Depois de alguns segundos ele arrancou as folhas e as pressionou contra o ferimento de Edward, onde Anne e Joe apontavam as mãos usando magia temporal
— Se isso não salvar ele, matamos Edward Nigetlam. — Joseph segurava as plantas na cintura dele, e suas palavras certamente não eram reconfortantes.
As próximas horas passaram rapidamente, enquanto todos revezavam em turnos cuidando de Edward, que não parecia melhorar muito, mas ao menos não piorou. Mirai estava limpando o sangue do local, antes que alguém vomitasse olhando para aquilo, embora pela naturalidade dos outros, ela era a candidata mais provável.
Susan se isolou do grupo no andar de baixo, enquanto o resto estava no quarto de cima. Mirai se recusava a pensar no estado em que ela deveria estar após fazer o que disseram que a jovem fez, mas não havia motivos pra ela reagir daquela forma. Kamau ainda estava quieto do lado oposto ao de Susan, ouvindo música em seus fones.
— Acho que deveria pegar um pouco mais leve com eles...
— Não. Um líder não deve falhar em sua autoridade. — Susan falava séria, olhos fixos na paisagem do lado de fora do local, através das frestas da cortina. Sua cabeça latejava continuamente, e ela sentia vontade de arranca-lá fora pela dor, se isso fizesse doer menos.
— Não entendo muito sobre liderar, mas um líder também tem que saber ouvir seus subordinados, não...?
— Você começa a frase dizendo que não sabe como liderar, e depois a segue sugerindo como um líder deve agir...? — Susan arqueou a sobrancelha enquanto olhava para Mirai. A mulher abriu a boca para falar algo, mas se encontrou sem palavras.
— Eu vou ali... varrer. — Ela virou as costas e pegou a vassoura escorada na parede, mas viu que o chão já estava mais que limpo.
Resolveu ir puxar conversa com Kamau, que ignorou os dois primeiros chamados dela. O terceiro foi quase um grito, que ele finalmente ouviu.
— Olá. Foi mal, estava com o volume alto. — Ele respondeu retirando os fones de ouvido e os largando sobre a mesa. — E também acho que devo um pedido de desculpas pelo que aconteceu antes...
— Bom... sem dúvidas foi complicado lidar com a situação, mas no fim deu tudo certo. Certo é um pouco demais... mas tenho minha parcela de culpa na situação... — Mirai se sentou perto dele, realmente se sentia culpado pelos acontecimentos, mesmo que não tivesse participado da maioria diretamente.
— Que nada. Foi tudo culpa minha. Mas como costumam dizer, tudo está bem quando acaba bem. Mesmo que não tenha acabado bem... — Ele sorriu de forma gentil para a mulher. Mirai estava quase esquecendo que era possível pessoas sorrirem graças a tudo que aconteceu na noite passada e o clima durante o dia.
Ela permaneceu conversando com o homem por alguns minutos ainda, Kamau parecia ser de longe a pessoa mais social que aquele grupo havia encontrado, de certa forma se acertou bem com ele, e conseguia manter uma conversa sem se sentir atacada por cães. Era um bom ponto naquele ambiente.
Enquanto isso, no quarto acima deles, Edward estava deitado na cama que era de Mirai, dessa vez Joe estava apontando suas mãos para o ferimento dele, usando magia temporal continuamente para curá-lo. Já estava com o machucado fechado, mas uma enorme cicatriz permanecia na lateral um pouco acima de sua cintura.
O homem abriu os olhos lentamente, e respirou fundo. Sentiu uma pontada forte no local perfurado e quase gritou de dor, mas se conteve. Anne imediatamente apontou sua arma para ele, enquanto Sabrina e Joseph o olhavam desconfiados.
— Que recepção... — Ele tentou falar, mas o mero ato lhe causava mais dores. Também fez menção de levantar a cabeça, mas não conseguiu.
— Bom dia, adormecido. Agora você é nosso refém. — Joe falou, sem se desconcentrar de curar o ferimento do outro.
— Realmente estamos com Edward Nigetlam no nosso quarto. Uau. — Joseph não escondia como estava surpreso com a situação toda. Um dos líderes da organização que buscavam derrotar, estava ali, deitado na cama deles.
— Que filmão daria entre nós, né? — Joe trocou olhares com Joseph e Edward, que não entenderam bem o que ele queria dizer. — Deixa quieto. Olha, um sapato.
— Então o que a gente faz com ele? — Sabrina estava de braços cruzados, escorada na porta. Olhava com certo desprezo o Grande Mestre, não conseguia evitar demonstrar seus sentimentos por gente como ele.
— Tenho algumas ideias... se é que...
— Joe. Por favor se controle. — Anne chamou a atenção dele, que quase começou a rir. A seriedade de todos na sala o impediu. — Não se mexa. — A mínima menção de movimento provocou a reação da mulher, que balançou a arma para lembrá-lo dos riscos que corria.
— Por favor... Eu não consigo nem me mexer... — Edward gemeu as palavras, enquanto tentava não perder a consciência novamente.
— Ele não parece ter más intenções. — Joseph disse, sentindo a aura do homem. Sua leitura indicava que não havia agitações no mana dele, nem nada do tipo. Mas sendo um Grande Mestre, seria fácil pra ele disfarçar...
— Vamos deixar ele livre. Se fizer qualquer coisa suspeita a gente quebra sua cara. — Sabrina interviu na discussão que ia eventualmente começar sobre o futuro de Edward Nigetlam naquele quarto. Diplomática como apenas ela sabia ser, a mulher fez até Anne abaixar a arma.
— Agradeço pela confiança... — Edward ainda se esforçava para falar. Os quatro que o cuidavam pareceram surpresos pela forma como ele falou com eles, mas aquilo apenas aumentava sua desconfiança em relação ao Grande Mestre. Ninguém da Sociedade, ainda mais daquele ranque, falaria assim.
* * *
Gabriel estava removendo a faixa de seu braço, uma cicatriz chamativa ocupava a parte superior na altura do cotovelo. A Caçadora que cuidava dele, Sylvana Karimanya, era uma mulher muito bonita, ao menos ao padrão que ele achava isso. Como disse a ela, se fosse para ser cuidado por ela, não se importava de se ferir com mais frequência. A mulher apenas apertou a faixa com força suficiente para cortar a circulação de sangue de seus dedos e ele respondeu com um sorriso debochado.
— Deveria se cuidar mais. Metade do seu pagamento foi gasta no tratamento de seu ferimento, Gabriel Borgia. — Sylvana pegou o braço dele de forma indelicada e apalpou a cicatriz. — Não vai romper. Você enfrentou um mago muito poderoso.
— Se eu soubesse. A garota era uma criança. Nem eu acreditei quando os espinhos apareceram no meu braço. — Gabriel olhava de canto para Sylvana, observando o corpo dela, nem era discretamente, queria que ela percebesse. Mas como esperado, os magos de suporte dos Caçadores eram praticamente robôs em trabalho.
Ele estava em um local que não era exatamente dos Caçadores, e sim da Sociedade. Era um grande casarão na parte mais nobre da cidade, que servia como uma pequena base conjunta das duas organizações. O local tinha como fachada um museu que ninguém visitava por ser sobre artefatos mágicos. Ironicamente, nenhum deles era realmente mágico mesmo que cem magos frequentassem o local.
Sylvanas pegou a faixa ensanguentada que Gabriel deixou sobre a mesa e colocou em uma pequena caixa junto com as outras. O local que estava era pequeno, um quarto simples nos andares superiores. Apenas uma beliche, cadeiras, mesa e um armário estavam naquela sala. Os padrões indicavam que aquele quarto realmente era dedicado a Caçadores.
— Se sentir dores ou algo estranho, mande chamar alguém. — A mulher disse e se dirigiu a porta. Assim que abriu, se deparou com um homem que imediatamente reconheceu ser da Sociedade. E classe alta, indicado pela nomeação em sua camisa branca. Os longos e ondulados cabelos castanhos ainda pareciam indicar que não era qualquer um. Sylvana não prestou nenhum gesto de respeito ou algo do tipo, simplesmente ia passar diretamente pelo homem, que sinalizou para ela voltar para dentro.
— Gabriel Borgia. Já esta recuperado? — O homem falou, fechando a porta atrás dele com apenas um gesto de mão. Em sua outra mão, um envelope fechado.
— Depende o preço. — Gabriel respondeu, colocando um casaco negro que escondia seu ferimento.
— O dobro da última missão. É para Maya dessa vez, mas está diretamente ligado ao grupo que enfrentou na anterior. Joseph, Joe, e Susan. — Ao falar o último nome, o homem deu um sorriso enquanto seus olhos focavam no local onde Gabriel havia sido ferido.
— Sempre bem informado, Gyulian. Agora porque me pediu para ficar? — Sylvanas se escorou na parede e cruzou os braços, esperando uma resposta.
— Faz tempo que não faz um trabalho de campo. Deve estar enferrujada, vamos fazer algo. A linha de frente vai precisar de suporte, já que é algo de escala média. Vai ser divertido.
Gyulian disse e jogou o envelope sobre a mesa na frente de Gabriel, e depois deu as costas sem falar mais nada, desaparecendo nos corredorres do local. O homem pegou o envelope e abriu. Vários documentos contendo informações e fotos de quem estavam indo matar, seus olhos pararam para contemplar a de Susan, que ele suspirou aliviado ao confirmar que ela tinha ao menos quinze anos, e isso sigificava que sua moral permitia matar ela. Não era vingativo, mas agora era uma questão de honra, em tempo ele seria conhecido entre os Caçadores como o cara que apanhou de uma adolescente. Seus olhos pararam também na ficha de Sabrina, que não apenas achou muito bonita, mas ela tinha um filho. Essa ele não poderia matar, felizmente seu cabelo chamativo a faria fácil de identificar.
— Você vai ir? — Ele insinou jogar o envelope para Sylvana, que recusou.
— Vou, mas prefiro não saber quem tenho que matar.
Agora além da revanche com a pirralha, ele estaria acompanhado de uma linda mulher. Sem contar o pagamento generoso. Para ele, o paraíso.
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