Magic.

2 Welcome To The Magic City.


Notas iniciais
Oi, dia 26 aqui. Lembrando que os capítulos serão postados uma vez a cada mês, nessa mesma data. Boa Leitura.

Ó indomável destino,

Faça de mim

Aquele que escala

Montanhas e picos

Do alto ao baixo

Faça de mim

Aquele que voa

Entre correntes

Sob as mais belas

Asas

Liberta-me,

Ó, indomável destino

Para que eu possa

Longe de obscuridade

Sem ecos

Sem uivos

Para que eu possa,

Ó, indomável destino

Ver o sol nascer

Novamente.

Jack, O Temível.

Buraco do Dragão.



Um pingo. Sinto cada parte do meu corpo gelar, do maior espinho à menor das escamas, há, no entanto, outras dezenas de pingos, que fazem com que sinta calafrios, de novo e de novo, até que eu resolva finalmente abrir os olhos, pela primeira vez em dois meses.

Noto, então, que tem algo errado, errado nos padrões errados, talvez, fora do comum.

Há, lá no céu, muito acima de mim, uma luz, minha primeira luz em seis anos.

É cinzenta, não consigo ver direito.

Pequenas gotículas caem nos meus olhos recém abertos, sacudo a cabeça.

Era inverno, não conseguia ouvir as folhas balançando lá fora, também não conseguia ouvir os animais. Normalmente eu hibernava, mas com o tempo, fui perdendo o sono, passei os últimos dias capturando detalhes, detalhes de mim mesmo, detalhes das paredes de pedra daquela prisão, detalhes de qualquer coisa que eu conseguisse enxergar.

Sempre pensei que nesse mundo havia razão para tudo, como o porque de eu estar trancado ali, ou o fato de eu ser um dragão de gelo e fogo, enquanto não havia nem gelo, nem fogo, na minha ancestralidade.

Minha mãe sempre dissera, que devia aceitar as coisas, devia esperar, devia me contentar, e apenas quando estivesse realmente decidido eu deveria lutar para mudar as coisas.

Layla, A Fúria, era o dragão mais rápido de todo o continente, um dragão de eletricidade, daqueles que atraíam raios que explodiam montanhas, daqueles que rugiam descargas elétricas, daqueles que voavam mais rápido que a luz.

Layla, A Fúria, era minha mãe.

Ragnarok, O Estripador, era o dragão mais violento da história, um dragão de terra, daqueles com dentes para perfurar e estripar, daqueles com garras longas e afiadíssimas, daqueles que criavam terremotos poderosos o bastante para destruir um país todo, daqueles que rugiam chamando a terra, temíveis e os mais fortes.

Ragnarok, O Estripador, era meu pai.

Fui concebido por pura aventura, dragões não são assim tão frequentes de se ver, e ambos, meu pai e minha mãe, nunca haviam nem visto um ovo, eram jovens e destrutivos, e, pela primeira vez, quiseram construir algo.

Tinha dez anos na ultima vez que os vira, a minha total certeza é de que meu pai tenha passado todo esse tempo destruindo coisas como um maníaco, e que minha mãe devia ter me procurado por aí.

Com o tempo… Devem ter desistido, afinal, até eu mesmo tinha desistido.

As minhas asas se levantaram involuntariamente, sem nem perceber, já voava à toda velocidade na direção daquele pedacinho de céu.

Não era do tamanho do meu corpo, mas minha euforia era tanta que ultrapassei o buraco, alarguei as bordas e arranquei pedras e finalmente estava lá fora.

Fora da minha caverna.

Olhei em volta na tentativa de descobrir onde estava, as árvores estavam sem folhes, era inverno, não havia um único animal fora da toca.

Cansado de tentar desvendar algo no qual eu não seria capaz, simplesmente voei, voei para o oeste, para além das montanhas sobre as quais me contavam histórias quando menor.

Parei a algumas centenas de metros da primeira vila que encontrei, eu um dragão, não devia ir entrando em vilas por aí, mas não me importava, se tinha uma coisa de que eu necessitava era de informação, e eu ia conseguir.

Mas para isso eu precisava daquilo que tanto me causara dor de cabeça na infância.

Magia.

Minha magia nunca fora lá essas coisas, eu era um dragão, logo, nascera uma criatura mágica e tinha controle do que fazia, mas o meu controle funcionava somente na hora de destruir coisas.

Era ruim em transformar coisas, como faziam os magos normais, mas se havia uma coisa que eu conseguia transformar era a mim mesmo, o que era perfeito, nada mais do que eu precisava.

Foquei num corpo humano, em cada fibra, célula e neurônio, cada atividade, cada característica.

Meu corpo diminuiu, minhas escamas fundiram-se, tornaram-se macias, vuneráveis, não havia mais nada afiado, mais nada que servia para me proteger, de qualquer forma eu ainda era um dragão, mesmo naquela forma podia congelar e fritar as coisas com um sopro de fogo ou gelo.

O corpo nu no meio da floresta movimentou-se lenta e despreocupadamente, suspirou irritado por ter de arrumar algum tipo de veste.

Achou um folha macia no chão, suspirou e concentrou-se, a folha foi, devagarinho, transformando-se em uma camiseta, fez, outras vezes com outras folhas até estar totalmente vestido, a calça, no entanto, estava muito curta e acabou virando uma bermuda, não se importou muito.

Andou descontraído até achar uma estrada, o asfalto estava coberto de neve e ele não gostou muito da ideia de ter que andar por ali, acabou cedendo, alguns minutos depois estancou ao ver a superficie de metal pintada em verde com escritos em branco, fez algum esforço para lembrar das letras e por fim conseguiu entender o que via.

BEM VINDO A DAYNS.

(...)

Holly, A Inconstante.

Em Viagem.

Ivan prometera-lhe mostrar um mundo mágico, mas tudo o que vira por horas foram apenas a cidade, árvores e a brilhante e nervosa visão do aeroporto.

Não se importou de estar indo a um lugar qualquer de avião com o homem de azul e preto, afinal, ele era conhecido da diretora Matilda, e a diretora Matilda podia ser o que fosse, mas nunca deixaria uma de suas meninas com alguém que não fosse confiável, era a reputação dela em jogo.

Em algum momento entre a chegada no aeroporto e o embarque, Holly viu-se cochilando, e quando acordou já estava no avião, com Ivan sentado a seu lado de modo desajeitado assistindo a um filme qualquer pelo qual ela não se viu nem um pouco interessada.

Quando pousaram, ela, ainda que meio perdida, apenas deixou-se ser guiada para seja lá onde que Ivan estivesse indo, sentiu-se um tanto nervosa, não podia negar, pensando logicamente não era lá muito normal um homem tão portado dizer que tinha vindo buscá-la, afinal, já tinha se acostumado com a ideia de viver mais três anos no orfanato e então ter que procurar algum lugar para ficar e um emprego, ter que se virar sozinha nunca a desagradou, na verdade ela até mesmo esperava ansiosamente o momento em que o tal tempo viesse.

Mas teve de ir embora antes, junto do homem vestido de modo recatado que diante dela parecia ser intimidador e instigador ao mesmo tempo, Holly não era lá uma santa, ela era tão curiosa que estava na lista negra do orfanato, eram todos cuidadosos com qualquer tipo de coisas que não devesse ser dito, pois se alguém deixasse algo escapar ela descobriria com toda certeza, por esse exato motivo ela se sentia tremendamente inquieta, o fato de que cada palavra que saía da boca de Ivan apenas servia para deixá-la mais afundada em sua incógnita, o fato de não saber dizer direito quem era aquele homem e o sentimento de lar e nostalgia que sentia ao ficar perto dele, tudo isso servia apenas para deixá-la mais e mais confusa e curiosa.

Respirou fundo e resolveu que estava na hora de fazer perguntas.

–Ivan. — Chamou, a voz mais confiante do que ela pesava que seria. — Onde estamos indo?

A pergunta pareceu chamar a atenção de Ivan, quando este olhou para minha cara irritada sorriu e imediatamente me entregou uma folhinha.

–É onde você vai ficar. — Ele lhe encarou amigavelmente, embora não soubesse se o sorriso era genuíno.- Também já morei nesse lugar por um tempo, se for sortuda pode até mesmo conseguir um lugar na academia de magia, depende só do seu poder.

Bufou em descrença, como se fosse acreditar em qualquer palavra absurda que alguém dissesse por aí.

– Ivan, sabe é que meio aleatório essas suas palavras, diz tanto de coisas que toda minha vida disseram-me não existir, porque raios devia acreditar em ti?- Ele sorriu, quem carregava sua maleta era ele, mas não parecia incomodado, Ivan parecia feliz de tê-la por perto, embora Holly fizesse tantas indagações irritantes.

– Porque sabe tanto quanto eu que tudo o que lhe digo é verdade. — Embora ele parecesse confiante tudo o que ela fez foi rir e negar com a cabeça em quanto caminhava junto dele.

Por fim voltou sua atenção para o papel que o homem havia lhe entregado.

Dizia em grandes letras sublinhadas.

APROVEITE SUAS FÉRIAS EM GRANDE ESTILO.

VENHA ESTUDAR EM NOSSA ACADEMIA.

VENHA PARA DAYNS.

(...)

Candy, A Destruidora.

Floresta dos Temores.

Fazia, alguns anos que ela estivera ali, sentada na mesma posição, dentro da mesma cela de árvore guia, tentada a escapar, mas faltava-lhe a imprudência.

Tinha, também, o fato de que quem lhe colocara ali fora a sua própria mãe, sua mãe era total e completamente louca, tinha na cabeça a ideia de que devia ser total e completamente onisciente, não se importava e não tinha nenhuma vontade de ajudá-la, ela era lunática e não tinha amor por nada, não gostava dela e nem ao menos lhe dera um nome.

Fora o que pensara pela maior parte da sua vida, que não tinha um nome porque sua mãe não se importava com ela, até descobrir que isso acontecia com todas as Elementais, elas não recebiam nenhum nome, até que causassem seu primeiro incidente.

Fora por culpa dele que ela estava ali, um incidente era o primeiro manifestar da magia interior de uma Elemental, algumas manifestavam magias benéficas e pouco relevantes, outras manifestavam magias tão obscuras que eram confinavam por meses, ou até mesmo anos dento de celas da árvore guia, seu poder era um poderoso o bastante para destruir uma vila inteira, ela sabia, porque foi o que fizera, fora um pequeno espirro, e toda a vila de Darryn desaparecera, no lugar, apenas a mais fina poeira, e quando entrou em desespero enterrando as mãos na terra e gritando a cidade reapareceu, muito embora os habitantes tivessem simplesmente ido embora, para todo o sempre.

Fora a primeira vez na vida que recebera algum tipo de afeto de sua mãe, ela sorriu totalmente animada e pegou-lhe pelo rosto e com os olhos cheios de lágrimas abraçou-lhe dizendo-se orgulhosa, orgulhosa pelo que ela fizera, orgulhosa por ela, que ela matara dezenas ou centenas de pessoas com apenas um espirro, orgulhosa por ela, que transformara a cidade vizinha numa cidade fantasma, dissera-lhe que sua habilidade era o doce que faltava em sua vida, daí então nascera o nome Candy.

As anciãs temiam-na, colocaram a menina dentro da mais forte cela de árvore guia, ela foi de bom grado, temendo a si mesmo como nunca fizera com ninguém, conforme foram passando os anos, ela foi sabendo se controlar, como destruir, e como restaurar, não fazia diferença na hora de destruir, mas na hora de restaurar o orgânico era terrivelmente difícil, fazia com lagartixas no começo, fazendo com que suas caudas crescessem mais rápido do que o normal, e dois anos depois conseguia fazer com que membros não regenerativos dos mais diferente animais nascessem sem nenhum tipo de efeito negativo, mas também havia a raiva, quando sentia muita raiva as coisas saiam do controle, as Elementais que também tinha algum indício de poderes sombrios tinham o eterno medo dela, quando tinha seus indescritíveis ataques de raiva destruía tudo num raio de dois quilômetros, entravam em desespero e tinham medo de serem desintegradas, como todas as outras coisas.

Estava cansada daquele lugar, fazia onze anos que estava naquela cela de grades retorcidas que tinha nada mais que dois metros cúbicos, não tinha a necessidade de comer ou beber, mas sentia a falta, sua mãe, Verdana, que por mais que buscasse poder, sempre fazia uma caneca de café com leite para ela no final do dia, assava-lhe pãezinhos e biscoitos e, por mais que não se dessem muito bem, sentavam todos os dias no meio de tarde para conversar sobre coisas aleatórias, sentia falta da mãe e de seus biscoitos torrados, sentia falta da casa delas que fora feita pela mãe, uma Elemental que transformava, dentro de uma enorme árvore centenária, era aconchegante e tudo era vivo, sentia falta de ir visitar o pai no inverno, Gan, ele era branco, como a neve que vinha naquela época, e tinha os cabelos mais negros do que a noite mais escura, os olhos como as mais brilhantes ônix e o porte do mais atlético dos esportistas, o fato de vê-lo apenas no inverno era dito pela sua mãe todas as vezes que iam até a clareira encontrá-lo. “Seu pai é um homem do frio, e os homens do frio só podem vir no inverno.” Dizia ela, não fazia sentido, mas para Candy nada nunca fizera sentido.

Foi tirada dos seus devaneios pela mais velha das anciãs, ela devia ter alguns três mil anos, muito embora tivesse a aparência de uma jovem de vinte anos.

– Chegou a Hora. — Ela disse, não tinha entusiasmo na voz, mas carregava um tremendo carinho. — Está na hora de sair desta cela, e voltar para Dayns, onde é o teu lar.

Notas finais
Boa noite. Obrigado a aqueles que acompanharam e esperaram pacientemente. E um feliz natal a todos. Feliz Natal, Mila. Mira.