Magic.

3 Keep Going.


Notas iniciais
Hã, hoje não é dia vinte e seis... E a explicação sobre eu não ter postado no dia certo é bem simples na verdade. Eu esqueci. Não que eu esqueci de escrever, ou de que eu devia postá-la logo, eu esqueci que dia que era dia 26, e agora já é dia primeiro e eu vou postar agora porque é quando deu. Beleza? Ok, boa leitura.

Candy, A Criança da Neve.

A pior parte de ser quem eu sou é estar ciente de que sou apenas uma bomba relógio, pronta para explodir e levar tudo aos ares.

Ser um Elemental é algo que deveríamos chamar de infortúnio.

Um Elemental nasce quando uma criatura dos elementos, como nínfas ou naiades, se envolvem com criaturas das trevas, ou mesmo Elementais.

O meu caso foi mais do que especial, minha mãe, uma Elemental, meu pai, um Elurin — que é uma criatura das trevas.

Elementais tendem a ser extremamente bipolares, sofrem muitas mudanças radicais de personalidade em um tempo exorbitantemente curto, o que faz com que saiamos de controle e, normalmente, soltemos uma enorme quantidade de magia.

É isso o que chamamos de incidente.

Alguns de nós tem magias que causam coisas boas, como crescimento desenfreado de flora, mas alguns casos mais raros — na maioria das vezes Elementais com algum dos parentes sendo uma criatura das trevas — causam incidentes desastrosos, alguns envenenam as plantas, outros matam os pássaros.

No meu caso eu fiz com que uma vila inteira desaparecesse, e matei todos os seus habitantes.

O incidente de minha mãe foi parecido.

Transformou uma floresta inteira em nada mais do que areia.

É o primeiro incidente que decide toda a sua vida.

Aqueles cujo o incidente é benéfico, são deixados livres, mas aqueles cujo incidente é maléfico são cativos em uma prisão especial, deixados ali para que aprendam a controlar propriamente os seus poderes, e você só sai dessa prisão quando não oferece mais risco de que um segundo incidente ocorra.

Quando se é como eu, ele normalmente ocorre.

Veja, minha mãe já estava no centésimo terceiro incidente.

A prisão é, na verdade, uma árvore, cuja madeira serve como inibidor, impede que nosso poder saia de dentro da árvore, que é oca e tem cerca de 2 metros cúbicos, e que pode ser aberta apenas por fora, as chamamos árvore guia, porque guiam-nos até que entendamos a nós mesmos.

A bipolaridade é costuma ser controlada conforme o tempo, mas alguns de nós tinham personagens tão extremos dentro de nós que não havia nenhum tipo de controle e era bem provável que nunca haveria.

Eu e minha mãe, por exemplo, tínhamos um caso completamente estranho de bipolaridade, personalidades incontroláveis.

Os Elementais devem ser nomeados somente após o seu incidente, pois é isso que mostra quem realmente somos, embora tenhamos um nome antes do incidente, após o mesmo o que antes era nome era agora tratado como apelido.

Eu era Yukiko, criança da neve. Eu era uma criança quieta, e realmente gostava da neve e do inverno, por ser a única época em que meu pai ficava conosco.

Minha mãe era Verdana, diziam que ela era muito parecida com sua mãe, Ana, e que sempre rolava na grama e chegava em casa com os vestígios verdes. — Sim, é um nome idiota, acho que minha avó tem algum problema, mas nunca cheguei a vê-la.

Agora sou Candy, por ter uma habilidade que foi doce que faltava na vida de minha mãe bipolar.

Agora ela é Riki, por ser o poder que ascende na vida daqueles que ela ama.

É comum que os parentes chamem a Elemental pelo nome dado antes do incidente.

Eu ficara onze anos na mais forte árvore guia de todo o complexo Elemental.

Minha mãe ficara dezessete anos dentro de uma árvore guia, que desabou quando ela saiu de lá por não conseguir inibir mais nada.

E fora exatamente por esse motivo que eu ficara tanto tempo temendo a mim mesma.

O medo de ser descontrolável como minha progenitora, o medo de ser tão desatinada quanto ela.

Minha mãe tinha uma personalidade boa, mas tinha também, uma completamente demente e uma simplesmente berserk.

E era por esse motivo que eu gostava tanto do inverno e do meu pai.

Ele era estável.

Um Elurin, uma criatura das trevas do inverno, demônios das nevascas, avalanches e quaisquer desastres que aconteciam quando tudo era branco.

Uma criatura que ganhava extrema força quando a neve tocava o chão.

Meu pai exalava poder, e foi isso que chamou a atenção da minha mãe.

Nunca soube dizer direito se era o inverno que trazia meu pai, ou se era meu pai que trazia o inverno, mas eles estavam sempre juntos.

Foi depois que eu saí da minha árvore guia pela primeira vez em onze anos que eu notei o quanto eu era tola por ficar com medo de ser como ela.

Eu era como ela, e fim.

Entendi realmente quando aquela velhinha veio à minha cela e me disse que estava na hora de ir para casa, considerando que eu precisei de cinco anos para controlar totalmente meus poderes, eu sabia que não havia hora de ir para casa, somente um momento em que elas pensavam que eu podia sair dali sem causar muitos problemas e livrá-las da culpa caso eu fosse responsável por um segundo incidente.

E eu seria.

No momento em que pisei para fora da árvore me senti extremamente aborrecida, e então ouvi um barulho de coisas se rachando, quando me virei pude ver a árvore guia que me hospedou por onze anos se quebrar em milhares de pedaços, a anciã instintivamente afastou-se de mim.

– És como ela, uma Elemental de sangue demoníaco forte. — Me encarou com seus olhos pequenos, escondidos pela pele sulcada e queimada de sol, enrugada pelos seus milhares anos de vida. Notei que mencionava minha mãe. — Uma criança que nasceu para um propósito muito nobre, ou muito maligno.

Encarei-a pacientemente, meu coração batia num ritmo lento demais para qualquer ser vivo normal, que não a minha espécie, não me assustei com os olhos grandes de uma outra Elemental que ocupava uma árvore pelo caminho, ela me encarava lançando sorrisinhos debochados e eu sabia que ela devia estar tendo uma das nossas famosas crises bipolares, as minhas iam e vinham sem controle, embora transitasse por somente duas das minhas personalidades, a terceira era a que eu lutava para esconder, se ela viesse à tona, tudo o que a aguardava era a destruição.

– Como vou voltar para casa? — Perguntei lenta e sem entusiasmo. — As redondezas de Dayns ficam a quilômetros daqui. — Encarei a anciã que mostrou seu sorriso banguela e apontou lentamente para uma cabana na esquerda da minha visão periférica.

Entendi, sem necessidade de que ela me contasse, que havia alguém naquela cabana que domina a magia de teleporte, e que eu poderia voltar para casa em um piscar de olhos, longa seria apenas a minha caminhada até a cabana.

Sem paciência utilizei da magia para o teleporte simples, que eu era capaz de fazer em distâncias bem pequenas, mas que sugavam grandes quantidades de magia.

A pessoa que me esperava dentro da cabana era tão ou até mais velha que a anciã, ela me encarou com afinco e notei que da sua expressão não havia nada mais do que gozo e uma felicidade contida.

– Esperei por você criança da neve. — Ela murmurou, segurou minha mãos com seus dedos compridos e enrugados, mas tremendamente macios, seus olhos me encararam com tanto vigor e carinho que me fez temer… — Tens o vigor dele, e os olhos dela. — Suas mãos puxaram meu queixo com uma força cálida. — Pobre de tu, tens três faces, e é uma berserk. — Ela franze o cenho. — Tu tens muito a enfrentar, espero que os ancestrais guiem-te em tua loucura. — Murmurou me tocando na testa e então tudo sumiu.

(...)

Inverno.

A primeira coisa que eu notei quando meus pés tocaram o chão foi: Está nevando, é inverno.

Imediatamente após aspirar o ar frio meu corpo reagiu, me senti disposta a quebrar ao meio uma montanha.

Atravessei a clareira procurando pelos sinais de vida, mas além dos animais eu não sentia nada.

Quando cheguei à minha antiga casa eu notei o quão abandonada ela estava e me senti desconsolada, estava sozinha, ainda sozinha.

Ao abrir a porta pude notar que a residência não estava reagindo à mim.

Morávamos em uma árvore, a árvore era viva, e reagia à nossa presença, abria os buracos que chamávamos de janelas quando estávamos lá, acolhia-nos, era o membro da família que cuidava de nós, depois de conseguirmos chegar em casa, é claro.

Mas dessa vez nada aconteceu.

Um buraco de tamanho médio surgia na sala, atrás do sofá, e a iluminação branca adentrava o local me fazendo notar a poeira, apesar disso, haviam pegadas no assoalho, notei que iam em direção ao meu quarto, o cômodo mais afastado da entrada.

Andei devagar, passando lentamente pelo corredor e estranhando os lençóis que cobriam os móveis, adentrei o quarto num silêncio gutural, imediatamente estaquei ao ver a figura que estava sentada na minha cama encarando um porta retrato que eu nunca gostei muito de espiar.

Era meu pai.

Gan tinha o mesmo aspecto sumptuoso de sempre, vestia uma camiseta branca e um casaco verde, uma calça azul e botas de uma cor terrosa, encarava o retrato com um zelo que me deu certa aversão, tinha algo errado.

Meu pai era um demônio, no entanto era um demônio do inverno, das nevascas e avalanches, um demônio que podia ser violento e primoroso, ele era um pai sorridente e otimista, que tentava ver um lado bom naquilo que eu e minha mãe eramos, criaturas instáveis, bombas relógios.

– Pai. — Disse num sussurro, ele não se virou, não pareceu surpreso, já sabia da minha presença.

– Você voltou. — Ele respondeu. Virou-se finalmente mostrando-me um sorriso triste, mas que me fez sentir melhor. — Te trancafiaram por muito tempo.

De súbito não soube mais o que fazia, ele levantou-se e abriu os braços, só me vi enfiando-me por entre seu abraço e agarrando-lhe as vestes enquanto soluçava por algo que eu não fazia ideia.

Talvez por onze anos de espera.

Acalmou-me com seu corpo quente — uma coisa estranha, vendo que era uma criatura do frio — e sorriu para mim.

– Onde está minha mãe? — Perguntei sem muita cerimônia. — O quê aconteceu com a casa?

Meu pai me encarou por apenas alguns segundos, e então seus olhos fugiram do meu olhar, foi necessário duas sílabas para que eu compreendesse tudo e ainda sentisse um medo totalmente ininteligível.

– Berserk. — Foi apenas isso o que ele disse.

O estado berserk era uma de nossas personalidades (minha e de minha mãe), era puro instinto, um transe que nos fazia desaprender a razão, esquecer dela e ter uma vontade inconcebível de destruir tudo.

Então basicamente minha mãe tinha entrado nesse estado, congelado tudo com magia e saído por ai em pura loucura destruindo tudo.

Tinha tido outro incidente, entre tantos que deviam ter acontecido nesses anos que eu estivera fora.

Andei até a sala insatisfeita com a aparência do local que sempre tratamos com zelo.

Minhas mãos foram parar nos joelhos, apertando as juntas, soltei um gemido de insatisfação e respirando fundo tentei desfazer a magia que fazia a casa congelar.

Consegui depois de duas ou três tentativas, descongelar com magia era uma coisa terrivelmente difícil para mim, estava no meu sangue, eu era uma Elemental, mas não deixava de ser um demônio do inverno.

O buraco atrás do sofá se fechou, as luzes se acenderam e tudo ficou quentinho de repente, era a nossa casa nos convidando para o seu aconchego.

Deitei-me no sofá e suspirei, talvez porque era a primeira coisa confortável que eu me deitava em onze anos.

Peguei no sono quase que imediatamente, mergulhando para um mundo onde eu não era uma bomba relógio, e que não estava com meus dias contados para explodir.

(...)

Holly.

Dayns, Bairro Nobre.

Quando Ivan veio buscá-lá no orfanato tudo o que ela menos imaginava que fosse acontecer consigo era que se tornasse a filha prendada que esperava pacientemente a chegada do pai, mas ela o era, tornara-se ansiosa pela chagada de Ivan, o mesmo lhe ensinava magia e em troca ela não fugia ou tentava escapar.

Era óbvio que ela acabava dando um jeito na casa incrivelmente bagunçada dele, ficava no tédio e qualquer coisa era melhor do que ficar sem nada para fazer.

Ele ensinara-lhe que ela não era uma maga, era um Aldent, um elfo da floresta que ganhou de presente dos ancestrais, os deuses, o poder de teletransportar-se, e agora além de ter que praticar feitiços ela tinha que ficar se teletransportando por aí.

Não exigia esforço, era quase tão fácil quanto respirar, em alguns três meses ela simplesmente fazia sem nem notar que acontecia, ia de um lado da casa ao outro com a força de um suspiro, sua distância máxima era de 30 metros, nem um terço da de Ivan que era de um raio de 120 metros.

Do quarto direto ao jardim, andou três ou quatro passos antes de começar a regar as plantas com o regador lilás, viu Ivan adentrando o jardim e contentou-se com um aceno que mão, que lhe foi endereçado, suspirou e um segundo depois caminhava ao seu lado.

– Me diz, vamos ficar aqui brincando de casinha para sempre? — Perguntou puxando levemente o casaco dele para que este entendesse que estava irritada.

Não que ela não gostasse de estar ali, mas estava levemente irritada por não ter muito o que fazer e estar sempre com tédio.

O homem lhe lançou um olhar perigoso, que ela fez questão de ignorar, suspirou e então sentou-se no sofá, esperando que ela fizesse o mesmo.

Quando ela se sentou ele encarou-a nos olhos como jamais lhe acontecera.

– Entenda, Holly. — Ele começou fazendo-a franzir o cenho. — Não estamos brincando de casinha, essa casa é de verdade e nós somos a família que mora nela.

A garota bufou.

– Não somos uma família, eu sei lá porque me tirou daquela droga de lugar, mas eu não tenho nenhuma conexão com você. — Protestou.

Ele pegou no braço dela e apontou para a parte da frente do cotovelo, bem onde uma veia grande e esverdeada aparecia por sob a pele.

– Não seja tola! Está no sangue! — Sacudiu o braço dela e então respirou fundo, voltando a falar com vigor. — Não fui te tirar de lá, fui te pegar de volta! — Encarou-a impaciente.

– Do quê está falando? — Perguntou evasiva soltando seu braço do aperto dele.

– Que eu sou seu pai, criança tola.

Notas finais
Bom, está ai, desculpa a demora pessoal. A verdade é que eu ando correndo muito com os estudos porque mudei de escola e, poxa, quero passar no vestibular, então o estudo tá pesado pessoas. E aí? Curtiram a notícia meio bombástica? Eu sei que eu poderia tá fazendo muito mais mistério sobre isso, mas a parte do mistério são outras coisas, não gosto de personagem que fica relutando entre contar ou não sobre quem é ou coisas importantes. Notem que a fic é atemporal, ou seja, o que ocorre com os personagens NÃO está acontecendo ao mesmo tempo. Próximo capítulo temos narração do Jack, pra quem sentiu falta. Ademais é só. Obrigado por lerem, de verdade. Até a próxima, que deve ser logo. Mira.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.