Magia ao entardecer

2 Anos após a queda no bosque


O quarto estava com velas aromatizantes sobre o criado mudo, a única forma de luz naquele lugar. Era do tamanho adequado para o trabalho oferecido, com móveis rústicos de madeira e detalhes delicados, uma escolha feita a mim, quando me pôs para o trabalho.

Ponho-me a frente do espelho. Eu era um homem. Alto e forte de pele bronzeada brilhante, não precisava de sol, meu cabelo recaía sobre os olhos verdes, herdados pela minha mãe... Família, onde estava a minha? Recordo-me do tempo em que vivia no bosque, até sentir o cheiro das belas flores que cercavam o chão, mas era um passado, agora estou no meu presente. Só.

Volto para o meu reflexo a minha frente. Eu não era mais o mesmo Natanael, tinha criado músculos, esquecido o passado, mesmo sabendo que qualquer hora o baralho de cartas poderia cair.

A porta bate e uma fresta de luz começa a aparecer. Uma pessoa põe a cabeça dentro do recinto:

— Aqui se encontra o Natanael? – Era uma voz feminina, um pouco nervosa.

—Sim, pode entrar.

Fui ao seu encontro, à mesma parecia ser uma bomba de nervosismo, sua mão estava tremulante, mas mesmo assim ela entrou no quarto, até o meio do recinto em que me afastei um pouco para tentar visualizá-la.

—É hã, não sei se deveria...

Trago-a para perto de mim, passando os meus braços atrás de suas costas e minhas mãos percorria suas costas e seu pescoço nu.

— Tudo bem. – Responde colocando seu rosto próximo ao meu.

A cama estava a poucos centímetros, que foi logo o que fiz, levei-a lá. Ela estava em um vestido curto roxo de zíper nas costas, puxei e fui beijando seu pescoço e puxando as mangas do vestido para tirá-lo.

—Meu nome é Amanda. – Disse ela, entre cortes fracos de gemidos mesclados de medo e prazer.

—Olá Amanda.

Amanda aparentava ter aproximadamente 30 anos, era engenheira e tinha tido uma discussão com o namorado. Seu objetivo? Trair o homem que te fez sentir dor. Ela o amava? Por que fazer aquilo com ele? Afastei meus pensamentos onde pudesse interromper meu trabalho, porque não se vive de pensamentos e sim do prazer dos outros.

Por fim, joguei seu vestido no chão e tirei seu sutiã. Beijando seu torso, ouvindo seus gemidos baixos. Meus braços percorriam seu corpo e suas mãos procuravam meu couro cabeludo, fazendo-me abaixar a minha cabeça para sua barriga, um pouco flácida para sua idade.

Quando cheguei a suas pernas:

— A porta está aberta. – Disse ela interrompendo o serviço.

— Não está mais. – Repliquei com um largo sorriso e beijando-a na boca, o prazer a consumira e a porta fechou em um único som, sem ter ninguém.

***

Já era manhã quando abri meus olhos. Minhas roupas estavam espalhadas e meu corpo se encontrava nu, entre os lençóis vermelho e branco. Amanda estava de pé a minha frente, terminando de se vestir.

—Bom dia. – Disse sentando na cama.

—Bom dia.

Agora, entre a luz do sol entrando pela varanda semi-aberta, pude a ver. Seu cabelo era curto, recobria o pescoço que tanto beijei e retirei gemidos de sua boca. Seu contraste corporal era de pele branca e seu rosto continha algumas sardas. Seus olhos eram castanhos e sua seriedade parecia mais uma fúria do que harmonia.

Ela saiu sem dizer “adeus” ou um “até logo”, mesmo aquilo sendo de rotina, doía, mas era um dos critérios oferecidos a quem só deveria entregar prazer. Caminhei até a porta do lado e observei o banheiro de azulejos pretos a minha frente.

A água quente recaía sobre o meu corpo, uma massagem delicada para uma pessoa que não merecia. Como será Amanda? É o que vem na minha mente. Uma mulher profissional de caráter e atitude forte, mas com um íntimo frágil de um vidro jogado ao chão. Quebrado e sem fins lucrativos. O caminhar da água em meu corpo era como minha linha de pensamentos, cada jorrada, um vislumbre meu sobre tudo. Tudo. Até das desordeiras chamas.

Chamas. As penas vermelhas, o brilhar do olho daquela majestosa fera sobre pessoas inocentes que só estavam por descobrir seu dom...

Minha visão ficava turva pela lembrança da fera que se encontrava em minha mente. Luzes faiscavam dentro do banheiro como se fogos estivessem lá dentro, mas quando abro meus olhos é meu corpo emanando fogo e sendo apagadas pelo borrifar da água do chuveiro. Tento controlar-me, mas tudo está em chamas. Entro em pânico. Saiu de baixo do chuveiro e tento segurar-me em algo, mas tudo queima porque eu queimo, porque eu sou a chama.

Controlo a respiração, livro minha mente do monstro do passado. Tento e consigo, mas tudo material estava perdido. A parede estava chamuscada, as toalhas queimadas e alguns pequenos fiapos. O fogo tomou conta de mim.