Magia ao entardecer

3 Prancheta das senhoras


— O que aconteceu aqui? – Disse Jacques ao entrar no banheiro.

Quando não pude mais resistir, as chamas cessaram de uma vez seguidas com uma inclusão. A lâmpada se quebrou e os vidros se encontravam em cacos no chão. Vesti meu roupão e fui atrás de Jacques.

— A lâmpada entrou em curto, estourou levando tudo a chamas. Até as toalhas. — Responde, procurando um argumento compreensivo para aquilo tudo.

— A lâmpada entrou em curto? Por esse motivo tudo pegaria fogo!- Replicou ele com desdém. — Natanael. Foi você que fez isso?

Fixei meu olhar ao dele.

— Como poderia?

— Não se faça de terreno, você sabe o que é como sabe o que sou.

Jacques Voyer era um dos herdeiros puro-sangue de vampiros. Criado pelo pai na França viveu sempre em um cabaré e como tudo foi mudando a partir das épocas que se seguia veio para o Brasil. Era o trigésimo tataraneto de Jacques Cristovão Voyer Azus, vampiro originário do clã Voyer.

Abaixei meus olhos para não encontrar os deles. Estava envergonhado com tudo aquilo e como era minha culpa.

— Vou embora. — Disse rispidamente.

— Você fala como um adolescente. – Respondeu ele entre risos. — Nos conhecemos há muito tempo Natanael, sabe que isso não é total culpa sua e como vou despedir meu melhor funcionário?

Depois de tudo que tinha passado, Jacques era o mais próximo possível que tinha de u ente querido, ele abrigou-me quando apareci na frente de seu casarão em uma tempestade.

— Vamos começar a limpar?

Passou ele uma vassoura para mim.

— Claro.

***

Seus olhos são tão cheios de vida e profundos. Verdes é o que são duas lindas esmeraldas. Sua feição facial é tranqüila e sua boca é de um carnudo rosado.

Cada músculo seu é inebriante, deitado sobre uma longa cama. Parecia ser um quarto. Tão escuro, mas com detalhes em madeira de perfeito acabamento, algo que só podia ser encomendado.

Ele se mexe sobre a cama como se voasse sua pele brilhante, fazia-o parecer uma estatua viva, mas ele estava ao meu lado. Seu corpo parecia me chamar, com seus braços fortes, não muito malhados.

Sobre a cama, ele estava dormindo, um estado de conservação perfeito. Os lençóis, vermelhos e brancos recobriam suas partes íntimas. Seu cabelo castanho-escuro recaia sobre seus olhos. Olhos sedutores.

Ao lado de sua cama encontrava-se uma ave. Belíssima. Resguardava o sono do atual dono. Fitei-o, mas antes disso, minha visão escureceu tomada por uma sombra.

***

Já era tarde quando demos um jeito no banheiro, o chuveiro era uma bica agora e o espelho um minúsculo rasgo refletindo metade de um rosto.

Jacques era igual a mim, um ser diferente dos terrenos. Ele era um vampiro e proprietária, além de patrão. Mas tinha outros seres naquele casarão, mas a única fada naquele recinto. Para a minha região, fugir do bosque era como fugir da vida, mas que vida eu teria se continuasse lá? A vida de matador do Rei?

Olho a minha prancheta onde se encontra a lista de minhas senhoras. A primeira era as 07h30min da noite, tinha muito tempo ainda. Sigo até a varanda do meu quarto e tento respirar depois de ter inalado muita fumaça, meus pulmões concentram em puxar descontroladamente oxigênio... Que dia quente! Irônico falar isso depois de ter virado o homem chama.

O vento atravessava o meu corpo, minha vontade agora era de solta-las, mas seria perigoso de mais, em frente se encontrava varias outras casas, com cores monótonas – preto e cinza- deixando o fim do dia mais quente.

O horizonte a minha frente observa os raios solares dando contorno a silhueta lunar. Os ponteiros giravam muito rápidos, o trabalho estava próximo.

***

Nós estávamos entrelaçados em um só, suas mãos e dedos apertavam minhas costas ferozmente deixando o nosso corpo como um só.

Beijava todo o seu contorno, indo da boca até seus seios, que encontravam rígidos de prazer. Abraçava-a cada vez mais forte entre o atrito de prazer caloroso e o ato sexual vulcânico saído dela. Seus gemidos eram altos e seu corpo esparramava pela cama deixando o seu cabelo espalhado por todo colchão.

— Você é tão másculo! – Disse pela primeira vez a senhora, colocando-se sobre mim.

— A profissão exige esse capricho.

Ela parecia ser possuída por Afrodite ou algum deus que venerava o sexo. Suas mãos percorriam todo o seu corpo e o meu, a voz soava como gritos e depois procurava minha boca, beijando-a com calor e intensidade, abaixando regressivamente até o meu peitoral, sua língua e lábios percorria todo meu corpo... Sua ferocidade era louca.

Sobrepôs-me acima dela e comecei a acariciá-la, o ápice do prazer estava próximo, ela não necessitava mais falar o que queria só sentir a intensidade do prazer chegando ao clímax.

Um grito e nada mais de prazer. Ela sentira o que trouxe aqui.

***

— Uma hora você me mata! – Gritava Justice segurando-se na parede.

Justice era a cliente mais convicta entre todas, sempre a minha procura. Tinha 45 anos, três filhos, separada, mas com um namorado.

— Eu sei.

Justice era – eu acho- ninfomaníaca. Odiava sexo na cama, e um pouco sadomasoquista, gostava de apanhar.

— Nate, Nate... Por que você não é meu?

— Porque sou de todas Justice.

— Mas agora é só meu.

Ela pulou em meu colo e gritava, berrando cada vez mais alto.

—Todo seu.

Beijávamo-nos, sentindo o prazer se acumular, o ar-condicionado não fazia mais efeito, pois éramos brasa. Ela se jogou no chão, puxando-me fortemente.

—Continue assim e o dinheiro estará sempre a sua mão.

Dinheiro. Eu era só um produto no mercado, uma moeda de troca para um mundo capitalista e a procura de sexo.

Levantei-me para olhadela, seus olhos eram penetrantes e sua feição era de sarcasmo.

— Por que parou? – Disse ela bravamente.

— Por nada. – Responde rapidamente.

— Então me mata de prazer.

Mata-me. Outra palavra que me acabava toda vez quando dita.