Mads Project
4 Capítulo 4 - O garoto do ginásio.
Notas iniciais
Iris não podia simplesmente dizer que não sabia, porque era isso que ele queria. Devil, nos seus 20 anos era o informante mais jovem, irritante, narcisista, falso, nojento e desalmado que a ruiva conhecia, não que ela conhecesse tantos assim, mas Devil era realmente conhecido, eles se viam com bastante frequência por causa dos MADs.
–Você sabe que ele está, se não soubesse porque perderia seu precioso tempo vindo até aqui. Você sempre sabe de tudo — Iris rolou os olhos e se virou para abrir a porta para o visitante.
–Pois é né, eu sempre sei de tudo – disse o informante com um sorriso radiante parecendo muito satisfeito consigo mesmo – E você Iris-chan, sabe o que está acontecendo a sua volta?
–Seus negócios são com meu tio e não comigo. Ele está na sala — A ruiva apontou em direção ao cômodo bem iluminado onde um homem que não aparentava mais de 30 estava lendo um livro sobre guerras na idade média.
– O.K, hora de trabalhar — O tom de voz do informante era mais sério agora.
–Vou deixa-los a sós — A ruiva se virou e subiu as escadas.
Devil seguiu em direção à sala de estar onde o Homem estava sentado lendo tranquilamente e se sentou em uma das poltronas de couro preto esperando até que pudesse falar. — Devil achava muita falta de educação interromper a leituras dos outros.
– Devil, o que faz aqui? – Homem fechou o livro dando atenção ao jovem sorridente sentado na sua frente.
– Vim trazer algumas informações, o grande Zetsubou está interessado?
– Do que se tratam tais informações? Zetsubou perguntou colocando o livro de lado.
– São informações sobre a cidade e sobre os Joker's, mas antes, você teria algo para beber? Vinho, uísque, chá?
– Acredito que seja ilegal oferecer bebidas alcoólicas a menores.
– Iris! – gritou Zetsubou.
–Sim? — A garota apareceu nas escadas.
– Poderia fazer um chá para o nosso convidado?
– Sim. — A ruiva desceu as escadas e lançou um olhar frio para Devil enquanto atravessava a sala em direção à cozinha.
Iris odiava as visitas do informante, pois tinha que fazer de tudo para agrada-lo, se não, as informações não eram muito claras. Devil não era uma das melhores pessoas, tinha ingressado na carreira de informante muito cedo e aprendeu muito em pouco tempo. O primeiro requesito para seu trabalho era não ter medo ou não demonstra-lo, o segundo era deixar todos os seus conceitos de certo e errado para trás porque o trabalho não dependia disso, dependia de bisbilhotar a vida de todos, vender e trocar informações como se fossem pedras preciosas. O jovem vivia sozinho e quase nunca era visto com alguém, Iris acreditava que sua única paixão era o dinheiro e que venderia sua mãe se necessário, mas então que mais agradava Devil era o caos que um par de palavras podia causar.
Devil não era muito forte, muito pelo contrário, tinha o físico de um garoto de 17 anos comum, mas nunca teve problemas com a segurança, tinha ficado de frente com a morte muitas vezes, mas infelizmente era duro na queda. Era imparcial. Na guerra nunca escolheu um lado, e se fosse para escolher, seria sempre o que estava vencendo.
Iris terminou o maldito chá e foi em direção à sala de estar.
– Aqui está — A ruiva depositou o chá na mesa de centro.
– Oh, obrigada. — Disse Devil pegando a xícara. — Você não envenenou esse chá, não é?
– Não seja idiota, bons venenos são caros, e seria muito legal da minha parte te envenenar, quero ver você morrer de maneira lenta e dolorosa — A ruiva deu as costas e se retirou da sala.
– Adorável como sempre – Disse o informante – Daria uma ótima noiva, o chá está sem açúcar, mas está bom.
– Se não cobrar um dote muito alto — Zetsubou murmurou se ajeitando na poltrona.
– Me casar com a Iris-chan? Hahahaha, não, não. – Devil enxugava os olhos que estavam lacrimejando de tanto rir – Me casar com ela significaria passar para o seu lado, e a situação de vocês não é tão favorável. E também, já tenho muitos inimigos com os quais devo me preocupar, ter que dormir com uma arma embaixo do travesseiro para me proteger da minha própria noiva não é uma opção.
– Qual é a nossa situação, Devil? – O tom de Zetsubou era preocupado.
– Os joker’s tomaram metade da cidade, e as bases estão crescendo, logo você terá que se mover.
– O quão ruim as coisas estão?
– Em uma escala de um a dez? Talvez seis.
– Era o que eu temia.
[...]
Iris acordou com a certeza que o seu dia seria ruim, mas mesmo assim foi para o colégio. Chegando lá encontrou Zero subindo as escadas para o telhado e decidiu acompanha-lo.
– Foster. — Zero disse sem se virar para a ruiva. – O que quer aqui?
– Eu pensei que se você está aqui este deve ser um ótimo lugar para cabular as aulas.
– É sim, sente-se ai. O garoto se virou e se juntou a Iris perto da grade de proteção.
– O que? Sem nenhuma ofensa? Nada de grosseria? Quem é você e o que fez com o Bad?
– Eu não sou assim tão ruim, Iris – Bad estava... Sorrindo? – E hoje eu acordei de bom humor.
– Porque eu não encontro um Bad de bom humor todos os dias?
– Porque não teria graça, sua vida seria fácil demais.
– Ah, claro — A garota rolou os olhos.
– Por que está cabulando a aula de calculo? Você precisa disso.
– É, mas eu preciso esfriar a cabeça também. Sabe quando você quer um taco de baseball só para espancar alguém com ele até afoga-la no próprio sangue?
– Acho que não... Mas conheço um lugar onde você pode arrumar isso.
– O que? Tem uma área do colégio onde podemos espancar pessoas até a morte?
– Não estava falando disso, idiota – ai está o velho Bad – me referia ao taco de baseball. Vá até o ginásio no próximo período, provavelmente ele vai estar treinando, então peça a ele.
– Ele quem?
– Vai saber quando o ver.
– E por que você não pode vir comigo e conseguir isso pra mim?
– Porque o próximo período é de ciências humanas, e eu não posso faltar à aula e ciências humanas.
– Entendi.
– Entendeu mesmo?
– Não.
Iris passou o resto do primeiro período no telhado e quando calculou que era hora, foi até o ginásio. Ao abrir as portas Iris viu um garoto não muito alto,magro, com cabelos brancos vestindo um uniforme de baseball treinando, ele era muito bom. Iris estava quieta e concentrada no treinamento quando o garoto mandou a bola a uma distancia incrível.
– Uau — As palavras escaparam da boca da ruiva.
– É, Uau. – o garoto se virou para conhecer a admiradora. Seus olhos tinham um belo tom de azul, não como os do Devil, eram mais claros e calmos. – Todos dizem a mesma coisa.
Ótimo, mais um garoto com um ego enorme. Pensou Iris, mas lembrou de manter a boca fechada desta vez.
– Você deve ter muitos admiradores — A garota respondeu se aproximando.
– É uma das vantagens de ser o melhor jogador do time – Disse o garoto se sentando em um banco perto da arquibancada – Nunca te vi por aqui, então acredito que não é uma das minhas fãs.
– Elas são muitas? — Iris perguntou se sentando ao lado dele.
– Na verdade não.
– Entendo... Então, senhor astro do baseball, qual é o seu nome?
– Near Shiro Sakamoto, Mas pode me chamar só de Near. E você, como se chama?
– Iris Foster. E porque raios você tem “Shiro” no nome, é algum tipo de brincadeira?
– Porque Raios você tem Foster no nome? Seu pai gostava de desenho animado? — Near tentou imitar o tom de voz da garota, deixando-a irritada. – Não se sai por ai questionando o nome das pessoas.
– O que meu nome tem a ver com desenho animado? -A ruiva arqueou a sobrancelha
– Esqueça.
– O.K... Pode me arranjar um taco de baseball para matar uma pessoa?
– O que? – o garoto fitou-a incrédulo.
– Um taco de baseball.
– Não vou contribuir com um assassinato, moça.
– Então finja que eu não te contei para que vou usa-lo.
– Não, nem pensar.
– Ah, qual é, só um.
– Não. Qual é o seu problema? Quem te mandou aqui? E quem vai matar? Tomoko?
– Muitas perguntas – Iris massageou as têmporas como se estivesse com dor de cabeça — Eu não tenho problema nenhum, Bad me mandou aqui. E por que eu mataria a Tomo-chan? Ela é irritante, mas nem tanto.
– Maldito seja aquele Emo – Near bufou – Eu vi você discutindo com a Tomoko no corredor quando estava indo para a sala.
– Você esta no mesmo andar que a gente?
– No mesmo corredor, segundo ano, duas salas depois da sua.
– Nunca te vi lá.
– Talvez estivesse prestando a atenção em outra coisa.
– Talvez...
As portas do ginásio rangeram e um garoto com cabelos castanhos, e olhos amarelos cor de âmbar atravessou a quadra com passos largos e rápidos, era quase da mesma altura que Near, mas era mais desajeitado.
– Near, o próximo período vai começar e- — quem é essa garota? E porque ela está rindo? – o garoto disse apontando para Iris, que estava tendo um ataque de risos.
– Oi Enzo, esta é Iris Foster. E eu não sei porque ela está rindo.
– Foster? — Enzo arqueou a sobrancelha.
– Não pergunte — Near respondeu enquanto se levantava.
– Cara, seu nome é estranho, mas o seu sotaque é simplesmente hilário – Iris tentava se recuperar da falta de ar causada pelo ataque de risos – Você é estrangeiro, não é?
– É, sou, mas o que tem de errado com o meu sotaque?
– É que ele é- -
– Então estava dizendo algo sobre o próximo período, continue. Near cortou a ruiva antes que ela tivesse outro ataque às custas do sotaque do amigo.
– A Tomoko está começando a ronda, e temos uma aula importante.
– O.K, então vamos. Você devia vir também, Iris. — Near se virou para a ruiva.
– Hmm, acho que sim, não gostei de ficar na detenção.
– Espera, acho que te conheço, você a garota que pulou do quarto andar para escapar da detenção.-Disse o garoto com sotaque engraçado.
– É, esta sou eu. Iris deu um grande sorriso orgulhoso.
– Eu disse ao Near que você parecia uma personagem de mangá, eu tinha pensando em um mangá Ecchi, mas pelo seu tamanho está mais para Lolicon – Enzo pensou um pouco – Ei Near, podemos apresenta-la para o Fushimi?
– Noop, ela é do segundo ano. — Near abriu as portas do ginásio e esperou até que os dois saíssem.
Iris chegou a tempo de receber um olhar mortal da presidente do conselho. Passou o resto das aulas sentada em sua carteira, jogou um papel para Bad (que foi parar a metros de distancia) dizendo que não tinha conseguido o Taco.
No fim das aulas, Iris foi direto para casa, estava decidida a conversar com seu tio, e torcia para que nenhum outro visitante a atrapalhasse. Quando chegou seu tio estava na cozinha preparando algo para jantar, ele raramente cozinhava, mas não era de todo ruim nisso.
– Tio?
– Sim? Zetsubou largou a faca que usava para cortar os legumes e olhou para a garota.
– O mundo não seria melhor se o Devil morresse?
– Se está pensando em envenenar o chá dele a próxima vez que ele vier aqui, vai ter que me arranjar um jeito de conseguir as informações para mim.
– Então, quanto a isso, eu queria conversar sobre uma coisa — Iris estava nervosa, mas não podia demonstrar isso.
– Está pensando em ser informante?- O homem disse surpreso.
– Não, não. É sobre outra coisa.
– Então...?
– Tio, meu aniversário está chegando e logo eu estarei mais velha, mais responsável e...
– Iris – Zetsubou fitou o chão – Eu não posso te dar um carro, você sabe que se tem uma coisa em que você consegue ser ruim é dirigindo... Atirando também, mas te dar um carro está fora de questão.
– Não, eu não quero um carro. Eu só quero uma base dos Mads.
– Você quer o que?
– Uma base dos Mads.
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