Madness Of Teens
24 Tal pai, tal filho... idiotas bobões.
Notas iniciais
Ele novamente estava cheio de amarguras com relação ao avô, afinal não era fácil ver sua família sendo esnobada ou sua mãe sendo humilhada por um homem que não sabia o que era amor. Naquele momento, Caleb jurou que jamais voltaria a ver o avô e percebeu, definitivamente que ele e Edmundo nasceram para viver distantes um do outro.
Ele entrou em casa e se jogou no sofá ainda bufando de raiva, o que despertou a atenção de Nicholas que estava sentado em um canto com alguns papeis na mão.
—Ei, o que houve? – disse o garoto deixando os papéis de lado.
— Nada, apenas Edmundo sendo Edmundo.
— O que ele fez? Ele magoou a Lou ou sua mãe?
— Não sei se a Lou se magoou com algo, mas minha mãe com certeza foi humilhada. Aquele velho, ele...- Caleb não pode continuar pois seu pai entrou na sala pisando duro, como se estivesse a ponto de explodir.
— Por que você não consegue se comportar ou ficar quieto Caleb? — disse Antoni – Vive sempre com essas piadinhas sem graça, atrapalhando e magoando seu avô.
—Ah pai, me poupe. Esse velho praticamente humilhou a mamãe. Desculpa, mas eu não consigo ser tão hipócrita.
— Não venha dizer que sua falta de educação se deve ao comportamento do meu pai. Você já está com esse humor desde que te mandei voltar.
— Sério que você notou? – respondeu Caleb dando um pequeno sorriso cheio de sarcasmo. Antoni estava vermelho, mas Elena lhe lançou um olhar doce, conseguindo acalma-lo.
—Não vamos falar disso, ouviram bem? – disse Elena com a voz autoritária, fazendo os dois concordarem. – Ah querido, como está a pequena Lúcia? – Elena perguntou a Caleb enquanto lhe abraçava.
— Ela não está muito bem, mamãe. A perda da avó foi um choque muito grande para ela e sua mãe.
—Oh, entendo. Sei como é perder entes querido. – disse Elena com um brilho no olhar diferente. Caleb sabia que o passado de sua mãe era um tanto misterioso e que ela nunca falava sobre ele. Antoni, que estava sentado ao lado de Nicholas, apenas ouvia tudo em silêncio – E quando ela volta filho?
— Ela não voltará. Lúcia decidiu ficar ao lado da mãe em São Paulo e irá trancar o curso. Acho que agora ela cursará o que realmente gosta.
— Oh querido eu sinto muito. Agora vocês terão que ficar separados e....
— Bom não ficaremos separados. Eu irei para São Paulo. Irei morar lá e pretendo casar com ela. – o garoto disse com um pequeno sorriso de satisfação nos lábios.
— Você o que? – falou Antoni surpreso.
— Você ouviu, eu irei casar com ela. Eu a amo e....
— Não você não vai Caleb. Você tem que terminar sua especialização, arrumar um emprego e....
— Você não manda em mim, papai. Eu irei e pronto.
— VOCÊ NÃO VÊ QUE ISSO É APENAS UM CAPRICHO SEU?
— NÃO, NÃO É. EU AMO ELA E VOU FAZE-LA FELIZ, MESMO VOCÊ QUERENDO OU NÃO. SE COLOQUE NO SEU LUGAR PAI, OU VOCÊ IRÁ MANDAR MATÁ-LA COMO EDMUNDO FEZ COM MINHA MÃE E LILY?
Naquele momento todos os moradores presente na casa estavam atentos a discussão que acontecia entre Antoni e Caleb. Louise e Líliam estavam paradas na porta, olhando o pai com incredulidade.
—Papai, você não é assim. Pare com isso, sim? Um dia todos nós iremos ter nossas vidas, todos nós teremos escolhas a fazer. Você um dia fez a sua, então deixe Caleb fazer a dele. Eu o apoiarei até o fim e saiba que sofro, mas se você interferi na felicidade dele, eu também não te perdoarei. – disse Líliam com os olhos brilhando de decepção. Antoni apenas voltou seus olhos para o chão e saiu esbarrando em Louise que ainda estava em choque com o que vira. Não demorou muito para que Elena o seguisse e Louise corresse para os braços de Nicholas.
— Caleb, suba e me espere no meu quarto. – disse Líliam quase em um sussurro.
—Não, eu....
—CALEB, SUBA E ME ESPERO NO QUARTO. AGORA. – gritou a garota, fazendo o irmão olha-la com fúria.
—Ok. — resmungou Caleb enquanto se encaminhava para as escadas. A ruiva de olhos verdes desabou no sofá com as mãos no rosto e soltando apenas alguns soluços. Louise apertou a garota em um abraço. De todas as pessoas, Líliam era a que mais estava devasta. O suposto rompimento com James, fingir falsidade com o velho Ed, ouvir Antoni ser tão cruel e ver o olhar assassino que Caleb lhe lançou com certeza desestabilizaram a garota. E isso também lhe machucava. Louise lançou um olhar suplicante para Nicholas e o garoto rumou para a cozinha deixando elas a sós. E novamente, as irmãs eram o alicerce uma da outra.
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Saindo de sua última prova do semestre, João Pedro vinha em meio aos corredores daquele prédio com um sorriso bobo nos lábios. Agora, durante as férias, ele e Soffia teriam mais tempo um para o outro, além de que ele, sua irmã e a banda de Thomas já estava com o agenda lotada.
Maria Julia bem que tentou convencer o loiro a largar o curso, mas ele não seria louco de apenas viver de música. João percebeu que no fim daquele semestre tudo estava se encaixando novamente, todos estavam felizes, principalmente sua irmã. Depois de sofrer tanto nas mãos dos tios, era reconfortante ver um sorriso sincero no rosto dela.
— Ei, amor! – João ouviu a voz doce de Soffia e virou-se para encarar a namorada que andava em sua direção. Quando ele a alcançou, ela enlaçou os braços em seu pescoço e ele a levantou pela cintura enquanto rodopiavam. Aquela garota era luz na vida dele, e ele estava perdidamente apaixonado por ela.
— Eu te amo sabia? — ele disse enquanto a deixava delicadamente no chão.
—Oh sério? – ela disse fingindo surpresa.
— Sim, muito sério senhorita. – respondeu o garoto, inclinando-se para beijar a mão dela.
—Nossa, impossível não amar esse loiro de farmácia. – Soffia falou com um sorriso maroto nos lábios. Ela havia tocado no ponto fraco dele e ela sabia que se não corresse ele com certeza a jogaria na grama e lhe faria cócegas até que ela pedisse clemencia. João a olhou de maneira surpresa e então ela correu. Ficaram por ali até que cansaram e entre beijos a garota também fez suas juras de amor.
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Líliam entrou delicadamente no seu quarto. Ela não sabia exatamente o que dizer ao irmão, mas sabia que ele estava mais calmo e que já devia ter se arrependido de algumas coisas daquele dia. Na verdade, foi um choque para ela também, quando o irmão lhe disse que casaria com Lúcia, afinal eles se conheciam a apenas seis meses e no começo se odiavam. Mas Líliam jamais se meteria em um assunto tão delicado, assim como fez com Louise ou assim como ela gostaria que Caleb fizesse quando ela decidiu ficar com James.
Caleb estava escorado na cama e sentado no chão com a cabeça encostada nos joelhos. Ela entendia seu desespero, mas também entendia a preocupação do pai perante aquela situação.
— Oi. – ela disse enquanto sentava-se ao lado do irmão, mas ele permaneceu quieto e com a cabeça baixa. – Cal, eu sinto muito com o que aconteceu.
—Você está do lado dele né? – ele falou em um sussurro sem encará-la.
—Não estou do lado ninguém ok? Eu amo vocês dois, vocês são minha família, mas você foi injusto com ele assim como ele foi com você.
—Eu injusto? – disse Caleb encarando pela primeira vez a irmã. Lília podia ver dor e raiva nos olhos amarelados, mas aquilo não a intimidaria. — Ele que dá uma de velho Ed e você diz que eu sou injusto? Ele quem começou Líliam, ele quem me proibiu de fazer o que eu quero. Ele me proibiu de ficar com a mulher que eu amo.
— Eu sei, mas não precisava gritar ou se exaltar, ele apenas quer o seu bem e...
— Meu bem é ficar ao lado dela, ele querendo ou não.
—Caleb, me escuta, por ....
—NÃO LÍLY, EU NÃO QUERO. EU NÃO VOU ...
— VOCÊ ME PROIBIU DE FICAR COM JAMES LEMBRA? VOCÊ JÁ FEZ ISSO COMIGO E DESCULPA, MAS VOCÊ SE IGUALA AO VELHO ED. – Caleb olhou para a garota assustado. Ele nunca imaginaria que veria a irmã ainda tão magoada com ele. Ele realmente fizera isso com ela, assim como seu avô, assim como seu pai. Ele novamente se envergonhou perante aquela situação, afinal ele não queria o mal da irmã e seu pai não queria seu mal, mas ele precisava ficar ao lado de Lúcia, ele tinha certeza disso. –Olha Cal, eu.... Me desculpe. Mas entenda o nosso pai, ele está estressado e longe de casa, ele se preocupa com você e ele nunca faria mal a Lúcia.
— Eu... eu sei. Lily me perdoa, eu....
— Shiii, todos aqui já erraram. O importante é que tudo vai ficar bem e eu apoio você ficar com ela. Eu nunca me meteria nessa situação por que eu confio em você.
—Obrigada mana, mas eu preciso falar com o papai.
—Quer que eu vá junto? – ela perguntou.
— Sim, eu gostaria. – eles novamente se abraçaram e saíram em busca de Antoni.
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— Antoni? Amor, eu sinto muito por tudo isso. – Helena tentava alcançar o marido que andava apressadamente.
—Helena, não. Eu preciso ficar sozinho. – falou Antoni com a voz falha e sem olhar para a esposa.
—Não, você não precisa – retrucou ela enquanto agarrava o braço do marido fazendo ele virar. O cabelo loiro estava bagunçado e os fios brancos estavam bem destacados, os olhos estavam tempestuosos e brilhantes, e por um momento Helena lembrou do jovem rebelde e atrevido que conhecera na adolescência. – Antoni, você causou tudo isso, e você sabe que é verdade.
— Ora, já não basta meus filhos me jugando?
—Ouça, não estou lhe jugando, quero que você entenda que seu filho é teimoso como você e que você procurou briga com ele.
—Helena, não. Eu não procurei coisa alguma com Caleb, mas ultimamente ele tem sido obtuso e mal educado.
—Isso me lembra você, quando adolescente. Teimoso, arrogante, dono de si. Mas foi isso que lhe deu coragem para enfrentar seu pai. E querendo ou não seus filhos herdaram isso. Caleb luta por um amor, assim como você fez. E ele já é adulto, já pode fazer suas escolhas.
— Mas eu jamais seria como meu pai, você entende isso?
—Eu entendo, mas você acaba se igualando a ele quando tenta proteger Caleb. Desde de o começo você percebeu que seu filho e Edmundo não se dariam bem, mas mesmo assim você forçou um situação bem inconveniente e não só com Caleb. Você viu o rosto da Lily? Ela estava devastada, e não só por ter que fingir uma relação com o avô, mas por ter que encarar James. Desculpe a sinceridade amor, mas eles não são os únicos a estar errado nessa história.
—Eu sei, eu fui um idiota.
—Sim, um idiota bem sexy. – Helena falou com um sorriso brincalhão no rosto.
— Ei, por que você insiste em dizer “seu filho”? Que eu saiba eu tive uma ajudinha sua para fazer ele existir.
—Não. Quando Caleb fica fazendo coisas idiotas, ele é apenas seu filho. Afinal, eu sou uma pessoa extremamente sabia e virtuosa.
—Oh, claro. Acho que as crianças gostariam de saber o que você fez naquela noite, na Lux.
— Não ouse- advertiu Helena com um sorriso sapeca nos lábios.
—Obrigada. Você é o meu ponto de equilíbrio. Mas eu ainda não estou pronto para falar com as crianças, então, será que podemos dar uma volta pelo quarteirão?
—Oh, claro meu amor. Sempre podemos dar uma volta no quarteirão, como nos velhos tempos.
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Lúcia resolveu desistir dos livros de Química. Tinha que se preparar para o vestibular no fim do ano, mas a saudade de seus amigos e de Caleb era tanta naquele dia que resolveu simplesmente afundar no sofá ligar a TV em um filme de comédia que não faria rir. Sua mãe estava de plantão, como quase sempre, coisas que a fazia se sentir ainda mais sozinha. Mas assim que ouviu o celular tocando no quarto, seu coração deu pulo. Em questão de segundos já estava atendendo a ligação de Caleb.
—Amor? – ela adorava a voz dele ao telefone. Era rouca e sexy, e a deixava calma.
—Oi Cal.- ele já podia sentir o sorriso se abrindo em seus lábios e os olhos ardendo de saudades- Como foi na casa do seu avô?
— Foi uma perda de tempo, uma total hipocrisia e também preciso falar do estresse? Não quero falar sobre isso Lu, aquele velho não tem jeito.
—Aquele velho é seu avô.
—Eu sei linda, mas não vamos falar dele agora tudo bem? Eu sinto sua falta.
—Eu também amor. – Lúcia já sentia as lágrimas queimando o seu rosto e o ar parecia faltar em seus pulmões.
—Mas tarde eu vou na universidade ver o que preciso fazer para me transferir para São Paulo.
— Você já conversou com seus pais sobre isso? – Por um instante ele ficou em silêncio no telefone, até que ela ouviu um longo suspiro, então a garota sentiu seu coração apertar.
— Eles são contra isso, não é?! Devem estar me odiando. – ela murmurou com a voz falha em meio as lágrimas.
—Não diz isso Lu. Ninguém seria capaz de te odiar. Você é uma garota incrível e não me importo com o que meu pai pense, já tomei minha decisão.
—O seu pai... você não discutiu com ele, discutiu? – Era uma pergunta para a qual Lúcia já tinha resposta. Conhecia o temperamento de Caleb.
—Nós já resolvemos isso. Não se preocupe. – Mas o tom de voz de Caleb não falavam a mesma coisa que as palavras ditas. Ela queria estar frente com ele para extrair a verdade daqueles olhos dourados.
—Tem certeza? Está tudo bem? Não há mais nada que você queira me falar?
—Na verdade há sim. — ele disse docemente- eu te amo. Amo muito e sinto a sua falta. Mal posso esperar pra te ver de novo. – Ela amava quando ele dizia aquilo, mas não eram aquelas palavras que ela estava procurando e isso a preocupou.
— Eu também te amo e sinto sua falta.
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