Madness Of Teens
25 Passado e Presente
Notas iniciais
Louise estava totalmente esquecida. Seus pais estavam sumidos, Caleb e Lilian haviam saído, Maju estava na casa de Thomas, Amber, Luís, Soffia e João Pedro foram a um show, e pra ficar ainda pior Nicholas também havia sumido. Todos à deixaram sozinha, parecendo não se importar com o que a ruiva estava sentindo em relação a tudo o que estava acontecendo.
Olhou novamente para o sanduiche em cima do balcão e resolveu não comer. Todas as brigas a sufocavam. James partiria em dois dias e ela teria que estar lá para se despedir. Ele e sua mãe voltariam para Londres, levando Edmundo junto, deixando finalmente sua família em paz, e era isso que ela estava desejando. Admirou a foto dos moradores daquela casa, que ficava em um quadro na parede, todos estavam felizes, parecendo uma verdadeira família.
Família, todos explicaram a sua origem, menos Nicholas. Ele sempre conseguia esquivar do assunto, mas nunca disse a Louise porque sua família era um assunto proibido. No dia em que ele chegou, a garota lembrou do olhar que recebeu, como se ela fosse algo a se descobrir, a experimentar, mas no fundo, ele quem tinha que ser entendido.
A garota percorreu a sala e jogou-se no sofá. Ficou ali com as mãos na barriga, olhando para o teto. Liberou a mente de pensamentos ruins e relaxou, não demorou muito para que ela estivesse sonhando ou talvez fosse um pesadelo, ela apenas não lembraria de nada ao acordar.
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Nicholas estava revoltado, afinal um turno extra e com tantos processos era estressante, mas o que mais lhe revoltava era saber que sua doce Louise estava precisando de atenção e ele estava ausente. E apesar de todo o cansaço, ele já havia feito reservas no restaurante favorito dos dois e comprado um buquê de rosas vermelhas para compensar. Ele sabia que a garota deveria estar chateada ou talvez até brava, mas hoje ele estava disposto a fazer tudo para vê-la sorrir. Chegou em casa por volta da 20 h e viu que tudo estava muito quieto e algumas luzes apagadas. Ele entrou e se deparou com a namorada dormindo no sofá.
Sim! Ele reconheceria Louise de longe, apesar de que a única coisa diferente na aparência, entre ela e Líliam serem os olhos que naquele momento estavam fechados. Mas Louise era diferente, afinal tinha o semblante mais leve que o da irmã, os cabelos eram mais compridos e cacheados, as unhas eram grandes e sempre pintadas, as suas roupas eram sempre estilosa e alegres, mas o que fazia o garoto realmente saber a diferença entre as duas, era que a sua Louise tinha marcas de risos, bem poucas, mas tinha. Líliam poderia ser uma cópia dela, mas a garota sempre fora mais séria e madura. Louise não, ela parecia uma grande criança, que adorava rir de tudo, se estressar por tudo, chorar por tudo. Ela era intensa e sincera. Os olhos amarelados era seu medidor de sentimentos, mas muitas vezes ela soube esconder o que sentia, e ela vivia isso agora. Ela precisava esconder tudo para dar suporte a família. Mas apenas Nicholas sabia que o muro estava preste a ruir e desabar.
Ele largou a bolsa e as flores em um canto e sentou-se na beirada do sofá, admirando sua namorada por um tempo. Pensou em acorda-la, mas o cansaço era visível em seu rosto. Resolveu então ligar para um restaurante trazer o jantar e após tomar um banho, vestir uma roupa mais confortável, arrumar o jantar nos pratos e arrumar as flores em um vaso, o garoto foi acordar Louise.
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— É incrível como papai e mamãe tem o dom de se esconder. – falou Líliam um tanto irritada com o sumiço dos pais. Já havia horas que ela e Caleb estavam dentro do carro rodando os quarteirões atrás do casal.
— Eles podem ter ido a qualquer lugar, Lily. O que faz você pensar que eles podem estar dando voltas em um quarteirão?
—Mamãe me contou que quando eles brigavam, papai costumava ficar dando voltas no quarteirão para se acalmar.
— Nossa, que estratégia estranha. – Caleb falou com divertimento.
— Ei, que cara de felicidade é essa?
— Ah, eu não consigo parar de pensar na Lúcia vestida de noiva.
— Cal, você tem certeza de que não é cedo demais?
—Claro Lily. Eu amo aquela garota desde o instante em que a vi.
— Que bom que você está feliz. Quero ser madrinha e .... Ei, olha ali naquele restaurante. – Disse Líliam enquanto parava o carro e apontava um casal em uma mesa na frente de um pequeno restaurante de comida caseira. Antoni e Helena sorriam e conversavam despreocupados, como dois adolescentes em um encontro. Caleb ficou rígido e travou o maxilar com a tensão. Ficaram ali por mais alguns minutos até Líliam falar:
— Vamos lá?
— Eles estão felizes, iremos estragar o momento. – Caleb disse com uma pontada de medo e angustia no olhar.
— Não iremos não. Essa conversa não pode ser adiada Cal, e você sabe disso.
—Sei, então vamos logo. – Caleb respondeu enquanto saia do carro.
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Louise sonhou que estavam de volta na cachoeira em Macacos, mas daquela vez não haviam desentendimentos, os problemas pareciam ter evaporado e todos estavam juntos e felizes novamente. Mesmo sabendo que era apenas um sonho se permitiu ficar ali por mais um tempo. Era tudo o que ela precisava, ver todos bem e felizes, e sentir-se assim também. Sem fingimentos por conta de seu avô arrogante e manipulador.
Mas um suave sussurro a chamava para fora daquele mundo perfeito. Por mais que Louise resistisse a ideia de acordar conhecia bem aquela voz e aquele cheiro de loção pós barba. Eles lhe diziam que ela não precisava de mais sonhos, a realidade que a esperava era bem melhor. Quando acordou se deparou com um par de olhos que faziam seu coração trabalhar mais rápido desde o primeiro momento que os vira.
— Odeio ter que acordar você anjo — ele disse com um sorriso travesso
— Você é um mentiroso lindo Nicholas, mas ainda assim é um mentiroso. — Ele gargalhou e a convidou para sentar no sofá.
— Preparei algo para nós. Sei que as coisas não vão nada bem para você e me sinto um imbecil por não poder estar mais ao seu lado...
— Ei, não diga isso. — ela o interrompeu colocando gentilmente o indicador sobre os lábios dele — Eu entendo. E saiba que eu não poderia encontrar um namorado melhor que você, pois você é perfeito pra mim. Nicholas simplesmente sorriu genuinamente, aquele sorriso que sempre fazia as pernas de Louise bambear.
Ele a conduziu até a cozinha, que estava iluminada por algumas velas, havia um vaso sobre a mesa, com lindas rosas, e pratos especais que ela reconhecia do restaurante favorito dos dois, o mesmo do seu primeiro encontro. O rapaz puxou a cadeira para que ela se sentasse e logo se acomodou em um lugar à sua frente.
— Isso sempre me lembra o nosso primeiro encontro — Louise disse com um sorriso bobo nos lábios.
— Era com isso que você estava sonhando quando eu a acordei? Porque se for posso compensá-la com um encontro ainda melhor — ele dizia enquanto sorria fazendo Louise gargalhar.
— Na verdade não, mas também... Sabe, sinto saudades de antes, quando não tínhamos tantos problemas e nenhum avô cruel e manipulador.
— Também sinto saudades de te ver sorrir com mais frequência anjo. E quando o senhor Edmundo voltará para Londres?
— Em breve, é o que todos esperamos. — ela disse enquanto o estudava — Você não sente saudades? Londres foi seu lar durante quase toda a sua vida. Ela percebeu quando o rosto de Nick enrijeceu e seus olhos vagueavam pelo prato, como se ali houvessem todos os segredos do mundo.
— Desculpe Nick, é que nós nunca conversamos sobre a sua vida antes Brasil, e eu...
— E eu não tenho sido justo em não lhe contar.
— Na verdade não tem sido justo mesmo... — ela começou a dizer mas se interrompeu no momento em que viu ema expressão de dor no rosto do namorado — Nick se não quiser falar agora tudo bem.
— Acredito que depois de tão pouco apoiar você com tudo o que tem acontecido, o mínimo que posso fazer é contar o que aconteceu. Mas vou logo avisar, não é nenhuma história de conto de fadas. Bom, para começo de conversa eu tenho um irmão mais velho, Jonathan. Mas nosso vinculo familiar está tão morto quanto se possa imaginar. Por isso nunca o mencionei antes. Jonathan e eu fomos criados da mesma maneira por nossos pais, frequentamos as mesmas escolas. Mas às vezes Lou nem todo o amor do mundo cura uma alma perdida. Meu irmão sempre teve um crescente amor pelo lado errado da vida, por assaltos, drogas, jogos, apostas, prostituição. Eu e os meus pais tentamos fazer ele sair desta vida... Mas não é tão fácil.
— Ele já havia ultrapassado todos os limites. — continuou Nicholas com o olhar perdido nas chamas da vela e com a voz embargada. — Sumia por meses e cada vez aparecia pior. Acabou com grande parte das nossas posses e o dinheiro da família. Não encontrávamos mais uma clínica de reabilitação da qual ele não conseguisse fugir. Alguns anos atrás, eu estava em um congresso da faculdade em uma cidade vizinha, Jonathan apareceu em casa completamente insano, procurando por dinheiro ou qualquer coisa que pudesse pagar suas dívidas e comprar mais uma grande quantidade de drogas... Meu pai...
Nicholas arfou, como se toda aquela história estivesse lhe sufocando, lhe machucando. Ficou algum tempo em silencio, talvez procurando a sua voz ou até mesmo relembrando o pesadelo que viveu, mas antes que Louise falasse algo, ele continuou:
— Ele já estava tão desgostoso que ameaçou chamar a polícia, assim que Jonathan o viu chegar perto do telefone o atingiu com três balas na cabeça... As outras duas balas que estavam no revolver foram destinadas a minha mãe, que não fez nada além de chorar pelo marido e por seu filho. Por isso não me importei em largar aquele país na primeira oportunidade que tive. Tudo não deixou de ser um mar de lembranças ruins para mim e por Deus como eu sou grato por ter vindo para cá, por poder recomeçar ao seu lado meu amor...- Louise não soube o que dizer, apenas levantou-se e se dirigiu ao namorado, enxugou as lagrimas que corriam pelo rosto de Nicholas e o envolveu em um abraço enquanto sussurrava de volta que o amava.
— Amor, independente do que seu irmão tenha feito, eu amo você. – Louise falou mais alto enquanto limpava as lágrimas do namorado. – Caleb sabe disso?
— Não, ele sabe apenas que algo assombroso aconteceu à minha família.
—Então esse será nosso segredo?
— Sim será, eu só conseguiria contar isso pra você.
— Obrigada – disse a garota enquanto enroscava seus braços no pescoço do garoto e o beijava docemente. Não demorou muito para o clima esquentar. Nicholas passava uma mão na costa de Louise, puxando levemente a ponta de seu cabelo, enquanto a outra mão repousava em sua coxa.
— Lou, é melhor pararmos e ....
— Nick, eu amo você e estou pronta pra ser sua, inteiramente sua. – o garoto encarou os olhos amarelados da namorada, que estavam cheios de desejo e amor. Pegou a garota no colo e subiu as escadas sem quebrar o contato visual. Entrou no quarto de Louise e a colou na cama, ficaram por mais alguns segundos perdidos nos olhares, mas então Louise puxou Nick pela gola da camisa e colou seus lábios no dele. As borboletas em seu estomago estavam em festa, dando pequenos choques que percorriam todo seu corpo. O beijo ficava cada vez mais intenso, assim como a vontade dos dois. Naquela noite, o amor dos dois ultrapassaria uma nova barreira, a mesma que dava a certeza para Louise de que nada mais poderia separá-los.
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Aquela noite estava sendo incrivelmente romântica. Amber jamais poderia imaginar o quanto sentira falta do toque de Luís, assim como se sentia culpada por ter sido tão idiota e ciumenta. Mas felizmente, tudo aquilo havia acabado, e agora seu Luís estava ali, com suas mãos quentes coladas na dela, com seu olhar afetuoso apreciando cada movimento feito por ela e ainda tinha a sua voz. Aquela voz, um pouco rouca, que fazia seu coração bater mais forte, como se fosse saltar a qualquer momento de seu peito. Aquela noite seria memorável, seria o começo de um novo relacionamento, cheio de amo e principalmente de confiança. Afinal, o garoto já lhe mostrara o quanto era diferente dos garotos ou homens com quem se envolvia, ele a amava, merecendo toda sua confiança.
— Amor, amor... – chamou o garoto pela segunda vez, despertando a garota dos pensamentos – Nossa, você tá distraída.
—Own, me desculpe amor, é que eu estava pensando em tudo o que aconteceu e ....
— Shiiii, pare por favor – disse ele com um olhar de profunda dor e um pouco de desespero na voz.
— Amor, eu preciso te falar. Eu fui uma boba, e estava pensando que você é diferente de todos com quem me envolvi e por ser tão machucada por eles, que acabei surtando com você, mas eu preciso que saibas que eu te amo, que gostaria muito de sempre ter você em minha vida, no meu coração.
— Eu te amo... – foram as únicas palavras que Amber ouviu antes de ser beijada e rodopiada nos braços de Luís. Agora tudo estava certo, ou quase tudo.
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— Não acredito que você pediu essa porção enorme de batata frita? – disse Antoni, fingindo indignação ao olhar a porção extra grande de batata frita que chegava à mesa.
— Nossa, falou o homem que come uma pizza grande sozinho. – respondeu Helena enquanto revirava os olhos – afinal, você querendo ou não, logo teremos companhia.
— Como você sabe disso?
— Quando foi que nossos filhos nos deixaram em paz durante todos esses anos? – perguntou a ruiva com uma sobrancelha levantada e um olhar inquisidor.
— Hãm.... tá, você tem razão. Nunca. – disse o loiro enquanto procurava em sua mente algumas lembranças dos filhos. – Amor, lembra no dia em que Caleb insistiu que a nossa empregada era uma vampira? – Não demorou muito para Antoni ouvir a gargalhada de Helena, louca e serena ao mesmo tempo.
—S-sim... – disse ela entre risos – Lembro que ele andava com um cordão de alho e uma cruz pendurada no peito. Fora no dia que ele tacou-lhe água benta na senhora Lins. – Antoni já soltava algumas lágrimas e sua barriga já doía de tanto rir.
— Qual a graça? – perguntou Líliam com um olhar cansado, como se estivesse fazendo um imenso esforço em estar ali. Logo o sorriso no rosto de Antoni morreu, os olhos verdes encontraram os amarelos de seu filho, havia arrependimento ali, mas também o olhar do garoto era tomado de determinação e pela primeira vez Antoni viu o quanto ele e o filho eram parecidos.
—Estamos lembrando de algumas coisas – respondeu Helena, colocando bastante ketchup na batata. – Por que não sentam?
—Posso pedir algo pra comer? – perguntou Líliam enquanto buscava um lugar ao lado do pai e Caleb sentava ao lado da mãe.
—Claro, querida. – respondeu Helena, empurrando o cardápio para a filha, enquanto via Antoni chamar uma garçonete. Não demorou muito para que ele percebesse a semelhança no apetite das ruivas. Por fim, Líliam pediu uma porção grande de frango empanado e uma vitamina de abacate, enquanto Caleb parecia um tanto esverdeado.
— Filho, tem certeza que estás bem? – perguntou Antoni, com um certo receio.
— Não, eu não passo bem. Pai, eu gostaria de pedir perdão, eu jamais deveria falar com você daquele jeito ou lhe comparar com o seu pai. Mas eu também gostaria que você me entendesse, por que eu a amo e não posso, não consigo ficar sem tê-la ao meu lado. E quando você tentou me impedir, eu fiquei louco, fora de mim. Pai, eu nunca sonhei ou desejei ter um futuro longe de vocês, mas eu faria isso por Lúcia, mesmo que uma parte de mim fosse infeliz. E eu sei que você me entende, porque sei que sente o mesmo por mamãe. – Caleb disse num folego só, e Antoni logo notou que seu olhar ficou mais relaxado, como se ele tivesse tirando o mundo das costas.
— Eu sei filho, eu apenas me preocupo com você, mas concordo que passei um pouco dos limites, só que é muito difícil entender que vocês são adultos agora, que não pedirão mais minha proteção. Mas agora, nesse momento, eu apenas quero esquecer tudo isso. Não fui justo em lhe pedir que viesse para visitar seu avô, por isso antes de vir pra, eu comprei isso. – Antoni colocou em cima da mesa um envelope branco com o nome de Caleb no verso. Não aguentando de curiosidade, o garoto abriu e sorriu para o que estava em sua mão.
— O que é? — Perguntou Líliam antes de colocar um pedaço de frango na boca.
—Uma passagem para São Paulo. Poderei ir amanhã.
— Quero que você vá atrás de sua Lúcia, do seu amor. – disse Antoni, dando um olhar cheio de significados para Helena.
—Obrigado pai, eu não sei o que falar ou...
— Me agradeça comendo um pouco e curtindo a noite com a gente.
— Tudo bem, mas falta Louise.
—Ah, Lou está com Nicholas e parece que estão em um jantar romântico lá em casa.
— QUÊ? – gritaram Antoni e Caleb juntos.
— Ah por favor, e a história de sermos adultos? Sentem os dois, e vamos comer. Deixe Lou viver seu amor. – Falou Líliam com raiva na voz e um olhar assassino no rosto.
—Ta, ta bom. – respondeu Antoni, sentando-se. Líliam voltou a comer o frango, enquanto recebia olhares assustados dos presentes daquela mesa.
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“Não te trago ouro, por que ele não entra no céu, e nenhuma riqueza deste mundo... Não te trago flores, por que elas secam e caem ao chão... te trago meus versos simples, mas que fiz de coração...”
O último acorde da música não foi ouvido, devido aos inúmeros aplausos. Ali em cima do palco, Amber, Soffia e Maria Julia faziam referência a plateia, enquanto seus namorados aplaudiam e assoviavam. A noite no Karaokê estava sendo bem divertida, mas ainda estava faltando Nicholas e Louise, Bernardo e Líliam, Caleb e Lúcia e James. Aquelas pessoas estavam ligadas por um laço maior que amizade, um laço familiar, de amor.
— Nossa como o tempo voa! – falou Thomas verificando o celular e levantando- preciso ir.
—Posso ir com você? – Maju perguntou com um olhar pidão.
—Claro amor. Vamos?
— Amados, eu sei que a minha presença é o motivo de todos estarem aqui, mas eu preciso ir. – anunciou a loira, com orgulho na voz.
—Nossa, quanta modéstia. – respondeu Luís com um sorrisinho sarcástico no rosto.
— Nós também já vamos. – interrompeu Soffia dando um grande bocejo.
—Nos vemos amanhã, irei dormir na casa do Luís. – anunciou Amber, fazendo Luís engasgar com o ultimo gole do seu suco.
— Ah, sério? – perguntou com os olhos ainda brilhando de surpresa.
—Sim, super sério! Posso? – perguntou a garota.
— Oh, claro amor. – respondeu Luís. Todos despediram-se e saíram do karaokê. Amber e Luís andaram até alguns quarteirões até chegarem no apartamento do rapaz. Enquanto Amber vestia uma camisa do namorado, sentiu um aperto forte no coração que lhe tirou o ar e escureceu a vista, rapidamente ela sentou-se na cama e ficou ali, esperando aquela dor passar. Pegou o telefone e ligou para a mãe.
—Alô?
—Mãe, oi, como está o Lucas?
— Ah, Abby, ele teve uma grande melhora. Perguntou por você hoje, mas os médicos tiveram que dar os antibióticos pra ele, então a sonolência o venceu.
—Mamãe, se algo acontecer, me ligue sim?
—Tudo bem querida, boa noite.
—Boa noite, te amo!
—Também amo você, princesa. – Amber ainda ficou com o telefone grudado na orelha por um tempo. Aquela sensação não era normal, aquele aperto no coração era estranho como se fosse um agouro. Colocou o telefone no volume máximo, e ao seu lado na cama, mas novamente aquela sensação lhe afligia como metal frio.
Ela contou tudo o que sentira para o namorado, e depois de chorar toda a angustia presente em seu coração, a garota finalmente dormiu nos braços do namorado. Luís, ficou bem preocupado com a namorada, não conseguindo pregar os olhos. Tê-la ali, em seus braços era como estar em um sonho bom. Fechou os olhos e relaxou, encontrando sonolência suficiente para um sono calmo.
Amber andava pelo lindo jardim que circulava sua casa em BH. O cheiro de grama cortada, de madeira e de flores invadiu suas narinas, mas seu sorriso só aumentou quando o viu. Brincando embaixo da árvore que ficava no quintal, estava Lucas. Ele a olhava com um sorriso sapeca e um olhar maroto, estava vestido com uma blusa azul e uma bermuda branca.
—Lucas, o que faz aqui?
—Abby, como você está linda. Mas falta algo. – Ele disse, ignorando a pergunta da garota e colocando uma cora de flores no cabelo da irmã, que já estava de joelhos em sua frente.
— São lindas Lucas, mas me conta, você está bem?
—Agora tudo está bem Abby, agora encontrei meu lugar. Eu estou em paz.
—C- como assim? Em paz? – ela perguntou, com a voz tremendo.
— Sabia que eu poderei cuidar de você agora? — perguntou ele, novamente ignorando a irmã.
— Cuidar de mim?
—Sim, como um anjo. – ele olhou para o céu azulado por um tempo e novamente a encarou. Agora seus olhos âmbar, estavam tristonhos e saudosos. – Sentirei falta de vocês Abby, mas preciso que vocês sejam forte. Que vocês sigam em frente. Minha missão foi cumprida, agora preciso ir.
—Não, não, não. Lucas pare de falar bobagens, por favor.
—Eu amo vocês Abby, mas o que eu falo não é bobagem. – ele disse acariciando o rosto da irmã. As lágrimas já corriam livremente por seu rosto. Seu irmão então lhe abraçou e então seu corpo ficou pesado enquanto ouvia seu nome ao longe.
— Abby, acorde. Amor, acorde por favor. – Luís sacudia delicadamente a garota, até seus olhos abrirem. Lágrimas desciam finas por seu rosto, mas ao olhar nos olhos de seu namorado ela soube que nada foi um sonho, o cheiro das flores ainda estavam em suas narinas, como se aquela coroa ainda estivesse em sua cabeça. – Amor, sua mãe ligou. – ela o encarou e olhou no relógio, que ficava pregado na parede oposta à cama, que marcava 3:00 h. – Amor, eu sinto muito, mas seu irmão.... Ele morreu. — Ouvir aquilo, ter certeza que seu irmão não falava bobagens a sufocou, seus olhos perderam o foco e ela caiu na escuridão, mas dessa vez Lucas não estava mais lá para abraça-la, ele jamais estaria ali novamente.
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