Notas iniciais
Bom dia meus amores, eu sei que vocês devem estar querendo me matar, mas meu sumiço tem uma explicação que se resume em três letras: TCC. Peço que, por favor, entendam. Eu estava com saudades de escrever, por isso irei postar um capítulo quentinho e provavelmente amanhã irá ter outro, isso não é uma PROMESSA. Mas falta pouco para a entrega do TCC, depois disso serei toda sua.... hahahaha. Boa leitura.

Tudo parecia estar fora de lugar desde que Amber havia lhe dispensado. Várias semanas haviam se passado desde o dia em que viu a garota pela última vez. Era como se nada mais tivesse graça, cor e cheiro. Luís estava indo cada vez menos pra faculdade e pensando cada vez mais que estava ficando louco. A vida dele sempre havia sido sem muitas aventuras, sempre vivia sua vida de maneira que ninguém o percebesse, era como se fosse um fantasma. E ele gostava de se sentir assim. Ser o melhor da turma, não ter muitos amigos e não gostar de coisas fúteis como moda faziam parte do Luís que Amber conheceu. Mas como pode uma pessoa mudar tanto? E em tão pouco tempo

Depois de esbarrar com ela naquele dia, ele só conseguia pensar nos olhos brilhantes dela e no seu sorriso. Ela era incrivelmente linda e nada fútil. Era inteligente e divertida, tudo o que ele procurava em uma mulher. Mas ao conhecer Daniela ele percebeu que sentia falta de conversar com alguém que entendesse os games, as series, os filmes e tudo o que ele gostava. Mas esse desejo acabou no momento em que viu o olhar tão brilhante de Amber ficar desfocado e opaco. Tudo pra ele acabou naquele momento, e só então ele percebeu que Amber era tudo o que ele desejava. O sorriso, a curiosidade, as piadas, os olhares, os beijos, o cheiro de orquídea, tudo nela era convidativo. Ele a amava e por isso seu coração doía tanto, pois ele sabia que tinha magoado ela.

Precisava resolver aquilo. Seu coração implorava para que ele fosse atrás dela e seus corpo clamava para sentir os lábios da garota. Naquele dia, o clima estava particularmente frio, mas ele teve coragem de entrar no banheiro e deixar a agua fria descer no corpo e esfriar a mente. Ele terminou de se arrumar e olhou-se no espelho. As olheiras estavam presentes em seu rosto, assim como o olhar triste e distante. Ele havia colocado uma calça jeans escura, uma blusa de meia branca, por cima uma blusa de botão azul marinho e uma jaqueta marrom que Amber havia lhe dado como primeiro aniversário de namoro. Os sapatos eram All Star marrom. A jaqueta era divina, a garota havia customizado nas costas o símbolo de Star Wars, fazendo o garoto parecer um bad boy nerd.

Olhou- se novamente no espelho e sorriu. Jamais pensaria em combinar alguma coisa antes. Ela lhe fazia falta e ele estava ficando louco. Pegou a mochila e saiu decido a tê-la novamente.

–-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------James tinha acabado de chegar da casa de Helo. Ele estava passando bastante tempo com ela depois da viagem ao Hotel Fazenda. No começo ele andava triste pela frieza de Líliam, mas uma coisa lhe dava esperanças. Depois que voltaram o garoto ouviu Louise comentando com Soffia o que havia acontecido entre os dois e pelo que ele havia notado, mesmo depois de semanas eles não haviam voltado.

Porém suas esperanças sumiram quando Caleb lhe contou que havia tido uma conversa séria com a irmã e que ela ainda estava relutante em voltar a ter algo com ele. Mesmo morando na mesma casa que ela, James podia sentir a raiva que a garota cultivava com relação a ele. Decidiu então dar uma chance a Helo, que também tentava esquecer Caleb. Ele só não sabia que a garota podia ser tão viciante. Além de linda, Helo era divertida, inteligente e compreensiva, o que ajudava muito James, pois ele sempre podia ouvi-la dizer coisas bonitas que aliviavam o nó em seu peito.

Depois de perceber seu atraso James correu para o banheiro, tomou banho e vestiu-se apenas com a calça jeans. Procurou uma camisa em toda parte e não encontrou, isso deve ser obra da Louise, pensou o rapaz. Passou as mão no cabelo molhado e saiu do quarto rumo ao quarto da prima. Bateu duas vezes e logo a porta abriu mostrando a ruiva. Ele entrou falando no quarto sem olha- lá direito.

– Lou você pegou minhas blusas? Eu procurei no meu quarto e então imaginei que talvez você tenha pegado e mandado pra lavanderia. Eu também acabei deixando algumas blusas na casa da Helo. Essa blusa é minha ou do Caleb? — disse o garoto enquanto procurava em uma pilha de roupa que estava em um canto perto da cama da garota. Procurou por uma blusa preta que combinasse com sua jaqueta e só então estranhou o silêncio da prima. Ele a olhou e seu coração parou. A ruiva olhava fixamente para ele e os olhos verdes em uma briga interna entre o ódio e o desejo.

– Líl... ah oi Líliam, me desculpe, pensei que fosse a Louise. — disse o garoto desconcertado.

– Essa blusa é do Caleb, eu dei a ele. — disse ela com a voz tremula. Os olhos dela então passearam pelo corpo do rapaz, fazendo ele ficar um tanto constrangido.

Quando os olhos voltaram a se encontrar, James não pode deixar de dar um pequeno sorriso. O que deixou a garota furiosa.

– Tem alguma palhaça aqui? Ou a Helo está sugando demais suas energias que está fazendo você delirar?

James apenas a encarou com o sorriso ainda em seus lábios. Enquanto ele chegava mais perto, a garota recuava até que bateu as costas na porta. Ele então se aproximou, colando seu corpo no dela deixando o seu rosto a milímetros do dela. Ele sentiu quando ela estremeceu e seus olhos estavam brilhantes.

– Não acho que você esteja certa! — falou ele com a voz rouca. — Eu não vejo palhaço nenhuma aqui e ainda tenho muita energia sobrando. — ele então passou a ponta dos dedos delicadamente no braço dela, fazendo uma trilha. Ela estava quieta e respirando rapidamente. Os olhos ainda travavam aquela pequena guerra interna. — Por que está nervosa? — perguntou ele divertido enquanto passava uma das mãos na nuca da garota enquanto sentia o corpo dela amolecer. — Por que você está tão nervosa? — perguntou novamente enquanto colava mais seu corpo ao dela e puxava a sua nuca mais para perto. Passou a mão no rosto dela, desenhando seus traços com o dedo enquanto ela fechava os olhos. O dedo dele começou a desenhar os lábios dela e então ela abriu os olhos. Eles estavam tempestuosos e com um brilho novo, um brilho de desejo. Ele então roçou os lábios no dela e não aguentando mais aprofundou o beijo.

O beijo não era calmo, mas sim voraz e cheio de saudade. As mãos dela já se enrolavam em seu cabelo. Mas para conquista-la, ele tinha que ser forte. Então sem ela esperar, ele interrompeu o beijo deixando-a assustada, e saiu com o maior sorriso do mundo.

–-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

– VOCÊS O QUE? — perguntara João indignado. — Não, você não irá fazer isso Maria Júlia. — protestava João. Ele se via em baixo de uma árvore da faculdade com Thomas e a irmã lhe dizendo que estavam prestes a largar a faculdade de medicina para começarem uma jornada musical sem pé nem cabeça.

– Nós já trancamos o curso — disse Maju orgulhosa sendo apoiada por Thomas.

– O QUE? — gritou novamente João chamando atenção de um grupo de meninas.

– Cale a boca. — disse a garota exasperada — Mano entenda que esse sempre foi meu sonho e o Thomas com toda essa história de banda só me fez querer realiza-lo. Eu amei tocar meu violino pra toda aquela gente, eu amei cantar. Eu preciso do seu apoio. Por favor.

– Não acho que isso seja uma boa ideia, Maju. Você sabe que combinamos como seria nosso futuro e por tão pouco você está desistindo dele.

– Thomas, preciso ficar a sós com ele. Te vejo depois, ok?

– Tudo bem amor. — disse o garoto dando um selinho e se encaminhando para a cantina.

Maria Julia voltou-se para o irmão e ele parecia perdido em pensamentos. Ele sempre tinha o costume de protege-la e isso deixava a garota feliz por sempre ter alguém que a amava de verdade. Aquele momento era difícil, mas ela não desistiria de seus sonhos.

– Mano, entenda. Eu sei que fizemos planos pra uma vida melhor e para que ficássemos sempre perto, mas eu me sinto tão bem quando eu toco ou quando canto. Eu me sinto conectada a eles.

– Eu sei. É só que...

– Eu não ficarei longe, eu prometo. Eu nunca conseguiria mano, você sabe. Eu amo muito você, mas eu preciso que você me apoie. — O garoto a encarou por um tempo, o que pareceu ser horas para Maju. Depois de uns segundos ele suspirou e ela soube que a batalha tinha sido ganha.

– Tudo bem. Eu apoio a sua loucura. Mas se não der certo...

– Eu volto imediatamente para a Universidade. Eu prometo. — interrompeu a menina pulando no colo do irmão e distribuindo beijinhos no rosto dele. — Você é o melhor irmão do mundo.

– Eu sei. — respondeu João convencido.

Ficaram abraçados ali por um tempo. Maria Julia sabia que a partir dali tudo seria difícil, mas agora ela se sentia pronta pra enfrentar todas as tempestades.

–-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

James estava mais que atrasado, estava encrencado. Quando chegou ao aeroporto correu para a área de desembarque mas não encontrou sua mãe, ele tentou ligar para ela, mas o celular ainda devia estar no modo avião. Foi quando passou em frente ao café do aeroporto que avistou a cabeleira loira de Elisabeth. Ela estava concentrada em sua xícara de Cappuccino e mal percebeu quando James juntou-se a ela na mesa.

Assim que Elizabeth viu o filho abriu um enorme sorriso, no entanto seus olhos tinha um brilho de tristeza. James ficou preocupado ao perceber aquilo, porém a mãe não deu espaço para que ele contestasse isso.

– Não vai nem abraçar a sua mãe? Pensei que estivesse com saudades — disse a mulher ainda sorrindo. James envolveu-a em um abraço apertado.

– E estava — disse ele apertando mais o abraço — com muitas saudades.

– Eu também querido. E fiquei preocupada. O seu avô, como ele está?

– Não tenho visto o senhor Nottingham mamãe. — disse James com certo pesar e raiva na sua voz o que fez Elizabeth o censurar com o olhar.

– Jay o seu avô...

– Mamãe, ele passou dos limites dessa vez — disse James suspirando pesadamente — se importa? — perguntou o rapaz gesticulando para que sentassem à mesa novamente. James acabou pedindo um café também, seria uma longa conversa, mas entre todos, sua mãe era quem mais sabia lidar com Edmundo. E ele estava preocupado com o avô morando sozinho, no entanto o sangue da família corria tão forte na sua veia como em qualquer um deles, ele era orgulhoso demais para dar o braço a torcer.

–-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Luís já tinha percorrido quase todo o campus atrás de Amber, mas parecia que a garota estava se escondendo dele. Ele havia encontrado Soffia, mas ela também não sabia nada da ruiva. Decidiu então ir até a cantina comer algo, para em seguida ir até a casa da namorada. Não demorou muito para ouvir alguém gritar seu nome.

– LUÍS, LUÍS. — ele então virou-se e teve uma surpresa um tanto desagradável. Correndo em sua direção vinha a garota que ele havia conhecido no Hotel Fazendo. Daniela.

– Ah, Oi Dani. O que faz aqui? — disse o garoto enquanto apressava o passo. A garota quase corria para acompanha-lo, mas ele não poderia arriscar que Amber visse ele conversando com ela. A garota era legal, mas ele queria a namorada de volta, nem que isso lhe fizesse um idiota completo.

– Bom eu estudo aqui. Comecei esse semestre, nossa que bom te encontrar — falou a garota ficando na frente dele, obrigando-o a parar e encara-lá. Ela vestia uma blusa preta do Star Trek e uma jaqueta preta. Os cabelos estavam trançados e uma toca vermelha descansava em sua cabeça. — O que houve?

– N-nada, eu... olha Dani foi legal ver você, mas eu preciso ir atrás da minha namorada.

– Namorada? Pelo que ouvi naquele dia ela não queria mais nada com você.

– Como assim ouviu? Você estava me espionando?

– Oh não, eu apenas gostei muito de você sabe?

– Não eu não sei, fique longe de mim sim? — Mas antes que pudesse seguir a diante a garota enlaçou os braços no seu pescoço e colocou os lábios nos dele.

A primeira reação dele foi ficar surpreso, depois a raiva começou a aflorar dentro de si. Ele não queria aquele beijo. Então antes que ela aprofundasse o beijo, Luís a empurrou, mas para sua surpresa e decepção Amber estava parada atrás de Daniela com a cabeça baixa, a tensão era palpável quando ela o encarou. Os olhos castanhos brilhando e uma única lágrima manchava seu rosto. Mas antes que Luís pudesse dizer algo. Ela o olhou com puro desprezo, então virou as costas e saiu.

–-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Eles haviam embarcado há vinte minutos e Lúcia já estava dormindo em seu peito. Ele podia sentir a respiração suave da garota enquanto afagava os cabelos castanhos dela. Era tão reconfortante tê-la por perto, tão calma daquela forma. Aquilo fazia com que Caleb se sentisse nas nuvens, se bem que eles estavam, de certa forma.

Ele fazia o máximo para que ela permanecesse dormindo, mesmo quando sua vontade era algo que não tinha nada a ver com sono. Lucia e Louise haviam sacrificado a última semana inteira por causa das provas e trabalhos do fim do semestre, o que havia deixado Caleb ainda mais louco de saudades de sua namorada. Mas o adoecimento da avó da garota havia lhe tirado o sorriso e Caleb podia observar o quanto aquilo estava afetando-a

Ela andava chorosa, não comia e nem brigava com o namorado, o que deixava ele imensamente frustrado. Ele apenas queria sua Lu saudável e feliz. E para tanto ele comprou duas passagens para São Paulo, onde a garota poderia matar a saudade da mãe e da avó. Ela começou a se agitar e a sussurrar o nome do pai. Louise e Lily haviam lhe dito que a garota estava tendo pesadelos quase todas as noites, e de fato várias daquelas noites todos acordavam espantados com os gritos e o choro de Lucia.

Mas quando ele lhe contou a surpresa, Lúcia se chateou. Ficou dizendo que o garoto não era obrigado a sentir pena dela, que Helo tinha razão, ela era pobre e quem queria ficar com uma garota que não tem onde cair morta. Caleb ficou com raiva no começo, mas ele podia ver o olhar desesperado dela assim como o medo. Ela estava com medo por que não tinha tanto dinheiro como Caleb, e isso o deixou mais enfurecido, como ela pode pensar isso de mim? Se questionou o garoto. Mas depois de discutirem Caleb entendeu que ela tinha medo de perdê-lo. Assim como ele teve quando não entregou o diário dela.

Tudo o que ele queria era abraçá-la e fazer com que se acalmasse sempre que acordava assim, como ele estava fazendo naquele instante. No entanto seus pais não achavam uma boa ideia dele dormir no mesmo quarto que a namorada. De súbito um par de olhos cinza se arregalaram para ele, e com um gesto brusco Lucia se afastou e encolheu-se no assento.

– Ei, Lu... — Caleb pode observar que ela estava com os olhos brilhantes e tristes. Ele entrelaçou suas mãos às dela — Amor, vai ficar tudo bem. Logo vamos chegar, você quer conversar?

– Call, eu... Eu não aguento mais uma perda. Meu pai... — ela suspirou exasperada — Agora eu só tenho minha mãe e minha avó. E a minha avó... Eu a amo muito, e ela é a única lembrança viva que tenho do papai. Não posso perder ela também. Lágrimas escorriam pelo rosto da garota, que ele logo se prontificou a enxugar.

– Você está enganada Lu. Na verdade você está duplamente enganada. Sua avó vai ficar boa, você verá. E amor, nunca volte a repetir que está sozinha, eu estou aqui com você. Você tem a mim Lu. — ele disse levantando o rosto de Lucia pelo queixo para que ela pudesse olhar em seus olhos.

–-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O Brasil era quente. Foi a primeira coisa que Elizabeth pensou, isso porque estavam no inverno. James havia lhe tido que teve o mesmo impacto quando se mudou para o país com o avô. Ela havia insistido para que o filho a acompanhasse até a casa, relutantemente ele a deixou na casa e partiu, James ainda estava muito magoado com o avô, o que deixava o coração de Elizabeth ainda mais apertado. A casa era linda e imensa, o jardim era meticulosamente bem cuidado, coisa que não fez Elizabeth se surpreender. Seu pai sempre fora exigente quanto a essas coisas. A mulher respirou bem fundo e adentrou a residência.

– Papai? — ela disse ao abrir a porta o que a fez ser logo surpreendida por uma empregada.

– A senhora é filha do senhor Nottingham? Ele não disse que estava esperando visitas — ela era um pouco menor que Elizabeth e tinha os olhos escuros e cabelos cacheados presos num rabo de cavalo, suas feições eram apáticas e serias e cansadas. Pobre menina, pensou Elizabeth, ter que aguentar meu pai e seu temperamento devem estar sendo um castigo.

– Sim, ele não me esperava mesmo, vim fazer uma surpresa — disse a mulher com um pequeno sorriso no rosto.

– Ele está descansando senhora, seu pai está adoentado.

– Como assim adoentado?

A empregada, que se chamava Cecilia, conduziu Elizabeth até a cozinha, onde lhe preparou um chá enquanto relatava a discursão que James e Edmundo tiveram. Em seguida a visita de Antoni e o quanto o senhor Nottingham havia ficado deprimido desde então. Ele já não comia direito e nem saia muito e conversava menos ainda, ele tratava todos os outros empregados e ela pior que de costume. E estava fraco e debilitado.

– Duas semanas atrás começou com um resfriado — continuava a relatar Cecilia — e agora acredito que já seja algo bem pior, a tosse dele... Bom senhora, temo que seja tuberculose. E o senhor Nottingham se recusa a ir ao hospital ou chamar um médico, talvez a senhora o faça mudar de ideia.

Elizabeth assentiu tristemente enquanto bebericava seu chá, ela jamais deveria ter permitido que seu pai ou James viajassem para o Brasil, aquilo estava destruindo sua família. Mas ela sabia o que teria que fazer, ela tinha que conversar com seu irmão e acabar de vez com aquela confusão.

–-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Líliam estava extremamente aborrecida. Tudo o que ela desejava era ter um pouco de paz para pensar e isso só ela só tinha em seu quarto. Depois de alguns minutos convencendo os pais à passarem um dia passeando, a garota podia usufruir da paz e tranquilidade que aquele pequeno espaço era capaz de lhe proporcionar. Colocou sua velha poltrona em frente a parede de rabiscos e ficou refletindo todas as citações, fotos e letras de músicas que ali repousavam. Mas seus olhos se fixaram no rabisco que James havia feito. Ela então lembrou-se que mais cedo eles haviam se beijado.

As sensações que aquele beijo lhe causara era a principal razão para seu aborrecimento. O toque dele, a voz, o cheiro, fazia todo seu corpo tremer, seu coração acelera e o ar ficar escasso. Mas ela também percebeu que o beijo não lhe acendia, apesar de todas as sensações que aquele beijo lhe trazia, o calor era algo que só Bernardo lhe fazia sentir.

Bernardo. Ela não falava com ele desde a volta do hotel fazenda. Era difícil estar perto dele e não poder tocá-lo, mas Lily agradecia por aquele tempo. Ela realmente precisava pensar. Sua vida estava uma verdadeira bagunça. Ela ainda sentia algo forte por James, mas quando pensava nas palavras duras que ele havia lhe dito o seu coração se desmontava.

Mas sempre que estava com Bernardo parecia que seu coração ficava aliviado, o jeito como ele a tratava, como ele a fazia rir, o beijo cheio de calor que fazia ela ir nas nuvens. Ele merecia as todas as chances, mas pra isso ela tinha que deixar James ir. Deveria deixar ele sair do seu coração. Seu olhar tornou a vagar pela parede, e então ela parou em uma frase que pairava no cantinho da parede, estava feita em uma caligrafia pequena e bem desenhada. Ela levantou-se e chegou mais perto. A frase dizia:

"Afinal, aquilo que amamos sempre será parte de nós." (Hp)

– B.

Ficou alguns segundos olhando para aquilo e então sorriu. Naquele momento decidiu o que fazer e não entendia por que havia demorado tanto. Pegou o celular e enviou uma mensagem enquanto pegava o casaco e a bolsa. Ela daria uma chance, principalmente para o seu coração.

–-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Já fazia quase uma semana que Lucia e Caleb haviam chegado em São Paulo e Lucia não conseguia notar melhora alguma em sua avó, apenas pioras. E apesar de tudo ela não perdia seu incrível bom humor, característica que o pai da garota havia herdado. Anna disse que o câncer já estava muito avançado. Todas as noites, quando estava de plantão na enfermaria do hospital ela sondava os médicos, mas eles não lhe davam tantas esperanças.

Por sorte Caleb estava sempre ao seu lado, mas a garota não parava de pensar no que Helo havia dito no hotel fazenda e de fato ela não se sentia à vontade com aquela situação e com tudo o que acontecera eles mal pararam para conversar. Todas as manhãs e tardes Lucia saia para visitar a avó e na maioria das vezes Caleb a acompanhava. Caleb havia adorado a avó de Lucia, bem como ela havia o adorado também, eles conversavam horas e horas, o rapaz se divertia enquanto a avó contava coisas constrangedoras da infância da garota.

– Finalmente! — disse a avó quando a menina havia ido visitá-la e apresentou Caleb — tão marrenta do jeito que só a minha menina sabe ser, pensei que ela acabaria sozinha. Já era hora.

– Vovó! — Exclamou Lucia ficando rubra enquanto Caleb ria.

Anna também havia gostado de Caleb, quando Lucia menos esperava os dois estavam conversando animadamente sobre algo. O rapaz estava tentando sempre animá-las ou consolar Lucia.

Naquela tarde ela havia ido visitar a avó sozinha, Lucia estava com a cabeça em outro mundo, mas aquilo não importava, ela sentia que poderia andar pelos corredores vendada, sempre acabaria parando no quarto da avó. Já conhecia os caminhos como se fossem veias na extensão de seu braço. Assim que abriu a porta ela viu a avó dormindo. O único som ali eram dos aparelhos que a monitoravam. Logo lágrimas começaram a banhar seu rosto, ela não se permitia chorar se a avó estivesse vendo, mas ao ver aquele ser tão frágil e debilitado, aquela pessoa que ela tanto amava. Ela simplesmente sentia tudo desmoronar.

Sem nem pensar em dar um "oi" para sua mãe que estava de plantão, Lucia refez o percurso para casa. Ela precisava andar, pôr a cabeça no lugar e respirar, mesmo que fosse o ar poluído de São Paulo, qualquer coisa que não cheirasse a morte e doenças estava bom demais.

Quando chegou em casa seus olhos ainda estavam marejados e tristes. Ela pode ouvir Caleb ao banho, então aproveitou para ir até seu quarto pegar algo que a acalmaria, seu caderno vermelho. Ela sentou-se no sofá e percorreu as páginas com os dedos até encontrar uma vazia. Mas nem aquilo ela estava conseguindo fazer. Lucia se surpreendeu ao ver Caleb sentar-se no outro sofá, ele estava com os cabelos molhados, uma bermuda e blusa branca. Ele estava sério e olhava para o caderno como se fosse algum bicho venenoso. Lucia lembrou -se então de tudo o que havia acontecido por causa daquele caderno, aquilo a fez sorrir por um momento, o que deixou Caleb ainda mais surpreso.

– Vem cá — disse ela jogando uma almofada em qualquer lugar para que o namorado sentasse ao seu lado.

Ele a olhou ainda mais surpreso e depois de alguns segundos juntou-se a ela no sofá, Lucia encostou a cabeça no ombro no rapaz, inalando seu cheiro de sabonete. Ele a abraçou enquanto beijava o topo de sua cabeça.

– Pode ler — disse Lucia entregando-lhe o caderno e recolhendo a almofada que havia jogado, abraçando-a enquanto um Caleb temeroso abria o caderno vermelho.

– Tem certeza? — disse ele olhando para ela.

Lucia simplesmente assentiu.

Ele estudava cada palavra escrita ali, naquelas folhas. Não era um diário qualquer, Caleb pode perceber. Ele sempre soube que Lucia era incrível, mesmo assim sua namorada sempre conseguia surpreendê-lo. Aquele caderno estava cheio dos mais lindos poemas que ele ousou ler na vida, ele pode observar o quanto cada coisa que significava muito para Lucia estava escrita ali. A morte do pai, a mudança para Minas, os amigos, a mãe, saudades de casa, o fato de o quanto ela gostava de escrever, até mesmo ele.

– Você é incrível — ele disse enquanto inclinava-se para beijá-la, o beijo era suave e terno, ele sentia um constante gosto de lágrimas naqueles lábios doces que eram tão seus. O que só aumentava sua vontade de estar perto de Lucia para protegê-la. É claro que ele sentia falta dos beijos quentes, carinhos, brigas e reconciliações. Mas sabia que não era o momento, ele queria apenas que sua Lucia ficasse bem. E ele estaria sempre ali para ela.

– Call — disse a menina interrompendo o beijo com o olhar mais triste que o de costume — precisamos... Eu preciso te contar uma coisa.

Ele entrelaçou suas mãos nas dela enquanto esperava que Lucia começasse a falar. Ela no entanto, ao ver o gesto do rapaz, acabou encarando as mãos dos dois entrelaçadas por um longo tempo, até que algumas lagrimas começaram a percorrer o rosto de Lucia novamente. No entanto desta vez ela mesma as secou e encarou o rapaz com olhos sérios.

– Eu não posso voltar Call. — disse Lucia recolhendo suas mãos do aperto do rapaz. Ele levou alguns segundos para entender.

– Não, mas não iremos ainda, sua avó está...

– Não é isso Caleb — disse Lucia suspirando — Eu não vou voltar para Minas, nem antes e nem depois das férias. Vou tentar transferir o curso, ou tentar outro vestibular se for o caso. Mamãe quer voltar para Florianópolis e.... Sinto muito. Mas não posso.

Aquilo atingiu Caleb como milhões de socos, só então ele entendeu o que Lucia quis dizer.

– Não... Mas Lu, você vai largar o semestre que já concluiu e....

– Um semestre não é tanta coisa assim. E você sabe que não morro de amores por direito mesmo.

– E por mim? Você também não morre de amores? — disse ele com a voz rouca o que fez os olhos de Lucia cintilarem novamente.

– Não volte a dizer isso! É claro que eu te amo, não te deixaria ler tudo isso se não amasse. Mas Caleb, eu... Não posso mais ficar longe delas.

– E eu não posso ficar longe de você! — disse ele voltando a tomar as mãos dela nas suas e levando-as aos seus lábios — eu irei aonde você for, a menos que você não queira.

– Mas e as meninas? Seus pais? Seu curso?

– Darei um jeito em tudo. Meus pais vão cuidar das meninas, papai não vai sair de perto delas depois do que aconteceu com Lily.

– Cal... — Lucia, a única coisa que me afastaria de você é a certeza de que não me ama. Mas se dissesse isso agora, eu saberia que é mentira.

Ele a encarou por um longo tempo bem como ela o fez, até que por fim, vencida ela o abraçou fortemente, como se o mundo fosse desmoronar.

– Eu te amo Lu — ele sussurrou, o que a fez apertar ainda mais o abraço.

Notas finais
E aí o que acharam?? Por favor comentem.. Beijokas e até o próximo.