Madness Of Teens
22 Tensões
Notas iniciais
Com tantas coisas ruins, como desentendimentos e insegurança e problemas familiares, acontecendo com os amigos, Soffia estava de certa forma constrangida por ela e João estarem tão bem e felizes. Era como se eles dois tivessem um universo paralelo só para eles. Naquela tarde ele havia chamado ela para sair. No entanto estava um pouco misterioso para lhe contar aonde iriam.
– Amor, para onde vamos? — indagou Soffia pela segunda vez, fazendo beicinho.
João sorriu enquanto afagava os cabelos da namorada e dobrava uma esquina com o carro. — Você sempre tentando descobrir as minhas surpresas, isso não tem graça linda.
Eles estavam em uma parte afastada da cidade. Mais à frente havia um enorme muro branco que se estendia por um longo perímetro, João entrou pelo portão de ferro do muro e estacionou o carro. Logo desceu do carro e abriu a porta para Soffia, ele estava lindo, com uma camisa branca, jeans surrados e botas de combate pretas. Soffia observou melhor o ambiente, se soubesse que iriam fazer algo ao ar livre não teria escolhido sapatos de salto alto e nem o vestido. João olhou para a namorada enquanto um sorriso crescia em seu rosto. Ele estendeu a mão para ela e a conduziu pelo estacionamento, não haviam tantos carros ali. Logo eles chegaram em uma pequena barraca, onde João começou a conversar com um rapaz, só então ela viu uma enorme placa de madeira onde estava pintado "Campo de Paintboll"
– Tudo certo amor, você pode ir se trocar ali — disse João indicando um banheiro feminino enquanto segurava um conjunto de roupas e um par de botas de combate. Soffia olhava para ele estupefata. — Por que não me contou? Eu não teria vindo assim se soubesse! — disse a garota num folego só. — Eu queria fazer uma surpresa — respondeu João tentando não rir da garota — desculpe amor.
Logo eles estavam no campo com duas enormes armas de tinta. Soffia utilizava o elemento surpresa para atacar João, a camisa já estava colorida e ela podia ver alguns respingos de tinta verde e azul em seus cabelos loiros. Ela suspeitava de que ele a estava deixando ganhar aquele jogo, em uma hora de tempo ele só havia a atingido duas vezes. Foi quando ele chegou de mansinho e a abraçou sem que ela percebesse.
– Ah não... Por favor João — pediu ela de forma meiga. — Sinto muito querida, estou desprovido de misericórdia — disse ele com um sorriso malicioso, fazendo suas feições pintadas de vermelho e amarelo ficarem ainda mais lindas. Ele a segurou pela cintura enquanto beijava o pescoço da garota, traçando linhas coloridas por aquele local. Logo pegou uma bolha de tinta vermelha e estourou acima da cabeça de Soffia, fazendo jorrar tinta por seus cabelos enquanto ele ria da expressão zangada da namorada.
– João... — disse Soffi num tom de resmungo. — Você sabe que sou competitivo. — Mas eu sou sua namorada! — Eu sei e eu te amo. É por isso que sempre te compenso depois — disse ele puxando-a e encaixando seus lábios aos dela.
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Elizabeth havia marcado um encontro com o irmão em um café, no centro da cidade. Quando chegou ao local logo pode notar quem ele era, nunca tinha visto uma foto sequer de Antoni, mas ele era muito parecido com o pai. Alto e esguio, os olhos verdes e tempestuosos e cabelos loiros bem cortados, começando a ficar grisalhos, as feições também eram as mesmas. Assim que ela se aproximou da mesa ele levantou o olhar para ela. — Então, você é a minha irmã. — Elizabeth — disse ela estendendo a mão para que ele a apertasse. Ela esperava certa hostilidade do irmão, na verdade não esperava nem que ele a chamasse de irmã. E sim que a considerasse apenas como a bastarda de uma das aventuras de seu pai, mas ao observar melhor Antoni, tudo o que conseguiu notar foi cansaço e preocupação. — Se for algo sobre James ele está muito bem em casa e... — Não vim falar sobre meu filho, Antoni. Vim falar sobre Edmundo. — Você quer dizer o seu pai?! — disse ele com certa dor na voz. — Ele é seu pai também, por mais horrível que ele tenha sido com você e a sua família.
– Ele já fez isso com você? Você sabe como é o medo de perder as pessoas que mais ama no mundo tudo por um capricho? — Ela o observava atentamente, Edmundo nunca havia feito aquilo com ela, e não sabia se ele se importaria a ponto de fazê-lo. Afinal de contas ela não poderia manchar o nome Nottingham, Elizabeth já era a própria mancha do pai. — Não Antoni, ele jamais se importaria o suficiente para fazer isso. Eu era a bastarda esquecida, até você fugir com Elena. Mas não vim aqui para falar sobre isso. Nosso pai está doente.
Ao dizer aquilo ela conseguiu prender a atenção do irmão e não demorou ao relatar o resto das informações. — Ele está com tuberculose e.... — Mas como? — indagou Antoni aflito. — Ele está deprimido. Se entregou a doença desde que tudo aconteceu, desde a sua visita, o acidente que ele provocou a sua filha e desde que James o deixou. Bem não restou ninguém para cuidar dele, você sabe o quanto nosso pai é teimoso, não escuta nada que os empregados dizem. Quando eu cheguei o encontrei... — era difícil para ela relatar aquilo, ver o pai daquela forma doeu muito em seu coração — Ele estava muito debilitado, largado em uma cama, magro e sem vigor algum e na idade que ele está. Isso me preocupa Antoni. Tenho o levado ao médico e cuidado dele, mas ele está se entregando à doença. Antoni ouvia tudo estupefato, não podia acreditar. Edmundo era um homem forte e saldável, e acima de tudo esperava que um pingo de sensatez restasse ao pai. — Bom, se você não quiser vê-lo, eu entendo, mas tive que avisar você, antes que o pior acontecesse — disse Elizabeth com lágrimas nos olhos. A mulher se levantou da mesa e antes que ela se distanciasse Antoni levantou-se também. — Elizabeth, espere... Eu... Eu posso visitá-lo?
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Naquela mesma tarde Antoni havia conversado com as filhas e ligado para Caleb, mas o rapaz estava relutante com a ideia do pai. — Como assim voltar pai? Eu não posso voltar agora, a avó da Lucia faleceu dois dias atrás. — Filho, o seu avô não está nada bem eu não te pediria se não fosse necessário. Ele é sua família também Call. — Mas pai... — Estamos conversados Caleb. Ainda esta semana você estará de volta em Belo Horizonte. — disse Antoni desligando o telefone e deixando um Caleb frustrado do outro lado da linha. Como o pai podia fazer aquilo? Depois de tudo o que aquele senhor havia feito a sua família. Ele ouviu batidas leves na porta do quarto, Caleb abriu a porta e viu uma menina de olhos cinza e tristonhos do outro lado, ele abraçou Lucia levantando-a um pouco do chão. — O que aconteceu? Eles estão bem? — perguntou a menina. Ele não queria falar sobre aquilo naquele momento, mas ao observar a expressão insistente de Lúcia não teve outra opção. — O Edmundo está doente, meu pai quer que eu volte para Minas. Lucia o encarou por alguns momentos e resolveu abraça-lo novamente. — Lu, eu não vou... — Ele é seu avô Call. Você acha que eu não te deixaria se fosse a minha avó? — Sua avó era diferente. — Call, todos merecemos uma segunda chance — disse ela encarando-o com os olhos cinza e intensos — vá e faça tudo o que puder por ele, eu entendo. — Eu não quero ficar longe de você — ele apertou mais o abraço entre eles . — Eu também não, mas não posso voltar, você sabe. Ele já sentia uma dor imensa pela separação que nem havia acontecido. Beijou Lucia vorazmente enquanto reduzia o espaço inexistente entre eles, como se o corpo dela e o seu precisassem ocupar o mesmo espaço. O beijo ficava mais intenso e ele o interrompeu antes que não conseguisse mais se conter. Aquele não era o momento, por mais que desejasse a namorada por inteiro, seria ainda mais difícil aguentar aquilo separados, mas ele faria de tudo para estar com ela logo. — Eu te amo — ele sussurrou para ela — prometo que vou fazer de tudo para estar com você o quanto antes. — Eu sei, também te amo — disse ela o abraçando.
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Bernardo corria em sua moto, mas não tinha pressa nenhuma em chegar ao lugar em que Líliam marcara com ele, há meia hora atrás. A seriedade daquela situação o fazia dar a terceira volta ao quarteirão onde ficava a pequena feirinha, onde ele e a garota tiveram seu primeiro encontro. Fazia semanas que ele não tinha notícias da ruiva e ele realmente estava decidido a não procura-la. Mas só então percebeu o quanto havia se envolvido naquela história. Quando viu a ruiva pela primeira vez tudo o que ele queria era beija-la. Mas cada segundo que passava em companhia dela, ela se mostrava de maneira diferente. Era como se fosse um imã que sempre o puxava para perto. E era esse imã que o fez parar em frente a feirinha. Ele estacionou a moto e foi ao encontro da garota.
Ela estava sentada em um banco com um enorme suco que parecia ser de laranja e folheando um livro. Como se percebesse que estava sendo observada a garota levantou os olhos e encarou Bernardo com um enorme sorriso. Os olhos estavam tempestuosos e decididos, como ele nunca vira antes e o sorriso era de saudade. Ela levantou-se e então ele pode observa-la. A garota vestia calças pretas, uma blusa tricotada verde que deixava seus olhos mais intensos e uma jaqueta preta de couro, nos pés ela calçava botas de cano curto e salto alto. Os cabelos caiam lisos e livres em suas costas. Simplesmente perfeita, pensou o garoto. Então ele aproximou-se dela, com o rosto ainda sério. Mesmo gostando muito da garota ele não poderia fingir que nada aconteceu.
– Oi — disse ela, ainda com um pequeno sorriso brincando nos lábios, que estavam vermelhos por conta do frio, juntamente com as bochechas e a ponta do nariz. E ele teve vontade de beija-la, mas antes que ele chegasse mais perto ela voltou a falar — Como você está?
– Oi Líliam — disse ele um tanto desconcertado- estou bem. Por que me chamou aqui?
– Líliam? Por que... bem deixe pra lá. Vamos sentar, eu gostaria de conversar com você.
– Tudo bem — respondeu ele enquanto sentava. — pode falar.
– Bernardo eu queria pedir desculpa. Eu sei que fui uma idiota com você, você me pediu chances e eu me achei no direito de dá- las e....
– Ei, pare. Não precisa, eu já entendi...
– Não, pare. Deixe eu terminar. Não me interrompa novamente sim? — disse Líliam com um tom de impaciência.
– Claro.
– Eu andei pensando muito em tudo o que aconteceu comigo. Pensei em James e em você. Pensei nas coisas que sentia com ele e nas emoções que sinto quando estou com você. Bernardo eu não irei mentir para você, o James ainda mexe muito comigo, ainda amo ele, mas eu sinto que esse amor já me fez sofrer demais, esse amor simplesmente estilhaçou meu coração em pedacinhos, hoje eu não sei se poderei amar alguém novamente e você pode me achar louca por ter amado uma pessoa em tão pouco tempo, mas foi algo natural, que nem eu consigo entender. Mas quando eu gritei com você naquele dia, eu.... Bom eu fiquei mal, eu realmente senti sua falta. Falta do seu beijo, do seu abraço, do seu toque, das risadas... eu sonhei com você durante noites, eu não amo você, e eu sinto muito por isso, Eu vim dizer que eu não posso lhe dar chances – terminou a garota puxando a respiração e fitando o garoto. Bernardo estava em choque com toda aquela sinceridade. Ele também não a amava, ainda, mas estava apaixonado por aquela ruiva teimosa. Mas se ela sentia falta dele, porque não lhe dava uma chance? O garoto sentiu que haviam lhe tirado o chão. Os olhos começaram a arder, mas ele não poderia chorar ali. Não na frente dela. Ele então levantou-se e deu as costas a ruiva. Mas antes que chegasse em sua moto, ele sentiu mão delicadas agarrarem forte seu pulso.
– Já disse pra não me interromper. — a ruiva rosnou entre os dente. Os olhos estavam cintilando de raiva. Bernardo teve vontade de rir. Ele adorava quando a ruiva ficava com raiva, mas não podia amolecer.
– Eu disse que não posso te dar chances, por que você não precisa delas.
– Como assim?
– Gatinho, eu adoro estar ao seu lado, adoro quando você me faz rir, quando fazemos algo perigoso, quando ouvimos rock, quando você me toca, me abraça, me beija. E eu estou apaixonada por você! — disse a garota enquanto se aproximava do rapaz. Ele já podia sentir o hálito quente dela com cheiro de laranja, os lábios estavam a milímetros de distância- Eu decidi por você, eu quero você! Podemos tentar?
Sem mais aguentar toda aquela distancia, Bernardo encaixou seus lábios nos da garota. Eles estavam frios, mas com o toque da garota uma corrente de energia quente e relaxante atravessou o corpo do moreno. Não imaginava que pudesse sentir tanta saudade daquela garota. Quando se separaram ele fitou os olhos dela, passou a mão em seu rosto, desenhando cada traço que tinha ali. Beijou a testa da garota e disse:
– Quer passear gatinha?
– Só se eu puder dirigir, amor!
– Ah, claro, claro. Hoje você pode tudo! — disse o garoto com um sorriso maroto enquanto a puxava para mais um beijo.
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James já esperava há algum tempo pela sua mãe. Ele ficou assustado quando ela ligou chorando dizendo que algo havia acontecido com seu avô. Apesar de ainda está magoado com Edmundo, o garoto jamais deixaria de amá-lo. Ele havia sido feliz na companhia do avô, afinal o velho sempre lhe deu tudo o que desejava, principalmente atenção. Mas ouvir palavras tão duras e principalmente ser chamado de bastardo foi a gota d’água para a relação dos dois. Olhou novamente para aquela enorme casa que um dia chamou de lar e lembrou-se do dia em beijara Lily pela primeira vez, bem ali, naquele mesmo jardim. Sua relação com a garota ia de mal a pior, mas no momento isso não lhe incomodava tanto. Depois de tanto refletir, decidiu que daria um tempo para toda aquela situação. Olhou novamente em volta e viu um carro preto dobrar a esquina. O carro parou em frente à casa de Edmundo e de lá desceu uma Elizabeth chorosa e com olhos tristes.
–O que houve mamãe? – perguntou James enquanto a abraçava.
– Jay, seu avô está definhando, está morrendo – disse Elizabeth com o rosto banhado em lágrimas.
– Vamos entrar mamãe, eu irei vê-lo. – disse o garoto abraçando sua mãe e a conduzindo pra dentro do casarão.
James logo se encaminhou para o quarto do avô, a casa estava exatamente como o garoto lembrava e isso não era bom, afinal Edmundo sempre pedia para que mudasse os móveis de lugares a cada quinze dias, a casa também estava escura e mofada, o que atiçou a alergia do garoto. Chegou no quarto do avô, abriu a porta e contemplou a escuridão, foi até as janelas e abriu as cortinas permitindo que a claridade invadisse aquele quarto e foi então que o viu. Edmundo estava dormido enrolado em um cobertor. O velho estava pequeno e frágil, além de estar muito pálido e magro. James passou a mão na testa do avô e percebeu que ele estava febril. Pegou o telefone e ligou para o médico do avô pedindo que viesse o quanto antes.
– Vovô, acorde! Vovô... por favor acorde.
– Jamie, é você? — resmungou Edmundo.
– Sim vovô, eu estou aqui. Preciso que me ajude ok?
– Lily, minha pequena netinha, eu a matei! — choramingou Edmundo.
–Não vovô, você não a matou- disse o garoto revirando os olhos- Ela está muito bem ok?
– Jamie, você.... Me desculpe, eu....
–Tudo bem vovô, eu te perdoou, mas me ajude, sim? Você precisa de um banho. MAMÃE, VENHA AQUI POR FAVOR.
–Elisa está aqui? – o velho perguntou em um sussurro.
– Sim, ela se importa com você. – disse o garoto encarando os olhos verdes do avô.
– Jay, o que houve?
– Chame a Cecília e peça que ela arrume esse quarto já e troque essas roupas de cama, peça para ela abrir a janela. Irei dar um banho nele e mamãe, faça aquela sopa maravilhosa que só você sabe fazer. Ah e o doutor Roberto está vindo aí. Antes de ela vir arrumar aqui, peça que ela prepare o quanto de hospedes. Será melhor ele ficar lá enquanto esse quarto passa por uma limpeza detalhada.
– Ok, querido.
– Elisa, minha filha.
– Oi papai. – disse a mulher enquanto abraçava o velhinho. – Volto já, sim? — Edmundo resmungou algo e Elizabeth saiu do quarto deixando James sozinho com o avô.
– Vamos vovô, vamos tomar um banho- disse o garoto enquanto carregava Edmundo para o banheiro.
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Amber andava rapidamente pela faculdade, não suportaria ver Luís demonstrando afeto com aquela ridícula novamente, tudo que queria era que esse semestre acabasse e ela pudesse ver seu irmãozinho de novo. Depois do termino com o garoto, Amber havia se afastado de todos, pois não queria conselhos bobos ou olhares pesarosos. Ela queria apenas ficar sozinha e sentir a dor atingir seu máximo. Um dia quando seu pai perdeu o emprego, Amber tentou consolá-lo, mas ele apenas sorriu para aquele gesto e lhe disse: “Querida, isso não é o mais importante no momento, sempre que algo de ruim machuca-la, ouça bem, sempre transforme a dor em poder”, e ela estava fazendo isso. A dor lhe dava mais criatividade, mais desempenho. Ela seria poderosa um dia e pisaria em qualquer resquício de dor que um dia já sentiu.
Seus pensamentos estava tão intensos que esbarrou em alguém, derrubando todos seus livros.
–Ahn, me desculpe, eu estava distra....
–Não peça desculpa Am. – aquela voz era conhecida, para o desagrado da garota.
– Maurício, oi, quanto tempo. – falou a garota com desprezo na voz.
– Minha linda, pensei que você já tivesse me perdoado.
–Está enganado, tchau. – Amber seguiu seu caminho, deixando um Maurício espumando de raiva para trás.
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Antoni procurava a todo custo o desprezo que um dia sentiu pelo pai, mas a unica coisa que sentia era pena. Elena já havia lhe dito que deveriam ir visitar o sogro e que apesar de ter feito o que fez, ele sempre seria seu pai. Mas como perdoar a pessoa que tentou arruinar sua familia e matar sua filha? Como ele olharia nos olhos daquele que já lhe arrancou tantas lágrimas? Elena apenas lhe disse que ele deveria buscar o que ainda restava de amor por Edmundo e olhando nos olhos amarelados da esposa percebeu como ele era um homem de sorte por tê-la em sua vida. Era por esses pequenos gestos que Antoni, mesmo depois de vinte e cinco anos de casado, ainda era perdidamente apaixonado por Elena, sua ruivinha teimosa. Tal pensamento fez com que o loiro abrisse um pequeno sorriso e tal atitude era comum quando o pensamento era Elena.
– Está pensando na mamãe? — Antoni se assustou ao ver Líliam o encarando com uma expressão divertida no rosto. Estava tão envolvido com seus pensamentos que não notou quando a filha entrou.
– Claro, sempre penso nela.
– Um dia quero viver um amor assim, como o de vocês dois. — disse Líliam. Antoni notou o brilho nos olhos da filha e seu coração apertou ao lembrar que ele poderia ter perdido isso.
– Pestinha, você ainda tem muita coisa pra viver. Tudo tem sua hora e seu momento.
– Eu sei papai. Hum, hoje tomei uma decisão importante.
– Quer compartilhar?
– Sim. Hoje decidi dar uma chance ao Bernardo.- Líliam disse quase em um sussurro. Antoni estranhou as feições tristes da garota.
– E por que você não está feliz?
– Acredite se quiser, eu estou feliz, mas ...
–Mas?
– Papai eu sou apaixonada pelo B, ma eu não o amo e isso faz falta, entende?
– Mas o amor vem com o tempo minha pequena.
– Mas como virá com o tempo se eu amo aquele britânico mentiroso?- disse a garoto cruzando os braços na frente do peito e fazendo beicinho. Amtoni riu da expressão da filha. Mesmo com toda a gravidade da situação, a garota ainda parecia uma criança.
– Amor, eu entendo o que você quer dizer. O James mexeu realmente com você, ele fez você amá-lo em poquissimo tempo, assim como você conquistou ele. Diferentemente do Bernardo que deu alento ao seu coração. — disse Antoni pegando na mão da filha- Líliam, talvez não seja a hora de viver sua história com James e eu sei que um dia vocês ficarão juntos, sem mágoas no coração.
– Papai, eu queria poder perdoa-lo. — disse a garota com lágrimas nos olhos.
– Oh meu amor, o tempo irá cuidar disso, confie em mim. E eu tenho certeza que ele gostaria de saber disso.
– Não, Não e não. Eu quero distância dele papai. — respondeu a garota.
– Minha filha, seja responsável por suas decisões. Querendo ou não elas envolvem James. Seja uma pessoa madura. — disse Antoni com os olhos sérios.
– Ok, ok, eu falo com ele.
– Essa é minha garota. Agora preciso te contar uma coisa.
Líliam ficou preocupada ao ver a expressão do pai mudar para preocupaçao e tristeza.
– O que houve, papai?
– Seu avô, ele esta doente. Quase definhando. Elisabeth me contou hoje e eu realmente não sei como agir, não sei se devo ou não ir ve-lo. James me ligou ainda pouco, me contando que o encontrou magro e febril envolto a coisas sujas e que ele repetia que havia matado sua netinha. Claro que ele ficou mais tranquilo quando James lhe disse que você estava bem e....
– James não deveria falar nada sobre mim a esse senhor.
– Lily, já chega. Eu sei que meu pai tentou matar você e que ele tentou arruinar nossas vidas, mas ele continua sendo meu pai e seu avô. Eu não desejo que ele morra, eu apenas... — Antoni não continuou, as lágrimas o sufocaram, Líliam ficou um pouco assustada, afinal nunca vira o pai chorar. Parecia que ele estava colocando as mágoas de todas as faucatruas que Edmundo fizera. O pai era quem mais sofria com toda essa história, ele quem tinha quase perdido Elena, ele roubou o pai, viu o homem que admirava se tornar monstruoso e cruel, sua unica familia, por muito tempo, tinha sido Edmundo, mas mesmo assim ele resolveu amar Elena, diferente de James que sempre esteve fazendo planos com o seu avô, que mentiu por puro prazer. Líliam não aguentou mais e correu para os braços do pai. Ela sempre estaria ali para consola-lo e se possivel engoliria todo seu orgulho para faze-lo feliz.
– Shiiiii, papai eu farei tudo o que você quiser. Me desculpe por ser tão teimosa e orgulhosa. Eu irei visitar o vovô e prometo que irei convencer o Caleb e a Louise a irem conosco.
– Você faria isso por mim? — Antoni falou enquanto encarava a filha.
– Faço tudo por você papai, assim como você já fez por nossa família. — Líliam respondeu com seu olhar mais sincero e determinado. Sim, ela faria tudo por eles.
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A vida de Lúcia estava uma completa bagunça. Primeiro a garota perdera a avó, depois sua mãe pediu que ela tracasse seu curso em BH e agora Caleb teria que voltar mais cedo para junto de sua familia. Era em momentos como esse que ela desejava que seu pai estivesse presente. Ela estava perdendo o amor de sua vid. Sim, Lúcia sentia que perderiaa Caleb e com certeza seria por uma jovem rica e bonita.
– Caraminholas na cabeça sra. Lúcia? — disse Caleb, assuntando a garota
– Oi, já podemos ir?
– Que pressa é essa? Nem percebeu que citei Alvo Dumbledore? Já quer se ver livre de mim? — responde Caleb com um lindo sorriso no rosto, sorriso esse que não chegava aos seus olhos, que pareciam mais escuros e tristonhos. Lúcia sentiu os olhos arderem e um nó apertar sua garganta. Mas ela não poderia ser fraca. Nao poderia chorar, nao na frente dele.
– Você sabe que jamais desejei isso- ela disse em um sussurro.
– Eu sei amor. Irei resolver essa história do Edmundo e volto o quanto antes.
– Mas e sua pós graduaçao?
– Você é mais importante.
– Caleb ...
– Nao falaremos mais sobre isso ok?
– Tudo bem. Me desculpe por nao ir com vc ao aeroporto.
– Eu tambem nao gosto de despedidas. Fique tranquila.
– Caleb eu te amo!
– Eu também amo voce minha pequena. Nao irei demorar a voltar pra vc.
– Estarei esperando. — disse Lúcia deixando uma unica lagrima cair. Os dois ficaram abraçados por algum tempo, que pareceu anos para a pequena Lúcia. Agora ela estaria sozinha e isso lhe assustava.
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