Madness Of Teens
11 O Fim de Semana- Parte II
Notas iniciais
O dia mal havia começado e Louise saltitava animadamente, batendo de porta em porta, acordando todos da casa. Logo havia na cozinha uma Soffia com cara de ressaca, adicionando mais pó ao café que o normal. Uma Lilian empolgada preparando a mesa. Uma Louise distraída, com sorrisos bobos no rosto e deixando os ovos mexidos passarem do ponto. Uma Amber super produzida à espera do passeio e uma Lucia cochilando no balcão.
– Ainda acho uma injustiça os rapazes se recusarem a nos ajudar na cozinha. — disse Amber com um tom de voz mandão.
–Mas você nem está fazendo nada! — Disse Louise com os olhos arregalados.
– Bom, ainda assim é injusto! — disse Amber franzindo o nariz.
– Certo, eu também acho. — Manifestou-se Lucia de repente, espantando as meninas, pois ninguém lembrava que ela estava ali.
– Oh, ela está viva então! — gritaram Louise e Lilian em uníssono, fazendo com que Lúcia tapasse os ouvidos.
–Sim, certo, eu estou aqui. Não gritem, por favor. — E todas riram da menina por um momento, até ouvirem a campainha soar.
– Eu atendo! — disse Lily empolgada correndo para a porta. — Quando a Ruiva abriu a porta seu sorriso se desfez um tanto.
– Ah, onde estão as suas chaves Maju? — perguntou Lily a loira na soleira da porta.
– Eu esqueci as minhas no carro. — disse Maria Julia com o olhar inebriado.
– Você passou a noite fora? — perguntou João Pedro de forma preocupada descendo as escadas.
– Como se você nunca houvesse feito isso antes maninho. — disparou Maria Julia. — Já sou grandinha para que você se preocupe tanto comigo, não acha? Está tudo bem. — Mas antes que a discussão dos irmãos se engajasse de fato, a campainha soou mais uma vez, no entanto Caleb, que havia descido silenciosamente, já estava com a mão na maçaneta para abrir a porta.
–Hum, você deve ser o amigo da Lily — disse Caleb com os olhos dourados brilhando perigosamente.
– Eu me chamo James. — respondeu o rapaz um pouco nervoso.
– Certo, por que não entra? Ainda vamos tomar café, se quiser nos acompanhar...
– Já tomei o café, obrigado — disse James educadamente — mas aceito entrar.
Caleb escancarou a porta para que o amigo de Lilian entrasse, ele pode observar certo mistério no rapaz e não gostou tanto assim disso. Ao entrar James se deparou com uma ruiva, a qual dirigiu um sorriso e ao se aproximar dela postou um beijo em sua bochecha.
A menina arregalou seus olhos, dourados? James observou com mais atenção. Lilian não tinha olhos dourados. Quando caiu em si, o rapaz ficou vermelho enquanto a ruiva ria de seu momento constrangedor.
– Me desculpe, — disse James um tanto sem jeito — eu pensei que fosse...
– Eu! — Disse Lilian saindo da cozinha com um sorriso acusador e com os olhos brilhando. Verdes!
Quase todos haviam se dirigido para a cozinha a fim de quebrar o jejum. Caleb e Louise resolveram dar uma atenção extra para Lily e seu convidado.
– Então James, você é britânico? — disse Caleb casualmente.
–Exatamente! — afirmou James- Lilian me disse que você estava fazendo um intercambio, em Londres certo? É a minha cidade.
– Sim, ele nos abandonou por um bom tempo. — Disse Louise cutucando o irmão com o ombro.
– Nossos pais não queriam que Cal fosse para a Inglaterra, mas acabaram cedendo no final, não é mesmo maninho? — Disse Lily
– Sim. — limitou-se a dizer Caleb um tanto incomodado, não se sentia confortável com James sabendo tanto deles e ele quase nada do rapaz.
– Mas por quê? Afinal de contas seus pais não são britânicos também? — perguntou James um tanto curioso.
Caleb silenciou as irmãs com o olhar, antes que Lily começasse a tagarelar novamente.
– Eles não têm lembranças tão boas da Inglaterra. — disse Caleb por fim.
– Uma pena, é um lugar adorável — respondeu James com um sorriso constrangido.
– TUDO CERTO GALERA! — gritava Maria Julia enquanto descia as escadas — o Thomas já está nos esperando lá fora. Todos prontos! Vamos! Saindo!
Então, eles se dirigiram até a garagem aonde se acomodaram nos carros e saíram para o passeio.
"Since I've como Home/ Well, my body's been a mess[...]"
Lucia não permitiu que Caleb ouvisse o que mais Amy Winehouse tinha a cantar, pois a garota desligou o som do carro deixando o rapaz indignado.
– Você tem que ser chata até com as músicas? — perguntou o garoto exasperado.
– Eu gosto de Amy, sabe? Mas, estou com dor de cabeça e não grite, por favor.
A garota usava óculos escuros, provavelmente mais para esconder a cara de ressaca do que outra coisa, pensou Caleb. Ele então ligou o radio novamente, mas desta vez selecionou outra musica.
“They triend to make me go to rehab/ But I said 'no, no, no'”. E batucava no volante enquanto sorria maliciosamente para Lucia.
– Fala sério! — disse a menina virando o rosto para a janela — você não deveria estar prestando atenção na estrada?
– E quem disse que não estou queridinha? — Mas, a garota não lhe deu tanta atenção. Lucia tirou os óculos escuros e apoiou a cabeça na janela tentando cochilar um pouco, mas os solavancos do carro não permitiam.
– Ah, mas já esta cansada Lu? Você estava tão animada ontem — disse Caleb cinicamente — bebendo, dançando e se "divertindo"
– O que você quer dizer com isso? — perguntou Lucia sem virar-se para o rapaz.
– Que na verdade, você resistia tanto ao João, o criticava e tudo o mais. No entanto você não é lá tão difícil assim, certo? Pois acaba se agarrando com o primeiro que vê em uma festa.
O sangue fervia na face de Lucia, como ele tinha a audácia de lhe falar aquilo? Esse cretino! Cínico! Aqueles olhos dourados lhe perfuravam por um instante.
– Eu não te devo satisfações do que faço ou deixo de fazer! — Disse a menina friamente
– Touché! — disse Caleb maliciosamente.
– Eu sabia que não devia ter vindo no mesmo carro que você. — disse a garota irritada.
– Porque eu sou irresistível!
– Não, porque você é um cretino!
Ele ria da irritação de Lucia, mas ao mesmo tempo se sentia ferido, o beijo que ele presenciou entre ela e o rapaz na festa ainda causava certa amargura e a rejeição da garota só piorava a situação. Se bem que ele também dera motivo para tal, mas ele não conseguia agir de outra forma, sempre que estava perto de Lucia seus sentimentos e sua cabeça era um emaranhado louco.
Maria Julia e Thomas conversavam animadamente sem dar atenção a Soffia e João Pedro. Amber estava dormindo profundamente no banco de trás. Soffia pode observar os olhos azuis e frios do rapaz ao seu lado lhe inspecionando vez ou outra e um sorriso malicioso se formarem nos lábios de João.
Mas ela ainda estava muito irritada com ele. Ela tinha que ouvir os Conselhos das garotas e deixar bem claro para ele que não podia brincar com ela do jeito que estava pensando que faria.
– Você está tão quieta — ele disse para Soffia. Despertando-a de seus pensamentos. Ela tinha que ser forte como Lily havia dito. A garota deu de ombros e virou a face para contemplar a paisagem que passava pela janela.
– Ah, serio Soffi? Não vai conversar comigo?
– Sempre dizem que não se deve distrair o motorista. Então, estou evitando duas catástrofes de uma só vez não conversando com você. – respondeu Soffia. O rapaz ficou abismado. O que? Tinham feito uma lavagem cerebral na Soffia também além das transformações do salão de beleza? O que aconteceu com a criaturinha fofa que ele havia conhecido?
– Soffi, o que tem de errado?
– E você ainda pergunta João? — respondeu Soffia indignada- Você é um babaca! — esbravejou a morena — não percebe o que esta acontecendo a sua volta, seu loiro, galinha e egocêntrico?
Sem que percebessem Maria Julia e Thomas observavam a conversa dos dois de olhos arregalados.
– Mas o que eu fiz para que você ficasse irritada comigo? Até ontem estava tudo bem.
– Até ontem estava tudo bem? — perguntou Soffia entre risadas — Ah João, acho que é mais fácil ensinar um bebê a fazer tortas premiadas do que tentar te fazer enxergar o óbvio — falou Soffia com os olhos ardendo por conta das lágrimas. Não posso chorar, não devo chorar, ele não merece, pensou Soffia enquanto suspirava. — Faça-me um favor? Só fale comigo quando parar de ser tão tapado. Enquanto isso agradeço se prestar atenção na estrada.
Todo o percurso foi bem recompensado ao final, a cachoeira era realmente tão encantadora quanto Nick fazia questão de enfatizar. Todos desceram dos carros e começaram a se acomodar no lugar, aquela natureza toda era só deles por enquanto. Nick e Louise foram logo caindo na água, em seguida Lily mergulhou também. Amber caprichava no bronzeador enquanto Lucia e Soffia vestiam uma camada de protetor solar. Caleb e João Pedro queriam escalar até o topo da cachoeira e logo James os acompanhou na aventura. E não demorou muito para que Nick os acompanhasse também.
– Meninos tomem cuidado! — Gritava uma Louise preocupada — Ah, meu Deus, que eles não se machuquem.
– Você se preocupa demais Lou, eles estão se divertindo — disse Lily enquanto gritava incentivos aos garotos. Caleb já estava quase no topo seguido por James, Nicholas e João. O rapaz de olhos dourados foi o primeiro a terminar a escalada. Ao chegar ao topo executou um perfeito mortal, as irmãs e Soffia vibraram o salto espetacular do garoto juntamente com Amber. Em seguida veio James, saltando de cabeça, a gritaria animada das garotas foi tão grande quanto a anterior. Nicholas executou mais um mortal seguido de João. As meninas estavam extasiadas e os rapazes se exibiam mais ainda.
– Minha vez! — gritou Lilian empolgada correndo para a parede de pedras que os rapazes escalaram.
– Nem pensar! — disse Caleb em tom autoritário para a irmã segurando-a pelo braço — Jamais! Não! Nunca! Nem você e nem a Louise.
– Nós garotas, nunca ficamos com a diversão — queixou-se Lily de forma emburrada.
– Não tenho nada contra a Lucia pular! Se ela quiser eu super apoio — disse Caleb com um brilho malicioso no olhar enquanto observava a garota de cabelos castanhos, um pouco afastada dos amigos concentrada em um livro que ele não conseguiu ler o título.
– Claro que não! — Disseram as gêmeas em uníssono, atraindo a atenção de Lúcia.
– Não o que? — perguntou a garota se aproximando dos amigos.
– Não vejo porque ela não pode pular — Disse Caleb com um sorriso Cínico.
– Porque eu não quero! -Disse Lucia ao mesmo tempo em que Louise disse:
– Porque ela não sabe nadar! — Louise imediatamente cobriu a boca com as mãos quando percebeu o que havia feito. Lucia a fuzilava com os olhos, enquanto Caleb caia na gargalhada.
– Você não esta falando sério Lou, que pessoa nesse mundo não sabe nadar? — disse Caleb entre gargalhadas. Lucia estava mais que vermelha, a garota estava ficando quase roxa de raiva.
– Muitas pessoas!- disse a menina em um tom assassino.
– E você é uma delas? — perguntou Caleb maliciosamente — Aposto que só não quer estragar o cabelo ou alguma bobagem de menina.
– Eu não tenho que te dar explicações de nada! — disse Lucia virando-se, mas antes que ela se afastasse Caleb agarrou a menina pela cintura e a atirou na água.
Lilian e Louise gritavam aflitas com Caleb. E quando a menina não voltou a superfície o rapaz resolveu pular na água e trazer a garota de volta.
Quando estavam na superfície Lucia tossia violentamente, Caleb percebeu que a garota estava muito pálida e tentou se aproximar para ajudar, mas não foi bem recebido, Lucia juntou todas as forças que lhe restaram e empurrou o garoto para longe.
–Eu só estou tentando ajudar você! — Disse Caleb explosivamente quando a garota já estava se recuperando.
– Eu não precisaria de ajuda se você não tivesse bancado o imbecil — esbravejou Lucia. Mas a fúria da garota havia apenas começado, ela observou paginas flutuando na água então sua face tornou a receber cor, a vermelhidão da raiva. Quando a menina observou a capa ilustrada com um anjo segurando um cálice e uma espada esbravejou com Caleb.
– VOCÊ AFOGOU MEU LIVRO! — gritou Lúcia. O garoto não teve outra reação se não cair na gargalhada. Vendo que a menina estava rubra de raiva, os amigos foram se afastando para que eles dois resolvessem aquela situação sozinhos.
– Você não existe garota. Eu quase te mato e você ai se preocupando com um livro. Eu te compro outro depois.
– Mas não é a mesma coisa, aquele era especial! — Os olhos de Lúcia brilhavam cinza e vermelhos enquanto ela derramava palavras furiosas para Caleb.
Ele, porém sorriu observou o quanto ela estava linda molhada, a blusa fina e branca colando-se ao corpo dela por cima do Biquíni verde, os cabelos molhados e o rosto bravo, ela era linda até brava, pensou o rapaz.
Caleb se aproximou mais de Lucia e quando seus corpos estavam colados um ao outro a garota ficou paralisada, seus olhos não conseguiam se desviar dos olhos dourados do rapaz, Caleb a olhava de forma seria e pensativa, mas não falava nada, ela já o havia chamado de varias coisas ofensivas e ele não havia retribuído as suas palavras com a costumeira arrogância, ao invés disso ele estava ali na sua frente, tão perto que a incapacitava de mexer um músculo sequer.
O coração de Caleb estava mais acelerado que um trem bala, e ele sabia o que cada batida dizia para ele fazer, sem mais ter forças para resistir ele segurou Lucia e apertou ela em uma rocha, para que as costas da garota ficassem grudadas, aqueles olhos cinza os encaravam arregalados. Ele tinha as mãos firmes na cintura e na nuca da garota, tão firmes que chegavam a machucá-la um pouco.
– Você não se cansa disso nunca? — perguntou ele com a voz um tanto rouca encarando Lucia por um instante. Então ele cedeu a todos os seus instintos, inclinou-se ate seus lábios encontrarem os dela e deixou que ambos travassem uma guerra mortal.
O beijo se prolongou voraz, no começo Lúcia tentava se desvencilhar do aperto do garoto, mas Caleb a apertava mais sobre as rochas. Os lábios dele eram macios e selvagens, o beijo era doce e quente. Não conseguindo mais resistir, Lúcia puxou mais o garoto par si. Seus dedos se enrolaram em seus cabelos, enquanto as mãos de Caleb passeavam por sua cintura e suas costas. Quando Caleb colocou as mãos na barriga da garota, um pingo de lucidez fez ela se afastar ofegante.
Lucia estava mais que brava ou com muita raiva. O sangue lhe fervia tanto que ela poderia jurar que a qualquer momento estaria derretendo ali. Caleb havia passado dos limites, ela poderia aguentar a arrogância, os insultos, ela poderia ate aguentar que ele a largasse na água novamente sem ajuda nenhuma para sair, mas um beijo? O que ele estava pensando? Sem que ele realmente tivesse a chance de tentar pensar ela virou a mão no rosto dele, deixando uma marca vermelha no rapaz.
– Mas você retribuiu — disse Caleb acusatoriamente. Ela não tinha forças para lhe dizer nem mais uma palavra sequer então simplesmente saiu dali exalando fúria.
Amber estava achando o dia maravilhoso, até que viu Maurício chegar à cachoeira também. Amber se sentia mal em ter que esconder o relacionamento das amigas, mas não havia o que fazer. Em situações normais ela ficaria feliz em vê-lo, mas quando ele abriu a porta do passageiro, uma garota desceu com um enorme sorriso, supôs que a moça deveria ter a mesma idade que ela. Raiva e ciúmes tomaram conta de Amber, fazendo sua garganta arder na mesma intensidade que seu coração.
Então, ela voltou-se para o moreno e seus olhos encontraram os de Mauricio, que ficou um tanto desconcertado, mas logo desviou o olhar e seguiu para o outro extremo da cachoeira com sua acompanhante loira com um biquíni pequenino demais.
– Aquele ali não é professor na UFMG? — perguntou Lily indicando Maurício.
– É sim, nossa ele é uma delícia — disse Maria Julia encarando Mauricio de forma sedutora. Amber estava rubra de raiva e ciúmes. O que aquela Maju estava pensando ao falar assim do Maurício? Ah se o Thomas estivesse perto para ouvir a loirinha falar aquilo. Pensou Amber de forma venenosa.
– Ouvi dizer que ele é professor de arquitetura — disse Louise casualmente.
– Engenharia civil na verdade — disse Amber sem perceber e todas voltaram sua atenção pra ela.
Mas Amber já estava farta. Ela precisava ir atrás e ver se Mauricio teria a ousadia de levar outra garota qualquer para o mesmo lugar que ela e ainda por cima esfregar aquilo em seus olhos. Sem dar atenção aos questionamentos das amigas, Amber se encaminhou silenciosamente para perto do casal. Ficou atrás de uma arvore enquanto a loura estendia uma toalha. Logo ela sentou-se com Mauricio ali que começou a conversar de maneira muito próxima a garota, logo ele acariciava os cabelos dourados da menina de forma tão semelhante a qual ele fazia com os dela, as mãos dele escorregaram para o pescoço e depois para o queixo da loira, ate que ele guiasse os lábios da menina até os seus. Amber sentia lagrimas queimarem seus olhos, ela estava sendo traída
Depois de tudo o que Mauricio havia dito a ela, Amber realmente acreditou que houvesse algo serio entre eles, que ele era melhor que aquilo, mas acabou se enganando. As mãos dele percorriam o corpo da loira de forma voraz. Ela não conseguia mais ficar ali observando os dois, voltou para perto de seus amigos e permaneceu distante e pensativa, estranhamente silenciosa, relembrando a cena que havia visto.
Louise e Nicholas conseguiram afinal de contas ficar um pouco sozinhos devido a toda confusão que se formaram com os amigos, eles caminhavam por uma trilha perto da cachoeira conversando alegremente e vez ou outra sorrisos bobos tomavam conta de seus rostos e um beijo ou dois eram roubados por Nicholas.
– Você acha que aqueles dois estão bem? — perguntou Louise com os olhos preocupados.
– Lúcia e Caleb? — Perguntou Nick com um brilho nos olhos — eu nem me preocuparia se fosse você, meu anjo.
– Por quê? — indagou a ruiva inocentemente.
– Nunca vi o seu irmão se comportar de forma tão peculiar com uma garota antes e acredito que toda a resistência da moça seja para mascarar o que esta sentindo. Uma hora eles vão ceder.
– Está dizendo que os dois estão apaixonados um pelo outro! — disse Louise com os olhos brilhando e ao ver o entusiasmo da garota Nicholas lhe deu um enorme sorriso.
– Que curioso, até parece que você nunca viu alguém apaixonado antes — disse ele ainda sorrindo.
– Claro que já vi — disse Louise — é que eu... Paixões não são bem o meu forte.
– E porque não? -Perguntou ele preocupado- espero poder mudar isso.
Ela sorriu enquanto lhe contava.
– O primeiro rapaz por quem eu me apaixonei era meu melhor amigo. Foi difícil, pois o sentimento não era recíproco, ele gostava de mim apenas como amiga. E para evitar sofrimentos maiores acabamos nos distanciando, é claro que senti muita falta dele no inicio, mas agora tenho novos amigos, estou em uma nova fase da minha vida.
Nicholas encarou os olhos de Louise como nunca havia feito antes, ali ela pode perceber que aqueles belos olhos não seriam apenas um par romântico, no qual se espera o olhar de amor e desejo, mas também de companheirismo e amizade. Então o rapaz se inclinou e envolveu a ruiva em um abraço terno, fazendo-a sentir-se segura e protegida.
– Soffi? — sussurrou uma voz atrás dela, uma voz que ela sabia bem a quem pertencia. A garota estava sentada com as pernas mergulhadas na água.
– O que você quer João? — perguntou a menina indiferente.
– É que eu te vi aqui sozinha e resolvi conversar com você — disse ele um Tanto sem jeito — bom eu sei que eu não sou lá o rapaz mais cavalheiro do mundo, como o Nicholas e aquele rapaz britânico amigo da Lily...
– James — o interrompeu Soffia — Não, você não é.
– Calma Soffi, eu sei. E sei que tenho pisado bastante na bola principalmente com você, que nossa... É uma garota incrível e meiga. Eu sei que eu não valho a pena, mas não se perca por causa de um idiota como eu, tudo bem? Não permita que nenhum outro idiota aprisione a garota meiga e incrível que tem ai dentro.
A garota estava pasma, nunca havia imaginado que João pudesse lhe falar coisas bonitas. Desde a primeira vez que ela o viu, sabia que teria que ter cuidado. Ele era lindo com seus cabelos loiros e olhos extremamente azul, porém sua beleza não parecia combinar com sua personalidade fria, machista e arrogante. Era muito parecido com a irmã, pelo que Soffia pode notar. A morena tinha certeza que algo deveria ter acontecido no passado, mas tanto João quanto Maria Julia pareciam relutantes em falar sobre o assunto.
Seu primeiro contato com ele aconteceu um dia depois de ter se mudado. A garota estava sentada no sofá lendo um livro quando ele entrou em casa. Quando o menino percebeu Soffia na sala ele a olhou com puro desprezo fazendo Soffia se encolher e sempre tirava brincadeiras que menosprezavam a garota. Até o dia em que ela resolveu mudar. Parece que algo se acendeu no rosto do rapaz, mas a menina estava decidida a não ceder aos encantos do garoto.
Lílian estava novamente no topo da cachoeira. A sensação era de liberdade. O vento batia frio em seu rosto, mas a sensação de adrenalina aquecia todo seu corpo. Depois de quase um mês sem descanso, o passeio a cachoeira veio no momento certo. Assim ela poderia conhecer mais James. Tinha muitas coisas estranhas no rapaz, mas ela não podia fazer o coração parar de bater intensamente quando ele estava por perto. A garota já havia tido vários relacionamentos, e por diversas vezes saiu magoada. Caleb sempre discutia com a irmã pedindo para que ela tomasse cuidado. E dessa vez Líliam teria que dar atenção ao pedido do irmão, afinal sentiu medo quando James o impediu de ir buscá-lo em casa e mais medo quando viu o olhar desconfiado de Caleb naquela manhã. Ela teria que ser cautelosa, antes de tentar algum envolvimento amoroso.
A ruiva estava tão absorta em pensamentos que tomou um susto quando alguém passou a mão em volta de seus ombros.
– Um bombom por seus pensamentos. — disse James com um enorme sorriso, que fez as pernas de Líliam ficarem fracas.
–Não sabia que meus pensamentos valiam tão pouco — disse Líliam de forma fria, fazendo James ficar preocupado.
– O que ouve Lily? — perguntou o rapaz enquanto puxava a ruiva para sentar.
– Não sei, me diga você?! — respondeu Líliam impaciente.
– Não entendo do que você está falando. Até há pouco tempo estava tudo bem e agora... Lily fale comigo, eu fiz algo de errado?
– Olha James, eu estava pensando e acabei percebendo algo. Você é um completo mistério. Sinceramente, achei estranho o jeito como você negou que eu fosse lhe buscar hoje. Você conhece minha família, meus amigos e minha casa. E eu? Só sei o que você me conta. Eu sei que nos conhecemos há pouco tempo e eu não tenho o direito de te cobrar nada, mas eu tenho medo. Já me envolvi com pessoas que me magoaram. Eu... — Líliam não conseguiu terminar, pois James a puxou pra perto. Ela sentia as lágrimas arderem em seus olhos, mas ela não poderia escancarar seus sentimentos.
– Me desculpe, por favor. Eu não imaginava que... Olha, eu não quis que você fosse a minha casa ainda porque meu avô anda muito rabugento ultimamente e estressado com a mudança. Ele provavelmente iria tratá-la mal. Perdoe-me.
– Eu só não quero mentiras na nossa amizade. — respondeu Líliam olhando nos olhos do rapaz. James ficou um pouco desconcertado com aquelas palavras, afinal ele mentia sobre quem realmente era e continuaria a mentir, pois sabia que seu avô exigiria isso dele. No começo ele aceitou numa boa, mas agora que estava verdadeiramente envolvido com seus primos, em especial com Líliam, tudo começara a ficar difícil. James deu um sorriso gentil para Lilian.
– Bom, meu avô é rabugento como já lhe disse, mas não é uma má pessoa. Quando o humor dele melhorar você pode conhecê-lo se quiser. Ele é bem diferente de minha mãe sabe? Ela está sempre sorrindo e sendo gentil com todos, você iria gostar dela, mas teve que ficar com meu pai na Inglaterra para cuidar dos negócios da família.
– E que negócios misteriosos são esses? — perguntou Lily com os olhos ainda brilhando.
– Meu avô é dono de uma construtora. — respondeu o garoto enquanto acariciava as mãos da ruiva.
– Então você faz Administração...
– Sim, para tomar conta dos negócios da família — respondeu ele com um sorriso torto.
– Isso não te chateia? — questionou Lily — ou você gosta do curso. James deu de ombros. — Eu fui criado nesse meio — disse o rapaz — Não gosto, nem desgosto, ruivinha. Já estou acostumado.
– Não há mais ninguém que possa fazer isso por você? Irmãos? Outros parentes?- James ficou tenso, ela pode observar.
– Sou filho único — disse ele — outros parentes? Meu avô e eles têm uma relação complicada.
– Hum, porque eles não se dão bem? — disse Líliam curiosa
– Não sei ao certo, meu avô nunca me contou a historia toda — disse James — mas em fim, vamos pular ou iremos criar raízes sob estas rochas? Ele estava todo sorridente, logo se levantou e estendeu a mão para ajudar Líliam a se levantar, ela tomou distancia e saltou da cachoeira, a sensação de cair lhe dava formigamentos na pele, a adrenalina tomava conta do corpo da ruiva até que por fim atingiu a água e quando estava lá em baixo ouviu mais um mergulho da cachoeira agitar a superfície da água.
Amber estava emocionalmente esgotada, ela se sentia um trapo por dentro. Toda a historia com o Mauricio repercutia em sua mente, mas graças a Deus eles já estavam saindo da cachoeira e voltando para casa. Ela ajudava as meninas a guardar as toalhas de banho nos carros e limpar o lixo do lanchinho que haviam feito quando ouviu alguém a chamando.
– Olá Am — disse Mauricio com o tom intimo que ele usava apenas quando estavam a sós. Quando ela virou para realmente ter a certeza que ele estava fazendo aquilo constatou o porquê, a loira que o acompanhava não estava por perto. Mais uma que deve estar sendo enganada por esse cafajeste, pensou Amber. No entanto ela não podia tratar aquele imbecil como merecia, ainda mais com seus amigos ali por perto. Mauricio foi se aproximando dela com um sorriso cínico no rosto.
– Não vai falar comigo, Am? Ela fez uma expressão de confusão antes de responder a ele.
– Está falando comigo senhor? Eu nem mesmo o conheço. — creio que conheça — disse ele com um brilho nos olhos sugestivos
Quer saber, que se dane. Pensou ela antes de fazer a loucura impensada, Amber puxou o garoto do grupo que estava mais perto dela, o qual por um acaso era João Pedro. Quando seu corpo se colou ao do rapaz ela tomou sua nuca nas mãos e conduziu seus lábios aos dela.
Pedro tinha lábios deliciosos e uma pegada incrível, isso Amber tinha que confessar beijar o rapaz não era nenhum castigo, mas ainda assim ela sentia uma enorme dor no coração, uma magoa sem fim e a amargura de ser traída, as mãos de João a faziam lembrar as de Maurício, percorrendo violentamente a sua cintura e suas costas
Porém foi quando ele levou as mãos ao seu pescoço e tocou seu rosto com a ponta dos dedos que ela percebeu a enorme burrice que havia feito. Amber abriu os olhos e afastou-se lentamente de João, ela o encarava assustada. Oh meu Deus, como pude ser tão estúpida, pensava Amber aturdida.
Quando olhou em volta Mauricio já não estava mais lá e mesmo se estivesse isso não importava. O que importava era que ela havia traído sua melhor amiga, Amber olhou em volta e observou os rostos de seus amigos, Thomas e Maria Julia chocados, James indiferente com a situação. Um Caleb obviamente se segurando para não dizer nada sarcástico, Lilian, Louise e Lucia com olhares de chique e indignação, Nicholas desconcertado e Soffia, a pequena Soffia que ela amava como uma irmã com os olhos vermelhos e cheios de lágrimas, ela estava prestes a ruir ali na frente de todos e a culpa era toda sua. Amber estava frustrada consigo mesma pelo que havia feito, ela estava perdida, Soffia jamais a perdoaria.
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