– Lily.... Calma eu vou chamar a enfermeira. — James saiu exasperado da sala e logo encontrou uma enfermeira. A moça pediu pra ele esperasse no jardim de inverno do hospital. Ele então decidiu ligar para o tio.

– Alô?

– Antoni, é o James.

– O que houve filho?

– A Líliam, ela acordou.

– Estou indo James. Fique com ela, sim?

– Claro. — falou o garoto, encerrando a chamada. O garoto mal podia acreditar. A sua Lily abrira os olhos para ele. James sentia como se o coração fosse explodir de alegria e só então se permitiu sorrir verdadeiramente.

(***)

Caleb amarrava o cadarço do tênis para logo se encaminhar ao andar de baixo. Um mês havia se passado desde que Lily havia acordado e hoje ele, seu pai, sua mãe e Louise iriam busca- lá no hospital para trazê-la de volta para casa. A expectativa era grande, assim como a saudade. Não demorou muito para que Louise se juntasse a ele e aos pais no andar de baixo. Ele olhou para um James com os olhos distantes jogado no sofá. O rapaz estava um caco desde que sua irmã o havia rejeitado no hospital, ela havia pedido para que as enfermeiras não o deixassem entrar para visitá-la. E como Lily não podia ter fortes emoções, nada mais restara a James se não vagar pelos corredores do hospital todos os dias desde então.

Ele tinha várias olheiras sob os olhos e mal comia, a não ser quando Elena o obrigava. Antes de saírem da casa Louise se encaminhou até o rapaz e lhe deu um abraço. James retribuiu um sorriso à garota que logo se dirigiu até a porta.

O Hospital tinha cheiro de lavanda e descartáveis, remédios e doenças. Como sempre, as paredes eram de um azul apagado e mórbido. Caleb poderia percorrer aqueles corredores com os olhos vendados até o quarto onde Lily estava, já havia feito o percurso tantas vezes que nem se deu ao trabalho de saber quantas ao certo.

Antoni abriu a porta de madeira pintada de branco e dentro do cômodo eles viram uma Lilian sorridente, ela usava um vestido amarelo com rendas e alça fina. Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo. Ainda restava um curativo na cabeça e tipoia no braço, mas assim que o médico disse que ela receberia alta Lilian ficara empolgada.

– Finalmente! — disse a ruiva saindo da cama para abraçar os pais.

Antoni e Elena riram da reação da filha enquanto Louise corria para abraçar a irmã e afagar seus cabelos.

– Pensei que você estivesse gostando daqui pestinha — disse Caleb com um sorriso torto para a irmã e recebendo uma feição emburrada de Lily.

Assim que chegaram em casa Lily havia corrido para o quarto que dividia agora com Louise e Lucia. Ignorando por completo James que estava ainda afundado na sala de estar com feições estranhas. Ela havia cumprimentado quase todos os moradores da casa, mas ainda evitava o rapaz.

Lucia desceu as escadas e se colocou ao lado de Caleb que observava James pensativo.

– Você vai falar com ela? — perguntou a garota baixinho a ele. Caleb desviou os olhos de James para observar os olhos cinzas de Lucia.

– Eu prometi à ele. Só não sei se ela...

– Com certeza não. Ao menos não agora, ela está magoada — disse Lucia interrompendo-o

– Eu sei que não. Conheço Lily, mas tenho que tentar. Eu PROMETI à ele. — Lucia sorriu para o rapaz e ficou nas pontinhas dos pés para lhe dar um beijo no rosto. Logo ela se dirigiu até o sofá e tentou convencer James a assistir um filme.

Caleb começou a subir as escadas até o quarto das garotas, ao abrir a porta ele constatou que Lily não estava lá. O rapaz então seguiu até o fim do corredor e como imaginara a irmã estava no antigo quarto, que cedera aos seus pais. Ela estava em pé com os braços cruzados e de costas para a porta. Ele se aproximou da irmã e lhe deu um beijo no topo da cabeça, Lilian observava a sua parede de rascunhos emburrada.

A garota observava algo especifico. Caleb ficou tenso ao perceber o que era uma frase escrita em uma caligrafia fina

"Você é a luz dentro dos meus olhos

Você me dá motivos pra continuar tentando

Você me dá mais do eu poderia sonhar.".

– Por que ele fez isso? QUEM deixou que ele fizesse isso? — esbravejou Lilian furiosa.

– Lily... — mas quando ela voltou seu rosto para o irmão ele pode ver aqueles olhos verdes brilhando de fúria.

– Já não basta tudo o que ele fez? Isso é cinismo. Ele é um...

– Lilian, por favor, me escute. Está bem? — disse Caleb segurando as mãos da irmã, que agora o observava — Você não sabe a história toda, o que James... O que nosso avô fez com que ele fizesse Lily, ele não é totalmente culpado. Pode ter sido um estupido agindo feito um cachorrinho para aquele velho mas... — Caleb suspirou passando as mãos no rosto e depois nos cabelos — Lily, o que ele sente por você... Maninha, você sabe o quanto eu me preocupo com você e Lou, não sabe? — Lilian assentiu olhando confusa para o irmão, Caleb estava tentando defender James? Isso era o fim. Não podia estar acontecendo — James conseguiu conquistar minha confiança nesses últimos dias e.... Bom, eu acredito nele. Por que não dá uma chance a ele e vê o que ele tem a dizer? Sei que você está...

– Indignada! — disparou Lilian — Como você? Entre todas as pessoas, vem me falar isso? — A garota estava bufando e rubra de raiva.

– Lily... — disse Caleb calmo, segurando os ombros da irmã delicadamente.

– Não Caleb. NÃO, NÃO E NÃO. Você sabe o que eu passei por causa dele. Não quero conversar com James sobre nada. Não me importa. E se isso é tudo o que você tem a me dizer, por favor saia. — Caleb suspirou levantando-se da cama e olhou para a irmã uma última vez antes de sair do quarto.

– Ao menos pense no que te disse, Lily.

(***)

Nicholas havia acabado de chegar em casa do escritório. Ele trazia consigo um envelope pardo e o colocou sobre a mesa em frente João Pedro e Maria Julia que conversavam na cozinha. Ele tinha um sorriso nos lábios.

– O que é isso Nick? — perguntou Maju enquanto João abria o envelope.

– Sua carta de alforria — disse Nick sorridente — agora, de acordo com a lei, você são maiores de idade e principalmente INDEPENDENTES de seus tios.

Maria Julia dava pulinhos de alegria enquanto João Pedro acertava com Nicholas o pagamento pelo caso. Ela e João já haviam conversado sobre comprar a casa e permanecer residindo em Belo Horizonte. Agora que havia acontecido estava mais empolgada ainda. Maria Julia saiu saltitante batendo de porta em porta e chamando todos para comemorar a emancipação dela e de João Pedro.

– Para onde vamos? — perguntou Lilian empolgada — posso levar o Bernardo? — James havia acabado de chegar a sala, tenso ao ouvir o que Lilian havia dito.

– Claro que sim — disse Maria Julia empolgada, dando pulinhos de felicidade.

– Que tal o hotel fazenda Igarapés? — sugeriu João Pedro rodopiando Soffia. — não é tão longe daqui.

– Ótima ideia — disse Amber — vou ligar para o Luiz.

– E eu para o Thomas! — disse Maju.

Ambas subiram as escadas, juntamente com Lilian a procura de seus celulares. James estava emburrado em um canto quando Louise e Lucia chegaram ao seu lado.

– Jay, vamos. Você não vai...?

– Não — ele interrompeu Louise falando apaticamente.

– Ah, vai sim. Por favor, vamos, será divertido. — disse Lucia puxando ele em direção as escadas com Louise. James continuava relutante quando Caleb se aproximou.

– Ah, acho que também não vou — disse ele emburrado.

– Por que? — perguntou Louise surpresa.

– Porque quero que vocês façam isso comigo também — disse ele com um sorriso travesso — desculpe James. Mas tenho uma ideia para não deixar você por baixo.

– O que? — perguntou James

– Ciúmes — disse Caleb de forma sagaz fazendo as meninas arquearem as sobrancelhas.

– Não quero nem ouvir o que ele vai dizer. Quando Caleb começa com essas coisas... — disse Lucia saindo de perto dos dois e arrastando Louise consigo.

– Como assim ciúmes? — perguntou James a Caleb — eu não...

– Eu tenho uma amiga, vou chamar ela para ir conosco e vocês podem fazer um pouquinho de ciúmes para Lily.

– Não tenho certeza...

– Confie em mim cara — disse Caleb — as garotas ficam loucas da vida com isso.

– É disso que tenho medo — falou James fazendo Caleb rir.

(***)

Esperaram a sexta feira chegar, pois assim estariam livre dos trabalhos da Universidade e também dariam um tempo para Líliam se recuperar melhor. Já era noite quando partiram para o Hotel Fazenda. James havia saído para buscar a amiga de Caleb, mas o rapaz ainda estava incomodado com a ideia do primo. Helo era linda e encantadora, mas não era sua Lily, ela também não parava de falar sobre Caleb durante todo o percurso, James tinha certeza de que seria um longo fim de semana. Quando finalmente chegaram surpreenderam-se com a beleza do lugar. Logo deram entrada nos quartos saindo em seguida para o restaurante do lugar.

James caminhava com Helo até o restaurante tentando conversar sobre qualquer outra coisa que não fosse Caleb. Quando viu Lily e Bernardo rindo animadamente e se acomodando à mesa, todos os outros já estavam no local, fazendo com que uma mesa enorme fosse improvisada ali.

Louise e Nicholas conversavam animadamente, como se estivessem a sós, sem ligar para os outros ao redor. O que não fazia tanta diferença assim, pois todos conversavam empolgados quando ele e Helo se juntaram a eles. Ao ver Helo, James percebeu que Lucia havia ficado emburrada e calada, enquanto Caleb, tenso, tentava puxar assunto com a menina.

Fora isso, todos os outros estavam se divertindo. Ele observava enquanto Amber, Soffia e Maju riam das brincadeiras de Luiz. João Pedro encaracolar os cachos negros de Soffia entre os dedos, Thomas sussurrando ao ouvido de Maria Julia, todos os amigos estavam se divertindo. Até Lily, sua Lily ao ver ele e Helo simplesmente não havia dado a menor importância, ela conversava com Bernardo sobre escaladas e tirolesas.

James percebeu que na verdade o plano de seu primo não teria nenhum efeito. Ele olhava para Lily e Bernardo enciumado quando Caleb, exasperado disse:

– Helo, James contou a você que ele toca violão?

– Na verdade não — Disse a menina encarando Caleb — você também toca Call?

– Na verdade não. — disse o rapaz desconcertado.

– Ah, que pena — disse Helo baixando os olhos para a toalha de mesa. Todos já haviam terminado de comer e estavam apenas passando o tempo por ali.

James estava achando aquela situação ridícula, não aguentava mais ficar observando Bernardo flertar com Lilian e nem as tentativas vãs de Caleb em empurrar a amiga, que obviamente estava gamada nele, para James. O rapaz se levantou da mesa.

– Acho que vou caminhar um pouco.

– A Helo adora caminhadas, não é mesmo? — disse Caleb sorrindo para a garota loira.

– Isso, por que...?

– Deixa eu adivinhar, por que o Caleb não acompanha vocês?!- disse Lucia sarcasticamente, fazendo com que os outros na mesa a olhassem, ela havia passado o jantar inteiro em silêncio, apenas injetando olhares furiosos em Caleb e Helo. Antes que James falasse qualquer coisa Caleb o interrompeu.

– Vamos os quatro — disse ele com os olhos dourados cautelosos.

Eles se despediram dos amigos e começaram a caminhar pelo local. O hotel fazenda era imenso e lindo. Repleto de relva, algumas árvores, uma paisagem encantadora, eles caminharam até os estábulos e depois começaram a simplesmente vaguear pelo local, James caminhava em silencio, absorto em seus pensamentos enquanto Lucia bufava de raiva ao seu lado e Helo se insinuava para Caleb, conversando sobre o lugar.

– O que acha de irmos até a cachoeira amanhã Call?

– Acredito que iremos todos — disse ele desconsertado.

– Ah, entendo — disse a garota menos entusiasmada- mas você pode...

– Não, ele não pode! E também aposto que você não entende. — disse Lucia furiosa para Helo, fazendo com que James ficasse atento ao que estava acontecendo e Caleb ficasse tenso.

– O que você quer dizer querida? — disse Helo, ainda de braços dados com Caleb, virando-se para Lucia.

– QUE EU JÁ ESTOU FARTA DE VER VOCÊ SE INSINUANDO A NOITE TODA PARA O MEU NAMORADO! Quer que eu desenhe pra você querida? Dá para desgrudar dele?! Ou quer que eu faça isso por você?

– Namorando? — perguntou Helo com fúria nos olhos.

– Estamos namorando já tem alguns meses. Não é amor? — respondeu Lúcia com sarcasmo na voz.

– Estamos? — questionou Caleb recebendo um olhar venenoso de Lúcia. -Oh! Claro, eu esqueci de contar. Estamos namorando há uns quatro meses.

– Mas... eu... por que me convidou então?

– Porque queria que você conhecesse o James. — respondeu o loiro apontando o primo.

– Mas eu não me conformo. Vocês só podem estar tirando uma onda com a minha cara. Querida o Caleb nunca ficaria com uma pobretona sem sal como você. — falou Helo venenosamente enquanto se aproximava de Lúcia.

– Como ousa? — perguntou Lúcia furiosa.

– Helo já chega, eu amo a Lúcia e nunca trocaria ela por qualquer outra mulher. — disse Caleb calmamente enquanto Lúcia e James arregalavam os olhos.

– Cretino — esbravejou Helo — Irei embora gora mesmo.

– Já vai tarde — respondeu Lúcia enquanto a garoto se distanciava deles emburrada. James percebendo que estava sobrando resolveu ir atrás de Helo. Caleb se aproximou de Lucia deixando que a menina desmoronasse em seus braços. Ele afagava os cabelos castanhos dela enquanto a tranquilizava.

– Adoro quando você fica com ciúmes — disse ele maliciosamente no ouvido dela. Lucia afastou-se para encarar os olhos do rapaz.

– Você é um convencido! — disse ela emburrada fazendo com que ele risse — Caleb, aquilo que você disse pra Helo...

– O que? Que eu te amo? — perguntou ele sorrindo para Lucia, fazendo com que ela enrubescesse, conduzindo uma das mãos da garota para que ela sentisse seu coração loucamente acelerado — quer que eu repita ou o meu coração já disse tudo a você?

– Então nós estamos namorando?

– Eu já disse que sim, há uns quatro meses — disse Caleb fingindo indignação — como você pode não lembrar?

Lucia sorriu e beliscou o rapaz, que logo a puxou para mais perto. Roçando sua barba rala no pescoço da garota enquanto exalava seu cheiro, macadamia e orquídeas. Ela segurou o rosto dele com as duas mãos enquanto encaminhava seus lábios aos de Caleb. O beijo era voraz, intenso, eles haviam estado assim desde que Caleb voltara para BH, Lucia sentia seu coração acompanhar as batidas loucas do de Caleb enquanto ele intensificava o beijo e colava seu corpo ainda mais ao dele. Quando já estavam ficando sem fôlego, Caleb interrompeu o beijo e arrastou seus lábios até um dos ouvidos da garota.

– Eu te amo Lu. — ele repetiu enquanto brincava com sua barba no rosto da garota — E nunca havia sentido isso por mais ninguém até que te conheci. Você quer namorar comigo? — Lúcia tinha os olhos brilhantes e um enorme sorriso no rosto, ela entrelaçou os dedos de suas mãos aos de Caleb.

– "[...] Em ti eu consigo encontrar um caminho, um motivo, um lugar, pra eu poder repousar meu amor".– respondeu ela citando uma de suas bandas favoritas.

– Isso é um sim? — perguntou Caleb a puxando para mais um beijo.

– É claro — disse ela antes de sentir o gosto dele mais uma vez.

(***)

Líliam havia chamado Bernardo para um passeio também. O rapaz prontamente aceitou, eles caminhavam sem rumo pelo hotel fazenda, apreciando a paisagem.

– Você vai mesmo me levar para fazer tirolesa? — perguntou Lily ansiosa — Mal posso esperar.

Bernardo riu um pouco da empolgação da menina.

– É claro que sim gatinha. — disse ele repousando um dos braços sobre os ombros da garota enquanto a puxava ainda mais para perto.

Ela ria do rapaz. Eles haviam ficado bem próximos enquanto Lily estava no hospital. Bernardo sempre ia visitá-la, levando filmes para assistirem juntos, filmes de terror, coisa que os médicos não recomendariam. Ele sempre a fazia rir enquanto conversavam e Lily se sentia bem ao lado do rapaz. Ele era como agulha e linha prontos para costurar as partes quebradas de seu coração.

– Então, — disse Bernardo um pouco tenso — quando eu te conheci, naquele dia na roda gigante, não pensei que você fosse tão divertida — ele deu uma piscadela para ela que ria dele — Mas eu preciso saber em que estou me envolvendo Lily. O motivo de você estar daquele jeito no parque era esse seu tal primo?

Líliam ficou tensa, não gostava de falar sobre James, ainda estava magoada, mas tinha que ser sincera com Bernardo, ele não merecia mentiras, além do mais ela não era do tipo que mentia ou omitia.

– Sim, ele... Bom, ele...

– Não precisa me falar agora. Pelo que observei já imagino que ele tenha sido um idiota com você e agora está arrependido.

Líliam ficou em silencio por algum tempo enquanto retomavam a caminhada.

– O que eu quero saber — disse Bernardo suavemente — é se eu tenho alguma chance, mesmo que seja mínima.

– Ouvi dizer que chances mínimas não são para ficar se vangloriando — disse Líliam com um sorriso maroto.

– Mas eu sou o irresistível Bernardo, gatinha. Uma chance mínima é tudo o que eu preciso. — Líliam caiu na gargalhada ao ouvir Bernardo.

– Você não existe Bernardo. — disse ela enquanto ele ria também. — Você tem quantas chances quiser.

– Se eu não existisse não poderia fazer isso gatinha. — Ele se aproximou mais de Lily e a tomou em seus braços, ela sentiu o toque frio ser transformado em fogo novamente. Ele encaixou seus lábios nos dela suavemente enquanto Lily sentia o gosto dele e os lábios se transformando de gelo em fogo outra vez. Ela adorava aquela sensação. Deixou que ele intensificasse o beijo enquanto entrelaçava seus dedos nos cabelos da nuca do rapaz.

(***)

Helo estava furiosa, não quis conversar, o que facilitou as coisas para James, pois ele não estava com ânimo para conversar. Assim que a garota foi embora ele se dirigiu para seu quarto, abriu a mochila e retirou o Notebook.

Fazia tempo que ele não falava com a mãe e nem com o pai. Assim que fez a ligação Elizabeth atendeu. Ela era toda sorrisos, cabelos loiros e olhos verdes encrustados no rosto fino.

– Querido, eu estava com saudades.

– Eu também mamãe. — Elizabeth franziu o cenho ao observar melhor o rosto do filho. — O que houve Jamie? Onde você está? E o seu avô? Aconteceu...?

– O meu avô é um lunático mamãe — disse James com lágrimas nos olhos e a feição magoada — você não sabe, tudo o que ele veio fazer aqui foi machucar as pessoas que ele diz amar.

– Não fale isso, meu bem. Seu avô é uma pessoa difícil de lidar, o que ele precisa é de alguém que o faça enxergar tudo com clareza.

– Não é tão simples assim mamãe. E eu não consigo ser essa pessoa.

– Tudo bem querido — disse a mulher com os olhos cintilantes — em breve estarei com você. — Elizabeth tinha o rosto tristonho. — Querido eu...

– Eu também preciso de você mamãe — disse James com as lágrimas escapando sem que ele conseguisse controlar. Ele se sentia péssimo. Não tinha Lily e descobrira que o avô era um crápula, Antoni e Helena o tratavam como um filho e ele tinha feito laços de amizade verdadeira com todos os outros, principalmente seus primos. Mas não era a mesma coisa, ele precisava de um porto seguro. Assim que ele desligou a chamada com a mãe ouviu batidas rápidas na porta de seu quarto. James levantou-se e abriu a porta.

– Pensei que você não quisesse mais ficar — disse ele surpreso para a garota loira do outro lado da porta.

– Está me expulsando? — perguntou Helo arqueando as sobrancelhas. — Estive pensando e acho que nós merecemos nos divertir um pouco.

– Nós? Bem, eu... — gaguejava James um tanto sem jeito, fazendo com que Helo risse.

– Você fica fofo, quando está envergonhado — disse a garota enquanto entrava no quarto carregando sua mala. Ela percebeu que ele observava a mala dela quando disse — Ah, é que eu fiz a retirada e estou sem quarto, acredito que você não vá se importar.

– Não, tudo bem. Pode ficar — disse James observando melhor a amiga de Caleb. A garota era linda, os olhos eram castanhos, o rosto tinha traços delicados, os cabelos eram loiros e curtos. O corpo da garota tinha curvas acentuadas e ela era quase da mesma altura que ele. Depois de percorrer o corpo da garota com os olhos James percebeu que ela o olhava com um sorriso malicioso no rosto.

– Oh me desculpe — disse o rapaz ficando vermelho — eu...

– Sem problema, eu gosto quando homens bonitos me olham assim — interrompeu Helo se aproximando do garoto.

– Helo você é linda, mas... — James não conseguiu terminar de falar. A garoto estava muito perto e ele já sentia o hálito quente dela em seu rosto. Ela pegou a mão dele e colocou em sua cintura, as mãos dela foram direto para o pescoço do garoto fazendo ele se arrepiar com o toque.

– Que acha de esquecermos Líliam e Caleb juntos? — o garoto arregalou os olhos enquanto ela pressionava o corpo contra o dele. Olhos nos olhos dela, não eram verdes como os de sua Líliam, mas eram muito bonitos e vibrantes. — Não hesite querido, ela está com o outro enquanto você está chorando.

James então se lembrou da música que Maju cantou e de como Lily estava feliz com Bernardo. Uma fúria insana tomou conta do garoto fazendo ele capturar os lábios de Helo. O beijo era selvagem assim como o toque do garoto. Não demorou muito para que o quarto tivesse com roupas espalhadas por todos os lugares enquanto os dois se divertiam loucamente.

(***)

Nicholas estava nos jardins do hotel fazenda um tanto frustrado. Louise decidira de repente que estava com muito sono e com um selinho deixou o garoto. Ultimamente ela andava fazendo muito isso e Nicholas não entendia o que estava acontecendo.

Era certo que o relacionamento deles estava ficando cada vez mais firme. Os beijos estavam cada vez mais quentes e os toques começavam a ficar mais íntimos. Isso começara depois que eles ficaram um tempo longe por conta dos problemas de Líliam e os gêmeos Marelli.

Ele procurava ao máximo se comportar perto da ruiva, mas o toque dela sempre lhe causava arrepios. A última vez que haviam ficado sozinhos tinha sido dois dias atrás. Eles estavam em casa assistindo um filme qualquer, ou ao menos tentavam. Logo se viram em meio a beijos quentes, as mãos da garota passeavam em sua costa deixando um rastro de pequenos espasmos, enquanto ele a puxava mais para si, como se necessitassem ocupar o mesmo espaço. Quando conseguiram ter um pingo de lucidez, a ruiva já estava com o vestido levantado, as mãos dele passeavam na coxa dela e ele já estava somente de bermuda. Ele sabia que Caleb o mataria se soubesse o que estava acontecendo, fazendo-o ficar sem saber o que fazer.

Ele já havia dormido com outras mulheres antes, mas Louise era diferente. Ele se sentia nervoso como se fosse sua primeira vez. Ele a amava e pretendia esperar o tempo que fosse para dar um passo à mais no relacionamento deles.

Foi com esse pensamento que permitiu relaxar e curtir a saudade de estar aconchegado nos braços de Louise. Deitou-se na grama e olhou para o céu. Estava inquieto. Fechou os olhos e respirou fundo. Precisava conversar com Louise.

Sentiu passos delicados sobre a grama, o perfume doce era inesquecível e o calor que se intensificou ao seu lado era inconfundível. O garoto continuou com os olhos fechados, sentindo todas as sensações maravilhosas que a presença da ruiva lhe trazia.

– Andei pensando algo — falou ela com a voz baixa e um tanto tensa.

– Pensou em que? — respondeu ele.

– Nicholas eu...

– Não precisa Louise. Eu entendo que ainda não podemos dar esse passo no nosso relacionamento.

– Mas Nick eu penso que podemos dar mais um passo no nosso relacionamento. — disse Louise com a voz séria. Nicholas abriu ou olhos e encarou os olhos amarelos da namorada e tudo o que podia ver ali eram dúvidas.

– Lou, vem aqui. — disse o menino estendendo a mão para que ela sentasse em seu colo. — Amor eu sei que as coisas estão fugindo do nosso controle, mas não acho que devemos acelerar as coisas no nosso relacionamento por que um de nós quer. Eu quero muito ter você por inteira, mas eu quero que você tenha absoluta certeza disso. Lou eu amo você e esperarei o tempo que for. — a garota estava surpresa com o que o namorado havia falado e Nicholas podia ver os olhos dela brilhantes e um segundo depois uma lágrima rolando por seu rosto fino

– Não chore, por favor. Eu não suporto... — Nick não continuou, pois Louise colou seus lábios no dele em um beijo calmo e cheio de sentimentos.

Ela o derrubou na grama e enroscou seus dedos no cabelo dele enquanto ele passava as mãos no cabelo e na costa dela. Cada movimento da garota deixava Nicholas em chamas, tudo nela era chamativo e o garoto não conseguia pensar se o que estavam fazendo era certo ou errado enquanto o beijo se aprofundava mais.

Quando o ar ficou escarço, Louise separou-se apenas para encarar o namorado. Ela sorriu, de maneira linda e espontânea, pensou Nicholas.

– Eu amo você — disse a garota com a voz rouca e ofegante — Saiba que eu tenho certeza que quero dar mais um passo no nosso relacionamento, mesmo que não seja hoje ou amanhã, mesmo que seja aqui ou na minha casa. Eu amo você e quero ser sua por inteiro.

Nicholas viu naqueles olhos amarelos todo o amor que ela tinha por ele, ele sorriu. Ficaram se encarando por mais alguns segundos, até Louise beija-lo novamente.

(***)

Líliam estava se encaminhando para o restaurante para tomar o café da manhã com seus amigos e irmãos. Ela estava relativamente de bom humor e ansiosa, Bernardo havia prometido que iria levá-la à tirolesa e isso a deixava empolgada.

Foi quando passou pelo quarto de James que seu dia perdeu a cor e a raiva tomou conta dela. De longe podia ouvir risos e partes de conversas vindas do quarto. Antes que Lily pudesse acelerar o passo James e Helo irromperam pela porta de mãos dadas

Lilian endureceu os olhos ao ver aquela cena. A menina loira acariciava James de forma muito intima para quem haviam acabado de se conhecer. Na verdade o que ela fazia no quarto dele tão cedo? James estava completamente desconcertado ao ver a ruiva parada o encarando. E para piorar a situação, a garota notou o olhar de James e então percebeu que ele olhava para Líliam.

– Bom dia Lily, dormiu bem? — perguntou a garota em um tom provocativo.

– Não melhor do que vocês. O que faz no quarto de James? — perguntou a garota com frieza, fazendo James endurecer o olhar.

– Ontem eu fechei...

– Acho que isso não interessa a você — respondeu o garoto de maneira mal criada fazendo a raiva de Líliam aumentar.

– Realmente, não me importo com você.

– Não é o que parece. Mas acho que você merece ter sua resposta. Eu e James passamos a noite juntos, fazendo coisas divertido e para adultos. Acho que você não entenderia. — respondeu Helo com um sorriso venenoso nos lábios.

– V-vocês... não eu não entendo, por que eu não sou tão baixa como você garota. — disse a ruiva com os olhos grudados nos de James. Ele tinha o olhar frio e decidido. Talvez ele tenha entendido que ela não queria mais vê-lo. Ou queria? Sentiu as lágrimas arderem no fundo de seus olhos, mas não se permitiria chorar. Não por ele ou na frente dele.

– Por que? — foi a única pergunta que escapou de seus lábios.

– Lily eu ...

– NÃO, EU NÃO QUERO SABER JAMES. EU PENSEI QUE VOCÊ ERA DIFERENTE E TUDO O QUE ME MOSTRA É DECEPÇÃO. — gritou a garota não conseguindo conter as lágrimas e o nó que se formava em sua garganta.

– EU TENTEI, EU PEDI QUE ME ESCULTASSE. EU FUI IDIOTA EM PENSAR QUE VOCÊ ME ENTENDERIA. VOCÊ ME HUMILHOU E PARECE QUE NÃO CANSA DE FAZER ISSO. EU ESTOU FARTO DE SOFRER POR VOCÊ. — James gritou e notou que logo Bernardo estava ao lado de Líliam.

– Hei não fale assim com ela seu...

– NÃO SE METE TÁ BEM? ESSE ASSUNTO É MEU. — gritou a garota.

– Pronto. Conseguiu humilhar seu novo namoradinho também. Vamos Helo. — disse James voltando para o quarto com a loira.

Líliam voltou-se para Bernardo e o olhar que recebeu foi de puro desprezo e indiferença. Quando abriu a boca para falar algo, o garoto lhe deu as costa e bateu a porta de seu quarto, deixando Líliam totalmente sozinha no corredor.

(***)

Amber estava flutuando. Ao menos era assim que se sentia naqueles dias. Nunca havia imaginado que poderia gostar tanto de uma pessoa como estava gostando de Luiz. O garoto era carinhoso, engraçado e inteligente. Tinha seus momentos nerd, mas isso sempre acabava encantando a garota. A viagem que tinham feito para o hotel fazenda só os aproximou mais. Os passeios românticos, onde ele contava um pouco de sua vida só fazia a menina ficar mais viciada no garoto.

Luiz estava lindo como sempre com uma de suas camisetas nerd da série The Big Bang Theory. E uma garota de cabelos castanhos claros e óculos redondos estava ao seu lado imersa em uma conversa, ela tinha aquele mesmo ar nerd que sempre estava em volta de Luiz e ver a maneira como eles estavam conversando fez Amber sentir-se sem chão.

Ela respirou fundo e se dirigiu aonde os dois estavam conversando. A cada passo seu coração contraia mais, Amber pode observar o largo sorriso no rosto do namorado, ela o viu gesticulando com as mãos, como ele sempre fazia quando estava empolgado com alguma coisa e os olhos brilhantes da garota, ela era bonita, estatura média, olhos escuros. Claro que se ela se arrumasse... Não, Amber não deveria pensar nisso, ela estava com o seu namorado. Não deveria fazer críticas de moda a uma garota que estava dando em cima de Luiz.

– Amor. Eu estava procurando você — disse Amber envolvendo Luiz com seus braços.

Ela ficou com mais raiva ainda ao ver o olhar surpreso que Luiz lhe lançou e a forma como ele ficou sem jeito. A garota arregalou os olhos assim que Amber cumprimentou Luiz.

– Oi Abby — disse Luiz ainda sem jeito — bom. Essa é a Dani.

– Dani? — perguntou Amber de forma venenosa, fazendo a menina de cabelos castanhos enrubescer.

– Daniela, mas pode me chamar de Dani — disse ela

– Nós estávamos conversando. Ela vai tentar vestibular para engenharia elétrica esse ano. E também é fã de The Big Bang...

– Oh, é claro que é. — disse Amber sem tentar mascarar a sua raiva

– Desculpe Dani, mas eu e Luiz temos um compromisso agora, tchauzinho e boa sorte com o vestibular. Sem que a garota sequer respondesse Amber saiu do corredor arrastando Luiz consigo, que protestava contra ela, fazendo sua raiva aumentar ainda mais.

– Eu sinceramente não entendo o que deu em você Amber...

– O que deu em mim?! Como você pode?! — disparou ela com um olhar furioso — era você quem estava se engraçando com a menina no corredor.

Ao perceber do que se tratava tudo aquilo Luiz tentou conter um sorriso.

– E você acha que estou brincando?! — disparou Amber exasperada — não ria!

– Eu sei que não está, só nunca tinha visto você com ciúmes antes.

– Ciúmes? E como eu não sentiria? Vi como você estava conversando com ela. Vocês tem muito em comum e eu...

– Você é perfeita Amber. Não precisa sentir ciúmes de ninguém. — disse ele envolvendo-a em um abraço e afagando seus cabelos — Na verdade eu sempre pensei que eu é quem sentiria ciúmes de você, que um dia você se cansaria de mim e....

– O que você quer dizer com isso? Que está se cansando de mim? Por que nós não temos quase nada em comum além do fato de sermos seres humanos? — Ela tinha lágrimas nos olhos ao dizer aquilo.

– Não estou falando isso Abby. Olha, é verdade que não temos quase nada em comum, mas...

– Eu estava até começando a gostar de Star Wars — disse ela fazendo beicinho — e daquelas series...

– Amor, deixa eu terminar, sim? Eu amo você exatamente do jeitinho que você é. Não quero que mude por mim nem por ninguém além de você mesma. Os filmes e séries são só para ter mais um tempo com você, mas juro que se me chamasse para assistir aulas de corte e costura eu iria, só para ficar ao seu lado. Eu não trocaria você nem por todas as nerds do mundo.

– Não acho que isso seja verdade, eu vi olhar que você dava a ela Luiz. Você estava gostando, estava desejando ela. — disse Amber se desvencilhando do garoto.

Luiz estava quieto e com os olhos opacos, parecia cansado, o que deixou a garota mais preocupada. Por um tempo eles ficaram em silêncio. Amber sentia o nó se formando em sua garganta e os olhos começarem a embaçar na medida em que a sua decisão começava a fazer sentido. Ele desejava a garota, talvez ele até tenha imaginado como seria a vida junto de uma garota que gostava das mesmas coisas que ele, mas ele havia dito que a amava, será que ela poderia estar sendo tão estúpida? Mas sempre que a imagem dele sorrindo para a garota chegava a mente de Amber ela tinha mais certeza de que ele queria que ela fosse extremamente como Dani. A dura realidade se abateu sobre ela como um soco no estomago. E então ela soube o que fazer.

– Acho melhor darmos um tempo. — disse a garota num folego só, antes que sua voz lhe traísse. Luiz a olhou tão rápido que Amber podia jurar que ouviu as suas articulações estalarem.

– Amber, por Deus, deixe disse, eu... por favor — ele olhou para ela com os olhos brilhando. Ela percebeu que ele ficou ofegante, então ele tirou sua bombinha do bolso antes que a crise asmática, que parecia ser emocional, piorasse.

– Eu sinto muito, mas não acho que mereço você Luiz. — o garoto a olhou, mas ela desviou o olhar. Não podia encara-lo, ela não conseguiria ver que estava machucando o homem que amava. — Sinto muito.

Foi a última coisa que disse antes dar as costa a Luiz.

(***)

Maria Júlia estava frustrada. A garota queria que aquele fim de semana fosse perfeito, mas parece que a viagem só serviu para pôr as relações amorosas dos amigos em teste. Primeiro Líliam havia brigado feio com James e Bernardo, depois Amber terminara com Luiz sem ter motivos, por pura insegurança. Mas algumas coisas tinham saído maravilhosamente bem, como Caleb e Lúcia que haviam, finalmente, começado a namorar. Maju sabia que aquela briga de cão e gato acabaria, não que eles não brigassem ultimamente. Ela na verdade questionava o nível de paciência dos dois, afinal eles sempre brigavam, parecia que a reconciliação era algo comum entre eles.

James e Helo pareciam dois adolescentes apaixonados e parecia que já havia rolado mais do que beijinhos entre eles, afinal a garota estava hospedada no quarto dele. Depois que Caleb deu um chega pra lá nela, a garota realmente notou James. Ele por sua vez, deixou de chorar por Líliam, que ultimamente estava de péssimo humor, fazendo Caleb ficar com raiva de toda aquela situação.

Mas por um lado Maria Júlia havia gostado de ver James sorrir novamente. Parecia que Helo realmente fazia bem a ele. E ele merecia ser feliz, nos últimos meses ele havia passado por muitas coisas ruins.

Louise e Nicholas eram os que mais faziam a loira rir. Pareciam que a qualquer momento iam explodir de desejo, o que fazia Caleb ficar de muito mal humor e Nicholas extremamente intimidado.

Na verdade o desejo era algo presente em seu relacionamento com Thomas. Várias vezes eles tiveram que se obrigar a parar ou com certeza já teriam tido sua primeira vez. Não que ela estivesse insegura, na verdade ela tinha certeza do que fazer, mas eles sempre estavam no lugar errado, na hora errada e isso a deixava mais frustrada ainda.

Mas para ela, sem dúvida o casal mais fofo era seu irmão e Soffia. Maju nunca havia imaginado ver o garoto tão apaixonado. Mas ela ficava imensamente feliz por ele. João havia sofrido mais que ela na sua infância e adolescência. Ele sempre tentava protege-la das maldades do tio e da tia. Sempre apanhava por ela e isso havia deixado muitas marcas físicas e emocionais nele. A loira era eternamente grata por Soffia nunca ter desistido dele.

Depois de tudo ter se resolvido e agora eles estarem emancipados, a garota estava pensando seriamente em largar a faculdade e seguir a carreira musical dos pais e isso deixaria João empolgadíssimo. Eles formavam uma dupla muito boa e ela apostaria nessa parceria. Mas precisava conversar com Thomas antes. Ela também tinha planos para a Alforria Marota.

– Um beijo por seus pensamentos — sussurrou uma voz conhecida em seu ouvido, fazendo a garota arrepiar-se.

– Um beijo é muito pouco — respondeu a menina enquanto virava-se para encarar Thomas. O garoto sorriu antes de colar os lábios no dela.

Era interessante as reações que aquele beijo podia causar no corpo de Maria Julia. O calor que emanava dele, o cheiro, o sabor. Tudo aquilo causava reações diferentes e magnificas, fazendo as pernas da garota virarem gelatina. Mas logo Thomas finalizou o beijo, trazendo a frustração da garota à tona.

– Preciso ir embora hoje. — disse ele enquanto abraçava a loiro.

– Oh, mas por quê?

– MJ tenho um compromisso com a banda. Você poderia ir comigo, você sabe que os garotos adoram suas sugestões.

– Ótimo, tenho uma música nova para vocês e uma proposta. Mas ainda preciso conversar com o João. — disse ela empolgada fazendo Thomas rir. — Por que está rindo?

– Por que eu amo ver você empolgada. — respondeu ele puxando a loira para mais um beijo.

– Preciso te contar algo importante! — disse Maria Julia depois do beijo deixando o garoto com um semblante curioso

– Eu deixarei a faculdade de Medicina.

– Como assim? Por que?

– Porque irei investir na minha carreira musical e ...

– Não acho que isso seja uma boa ideia. Você não pode só depender da música.

– Claro que posso Thomas. Eu sou boa no que faço.

– Amor eu sei disso, mas não acho legal você largar a faculdade...

– Thomas eu não quero medicina, eu não gosto. Aquele curso foi escolhido pela minha tia, por favor entenda.

– Não, eu não entendo MJ, está jogando um semestre fora, você não pode fazer isso.

– CLARO QUE POSSO! TENHO DINHEIRO E POSSO FAZER QUALQUER COISA. Eu só queria o apoio do meu namorado, isso é pedir muito? — disse a garota assustando-se com a reação do namorado. O olhar perdido e frio que ele lhe dava só confirmava que ele estava olhando para a Maria Julia arrogante e fria que ele havia conhecido.

– Faça o que quiser então. Já que tem dinheiro, pise em cima da chance e da vaga que você usurpou de algum pobre coitado. — respondeu o garoto friamente. Maju já não conseguia segurar as lágrimas quando viu Thomas lhe dar as costas. Antes que ele desse o primeiro passo para partir ela segurou seu pulso e lhe abraçou as costas.

– Amor me desculpa. Eu já fui tão contrariada pelos meus tios que as vezes tenho dificuldades para ouvir opiniões. — disse a garota fazendo-o virar e encara-la, mas se assustou com o olhar de Thomas. Os olhos estavam vermelhos e algumas lágrimas rolavam no rosto dele. Tudo o que ela menos queria era ferir ele. Ela o amava tanto que aquela cena fez seu coração parar por alguns segundos.

– Amor, eu ... olha me desculpa, eu fui grossa, eu não quero ficar longe de você e nem magoa-lo. Eu só não quero fazer algo que me deixa infeliz. Por favor entenda.

– Eu entendo me desculpe — disse ele abraçando a loira. — eu só não queria ficar longe de você.

– Mas você não vai ficar — disse a loira o fazendo encara-la. — Você também desistirá da faculdade de medicina.

– Hei, calma ai M....

– Me deixa falar sim? Eu e você iremos fazer o curso de música e eu irei patrocinar sua banda. Quero estar perto dos meu pais, mas não posso fazer isso sem você. O que acha? Topa largar tudo e começar novamente?

Thomas ficou por alguns minutos calado, apenas apreciando a empolgação da garota a sua frente. Maju podia ver o conflito interno sendo travado nos olhos do garoto. Ela quase podia ouvir as engrenagens da cabeça dele. Ele tinha que aceita, ela tinha planos e Thomas estava incluído em todos eles. Ele precisava aceitar. A garota começou a ficar tensa e angustiada com aquela demora. Mas quando menos esperou o garoto já havia colado os lábios nos dela. Ele a carregou e ficaram um tempo rodopiando pela grama, até que o garoto tropeçou e caiu por cima dela. Seus rostos estavam a milímetros de distância. A respiração quente dele batia em seu rosto e os olhos castanhos dele a encaravam.

– Eu topo começar de novo ao seu lado.

(***)

No final das contas todos resolveram finalizar o final de semana e voltar para casa junto com Maju e Thomas. Lilian ainda estava aborrecida com o que havia acontecido com James e frustrada com o que aconteceu com Bernardo. Cada cena ficava repercutindo em sua mente fazendo com que ela ficasse ainda mais aborrecida. Ela mal terminou de desfazer as malas quando ouviu batidas na porta do quarto. Logo se encaminhou para abri-la e encontrou um Caleb ansioso com feições emburradas do lado de fora, ele normalmente não bateria na porta antes de entrar, mas levando em consideração que ela agora estava dividindo o quarto com Lou e Lúcia, achou um pouco engraçado aquilo. Lily deu espaço para que Caleb entrasse no quarto e logo sentou-se na cama ao seu lado. Ela quase não havia conversado com o irmão nos últimos dias e só então percebeu a saudade que tinha daquilo

– Lily... — mas antes que Caleb começasse a falar ela o envolveu em um abraço apertado e terno

– Eu fui uma idiota. — murmurou ela — O Bernardo...

– Isso é culpa minha — disse Caleb com a voz tensa.

– Como poderia ser sua culpa? — disse Lilian com os olhos sérios.

– Eu... Bem... Eu que dei a ideia para o James fazer ciúmes a você, claro que eu não insinuei que ele dormisse com a Helo, mas...

– Você o que?

– Lily...

– VOCÊ É MEU IRMÃO E MEU MELHOR AMIGO, COMO PODE TER FEITO ISSO COMIGO. LOGO O JAMES, CALEB!

– Lily, você não sabe da história toda, não sabe pelo que ele passou com nosso avô. — Mas você sabe do que eu passei por causa DELE. E ainda assim....

– Lily por favor, me escute agora. Eu sei tudo o que você aguentou e acredite, você sabe que eu não o ajudaria se não acreditasse que ele merecesse, ou que ele realmente te amasse — o coração de Lilian se contraiu ao ouvir aquilo, Caleb não diria algo assim a ela se não fosse realmente verdade. Ela não podia acreditar.

Caleb contou a ela tudo sobre as espionagens de James e como ele era louco pelo avô, tudo o que ele havia feito foi porque Edmundo havia pedido a ele. Caleb contou também sobre o acidente e como o avô havia descoberto de Antoni e deles quando Caleb foi estudar na Inglaterra, sobre o detetive particular que havia contratado para descobrir mais de sua família e não contentado com tudo, o velho resolveu se mudar para o Brasil. E ainda sobre o acidente, no qual a vítima deveria ser Elena e não Lilian. Lily não sabia o que pensar sobre tudo aquilo.

– E tem mais — disse Caleb com os olhos sérios e a linha da mandíbula dura — quando James descobriu tudo e foi tirar satisfações com o velho, sabe o que ele disse? Que James nunca poderia ficar com você, pois você é uma Nottingham e ele apenas um bastardo. Ele disse isso pro cara que idolatrou ele por todos esses anos, sangue do sangue dele, pra alguém que ele criou e viu crescer. Dá para acreditar?

Líliam estava chocada, era coisa demais para absorver, ela agora entendia porquê Caleb ficara do lado de James, ela sentia vontade de correr para os braços de James, mas ao mesmo tempo lembrava do que ele havia dito a ela e aquilo lhe atingiu como um soco no estômago. Ele havia levado o plano de Caleb muito além do que deveria, James estava com Helo agora e isso a machucava. E também havia o Bernardo, Deus, ela tinha que conversar com ele. Ela também estava se afeiçoando ao garoto e agora havia estragado tudo. Lily sentia-se perdida e tudo o que conseguiu fazer foi cair nos braços de Caleb e chorar.

– Você foi um tonto em fazer isso Caleb. Que ideia mais absurda, você é meu irmão e deveria ficar ao meu lado — disse Lilian teimosa.

– Lily, eu sei. Mas...

– Não me interessa, não quero mais saber de nada daquele senhor, destruidor de lares. — disse a ruiva — Estou cansada dele e do James.

Caleb a encarou por um tempo antes de resolver sair do quarto, inclinou-se para beijar o tomo da cabeça da irmã e deixou a ruiva ali, imersa em seus pensamentos.