Naquela manhã, Maria Júlia não conseguiu colocar os pés na sala de aula. As palavras de Caleb ainda estavam vivas em sua mente. O jeito frio e arrogante acabara lhe tirando o sono, fazendo-a recordar de sua família. Balançando a cabeça como se quisesse se livrar dos pensamentos, Maria Júlia levantou e foi para o banheiro. Deixou que a água quente lavasse toda a sua tristeza e fez uma coisa que há muito era proibido. Derrubou as barreiras, se permitindo ser a menina frágil e gentil, como na sua infância. Ela então chorou. Deixou que toda a angústia fosse para o ralo juntamente com a água.

Fechou os olhos e algumas lembranças tomaram conta de sua mente. Seus pais gritando quando ela tirou a primeira nota ruim na escola. Seus amigos brincando enquanto ela passava horas estudando. Sua amiga contando sobre o primeiro beijo com um garoto chamado Paulo e a inveja que sentiu naquele dia. Sua mãe lhe envergonhando na sala de aula. Seu pai levantando a mão para ela. Caleb a olhando de maneira fria e cruel.

– Chega! — disse Maria Júlia, abrindo os olhos e saindo do box. Enrolou-se na toalha e saiu do banheiro. Pegou uma roupa qualquer e depois seu casaco. Desceu as escadas e saiu. Ela precisava pensar, precisava se livrar do passado e sabia de um lugar onde poderia fazer isso.

Louise estava péssima. Sua roupa estava manchada, seus cabelos ensopados e não tinha conseguido resolver nada no fórum. E para ficar pior, a culpa por estar toda molhada era do melhor amigo do seu irmão. Ela achava absurdamente incrível como ele conseguia deixa-la irritada e inquieta tão facilmente.

Depois de ser despachada por uma das secretárias que trabalha no fórum, Louise resolveu voltar pra casa. Ela estava estressada, de mal humor e com fome. Tudo o que desejava era um banho e sua cama. Ela realmente esperava que Lúcia tivesse mais sorte na pesquisa. Enquanto atravessava a rua, um carro passou dentro de uma poça, espirrando toda a lama em Louise.

A única reação da ruiva foi de xingar o motorista desconhecido de todos os nomes feios que lhe vieram na mente, e para sua surpresa e desespero o carro preto voltou. Quando o motorista saiu do carro Louise reconheceu de cara.

─NICHOLAS, EU VOU MATAR VOCÊ!

─ Hãm, Louise? Meu Deus, me desc. ...─ Nicholas não conseguiu terminar a frase deixando Louise chocada com sua atitude. Ele simplesmente começou a gargalhar. Passou minutos rindo de Louise até que ela o abraçou.

No começo ele sentiu um arrepio na nuca, enquanto Louise apertava mais o abraço fazendo pequenas descargas elétricas atravessarem seu corpo. Ela encostou os cabelos em seu pescoço, fazendo-o sentir cheiro de baunilha e lama.

Lama? Quando percebeu já era tarde demais, Louise já tinha se soltado do abraço e ele estava com as roupas e o pescoço sujos. Nicholas olhou para a garota, ela gargalhava enquanto todos que passavam na rua os olhavam como se fossem dois loucos. Depois de um tempo se permitiu rir junto a Louise. Riram até ficarem ofegantes.

─ Me des-cul-pe ─ disse Nicholas em meio as gargalhadas.

─ Só desculpo se você me der uma carona pra casa.

─ Tudo bem, mas... eu ... Louise quer sair comigo? ─ disse Nicholas ficando sério. Louise baixou o olhar, depois de uns segundos, que para Nicholas foram como uma eternidade, ela o olhou de maneira terna e sorriu. Ele jamais pensou que pudesse existir alguém mais linda que ela. Por ela ele lutaria.

─ Fico pronta as 20:00h ─ disse Louise de maneira divertida.

O lago estava particularmente calmo naquela manhã, o vento frio arranhava de leve seus rosto, fazendo-a tremer. Ela sabia que deveria trazer um casaco mais pesado, mas ficar no frio era como um tipo de punição. Não sabia a quanto tempo permaneceu sentada ali. Estava tão absorta em seus pensamentos que não sentiu quando alguém sentou ao seu lado e lhe envolveu com um cobertor. Resolveu realmente se desligar do mundo. Levantar as barreiras e ficar apenas com seus pensamentos, afinal sua mente era o único lugar seguro. Ouviu então alguém chamando por seu nome, até que despertou.

─ MARIA J. ...

─ OK, já escutei ─ disse Maria Júlia, dando atenção a pessoa que lhe chamava. ─ Quem é você?

─ Thomas! Estudo junto com você.

─ O que você está fazendo aqui? E como você ousa ficar tão perto de mim?─ disse Maria Júlia, um tanto nervosa com a proximidade do rapaz.

─ Ei, calma aí. ─ disse Thomas ─ Eu só estava passando e te vi aqui no frio, fiquei te observando durante horas, te vi estremecer e resolvi buscar um cobertor e trazer para que você continuasse a pensar sem que pudesse pegar um resfriado depois.

Enquanto o menino falava, Maria Júlia começou a prestar atenção nele. Tinha o rosto anguloso, e a pele clara, seus olhos eram lindos, enormes e escuros, assim como os cabelos bem cortados. A sua voz era terna e aveludada, como se quisesse acaricia-la com as palavras, mas Maria Julia não poderia dar-se o luxo de desmoronar outra vez, não agora que já estava quase bem novamente, não na frente de um estranho. Ainda mais um estranho lindo.

– Obrigada, – respondeu Maria Julia rispidamente entregando o cobertor a Thomas – mas eu estava muito bem antes, sem a sua caridade.

– Eu não quis...

– Não me importa nem um pouco o que você quer ou não.

Porque ele tinha que aparecer aqui logo agora?Maria Julia pensava, de certa forma aqueles olhos escuros e ternos faziam-na sentir-se estranha por dentro, como se quisessem despi-la de todas as barreiras que lutava tanto para manter de pé.

– Tudo bem então, nós podemos conversar sobre outra coisa, eu não estava com a intenção de vir lhe falar o que eu quero – falou tomas com um meio sorriso que fez o coração de Maria Julia parar por um instante. Há quanto tempo ninguém lhe dava um sorriso desses? Um de verdade.

– Não costumo conversar com qualquer pessoa, muito menos com quem não conheço – sua voz estava ficando rouca sem que ela percebesse.

– Mas já nos conhecemos M.J, estudamos na mesma turma, eu já lhe disse.

M.J? Como ele ousava? Ela tinha que sair dali o mais rápido possível antes que aquele estranho lindo começasse a enxergar a Maria Julia que ela escondia tão vorazmente. Então ela levantou-se murmurando uma despedida qualquer e começou a andar apressadamente. Não conseguia pensar direito em nada, mas dessa vez a sensação era boa, seu coração batia aceleradamente de uma forma que ela nem lembrava que podia fazer e o pior, o quanto isso era bom.

– Maria! Espere um pouco, eu posso te levar pra casa? Te acompanhar?

Por que ele insistia tanto? Ela teria que ser mais horrível que o normal para se livrar dele, mas quando Maria Julia olhou naqueles olhos escuros não sentiu a menor vontade de fazer nada que pudesse machucar aquele rapaz, Thomas! Mas toda aquela atenção deixava certo receio na menina, ela não estava acostumada com ninguém a tratando tão atenciosamente, exceto o João, mas ele era seu irmão.

– Não. Você não me deixou terminar de pensar sozinha, então terei que fazer isso agora.

Ele sorriu novamente.

– Posso te ligar depois então?

Ela olhou para ele por um momento mais uma vez e não teve coragem para lhe dar a resposta que a Maria Julia do lado de fora das barreiras daria, então simplesmente disse:

– Nos vemos amanhã, na aula.

Então deu as costas para o rapaz e começou a caminhada, mas ao contrario do que pretendia, não conseguiu levantar todas as barreiras novamente. Ela estava distante e distraída demais pra isso e tinha uma coisa que dominava a maior parte dos seus pensamentos. Thomas.

Se isso era o inverno do Brasil James teria sérios problemas com o verão. Ele não tinha paixão por calor ou lugares tropicais, mas quando o avô Edmundo decidia que faria uma coisa não havia quem pudesse convencê-lo do contrario, por mais louca ou estupida que fosse essa coisa. E quando ele avisou para a família que viria procurar o filho ingrato no Brasil, a mãe de James não deu outra escolha a ele se não acompanhar o avô em sua saga épica.

É claro que morar com o avô tinha suas vantagens, James podia sair quando quisesse e votar a hora que quisesse sem dar muitas satisfações. No entanto o Brasil não era a sua melhor escolha para cursar a faculdade de administração, as faculdades do Reino Unido eram muito mais bem conceituadas do que estas. Por isso ele não viu problemas em perder os primeiros dias de aula para cuidar da mudança com o avô, eles encontraram uma casa aconchegante em Belo Horizonte, não era a mansão que haviam deixado na Inglaterra com os pais de James, mas era o bastante como residência temporária para ele e o avô, também tinha a questão dos empregados, James havia cuidado das entrevistas e da contratação, pois o avô ainda se recusava a falar português, outro motivo para ele estar por perto para instruir os funcionários. Mas com o tempo ele conseguiu convencer Edmundo a ceder em relação ao idioma.

E quando já estava tudo pronto só restava começar as aulas, mas James ainda estava incomodado com o porquê daquilo tudo, duas palavras que o avô não parava de repetir para ele todos os dias. Gêmeas ruivas.

James deixou o cansaço e a escuridão tomarem conta de seu corpo, afinal de contas amanhã não teria escolhas mesmo. Teria que ir para a universidade e tentar encontrar as tais gêmeas ruivas, antes que o avô decidisse fazer uma loucura maior, ir procurar por conta própria. De certa forma essa ideia divertia um pouco James, seria como uma caça às bruxas, no entanto o avô era um caçador sádico, por isso iria se esforçar para não deixa-lo entrar em ação.

– Eu ainda prefiro a verde! – dizia Lucia amuada na cama – você é ruiva Lou, fica bem de verde.

Louise estava indecisa com o que vestir para o encontro com Nicholas e Lucia estava tentando ajuda-la, se bem que nem estava prestando tanta atenção assim à amiga, tinha uma coisa que não saia da sua cabeça e isso a estava deixando triste, irritada e ansiosa ao mesmo tempo. E essa coisa era composta por escadas e um cara alto e esguio de olhos dourados. Ela tentou se concentrar em ajudar Lou com o encontro para tirar isso da sua cabeça, mas acabou não dando nada certo.

Louise voltou com a blusa verde e olhos ansiosos, Lucia tinha acertado. A amiga estava perfeita para um encontro com o novo morador gato da casa.

– Tem certeza? – perguntou Louise indecisa.

– É claro! Você está ótima.

Louise olhou preocupada para a amiga, Lucia estava estranha o dia todo, mas não lhe contou quase nada do que havia acontecido, quando ela lhe falou do encontro com Nicholas a amiga prontamente se ofereceu para lhe ajudar sem revelar quase nada do seu dia de pesquisas.

– Você ainda não me contou o que aconteceu com você – disse Louise preocupada.

– O que? E estragar o seu dia? Não foi nada importante, acredite em mim! Apenas dois estúpidos cruzaram o meu caminho no mesmo dia. Agora, vá e se divirta com o gatinho. Depois quero saber o que aconteceu.

E quando Louise confirmou as horas saiu apressadamente do quarto deixando Lucia sozinha. Ela sabia o que precisava fazer, pegou seu caderno vermelho e uma caneta esferográfica com tinta azul. Quando saiu do quarto ou viu risadas no quarto de Lily ao fim do corredor, provavelmente estava conversando com o irmão que havia chegado da Inglaterra, ela e Lou falaram horas e horas sobre esse tal irmão, que ela não lembrava o nome, mas ainda não o conhecera realmente. O quarto dos rapazes estava com a luz apagada e a porta fechada, o que significava duas coisas, o tal Nicholas já tinha saído com Lou e o melhor, João Pedro não estava em casa. Amber e Maria Julia também não haviam chegado ainda. Lucia desceu as escadas e encontrou Soffia assistindo TV na sala. Ela sorriu para Lucia que lhe retribuiu o sorriso. Mas Lucia queria chegar a outro lugar na casa que a fazia sentir-se bem.No quintal havia um Ipê roxo, que por conta do inverno já estava com as folhas se derramando no chão, ela sentou-se sob a árvore e começou a folhear o caderno, algumas pessoas escreviam diários, no entanto ela preferia escrever de forma diferente, Lucia escrevia seus sentimentos com textos em forma de poesia, quando finalmente achou uma pagina em branco começou a bordá-la com a tinta da caneta, até sentir-se mais aliviada.

“Quem és tu?

Que não é chama bela

Que arde e queima

Com ousadia de quimeras

–

Quem és tu?

Que não é tufão nem furacão

Que tudo leva

Com vigor e esplendor

–

Quem és tu?

Que segue errante pelos campanários

E nem cumpre as minhas leis de pudor

–

Não és sangue nem cura

E em teus lábios a ternura

Há muito se calou [...]”

Ela parou por um instante e ficou observando o céu despido de uma estrela sequer, estava começando a ficar frio e ela nem lembrou de levar um casaco, talvez não devesse ter saído. Lucia recolheu suas coisas rapidamente e voltou para o calor de casa e para sua infelicidade acabou encontrando João Pedro que acabara de chegar.

– Olá, Lu – dizia o menino com um sorriso malicioso.

– Já disse que não quero falar com você!

– Ah, mas isso não é problema, não estou muito a fim de conversa também. Nós podemos pular essa parte.

Ele a segurou com força de encontro a si fazendo com que ela derrubasse o caderno e a caneta. No entanto Lucia foi rápida, disparou uma bofetada no rosto de João Pedro.

– Seu maluco tarado! Você foi avisado! – ela disse com raiva – o que você pensa garoto? Não, quer saber acho que você não pensa mesmo. Da próxima vez a dor vai ser pior. Acabarei com as chances de que um dia você tenha filhos.

Ela se virou para sair dali, mas não conseguiu dar um passo sequer, pois acabou encontrando plateia. A plateia composta de um espectador apenas, alto e esguio escorado na parede de forma casual, olhos dourados... Olhos dourados? Os dois outra vez não.

– Você! – ela disparou acusadora para o menino de olhos dourados que lhe deu um sorriso sínico.

– Sim, eu – ele respondeu – então você é a Lucia. Eu estava aqui admirando suas habilidades de lidar com um idiota.

– Você já deveria sabe-las de cor, afinal você é um. ─ Lúcia disparou enquanto abaixou para juntar o caderno e a caneta, não se pode apenas escrever sobre diabo, ele tem que aparecer bem na minha frente?─murmurou Lúcia de forma baixa e malcriada─ E por que você está na minha casa?

─ A casa não é sua, porque se fosse eu jamais concordaria em morar aqui e quem é o diabo? Porque se for eu, fique sabendo que sou o diabo mais lindo do inferno.─ falou Caleb de maneira divertida, fazendo Lúcia ficar rubra de raiva e vergonha. Em que momento ele ouviu meus murmúrios?

─ Além de idiota e arrogante você também tem complexo de beleza, parece a Louise. ─ disse Lúcia parando para olhar o garoto. Os cabelos loiros, o corpo esguio, os olhos amarelos faiscando de raiva e divertimento. Então a ficha caiu. Os olhos dele eram exatamente iguais aos de Louise. Lúcia estava assombrada. As gêmeas eram gentis e alegres, ao contrário do irmão que era frio e arrogante. Então a pergunta mais idiota do mundo escapou de sua boca, antes que ela pudesse segurar. ─ Você é irmão das gêmeas?

─ Sim, ele é ─ respondeu Lílian descendo as escadas.─ Lú, esse é Caleb, ele chegou ontem da Inglaterra juntamente com o Nicholas. E porque você está tão vermelha? Você está bem?

─ Não, não estou. Estou cansada de ver tantos homens idiotas e com complexo de superioridade na minha frente. Vou dormir. ─ falou Lucia enquanto subia as escadas.

Louise não poderia estar mais feliz. Haviam saído de casa as 20:00h em ponto e apesar de ter usado todo seu charme, Nicholas não havia revelado aonde a levaria. Percorreram um longo caminho pelo centro de Belo Horizonte, e se encaminharam para a saída da cidade. No começo Louise ficou assustada, pensando se o cara ao seu lado era um psicopata e ela seria sua vítima. Se bem que ele é um psicopata gato. Depois de tal pensamento, Louise deu de ombros e não conseguiu evitar que um pequeno sorriso se formasse em seus lábios.

─ O que foi? ─ perguntou Nicholas.

– Ah, nada. Só um pensamento bobo. – disse a ruiva dando de ombros.

– Certo. Você conseguiu me deixar ainda mais curioso.

– É só que... Hãm, você não é nenhum psicopata certo Nick? Não está me sequestrando nem nada.

Nicholas simplesmente caiu na gargalhada fazendo Louise enrubescer de vergonha, ah meu Deus, como eu tive coragem de dizer isso pra ele?!

– Você é inacreditável Louise – disse ele ainda com os olhos brilhando acima do enorme sorriso.

– De uma forma ruim? – indagou Louise preocupada

– Claro que não, de maneira alguma! É só que você me surpreende às vezes. Pode ficar tranquila, não irei sequestra-la. – disse Nicholas com uma piscadela e um meio sorriso.

Ela adorava o modo como ele falava, achava charmoso o seu sotaque britânico, poderia ouvi-lo por horas.

Logo o meio urbano se transformou em rural. Árvores de várias espécies foram substituindo os prédios e enormes casas belas de estilo colonial foram surgindo ali. Nicholas começou a reduzir a velocidade do carro quando Louise pode notar uma construção cor de tijolos mais a frente, era de estilo colonial como a maioria das casas naquela região e na entrada havia um portão duplo de madeira. Ela pode notar o que estava escrito na placa logo acima, Orangotango’s Bar & Restaurante. Orangotangos? Mas como assim orangotangos? Indagou-se Louise mentalmente enquanto eles entravam e procuravam estacionamento.

– Curioso o nome deste local não? – disse Nicholas ainda com um meio sorriso – Acredito que seja porque o município seja vulgarmente chamado de macacos. Mas a comida aqui é excelente.

– Ah, então estamos em São Sebastião das Águas claras. Já ouvi algumas pessoas comentarem sobre este lugar na universidade.

– Estou no Brasil ha pouco tempo e já conheço Minas Gerais melhor que você?!

– Não é bem assim. A universidade tem exigido mais de mim do que eu esperava, não tive tempo para sair e me divertir com ninguém até agora.

– Fico lisonjeado em ser o merecedor desta honraria, senhorita. – dizia Nicholas todo galante ao conduzi-la até a casa cor de tijolos que deveria ser o restaurante.

O lugar era de fato cativante, em meio a ruralidade e os encantos da natureza, haviam luzes amarelas espalhadas por todos os lugares e a decoração desta noite era vermelha e branca. Louise podia ouvir de onde estavam que havia musica ao vivo, a banda estava fazendo cover de uma das musicas do Coldplay, coisa que ela só achou ainda mais perfeito. Enquanto Nicholas lhe contava algumas coisas sobre como era morar em Londres na Inglaterra e o vocalista cantava “Look atthe stars / Look howtheyshine for you / Andeverythingyou do / Yeah, theywereallyellow” ela só conseguia pensar em como a noite estava sendo maravilhosa.

Nicholas era um cavalheiro encantador, a noite inteira sua atenção estava voltada para Louise. Ele lhe perguntou sobre a vida no Rio de Janeiro, os pais e o que ela esperava da universidade, os motivos dela ter escolhido esta profissão, afinal ele já era um advogado formado, coisa que Louise ainda estava batalhando para se tornar.

– Sabe Louise, eu achei você encantadora no momento em que a vi, – Dizia Nicholas investigando o rosto dela com aqueles lindos olhos azuis com pintinhas verdes espalhadas pela íris – mas hoje pude constatar o quanto você é encantadora e incrível.

A ruiva enrubesceu um pouco com os elogios que aquela voz incrível fazia a ela.

– Obrigada, e você não tem nada de psicopata pelo que pude observar.

– Isso é ótimo então – dizia Nick entre risos – pois eu queria lhe chamar para sair outra vez. Aqui por perto tem uma cachoeira, e das melhores pelo que ouvi falar, você me acompanharia no domingo?

– Então sairemos de manhã bem cedo – respondeu Louise com um sorriso enorme no rosto.