Notas iniciais
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Era estranho que o ultimo dia letivo da semana fosse o primeiro de James na universidade, mas afinal de contas ele já havia adiado demais o inevitável. O Campus era imenso, por isso se arrependeu de ter perdido a aula de Orientação para calouros, no entanto, após perguntar três vezes para uma monitora, que ficou completamente abobalhada quando lhe viu, onde ficava o bloco de ciências sociais, acabou encontrando a sua sala.

James se surpreendeu, não deveria ter subestimado as universidades brasileiras. Os professores eram na verdade muito bons, o seu dia escolar mal estava na metade e já tinha cinco artigos para ler e discutir na próxima semana, três trabalhos de pesquisa e sem contar as leituras para compensar a matéria perdida nos primeiros dias. Isso já estava o deixando um pouco aborrecido.

Ele estava caminhando pelos arredores do bloco em um dos horários livres entre as aulas pensando no que o avô havia dito antes que ele saísse de casa, “Não quero que conte nada a elas ainda, Jamie. Quero conhecer meus netos antes”. Ele amava seu avô Ed, e faria o que ele pedisse, mesmo que fosse uma estupidez, ou nem tanto. Talvez toda essa resistência fosse reflexo de ciúmes dos outros netos de Edmundo, ao menos era o que James concluíra. Ciúmes dos netos que não são bastardos. Desde que nascera sempre foram só ele o avô sua mãe e seu pai e ele sempre soube do quanto Edmundo se sentia orgulhoso por tê-lo como neto, o avô chegava até a ser carinhoso com ele por vezes, coisa que muito raramente demonstrava a qualquer pessoa. E James sempre dava tudo de si para deixar o avô mais orgulhoso ainda, não iria decepcioná-lo agora.

Foi quando ele parou de súbito em uma das partes do bloco que envolvia mais da natureza, onde alguns alunos conversavam e lanchavam, entre outras coisas. Ele pode observar uma ruiva de estatura mediana, usava um vestido florido e um casaco marrom e em uma de suas mãos estava uma câmera profissional registrando os diversos docentes distraídos que socializavam naquela área. Ele não teria tanta sorte assim, teria? Seria ela uma de suas primas?

Lílian estava fazendo uma das coisas que mais amava fazer em seu curso, fotografando. Cada dia mais ela se encantava com o curso de jornalismo e mal podia esperar para começar a estagiar e trabalhar naquilo que gostava de fazer.

– Acho que você deveria tentar um ângulo mais para a esquerda – disse uma voz calma atrás dela e o que mais era aquilo? Um sotaque britânico?

– Acho que sei o que estou fazendo, obrigada. – respondeu ela sem se virar para trás, contendo toda a sua curiosidade jornalística. Mas acabou seguindo a sugestão do rapaz e viu como ele tinha razão, acabou tirando uma das melhores fotos.

– Viu! – disse o rapaz misterioso que agora ela via, ele tinha feições bonitas e firmes, olhos muito verdes e cabelos castanhos escuros contrastando com a pele clara, também tinha um sorriso cativante e era alto e forte.

Lílian riu e por um instante o rapaz ficou meio incerto.

– Ah! Eu vi sim. Vi que você é um tanto exibido.

– Não sou eu quem anda fotografando docentes escondido. – disse o rapaz fingindo indignação

– Na verdade é um trabalho da universidade.

– Ah, entendo. E qual é o seu curso senhorita?

– Jornalismo – disse Lílian orgulhosa.

– Então somos do mesmo bloco. Eu faço administração.

E antes que ele pudesse falar mais alguma coisa Lily tirou uma foto do rapaz.

– Desculpe, mas era o curso que faltava para eu fotografar. – Disse a ruiva entre risadas. E uma ótima desculpa para fotografar um cara lindo, ela pensou – a propósito, me chamo Lílian, mas todos os meus amigos me chamam de Lily.

– E eu me chamo James.

– Logo vi que você era estrangeiro, pelo seu sotaque.

– Você é uma ruivinha esperta! Sou de Londres, vim morar no Brasil com meu avô, ele tem negócios para resolver aqui.

– Londres. Que curioso, meu irmão acabou de voltar de um intercambio de lá.

– Então você tem um irmão que esteve em Londres? – perguntou James um pouco sério, parecendo bastante interessado.

– Exato – respondeu Lílian – tenho uma irmã também. Gêmea na verdade.

– E vocês são daqui? De Belo Horizonte?

– Não, morávamos no Rio de Janeiro com nossos pais.

Lily percebeu o olhar de James endurecer por um momento e achou aquilo estranho. De repente uma pontada de receio cresceu dentro da ruiva.

– Mas você já conhece a cidade bem. Certo? – perguntou James – Sabe dos restaurantes? Festas? Boates?

– Nem tanto assim, ainda estou me adaptando. – disse Lílian um tanto incerta.

– Eu não tenho socializado muito, a não ser com meu avô. Eu o amo, não me entenda mal. No entanto sinto falta de companhias mais alegres e divertidas. Como você.

Algo naquele rapaz misterioso convidava a atenção de Lily tal como um imã convidava metais para juntar-se a ele. E aqueles olhos verdes e sagazes faziam seu coração palpitar várias vezes mais rápido.

Soffia corria o mais rápido possível, fazendo com que o ar ficasse escasso e ela ofegante. Parou para esperar o sinal abrir e olhou no relógio que marcava uma da tarde. Estou incrivelmente atrasada, pensou ela voltando a correr. Suas aulas geralmente começavam as duas da tarde, mas naquele dia ela teria uma aula extra que começaria as doze e trinta. A menina se encontrava com um grande coque na cabeça, calças jeans, tênis e uma blusa preta. A mochila de couro pulava em suas costas em um ritmo frenético. Até que a morena avistou o bloco onde aconteceria a aula. Subiu os três andares de escadas e correu para a porta no fim do corredor, onde acabou se deparando com uma pequena placa.

“AULA EXTRA PARA A TURMA 1GASV15.1- GASTRONOMIA, CANCELADA!

AGUARDE O CONTATO DO PROFESSOR”

─ O QUE??? ─ gritou Soffia, fazendo com que alguns alunos no corredor parasse para observa-la. ─ Turma traíra. Não colocaram nada no grupo.

─ Ei amiga, por que você está surtando ai?

─ O que você faz aqui Amber? ─ disse uma Soffia surpresa. Afinal, a sala da Amber ficava no primeiro andar daquele bloco, e com o salto que a ruiva estava com certeza ela jamais subiria ali sem um motivo realmente bom.

─ Hãm, acho melhor irmos fazer compras. ─ Amber tentou desconversar fazendo Soffia ficar mais curiosa.

─ Me conta logo─ pediu Soffia, fazendo beicinho.

─ Vim conversar com um garoto, bom ele é alguém que conheci a pouco tempo e não quero falar sobre isso. ─ avisou Amber enquanto puxava Soffia para as escadas. ─ Vamos, preciso mudar meu visual. Imagina o que é ficar SEIS MESES com essa cor de cabelo. Preciso revolucionar.

─ Mas seu cabelo está lindo Abby.

─ Não, não está. Vamos mudar seu visual também mocinha.

─ Ok, acho que preciso. Estou um trapo.

─ Muito bem, seremos novas mulheres. ─ falou uma Amber sorridente.

Mas um dia de aula cheio de atividades e anatomia. Mal as aulas haviam começado e Maria Júlia já rezava para que as férias chegassem logo. Já estavam morando a mais de um mês naquela cidade e ainda não havia arrumado tempo ou companhia para sair. Mas como? Se eu afasto todos de perto de mim? Porém, é melhor assim, afinal ninguém vai me magoar ou tentar me dizer o que fazer. Entretanto havia uma pessoa que estava mexendo com a cabeça e os sentimentos de Maria Júlia.

Depois daquele dia no parque com Thomas, ela o vinha ignorando descaradamente. Não poderia permitir que ele tentasse adentrar as barreiras que ela havia construído. Ela teve que ser bastante humilhada para poder levanta-las. Mas, desde que conversara com o garoto, ela se sentia mais leve e por mais que não quisesse ela sentia vontade de ouvir a voz dele novamente. Por isso tomou a decisão de falar com ele novamente, pelo menos sobre coisas fúteis como as atividades da faculdade. Mas, ao chegar na sala sua decepção era palpável. Ele não estava e durante as quatro horas de aula ele não apareceu.

Frustrada e cansada, a loira foi para o seu lugar preferido a fim de descansar e refletir o seu enorme interesse no garoto. Andou para perto da árvore que ficava mais próxima ao lago, porém já havia alguém sentado ali.

O garoto estava sentado com a cabeça escorada no troco da árvore, as pernas esticadas e os braços seguravam um violão preto com três estrelas douradas. Os olhos do garoto estava fechados dando a entender que estava dormindo. Maria Júlia tirou os sapatos e se aproximou devagar e então pode observar todos os pequenos detalhes daquele rosto. A pele clara sem nenhuma mancha ou sinal, as sobrancelhas pretas e cheias, o nariz afilado, os lábios estavam vermelho, fazendo-a notar que o lábio inferior era mais cheio que o superior. Os cabelos curtos estavam bagunçados deixando-o bem sensual e...

─ Dá pra para de me encarar? ─ disse Thomas com os olhos ainda fechados. Maria Júlia havia esperado tanto para ouvir aquela voz novamente e quando ela tocou seus ouvidos sentiu o coração despencar até o estomago e começar a bater muito forte. Sua voz sumiu e sua boca ficou seca.

─ Mas... como? ─ Foi a única coisa que Maria Júlia conseguiu falar, e mesmo assim as palavras saíram apenas como murmúrios levados pelo vento, então soltou o ar, que nem sabia quando tinha prendido, recuperou a compostura e limpou a garganta─ Como sabia que era eu? E por que está na minha árvore? ─ falou de maneira ríspida e com a voz firme, fazendo Thomas rir.

─ Bom, seu perfume acaba lhe entregando e não vi seu nome aqui nessa árvore.

─ É que eu costumo vir aqui sempre, como hoje...

─ Eu sei, eu venho aqui também, desde o dia em que te vi pensando. Mas, acho que foi um erro ter te tratado tão bem.

─ Você queria se meter na minha vida─ respondeu ela, indignada com a ousadia do garoto.

─ Não, eu só queria ajudar. Você que é estranha e não permite que ninguém chegue perto. ─ Thomas falou de maneira magoada. Levantou-se e passou por Maria Júlia, sussurrando em seu ouvido ─ Desculpe-me senhorita mal humor, não lhe incomodarei mais.

E então Maria Júlia se viu sendo deixada pra trás pela única pessoa que havia tratado ela bem, que havia respeitado seu tempo e por mais que as palavras dele fossem duras, ela sabia que jamais sentiria raiva dele, afinal ele só disse a verdade. Ela não estava pronta para deixa-lo ir e nem soube como chegou a essa conclusão. Pois quando menos esperava as palavras saíram de sua boca como uma enxurrada.

─ THOMAS, THOMAS! ─ gritou a loira fazendo o menino parar, mas ele continuava dando as costa à ela, como se não tivesse mais forças para encara-la. ─ Eu apenas não estou pronta para falar sobre mim, mas eu quero que você fique. Eu... bom... por favor!

Com essas últimas palavras, Maria Júlia pode ver a tensão se esvair do corpo do garoto, fazendo-a flutuar. Eles sentaram-se embaixo da árvore e conversaram, riram, cantaram, comeram pipoca doce e jogaram pedrinhas no lago. Fazia muito tempo que Maria Júlia não se permitia ser tão livre e feliz. Ela sabia que Thomas seria importante pra ela, mas ela tinha que ter certeza de que ele não a machucaria. Ficaram ali durante o resto da tarde.

─ CHEGAMOS ─ gritaram ao mesmo tempo, fazendo Lílian, Louise, Nicholas e João Pedro aparecerem na sala. Para Amber foi muito bom ver a cara de espanto dos amigos, porém foi muito mais hilário ver o queixo do João Pedro cair ao ver a Soffia.

As duas amigas haviam passado a tarde inteira no salão de beleza, mudando o visual. Amber optara por deixar o vermelho no cabelo, mas decidiu fazer Ombré Hair nas pontas, deixando o cabelo na parte de cima vermelho vivo e as pontas douradas. Diferente de Amber, Soffia escureceu os cabelos, cortou um pouco do comprimento fazendo os cachos se modelarem e fez uma franginha. A cor do cabelo, deixou a menina mais branca e os olhos mais intensos.

─ Gostaram? ─ disse Amber dando pequenas voltinhas.

─ Amei, amei, amei. ─ disse Louise dando pequenos pulinhos com Amber.

─ Nossa qual o motivo de tantas mudanças? ─ perguntou Caleb com um enorme sorriso.

─ Estava na hora de mudar ─ disse Soffia, dando um olhar significativo para Líliam.

─ Vocês estão lindas meninas, você não acha João? ─ falou Liliam enquanto chegava perto do menino e fechava sua boca.

─ Soffi, você... Bom até que você esta melhorzinha─ disse o menino de forma esquisita e fria.

─ Melhorzinha??? Me poupe. ─ disse Soffia, saindo da sala o mais rápido que podia.

─ FRANCAMENTE JOÃO! ─ disse Lílian, saindo em seguida para ir atrás da amiga.

─ O que eu fiz?

─ Nada, você já é um babaca desde que nasceu. Na verdade essa casa tem os dois maiores babacas do mundo. ─ falou Lúcia com frieza enquanto fechava a porta atrás de si. ─ Sim, Caleb, você é o primeiro babaca do mundo. ─ finalizou sua fala enquanto corria atrás das amigas.

─ Sobrou pra mim. Cara você realmente pisou na bola. ─ disse Caleb pondo os fones no ouvido e subindo para o quarto, deixando um João Pedro pasmo sentado no sofá.

“Ontem à noite, eu conheci uma guria /Já era tarde, era quase dia /Era o princípio num precipício /Era o meu corpo que caía”.

Nem o player de músicas no modo aleatório estava colaborando com Caleb. Tudo o estava deixando irritado de forma constante ultimamente e nada descrevia melhor como ele estava se sentindo que essa musica. Caleb puxou os fones do ouvido e jogou o celular na cama. Seus sentimentos eram uma tempestade cinza. Cinza da cor dos olhos que ele não conseguia tirar da cabeça desde o sonho, mas algo devia estar errado, não havia nada de amoroso na tal Lucia, na verdade ela era mais arisca que uma gata de becos de rua e isso despertava certo divertimento nele.

Caleb já estava acomodado no quarto masculino junto com Nicholas e João Pedro, que não era má pessoa e sim apenas um pouco pervertido, de uma forma que Caleb não pretendia deixa-lo ser com suas irmãs, nem com Lucia novamente.

Outra vez! Ele pensava. Preciso tirá-la da minha cabeça já! Então ele saiu e desceu as escadas, no entanto antes de chegar à cozinha ouviu vozes e risadas que ele conhecia muito bem. Sua irmã Louise estava conversando animadamente com Nicholas, seu melhor amigo. Mas como pode seu melhor amigo lhe trair desse jeito? Ele a levou para sair nem antes nem pedir minha permissão e agora ainda ficam de conversinha bem debaixo do meu nariz. Caleb pode ouvir algumas coisas da conversa antes de interrompê-los.

– Pelo que ouvi falar é uma das cachoeiras mais lindas da região – dizia Nicholas animadamente.

– Mal posso esperar por domingo – disse Louise.

– Eu também mal posso esperar! – disse Caleb de maneira cínica – afinal de contas a que horas vamos sair?

Louise olhou para Caleb estupefata e deste para Nicholas que teve a mesma reação da ruiva enquanto Caleb se divertia com a reação dos dois. Mas afinal de contas que tipo de moça Nick pensa que minha irmã e para sair levando-a a onde quer que seja?!

– Nem pense Caleb, você não irá conosco – disse Louise rubra de raiva.

– Ir para onde? – perguntou Amber que acabara de aparecer na cozinha com um rodopio de cabelos vermelhos

– Vamos para uma cachoeira com Nick e Lou no domingo – disse Caleb animado.

– Ah! Adoro cachoeiras – disse Soffia de forma inocente – para qual iremos?

– É aquela que fica em Macacos? – Perguntou João Pedro entrando na cozinha também isso estava ficando divertido pensou Caleb maliciosamente – todos da universidade falam nela.

Nick estava tão surpreso que apenas assentiu com a cabeça um tanto boquiaberto para João Pedro, por um lado Caleb se sentia mal pelo amigo, mas afinal de contas, ele não devia ter se metido com a sua irmã.

– Reunião de família? – perguntou Maria Julia seguida por Lucia e Lílian que haviam acabado de chegar em casa.

– Mais ou menos queridinha – respondeu Caleb acidamente para a loira – nem todos aqui são uma família de fato – e então desviou os olhos para Lucia que estava com os cabelos castanhos presos num coque como quase sempre.

– Pare com isso Caleb – disse Lily de forma mandona para o irmão – afinal de contas o que está acontecendo?

– Todos temos um passeio para a cachoeira em Macacos no domingo. Estávamos acertando tudo justamente agora. Ainda bem que todos chegaram, eu já estava ficando preocupado.

Ele pode observar suas irmãs em sua comunicação intima e silenciosa, Louise amuada e Lílian juntando as peças do quebra cabeça. Ele estava ferrado, disso já sabia, mas já estava feito. Mesmo Nicholas sendo um ótimo amigo ele não tinha certeza se poderia ou não confiar sua irmã a ele.

Não demorou muito para que Caleb pudesse ver uma luz brilhando nos olhos de Lily, isso significava que agora ele descobriria o quão ferrado estava.

– Isso é maravilhoso, estávamos mesmo precisando sair e nos divertir – disse Lílian com um sorris no rosto – até porque é uma cidade nova e ainda vamos ficar aqui por um bom tempo, precisamos conhecer tudo melhor e desenvolver nossa amizade, criar novos laços de amizades com outras pessoa. Que curioso, hoje mesmo eu estava conversando isso com um novo amigo, acho que vou chama-lo para ir conosco.

– Que amigo Lily? – perguntou Caleb estupefato, no entanto a irmã não lhe deu ouvidos coisa que o deixou irritado.

– Oh! Então acho que também levarei um amigo da faculdade – disse Maria Julia um tanto entusiasmada.

Isso está começando a ficar estranho. Pensou Caleb.

– Agora temos que conversar sobre a questão da condução – prontificou-se Lily – temos que alugar uns carros.

– Sim eu já conheço uma empresa aonde podemos fazer isso – disse Nicholas finalmente recuperando a voz.

– Certo! Acredito que precisaremos de três então – dizia a ruiva com os olhos verdes empolgados – nossa já é depois de amanhã temos pouco tempo ara organizar tudo, mas vamos logo ver como ficaremos acomodados nos carros?

Todos concordaram em uníssono com Lily.

– Ok, os rapazes podem dirigir, é claro – eles concordaram com Lílian, mas se o fizessem ou não, nenhuma diferença seria constatada, pois a garota já estava com tudo esquematizado – e podemos ficar Nick, Lou eu e James meu amigo em um carro. – Caleb não estava gostando nada daquilo ele sentia a irmã o punindo em cada palavra que dizia – E João Pedro, Amber, Soffia, Maju e o amigo dela em outro. De acordo? Esse foi lotação completa. Então Lu e Caleb irão no outro carro. Pronto! Tudo certo.

Ele sabia que viria a vingança, só não esperava que a irmã pudesse ser tão maligna, mas antes que ele pudesse falar qualquer coisa que fosse Lily lhe lançou um olhar que encerrava todo o assunto em questão.

– Tudo certo não, calma ai – manifestou-se Lucia pela primeira vez – porque eu não posso ir junto com vocês Lily? Tem uma vaga sobrando.

– Mas de qualquer forma ainda falta o Caleb, Lu – dizia Lou – e nós não queremos que nosso irmão vá sozinho.

– Justamente, — continuou Lily – ele pode cair no sono com a viagem e se algo acontecesse? Confiamos em você para cuidar do Call. Ah e a propósito irmãozinho, você vai dormir comigo hoje!

Todos saíram para algum lugar na casa conversando animadamente sobre o passeio que fariam no domingo, exceto Lucia e Caleb que continuavam estupefatos na cozinha, um de frente para o outro.

– Então, você será minha protetora? – perguntou Caleb com um sorriso malicioso nos lábios.

– Para você querido, eu sou apenas uma enviada da morte. Quem sabe eu não faça melhor que apenas te deixar adormecer – disparou Lucia acidamente.

– Mal posso esperar. – murmurou Caleb com os olhos dourados brilhando, as ameaças de Lucia não eram nada comparado ao que ele sofreria nas mãos de Lily, disso ele sabia.

Então depois que a menina de cabelos castanhos saiu de sua frente pisando forte no chão, Caleb subiu as escadas reunindo forças para lidar com uma Lílian furiosa.

Quando chegou no quarto, Furacão Lily acertou-lhe com um travesseiro.

– O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTAVA FAZENDO? – esbravejou a ruiva com os olhos em uma tempestade verde

– Sinceramente Lily. Acho que você confunde demais quem é o irmão mais velho aqui. Como você teve a coragem de me colocar em um carro sozinho com a sua amiga insuportável e maluca?

– Tomara que assim você aprenda a não se meter nas tentativas de relacionamentos alheios. E tudo por causa de ciúmes bobos, Caleb. O Nicholas é seu melhor amigo, nem nele você confia?

– Lily – disse Caleb com uma voz terna sentando-se ao lado da Irmã na cama de modo que seus ombros encostavam um no outro – Você lembra da primeira e última vez em que Lou se apaixonou? Ela é frágil e sim o Nick e meu melhor amigo, mas eu tenho que ter certeza que ele vai cuidar bem da nossa irmãzinha.

Os olhos de Lílian estavam distantes, relembrando o que Louise havia passado. A angustia quando Caleb não esteve aqui para ajuda-la a superar.

– Talvez nós tenhamos que deixa-la aprender a ser forte. Sempre vamos estar aqui para ela, mas Lou precisa viver sua própria vida, por favor, Call, me prometa que vai ao menos tentar não interferir no lance do Nick e da Louise.

– Sim, claro eu prometo que vou me esforçar. No entanto quero saber quem é esse seu novo amigo.

– Ah sim, o James. Ele é um tanto misterioso e a proposito é britânico, dá pra acreditar?! Ele estuda administração no mesmo bloco que eu e veio para o Brasil a fim de acompanhar o avô que vai passar alguns anos aqui por questão de negócios. Ele não me pareceu uma má pessoa, apenas um tanto introvertido.

Os irmãos ficaram conversando por horas como sempre faziam, bem antes de Caleb ir morar na Inglaterra e isso fez com que ele se sentisse feliz por se sentir em casa e estar com as irmãs novamente. Logo a conversa dissipou e o sono os venceu, fazendo com que se perdessem na escuridão da noite e depois nos sonhos.

Notas finais
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