Notas iniciais
Oi amores, não me matem. Desculpem, mas a vida está corrida e já estamos na reta final de história. Então tenho que tomar as decisões certas. aí vai mais um capitulo. beijos

Luís mais um vez procurava Amber pelo campus, mas parecia que a garota estava ficando cada vez melhor na arte de se esconder. Entretanto naquele dia ele estava decidido a resolver aquela situação, nem que tivesse que pedir reforços a polícia.

Já estava voltando pela terceira vez para o bloco de moda quando viu Dani e Maurício se beijando em um beco formado por dois prédios. No início ele teve vontade de soca-los, mas então parou para pensar. Depois de alguns segundos pegou seu celular e começou a filmar os dois, se aproximando e ficando atrás de uma grande e quadrada lata de lixo.

– Ai gatinho, eu estava com saudades- disse a garota com a voz melosa.

–Eu também Dani, mas me conta você tem visto aquele moleque?

–O Luís está sumido ou apenas fugindo de mim, mas a ruiva viu a gente se beijando. Por que o interesse nesses dois? Pensei que era só uma vingança.

–Mas é querida, uma vingança que vai terminar com a Amber na minha cama.

–Como assim? –perguntou Dani.

–Eu vou usa-la minha linda e depois descarta-la, assim como ela fez comigo.

–Eu poderia filmar isso para que depois eu e você pudéssemos assistir e rir da cara daquela garota.

–Eu amo você, sabia? – disse Maurício com um sorriso tarado no rosto.

–Eu também gatinho. Agora é melhor dar o fora daqui, antes que alguém nos veja. Te vejo na minha casa hoje?

–Com certeza. – respondeu Maurício puxando Dani para mais um beijo.

Luís ficou ali, olhando para o ponto em que sumiram. Tudo foi uma farsa para que o namoro dele acabasse. Amber precisava ver o vídeo e ele faria de tudo pra proteger sua menina, tudo!

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Caleb não acreditava que todos estavam sendo hipócritas a ponto de fingir que Edmundo não havia feito nada a sua família, seu pai havia lhe afastado de Lúcia por que seu suposto avô estava morrendo. Caleb jamais desejaria a morte de alguém, mas ele também não gostava de fingir ou mentir, ele não perdoaria seu avô tão fácil ou jamais perdoaria, ele não tinha certeza. Olhou a frente e viu Líliam e Louise o esperando, olhou em volta e não viu mais ninguém, então abriu um sorriso e correu para abraçar suas pestinhas, ele não tinha parado pra pensar em como estava com saudades daquelas ruivas malucas.

–Pestinhas da minha vida, que saudade! –disse ele sufocando as duas em um abraço de urso.

–Caleb, Caleb, estou sufocando- disse Louise dando pequenos tapinhas na costa do irmão enquanto Líliam fazia um cena com a língua pra fora.

– Desculpa. – disse o garota abrindo um enorme sorriso.

–Como está Lúcia? Por que ela não voltou com você? — perguntou Líliam com os olhos tempestuosos de preocupação.

– Bom a Lúcia não irá mais voltar, ela ainda ....

–Como assim não vai voltar? E a faculdade? Ela não pode me abandonar assim- reclamou Louise.

–Calma Lou, a Lú não está bem. Depois que a avó morreu ela ficou muito deprimida e pra não deixar a mãe sozinha ela resolveu ficar. Eu ia ficar com ela, mas o papai ligou para que eu perdesse meu tempo visitando aquele senhor.

–Calma aí maninho, o velho realmente está mal e eu faço isso pelo papai, nós devemos isso a ele. — falou Lily cautelosamente e lançando um olhar que impedia questionamentos.

–Tudo bem, mas eu vou visitar ele e voltar para ficar com Lúcia, eu não consigo mais ficar longe dela. Eu pensei muito e vou pedi-la em casamento. – se a situação não fosse séria e sincera, Caleb teria gargalhado da cara das irmãs, mas ele apenas sustentou o olhar de Líliam e ele soube naquele momento que ela o apoiaria.

– Vamos conversar sobre isso depois. Agora o papai espera por nós na frente da casa do velho Ed.- disse Louise com uma careta.

– O dia vai ser longo. Vamos de táxi?

–Não, vamos no carro que papai deu pra gente.

–Como assim? Temos um motorista também?

–Bom, a uns dois dias atrás minha carteira chegou- disse Líliam com um sorriso travesso nos lábios, fazendo Caleb ficar pálido e Louise gargalhar.

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Soffia já estava impaciente. João Pedro marcara com ela na cantina para que pudessem almoçar juntos, mas o seu relógio já acusava quinze minutos de atrasado. A garota queria aproveitar o máximo de tempo junto ao namorado, afinal as provas finais do semestre estavam cada vez mais puxadas, dando ao casal pouco tempo para namorar. Era incrível como os dois em tão pouco tempo haviam se tornado um só, sempre mais amigos, mais apaixonados, mais cumplices, mais felizes. E por muitas vezes Soffia se perguntava como havia se apaixonado por alguém que era tão metido e arrogante, claro que o garoto havia mudado bastante, mas vez ou outra ele voltava a ser aquele João fechado e assustado. Novamente Soffia olhou para a entrada da cantina e nada de João, mas percebeu Maju e Thomas andando em sua direção.

–Ei Soffi, cadê meu irmão?

–Nem me fale daquele loiro de farmácia. Ele marcou aqui para almoçarmos juntos e até agora nada. Eu vou buscar meu almoço, vocês podem ficar de olho nas minhas coisas?

–Claro cunhada... – disse Maju soltando uma gargalhada enquanto Soffia saia com o rosto vermelho.

– Ei amor, olha quem vem ali! – disse Thomas apontando para a entrada leste da cantina.

–Nossa, acho que ele está sofrendo mesmo. Nunca vi Luís tão maltrapilho como hoje.

– Ele está vindo pra cá?

–Sim – disse Maju fingindo não olhar.

– Oi gente- disse Luís puxando o fôlego.

– Oi Luís, está fugindo de quem? – perguntou Thomas com um sorriso sínico no rosto.

– Gente, eu preciso achar a Amber!

–Não, você não vai mais machucar minha amiga, seu garoto nerd safado. – gritou Soffia colocando sua bandeja com força na mesa.

– Calma Soffia...

–Não Luís, não vou ficar calma, você estragou com a vida da minha amiga e....

–Vai ficar calma sim, Soffi. –disse João chegando atrás da garota.

–OH, COMO OUSA SEU LOIRO DE FARMÁCIA, VOCÊ NÃO TEM O DIREITO.

– Calma lá esquentadinha, deixe o Luís mostrar o vídeo que ele gravou. – disse João lançando um olhar significativo para Luís. O garoto pegou o celular e então mostrou o vídeo. Ele pode ver a surpresa e a raiva presente no rosto de cada um naquela mesa. Na verdade ele ainda estava perplexo com tudo o que ouvira, não entendia como ele poderia ter sido tão idiota.

–Calma aí, a Amber precisa saber disso. — disse Soffia com os olhos raivosos. Luís por um momento percebeu que a ajuda dos seus amigos trariam Amber de volta para sua vida, ou não. Tudo aquilo poderia trazer sua felicidade de volta ou não. E então a pequena frase começou a bagunçar seus pensamentos: “E se ela não me amar mais?”.

Soffia olhou para o garoto e percebeu que ele estava perdido em pensamentos e só então observou o quão abatido Luís estava. Estava magro, com o rosto ossudo. As pequenos olheiras estavam evidente e a pele estava pálida. Assim como os olhos estavam fundos e desfocados, sem brilhos. Naquele momento Soffia também percebeu o quanto todos foram injustos com o garoto, o deixando sozinho sem dar-lhe a chance de se explicar.

–Luís, eu...

–Tudo bem Soffia, eu apenas quero ela de volta, mesmo que seja apenas como colega, eu...- mas Luís não conseguiu terminar, pois Soffia o sufocou em um abraço de urso, gesto que fez seus olhos arderem e sua garganta sufocar um soluço. Há muito tempo queria soltar toda a angustia que tinha no peito e agora ele havia recuperado os amigos, faltando apenas recuperar seu amor. Ele afastou Soffia delicadamente e limpou os olhos.

– Preciso achar a Amber, antes que seja tarde.

– Iremos com você- disse a Soffia com os olhos cintilando esperança.

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James estava exausto! Parece que nos últimos meses tudo em sua vida havia saído do eixo, principalmente os seus sentimentos. Ele nunca teve a intenção de se apaixonar por Líliam, na verdade ele queria feri-la por roubar a atenção de seu avô, mas não pode conter o turbilhão de sentimentos que o abateu no momento que encarou aqueles olhos. Diferente dos olhos do seu avô, Líliam tinha olhos cheios de sabedoria, esperança e amor. Seus olhos eram brilhantes, mas ficavam opacos sempre que estava triste ou preocupada. Mas naquele dia, James não soube dizer o que o olhar dela transmitia, eles estavam apenas turvos e tempestuosos.

–Olá Jay- disse Helena enquanto abraçava o rapaz de forma carinhosa.

–Oi tia, tudo bem?

– Oh claro. Como ele está? – perguntou Helena com um tom preocupado que surpreendeu Antoni.

–Ele está sendo examinado neste momento. Hãm, oi Líliam.

–Olá James. – disse a garota desviando o olhar.

–Caleb, pensei que ainda estava com Lúcia, o que faz aqui? – indagou James.

– Pergunte ao seu querido tio. — disse Caleb com desdém.

–Cal, pare com isso- respondeu Antoni

– Oh, vamos subindo.

–James preciso conversar com você- disse Líliam.

–Vamos deixá-los a vontade. — disse Louise com um tom irônico. — Não se preocupe iremos achar o vovô, ele com certeza deve estar reclamando e....

–Louise, pare com isso- repreendeu Helena, com um enorme sorriso no rosto.

James levou Líliam aos fundos, onde tinha uma enorme árvore e embaixo um banco de ferro pintado de branco. Lá eles sentaram e então Líliam ficou sem saber o que dizer. Ficar perto de James era como liberar mil borboletas dentro de seu estômago, o que lhe deixava angustiada e enjoada.

– Você me chamou aqui pra ficar admirando minha beleza? — disse James impaciente.

–Nossa, você deveria andar menos com o Caleb e com a Louise. Primeiramente você não é tão lindo assim e....

–Líliam, se veio aqui para implicar, melhor é você ir embora.

–Não, bom, eu preciso conversar com você. Sobre nós dois.

–Você já deixou claro o que pensa sobre mim, o que mais eu devo saber?

– Que eu amo você?

– Mas... pare de brincar Líliam.

– Eu te amo James, mas não confio em você. Não confio no amor que você sente por mim. Na verdade eu ainda sinto tanta raiva, tanta mágoa por saber que você me usou.

– Lily eu... eu não posso negar que te usei. Eu queria machucar sua família sim, eu tinha inveja de vocês, afinal eu lutei tanto para agradar o meu avô, mas ele nunca se entregou realmente a mim. Ele sempre procurou o filho, sonhando com os netos. Eu fui egoísta, eu quis magoar todos vocês. Então eu vi você, de longe é claro, eu notei a semelhança com Antoni e meu avô. Os olhos principalmente e naquele momento eu quis muito faze-la chorar. — James dizia tudo em um folego só. Líliam já tinha o rosto banhado em lágrimas, afinal nunca poderia imaginar que seu doce James teve vontade de machuca-la e pensando bem ele já tinha feito isso e continuava a fazer.

–James, você....

–DEIXE EU TERMINAR SIM? — gritou o garoto, assustando Líliam. — Mas quando cheguei perto de você e te encarei eu perdi totalmente o rumo, eu apenas me deixei levar por sua doçura e gentileza. Você estava tão linda naquele vestido amarelo, tão despreocupada e alegre. Eu te amei ali, naquele momento. Mas eu não podia, eu deveria odiar vocês. Você foi gentil e me convidou para ir naquele bar com vocês, me apresentou sua família e me fez sentir parte dela. Eu então fui me odiando e detestando o plano do Edmundo que a muito tempo insistia em conhecer vocês, principalmente você.

– Principalmente a mim, mas... Por que Jay? Eu não entendo- disse Líliam ainda desnorteada, cada palavra fora como um soco no estômago. Ao menos, desta vez eram verdades. Ou ela supunha que fossem.

– Você não sabe como ele é obcecado pelo gene da família Nottinghan? – disse James com um sorriso escarnecedor e doído, como se estivesse mostrando a ela todas as feridas de seu coração – De todos os netos, você é a que mais se parece com o velho Ed, seus olhos verdes o fascinam e isso despertou um certo encanto doentio naquela cabeça de dinossauro.

Líliam ficou ali o observando e imaginando o quão difícil devia ter sido soltar todas aquelas palavras. James também era um Nottinghan e mais que ninguém, ela sabia o quão orgulhoso ele era, exatamente como ela. Ela deitou a cabeça sobre o ombro de James inalando seu cheiro. Sabonete e loção pós-barba e como ela sentiu saudades daquele cheiro, e mais que nunca sentiu vontade de ficar ali com ele. Mas não era tão simples assim, e ele também sabia. Líliam sentiu quando as lágrimas quentes do rapaz percorreram o seu rosto de repente e por um momento imaginou como seria se tudo estivesse ocorrido de maneira diferente, sem as intromissões de Edmundo.

– Jay eu...

– Tudo bem Lily, eu te entendo. — o garoto interrompeu limpando as lágrimas – eu só quero te ver feliz e pelo que notei o Bernardo consegue faze-la ficar bem. Eu entendo que você precisa de um tempo e que as mágoas foram muitas, acredite, eu também carrego mágoas.

A garota mais uma vez ficou sem saber o que dizer, ela apenas queria que tudo aquilo acabasse, todo aquele sofrimento e angustia. Ela então lembrou-se da conversar com Antoni, e naquele momento ela decidiu ser forte. Pelo seu bem e por James.

– Eu sinto muito – disse a ruiva em um sussurro- Antes de vir aqui, eu conversei com papai e ele me fez perceber um coisa que no começo me doeu muito, mas que agora faz todo sentido. – James apenas a encarou, incentivando que ela continuasse.

– Bom, ele me disse que nosso amor nasceu e se fortaleceu muito rápido, mas que talvez não seja hora para vive-lo. Eu e você somos orgulhosos, um tanto imaturos e cheios de mágoas. Eu primeiro preciso resolver os meu problemas, eu não consigo arrancar essas magoas de mim, eu não irei conseguir ser feliz ao seu lado, e tem o Bernardo...

–Shiiii — interrompe James colocando o dedo indicador sob os lábios da ruiva- Eu entendo. Lily, está tudo bem. Eu sempre irei amar você, e irei esperar o tempo que for para poder ficar com você. Eu apenas quero que você acredite em mim e que seja muito feliz.

– Eu acredito na sua história Jay, eu sei que o velho Ed é persuasivo. E o brigada por me entender... ei, espera, por que você está falando como se estivesse se despedindo? – Líliam perguntou fazendo James a encara-la.

– Bom, eu estou voltando para Londres.

–Como assim? Porque?

– Lily eu preciso ficar longe, preciso ficar com minha mãe e meu avô- respondeu James com o semblante sério e o olhar frio, fazendo a garganta da garota sufocar e o estômago doer. Os olhos arderam intensamente, mas ela não choraria. — Você não vai falar nada?

– O que você espere que eu diga? Você quer que eu te peça pra ficar? EU NÃO POSSO JAMES! — gritou Lílian levantando-se do banco. Por um momento ela se permitiu sentir dor, mas o momento logo se foi quando sentiu a mão de James tocar-lhe o braço.

Naquele momento ela se permitiu sentir seu toque, por um leve momento. Ele a virou e a fez encarar seus olhos, que estavam um tanto vermelho por conta das lágrimas. Não demorou muito para que seus lábios tocassem o dela de maneira voraz e saudosa. As pernas de Lily ficaram bambas e James a segurou firme em seus braços. Despois de um tempo o beijo foi ficando mais doce e quando o ar acabou eles apenas ficaram se encarando. Aquela era a despedida.

Líliam se afastou e andou até a casa parando no meio do caminho. E sem olhar pra trás ela disse:

– Eu não posso pedir pra ficar, eu apenas quero que seja feliz. Adeus Jay. — James apenas encarou os cabelos ruivos antes de dar as costas e voltar ao banco. Ali, naquele momento, a perda de Líliam se tornou real.

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Se houvesse um buraco bem ali no meio daquele quarto, Louise com certeza já haveria enfiado sua cabeça. Aquele momento estava sendo constrangedor. Caleb ficou como um segurança parado ao lado da porta, Antoni sentou-se ao lado do velho Ed, que estava meio que sentado com as feições emburradas, jogando olhares fulminante ora para Caleb, ora para Helena estava sentada em uma poltrona do outro lado quarto.

– Não precisava trazer essa mulherzinha aqui, Antoni. Tal pouco quero sua pena. Você já deixou claro que me odeia.

– Não é só ele viu? — resmungou Caleb, e logo recebendo um olhar de censura de Elena. — Agora vejo o pouco amor que meu filho tem para comigo — disse o velho de forma teatral — em meu frágil leito traz a causadora de tanta desgraça para a nossa família.

Louise viu quando a mãe enrubesceu e escondeu o rosto na cortina de cabelos vermelhos. Também viu quando Caleb endureceu a mandíbula e cerrou as mãos em punho apertadas.

– Não seja rude papai — disse severamente Elizabeth — todos que estão aqui são bem vindos. Além do mais o médico disse que não deve se exaltar.

– Bem vindos? Eu não convidei essa senhora e.... — Louise viu seu avô fixar os olhos na porta que lentamente mostrou Líliam. A ruiva notou que a irmã estava abatida e com os olhos vermelhos, com certeza ela havia chorado, mas a determinação nos olhos verdes da garota eram admiráveis.

– Hãm, licença.

– Minha netinha, minha Líliam — exclamou exasperado o velho Edmundo. — Me perdoe, eu não queria lhe machucar.

Era estranho ver a mudança repentina nos sentimentos do velho Ed. No entanto a chegada de Lily havia os poupado de mais constrangimento ainda. Louise observou como a irmã olhou para seu pai, que ainda estava com o semblante cansado e abatido e depois devolveu o olhar para o avô.

– Eu estou bem agora. — a ruiva disse, Louise podia ver o quanto ela ainda estava se contendo para não desabar e tudo o que queria era amparar a irmã e lhe perguntar o que havia acontecido.

– Então, você me perdoa? — indagou o velho esperançoso.

– Vamos com calma, vovô — respondeu Lily com um meio sorriso e os olhos ainda turvos e distantes.

Louise quase se abaixa para pegar o queixo no chão de tão chocada com aquilo. Mas se fosse parar para pensar nem deveria, ela sabia que Lily havia prometido ao seu pai que tentaria perdoar o velho Ed. E Lily sempre cumpria suas promessas.

– Entendo, então sente aqui pertinho de mim? Por favor. — falou Edmundo fazendo um gesto para Antoni se afastar.

Louise viu Líliam olhar significamente para Caleb e depois para Antoni. Em seguida andou até o avô e sentou ao seu lado. Edmundo sem perder tempo agarrou a mão da ruiva e ali depositou um beijo carinhoso.

– Eu sinto muito minha querida, eu fiquei me culpando, meu Deus, se algo acontecesse com você, eu...

– Seria preso — resmungou Caleb, recebendo um olhar mortal de Lílian. Louise fez o maio esforço para não gargalhar com aquela situação. Apesar de negar, Caleb era tão rabugento quanto o velho Ed

Quando Louise menos esperava outra figura que acenderia mais acontecimentos interessantes adentrou o quarto. James estava opaco, sim aquela era a palavra adequada para descrevê-lo. E por alguns instantes aquela imagem do rapaz despertou lembranças de um passado não muito distante em Louise, quando ele fora morar com eles e se lamuriava por Lilian a qualquer momento.

Um instinto protetor tomou conta de Louise e tudo o que sentiu foi vontade de envolver o primo com um abraço apertado, como se estivesse o protegendo de toda e qualquer dor que James pudesse sentir.

–Já vai tarde — resmungou Caleb.

– Oh, ele ja lhe contou? Bem eu preciso que meu médico veja a minha situação, mas eu posso voltar para ficar perto de você.

– James, você pode queimar o passaporte dele né? — Caleb sussurrou alto demais, fazendo Louise sorrir.

– Eu adoraria vovô. Eu preciso ir, tenho que resolver outra situação, mas antes quero lhe pedir uma coisa. Posso?

– Pode pedir tudo o que quiser minha querida. — Louise viu quando Lílian se levantou e falou alto e com o tom severo.

– Eu exijo que você peça perdão ao James, afinal ele que salvou sua vida, ele que esteve ao seu lado todos esses anos lhe dando amor e carinho, além de fazer coisas erradas. Ele fez muito pra ter seu amor e mais do nunca mostrou ser um Nottinghan. — Lilian terminou e encarou James que tinha mantinha a cabeça abaixada. — Jay, olha pra mim. — a garota pediu sendo logo atendida. — Você, mais do que qualquer um aqui nesse quarto merece esse sobrenome, merece ser amado.

Louise viu uma lágrima solitária descer pelo rosto do primo, naquele momento ela soube que ele desabaria. Ela levantou-se e ficou ao lado dele, segurando sua mão, lhe dando forças. Edmundo olhava assustado para a neta e então seus olhos pousaram na figura de James. Ele realmente tinha sido injusto e cruel com o neto, naquele momento ele viu como havia sido tolo e se envergonhava por isso.

– Jamie, eu...

– Não acredito que seu pedido de desculpa seja sincero, então não se dei ao trabalho senhor Edmundo. Eu vou indo. — interrompeu James, largando a mão de Louise e saindo do quarto.

– Líliam...

– Agora não vovô. Eu preciso ir. — disse a garota depositando um beijo na testa do velho Ed.

– Eu vou atrás do James, hãm, tchau vovô. — falou Louise jogando um beijo para o avo, que tinha uma expressão perplexa no rosto.

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Amber estava escondida em meio as enormes estantes da biblioteca. Aquele dia estava sendo péssimo e tudo estava dando errado. Na verdade há quase um mês ela estava vivendo de infelicidades. Primeiro o namoro com Luís havia acabado, depois suas notas na Universidade haviam sido péssimas e para finalizar seu irmão estava hospitalizado por conta de um acidente de carro.

Tudo o que ela queria era estar perto dos pais e do irmão, sendo amparada por seus familiares. Mas sua mãe havia lhe proibido de abandonar tudo, fazendo a garota ficar mais deprimida a cada dia que passava. Claro que ninguém da republica percebeu, afinal ela era boa em esconder sentimentos. Mas quem olhasse para suas roupas perceberia o quão obscura sua vida estava.

"Ele está em coma induzido" aquilo se repetia em sua mente sem parar. Tinha outras lembranças vagas do que seu pai havia dito pelo telefone, mas a dor era tanta que as palavras simplesmente não se tornaram coerentes.

Lagrimas banhavam o seu rosto e pela primeira vez ela não deu a mínima importância para sua maquiagem, cada dia ela se sentia mais fraca. A cada dia a dor e as máscaras eram mais insuportáveis e por aquele momento Amber se permitiu desabar.

Seus sentimentos ficaram ainda mais turbulentos quando avistou alguém surgir pelo lado esquerdo do corredor de estantes. Alguém que havia a machucado muito, mas agora já não tinha forças, muito menos fazia questão de machucá-lo de volta.

Amber percebeu o quanto Luiz empalideceu ao vê-la naquele estado. Seus imensos olhos castanhos se arregalaram e brilharam de culpa e dor. Ela tentou inutilmente se recompor, mas acabou desistindo no final das contas.

Ela não queria que ele a visse naquele estado, muito menos queria dar a ele o gostinho de pensar que estava assim por sua causa, mas era tarde demais. Ela já havia visto o suficiente para saber de seu estado emocional. E no fim das contas Amber já nem ligava para o que ele estivesse pensando. Tudo o que queria era desabar em paz.

– Saia e me deixe em paz — ela disse em um sussurro bravo entre os soluços.

– Abby, eu... Me p.... — Oh, Deus, como ela amava ouvir aquela voz.

Amava o jeito como ele gaguejava quando ficava nervoso e amava aqueles olhos castanhos e gentis. Mas tudo aquilo só fazia com que ela chorasse mais ainda. Luiz juntou-se a ela, confortando-a e tentando acalmá-la

Não se sabe quanto tempo eles ficaram ali, abraçados, mas para a garota havia horas. El finalmente havia parado de chorar e naqueles minutos ela havia esquecido todos os problemas. Ela apenas deixou se envolver pelo perfume familiar que ela tanto amava. Não demorou muito para Luís afasta-la delicadamente, afinal ele estava ali para dizer algo e Amber no momento em que lhe olhou decidiu escutar.

– Oh minha pequena, me perdoa.

– O meu irmão... Ele... espera, o que você quer?

– Amber... bom... preciso te mostrar uma coisa. Uma coisa muito séria e que pode lhe abalar mais. Eu sinto muito por tudo...

– Eu não tenho cabeça agora Luís.... Eu estou com problemas familiares e....

– Você tem que ver Amber. A sua vida acadêmica e pessoal está em jogo. Por favor.

– Tudo bem. Me mostre logo

Então Amber viu a cena mais aterrorizante e nojenta de sua vida. Ali na pequena tela do celular de Luís estava Dani e Maurício armando um plano para acabar com ela. Sim, eles acabariam com sua vida. Naquele momento ela sentiu apenas raiva, afinal eles haviam conseguido separar ela de Luís. Todo aquele tempo ela sofreu por que não acreditou nele, mas ele estava ali, tentando salvar sua vida, tentando tê-la de volta. Foi nesse instante que ela viu o quão abatido Luís estava.

Os olhos castanhos que Amber tanto amava estavam opacos e encovados, assim como seu rosto que além de tudo estava mais pálido. Ela só então percebeu o quanto Luiz tinha emagrecido também e sua raiva contra Mauricio e Dani aumentou mais ainda. Ela sentia a raiva queimar sua garganta enquanto mais lagrimas lavavam o seu rosto.

– Aqueles dois... Oh meu Deus, aqueles dois imundos, vermes desprezíveis, cretinos fizeram isso com....

– Ei, shiii — Disse o rapaz, silenciando-a delicadamente com o indicador sobre os lábios de Amber.

Ele tinha os olhos sérios sobre os seus. Enquanto falava demonstrava insegurança, ela podia notar o quanto ele lutava internamente para que as palavras saíssem de sua boca, embora temesse a resposta que ela poderia lhe dar.

– Abby... Eu... Eu preciso saber uma coisa. Preciso saber se você me perdoa, tudo bem se não me quiser mais como seu namorado, mas preciso... Preciso de você ao meu lado. Mesmo que apenas como um amigo. Amber não teve como conter um enorme sorriso em seu rosto. Seu doce Luiz estava ali outra vez, lutando por ela.

– Eu não tenho que perdoar nada. — por um instante ele empalideceu e baixou os olhos e rapidamente ela continuou a falar o que queria — Não tenho que perdoar nada porque você não fez nada. Nós calmos feito dois patinhos na rede daqueles cretinos. E a única coisa pela qual eu tenho que te perdoar foi por todo o tempo que passou longe de mim. Mas quanto a isso eu também sou culpada. Você me perdoa amor?

A resposta dele foi doce e tentou como sempre. Luiz colocou os lábios sobre os de Amber deixando-a sentir o seu gosto, do qual ela sentiu tanta falta. O beijo se prolongou pelo que pareceu um tempo infinitamente insuficiente para saudade que ambos sentiam um do outro. Até se tornar voraz e urgente. Quando terminou Luiz segurou o rosto de Amber em uma das mãos, enquanto com o outro colocava uma mecha de cabelo vermelho da amada atrás da orelha.

– Eu te amo. — ele disse — E não importa quanto eles tentem, não vou deixar que ninguém nos separe Abby.

Notas finais
Comente. beijokas