Nicholas e Louise passaram a segunda feira irritantemente grudados um ao outro já que o rapaz viajaria no dia seguinte para Santa Catarina a fim de resolver a questão de João Pedro e Maria Julia. Anderson ficava emburrado de um canto a outro na casa, fuzilando Nicholas com os olhos. João Pedro e Soffia também estavam em clima de melação pela viagem. Lilian estudava enlouquecidamente por conta dos dias de aula que havia perdido. Bem como Lucia que estava desesperada com a prova de direito civil que teria no próximo dia.

Quando a terça feira chegou foi a vez de Caleb levar Thomas, Maju, João e Nick ao aeroporto.

A casa dos irmãos em Santa Catarina era tão grande quanto a que residiam em Belo Horizonte. Ao chegarem foram muito mal recebidos pela tia dos gêmeos. A mulher se chamava Ângela, no entanto a personalidade era extremamente oposta ao nome. Ângela tinha olhos castanhos muito intensos e rudes e cabelos loiros como os de João Pedro e Maria Júlia. Até o momento não havia sinal algum de Fernando. Nicholas porém, apressou-se em apresentar-se como advogado dos dois sobrinhos da mulher, enquanto tentava convencê-la a ceder a emancipação aos irmãos.

– Senhor Mickelson, acredito que meus sobrinhos estão ótimos deste jeito. Eu e meu marido não daremos emancipação alguma, além do mais, dentro de dez meses eles serão maiores de idade perante a lei.

Ângela tinha os olhos frios e severos ao falar aquilo olhando para os sobrinhos, fazendo Maria Julia estremecer um pouco enquanto Thomas a confortava e se controlava para não dizer umas boas verdades para aquela mulher. João Pedro e Maria Júlia olhavam sem esperanças para Nicholas que tinha um olhar sagaz.

Já era noite quando o tal Fernando aparecera na casa dos rios e todos já se retiravam para dormir. Maria Julia assustou-se ao ver João Pedro ameaçando Thomas para que não entrasse no quarto da irmã durante a noite.

– Nem pense em dar uma de engraçadinho — dizia João agressivamente — você vai se arrepender.

Maju teve vontade de protestar contra aquilo, nunca vira Thomas mais assustado na vida do que ele estava agora. No entanto assim que viu Fernando os observando e dizendo a João Pedro que parasse com aquilo, a garota correu para seu quarto.

(***)

Maria Júlia sentiu dedos deslizando suavemente por suas pernas por debaixo do lençol, ela não queria acreditar que aquilo estava acontecendo novamente, forçou-se a abrir os olhos e se deparou com Fernando encarando-a maliciosamente.

– Fique quietinha, querida. Você não quer que eu machuque seu irmão outra vez. Quer? — Maria Julia deixou lágrimas banharem o seu rosto enquanto aquele homem asqueroso acariciava seu corpo e beijava a extensão do pescoço.

– Por favor, n-não faça isso. Me deixe. — Mas Fernando apenas apertou-a mais de encontro a cama enquanto esbofeteava o rosto da menina e logo em seguida tentava despi-la.

– Disse para que você ficasse quieta! — ele falou com ferocidade aos ouvidos de Maria Julia. Sem mais aguentar ouvir aquilo que estava acontecendo Thomas saiu de dentro do banheiro do quarto da garota acendendo a luz e revelando a câmera que estava filmando tudo o que acontecera. Thomas gritava ensandecido com o tio da namorada para que ficasse longe dela enquanto Maria Julia corria para os braços de Thomas. Fernando estava aturdido com o flagrante. Não demorou para que João Pedro e Nicholas entrassem no quarto de Maju também.

– Vocês! — disse Fernando olhando furiosamente para João Pedro — Isso foi...

– Não achou que íamos aguentar vocês nos maltratando para sempre, achou? — disse João Pedro com um tom de ironia. Ângela irrompeu pela porta do quarto também para ver o que estava acontecendo.

– Parece, senhora, que teremos que denunciar seu marido por assédio sexual. Ele tentou abusar de uma menor de idade — Nicholas tinha um brilho sagaz nos olhos. Ângela olhou para o marido humilhada. Ela tinha lágrimas nos olhos quando falou.

– É tudo culpa dela! — disse apontando para Maria Julia que se encolhia nos braços de Thomas — por favor, não denuncie meu marido.

– Esse vídeo nos mostra que na verdade o seu marido que é o cretino da história — disse Thomas furioso com a câmera nas mãos.

– O que vocês querem em troca? — perguntou Ângela exasperada.

– Que amanhã mesmo tratemos da emancipação de João Pedro e Maria Júlia. — disse Nicholas triunfante.

(***)

Louise mais uma vez olhava no telefone. Já era tarde e Nicholas ainda não havia entrado em contato com a ruiva, já haviam se passado três dias desde que ele fora para Santa Catarina com Maju e João e voltariam naquele dia. A garota pegou o livro de direito civil e pôs-se a estudar. Mas seu sossego não demorou muito. Anderson chegou e sentou-se ao lado da ruiva.

– Oi Lou, o que você está fazendo?

– Acho que estudando, não está vendo?

– Ei, que mal humor. O namoradinho esqueceu de ligar pra você? — o garoto falou maliciosamente.

– Não enche. Nicholas deve estar ocupado com o caso dos gêmeos.

– Será mesmo? Não entendo como você consegue ficar com ele.

– Não lembro de ter perguntado sua opinião sobre meu relacionamento. — respondeu a garota fechando o livro — Como está a sua namorada?

– Não deu muito certo, sabe ela não era você. — Louise arregalou os olhos com a afirmação do garoto.

– Não quero ouvir nada sobre isso, por favor.

– Eu sei que te magoei, mas eu não havia percebido isso até...

– Você me ver com outro. — completou a garota. — Olha, eu talvez tenha confundido as coisas. Porque o que eu sinto pelo Nicholas não chega nem perto do que um dia pensei sentir por você.

Anderson baixou a cabeça por um instante e levantando-se em seguida.

Louise fez o mesmo e pegou na mão do garoto.

– Me desculpe, mas acho que... — a garota não pode continuar, pois Anderson a puxou para perto e lhe deu um beijo. Louise levou um segundo para entender o que estava acontecendo e então começou a se debater nos braços do garoto. Quando finalmente a ruiva conseguiu se desvencilhar a única reação que teve foi de dar um tapa no rosto da rapaz. Então ao se virar viu Nicholas na porta com os olhos vermelhos e as mãos fechadas em punho. Maria Julia estava com o semblante confuso e João já estava em cima de Anderson o agarrando em uma chave de braço.

– Você vai agora fazer suas malas, eu cuidarei da sua passagem de volta. Ouviu bem? — ameaçou João, jogando o garoto no chão. Anderson olhou magoado para Louise, mas a garota ainda encarava Nicholas.

O garoto parecia petrificado e quando Louise deu alguns passos em sua direção ele apenas lhe deu as costas e correu até o carro, deixando a garota em prantos sendo amparada por Maju.

(***)

Edmundo estava tenso e mal humorado, depois de todos aqueles anos a presença daquela mulher perto de seu filho lhe feria o orgulho. Ele não sabia aonde tinha falhado com Antoni, mas ainda tinha esperanças de recuperar o filho. Sabia bem o que tinha a fazer para tirar aquela mulher de seu caminho. Desta vez não falharia.

(***)

James estava caminhando sem rumo naquela manhã, ele fazia aquilo com enorme frequência ultimamente. Não fazia ideia de para onde estava indo, mas foi quando levantou o rosto e avistou uma ruiva com enormes olhos verdes lhe encarando que seu coração parou de bater por alguns instantes. E sem saber o que fazer, deixou que seus instintos o guiassem até Lilian, ele precisava ouvir sua voz novamente, sentir seu cheiro de lírios, só Deus sabia o quanto ele precisava. A garota o observava imóvel e com os olhos arregalados e brilhantes.

– Lily, eu... — mas antes que ele conseguisse terminar de falar, a ruiva havia dado uma bofetada no rosto do rapaz.

– Não quero mais te ver, nem falar com você. Da próxima vez, por favor, finja que não me conheça — disparou Lily asperamente com a voz carregada de raiva.

– Lily... — começou James, mas a ruiva se desvencilhou dele e saiu correndo para atravessar a rua quando foi atingida. Um carro prateado havia atingido a ruiva e rapidamente saíra do local sem nem pensar em prestar socorro à garota. — LILY! — James gritava desesperado enquanto corria para perto da garota. Lilian tinha metade do rosto ensanguentada e o braço esquerdo estava caído em um ângulo estranho, a ruiva estava com os olhos fechados e gemia de dor. James rapidamente pegou o seu celular e ligou para a emergência. Enquanto esperava os paramédicos ele sussurrava à Lilian para ser forte e aguentar, pois tudo ficaria bem. Mas a garota já estava quase desacordada, ele percebeu que despejava aquelas palavras mais para si mesmo que para a ruiva.

Quando a ambulância chegou e os médicos faziam o primeiro atendimento à garota ele lembrou-se que deveria avisar a família de Lilian, claro que ninguém naquela casa queria falar com ele. Mas tinha que tentar, descartou a primeira pessoa que passou pela sua cabeça, Caleb jamais sequer atenderia um telefonema dele. James tinha que arriscar alguém que atenderia, mesmo que fosse apenas para xinga-lo. Após a quarta chamada Amber havia atendido o telefone e como James havia previsto, com uma enxurrada de ofensas.

– Eu não acredito, seu cretino! Safado! Como teve a coragem de...

– Amber escute! É a Lily — ele disse num tom firme — ela sofreu um acidente e a ambulância acabou de chegar. Estamos levando-a para o hospital.

Amber estava aturdida com a notícia, rapidamente anotou o nome e endereço do hospital enquanto James falava. Ela disse que avisaria aos irmãos e aos pais de Lily e desligou o telefone. James entrou na ambulância com Lily e os médicos. Ao ver o estado da garota ele não aguentou, começou a chorar. Permitiu-se desmoronar ali dentro enquanto segurava as mãos de Lily.

(***)

James estava na sala de espera, caminhando de um lado para o outro quando um Caleb furioso irrompeu pela porta.

– Isso é coisa sua não é — disse ele apontando furiosamente para James.

– Querido, estamos em um hospital, por favor contenha-se! — disse uma mulher pequena segurando Caleb pelo braço, que James supôs ser a causadora de todo o conflito que seu avô tinha com o filho.

Ela era quase exatamente igual a Louise, era mais baixa, mas os cabelos ruivos eram os mesmos, bem como os olhos dourados. Um homem alto e corpulento apareceu em seguida com Louise ao seu lado, James supôs ser Antoni. Edmundo havia sumido com todas as fotos do filho desde bem antes de James nascer, no entanto podia notar a expressão tempestuosa e preocupada nos olhos, os traços do rosto semelhantes ao do avô.

– Já temos notícias dela? — perguntou Antoni olhando do filho para James.

– Não senhor, — respondeu ele — os médicos ainda não deram notícias.

– O que exatamente aconteceu James? — disse Elena com a voz doce, mas os olhos preocupados.

– Eu encontrei com ela e quando tentei falar com ela, bom Líliam disse que não queria mais me ver e então saiu correndo. Mas ela não olhou... ela apenas correu e um carro... Meu Deus, ele vinha em alta velocidade e bateu ela. Acho que ela bateu a cabeça, o rosto dela estava cheio de sangue e o braço, creio que tenha quebrado. Eu... me desculpem, por favor. — disse o menino se entregando a dor. “Minha pequena Lily, por quê?" Pensou o garoto com as mãos no rosto.

– Se acontecer alguma coisa com minha irmãzinha, saiba que você vai pagar com a vida, seu...

– Calma Caleb, o garoto não tem culpa da sua irmã ter sido desatenta. — interrompeu Antoni. Mas antes que Caleb pudesse falar algo, um homem baixinho e com cabelos grisalhos chegou perto deles.

– Vocês são a família de Líliam Nottinghan?

– Sim, sou o pai dela. Como ela está?

– Bom, eu me chamo Marcelo e sua filha bateu a cabeça ocasionando um pequeno traumatismo. Mas ....

– Dr. MARCELO- gritou uma enfermeira- A menina está tendo uma parada cardíaca

O médico correu para o quarto onde estava a garota deixando James um tanto atordoado. "Ela está morrendo, ela está morrendo" pensou o menino desesperado. Caleb estava sendo amparado por Antoni enquanto Louise tentava fazer a mãe parar de chorar.

(***)

Parecia que já haviam se passado horas desde que o médico havia saído dali. Tudo o que James queria era poder saber que sua Lily estava bem. Jamais se perdoaria se algo ruim acontecesse antes que ela soubesse que ele mentira, que ele a amava.

Quando levantou os olhos o médico estava caminhando na direção deles um tanto cansado.

– Sinto muito, tivemos que induzir o coma. Parece que ela está ferida emocionalmente. Ela fraturou o braço esquerdo e teve algumas escoriações no rosto e perna. — Caleb, depois de ouvir o que o médico havia dito, olhou institivamente para James.

– Você sabe que o culpado disso é você, não sabe? Espero que agora você esteja feliz.

– Eu...

– Temos que conversar. Todos. A minha filha merece que você me explique tudo James. E Caleb você vai ouvir também. Então quieto. Vamos para a cantina. — disse Antoni nervosamente.

James observava sua xícara de café enquanto todos ali esperavam que ele falasse. Finalmente o rapaz reuniu toda a coragem que lhe restava e começou a dizer:

– Depois que você foi embora, meu avô foi atrás de minha mãe. Ele nunca havia deixado que nada faltasse a ela, financeiramente falando. Bom, acredito que isso você já deve ter imaginado — disse James olhando para Antoni que assentia — quando minha mãe casou meu avô insistiu para que ela continuasse morando com ele, Edmundo não admitiu, é claro mas a principal razão para nos querer ali era porque se sentia só. É o que temos feito, ele se ausentou da empresa, deixando que minha mãe e meu pai tomassem conta dos negócios enquanto ele dedicava a maior parte de seu tempo apenas às coisas de extrema relevância da construtora e a mim. E vivemos por um bom tempo daquela maneira, até que um dos amigos de meu avô, em um jantar comentou sobre o grande empenho de seu neto na Faculdade. — disse James desviando os olhos para Caleb — no inicio meu avô ficou confuso e depois furioso, mas aos poucos foi sondando até descobrir tudo o que o Senhor Lewis sabia. Ele pensou que nenhum de vocês jamais voltaria à Londres, no entanto quanto menos esperava, Caleb havia decidido fazer intercambio na universidade de Oxford.– Caleb tinha os olhos baixos e os ombros caídos quando James havia do aquilo. — Meu avô decidiu vir ao Brasil e conhecer o restante da família, já que Caleb estaria voltando em breve para o país. E bom... Ele guarda muitas magoas ainda... Estive agindo em nome dele esse tempo todo. Ele pediu para que eu me aproximasse de vocês para que ele pudesse saber mais sobre os netos. — James não escondia o ciúme ao dizer aquilo.

– Não acredito que tudo o que você tenha feito tenha sido mandado por aquele senhor. — disse Caleb emburrado.

– Bom, TUDO não... — disse James — Lily...

Ele não terminou de falar e nem precisava, os olhos estavam marejados e a voz embargada. Antoni tinha magoa nos olhos e mais alguma coisa. Compreensão e pena, ele estava olhando para James com pena? Mas por quê? Pensava o rapaz. Depois de tudo o que fiz?

– James. Você não tem culpa — disse Antoni tristemente esfregando os olhos — sei como é ser criado por Edmundo.

– Mas meu avô não...

– Não, ele está manipulando você e nem está se dando conta. Ele tem esse poder, um dia você entenderá.

(***)

Tudo aquilo era demais para Louise, primeiro o beijo de Anderson, depois Nick havia fugido dela furioso e agora o acidente. Ela não suportava mais aquilo e ainda teve que ouvir um longo discurso de James sobre como o avô era um psicopata. Ela estava no jardim de inverno do hospital quando resolveu pegar o telefone e discar o número de Nicholas. Ele demorou a atender e quando atendeu, falou friamente:

– Alô? Nick, eu...

– Olha Lou, eu não posso simplesmente...- Mas ele se interrompeu quando a garota começou a chorar ao telefone.

– Nick, eu preciso de você. A Lily, ela... Ela sofreu um acidente.

– O que? Mas como?

– Por favor, venha logo, ela está internada e acabou de ter uma parada, nós estamos no hospital Felício Rocha.

– Estou indo, meu anjo. Por favor tente ficar bem, logo estarei ao seu lado — disse ele desligando o telefone.

(***)

Lúcia chegou à sala de inverno e Caleb logo se levantou enquanto a garota o abraçava e em seguida consolava uma Louise com o rosto marcado por várias lágrimas. Antoni andava de um lado para o outro enquanto James estava apático, afundado em uma poltrona, quando de repente sentiu a raiva queimar seu rosto por ver alguém que não queria, passar pela porta logo depois que Lucia havia chegado. O mesmo rapaz que Lilian havia beijado no Luau. Alto, com cabelos negros e olhos azuis.

– Como a ruivinha está? — perguntou ele abatido. Ruivinha? Santo Deus pensava James.

– Não temos notícias ainda Bernardo — disse Louise com a voz rouca.

James não podia suportar ficar no mesmo local que aquele rapaz. Ele tinha que sair dali e respirar, mas não suportava a ideia de deixar o local. E se algo acontecesse com Lily? E se ela acordasse e ele não estivesse ali? E se ela piorasse?

Ele duvidava que ela fosse querer vê-lo se acordasse. Mas ele precisava saber, seu coração magoado batia em puro desespero e agonia. As horas pareciam uma eternidade. Até que por fim o Dr. Marcelo retornou dizendo que Lilian estava estabilizada e fora de perigo.

– Ela ainda está sob efeito da medicação — ele dizia — mas alguns de vocês poderão entrar no quarto para vê-la. Não todos, é claro, mas talvez dois ou três. — Antoni e Elena olharam para os filhos, Lucia e Bernardo. Louise ainda estava abatida e nervosa ao lado dos amigos, Caleb permanecia emburrado em uma poltrona, encarando o chão.

– Venha conosco filho — disse Antoni. Caleb levantou-se mecanicamente antes que Elena dissesse docemente:

– Querido, seu pai não estava falando com você.

– O que? Mas... — Caleb tinha os olhos perdidos quando Lucia levantou-se e entrelaçou as mãos dele nas suas, apertando-as.

– James. — Disse Antoni para o rapaz que parecia por fim ter despertado. Aturdido James os acompanhou até o quarto enquanto Caleb resmungava para Lucia sobre a escolha do pai.

– Não ligue para ele — Dizia Elena para James afagando as costas do rapaz levemente — Caleb tem uma personalidade difícil, mas vai acabar se acostumando.

– Talvez ele tenha razão senhora...

– Bobagem — disse ela.

– Você foi quem a socorreu James — disse Antoni concordando com a esposa — se você não estivesse lá, sabe Deus o que teria acontecido com minha menina.

Se eu não estivesse lá, pensava James, Líliam não estaria passando por isso agora.

(***)

Louise estava sentada no jardim de inverno sozinha. Caleb, Lúcia e Bernardo haviam ido à cantina comer alguma coisa. Eles tentaram convencê-la a se juntar a eles, mas a ruiva estava nervosa e angustiada demais para pensar em comer. Não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo com sua irmã. Ela era tão cheia de vida e por culpa de um descuido ela estava em uma cama no hospital, e por pouco a ruiva não morreu.

Ficou tão absorta em pensamentos que não viu Nicholas adentrar na sala. O garoto estava com o semblante preocupado e com os olhos vermelhos. Parecia que havia chorado. Ele ajoelhou-se na frente da garota e ficou encarando os olhos amarelos que estavam cheios de preocupação e tristeza.

– Lou o que houve?

– Ela atravessou a rua e um carro desgovernado... — a ruiva não consegui terminar. Lágrimas embaçavam a visão da garota. — Ela teve uma parada cardíaca e está em coma — continuou a garota não conseguindo mais segurar as lágrimas. Então ela colocou as mãos no rosto se permitindo chorar. Nicholas não sabia como agir. Ainda estava magoado com o que havia visto, apesar de saber que a ruiva não teve culpa de nada. Mas ver ela nos braços de outro, só fazia com que seu medo de perde-la aumentasse.

Ficou olhando para a garota frágil e chorosa a sua frente, essa era a sua Louise, pequena e linda. Ele então abraçou a garota e não havia se dado conta de como estava com saudades até sentir o perfume floral encher suas narinas.

– Meu anjo, ela ficará bem. Louise olhe para mim — disse o rapaz enquanto a ruiva olhava com os olhos brilhantes e vermelhos. — Amor, sua irmã é forte, ela ficará bem. Eu prometo.

Nicholas limpou as lágrimas do rosto da garota e colou seus lábios nos dela. O beijo começou doce e foi se tornando mais urgente. A saudade era palpável ali.

– A única coisa que eu preciso que você me prometa, é que jamais ficará longe de mim novamente. — disse a garota com a voz rouca — Nick sobre o Anderson...

– Shiii — interrompeu o garoto colocando o dedo indicador delicadamente nos lábios dela. — a única coisa que tenho para falar sobre esse assunto é que você deu um belo tapa na cara dele. — Louise riu da cara do namorado.

– Então estou perdoada? — perguntou a garota.

– Depende de quantos beijos eu irei ganhar — disse o menino marotamente, fazendo Louise gargalhar.

(***)

Assim que James entrou no quarto de hospital sentiu um embrulho no estômago e um aperto no coração. As cores verdes e apagadas das paredes, os lençóis brancos e a roupa de hospital branca só faziam com que uma coisa fosse viva naquele quarto. Os cabelos ruivos de sua Lily. Ele pode observar pelo canto do olho Antoni amparando Elena em seus braços.

Lily, sua Lily. Sempre tão cheia de vida não merecia estar naquele lugar. Pensou o rapaz enquanto se aproximava da cama e segurava as mãos repletas de tubos daquela garota que sempre o fazia sorrir. E só então percebeu que estava chorando. James soluçava involuntariamente até que Antoni e Elena o envolveram em um abraço e ficaram ali a observar a garota sempre animada e cheia de vida, agora pálida, com curativos na cabeça e cheia de tubos. James estava cansado e com o coração apertado. Líliam agora estava estabilizada, mas ele não conseguia parar de pensar que a culpa era sua. Chegou em casa tarde da noite e já ia subir para seu quarto quando viu seu avô.

– Jaime onde estava? Isso é sangue na sua blusa?

– Lily... bom ela sofreu um acidente.

– Acidente? Como? — falou Edmundo preocupado.

– Ela atravessava a rua quando um carro a atropelou- respondeu o garoto com os olhos marejados. — Ela está em coma vovô, minha Lily.

– Idiotas, eu disse que era a mãe e não a ... sua Lily? Como assim sua Lily? Jaime ... você está apaixonado por ela? Pela sua prima?

James ficou um tempo pensando nas palavras do avô. "Como assim era para a mãe"

– Foi você — acusou James. — Você armou esse acidente. Você quase matou a mulher que eu amo.

– Você sabe que não pode amá-la, ela é uma verdadeira Nottinghan enquanto você é um bastardo. — disse Edmundo com olhos raivosos. James não acreditava que o avô havia dito aquilo. Seu mundo estava caindo bem na sua frente e ele não podia ou queria fazer nada para salvá-lo.

– Hoje eu conheci Antoni. E ele me disse uma coisa que eu não entendia até agora.

– Antoni? Meu Antoni está na cidade? Eu pensei ...

– Pensou que só Elena estaria aqui. Doce engano. Ele veio proteger os filhos de você. Ele me disse que você manipulava as pessoas e que um dia eu entenderia o que ele queria dizer. — disse James andando em direção a porta.

– Aonde você pensa que vai, James?

– Foi bom conhece- lo Sr. Edmundo. Mas agora irei viver minha vida em liberdade. Um dia você pagará por tudo o que tem feito. — respondeu o garoto de forma mal criada e saiu sem rumo. Na verdade ele iria onde seu coração estava.

(**)

Caleb havia dormido mal. Ele, Antoni e Elena haviam passado a noite toda na sala de espera do hospital, quando finalmente o médico disse que não haviam alterações no quadro de Lily e que eles deveriam voltar para casa e descansar um pouco os três resolveram ir para casa por alguns instantes.

Assim que Caleb abriu a porta sentiu um misto de raiva e indignação. James estava dormindo no sofá da sala de estar, Antoni e Elena estavam surpresos com aquilo, no entanto o cansaço era maior, ambos resolveram subir e descobrir depois o que havia acontecido. Caleb marchou bufando até a cozinha, onde encontrou uma Louise, abatida e cheia de olheiras, sentada à mesa enquanto Lucia fazia o café.

– O que significa aquilo na sala? — perguntou Caleb em um tom bravo, fazendo com que as meninas notassem sua presença ali.

– Call, você vai acordá-lo — disse Lucia censurando o rapaz com o olhar, fazendo com que Caleb ficasse mais irritado ainda.

– O que? — disse ele indignado.

– Por favor Caleb, agora não. E além do mais você nem sabe pelo que ele passou. — disse Louise com a voz cansada.

– Vocês perderam o juízo — disse ele enfurecido enquanto dava meia volta para se dirigir às escadas.

Notas finais
O que estão achando? Pobre Lily :'(