Madness
7 Capitulo 7
Do lado de fora do escritorio do Chefe, Philipe ouvia gritos masculinos de raiva, esperava que o ataque desse sinais de ter acabado fazia 2 horas. Os gritos e ira do Chefe era a satisfação de Philipe.
Os gritos acabaram e o calor que a sala emanava tornou-se menos hostil, Philipe estava farto de esperar então bateu à porta.
–Entra! — gritou Thomas com a raiva esgotada — Philipe, porque demoraste tanto?
–Desculpe Chefe, eu ouvi uns gritos e esperei acabar.
–Ai,ai…Estou demasiado enervado para te corrigir. Já foste ver a Madie?
–Quem?
–A tua paciente, Madie.
–Oh, sim…- merda, estava a chamar demasiada atenção — Eu vim diretamente para cá. Pensei que era algo importante, pela cara do Senhor, é.
–É mesmo. — Thomas era um gigante, um verdadeiro animal selvagem e naquele momento a agressividade era tal que deu medo a Philipe, que quase desapareceu- Não sei se já sabes. Mas…a Madie desapareceu.
Ele esperava uma reação pela parte de Philipe, que abriu a boca e piscou os olhos como se estivesse em choque. Era bom a fazer expressões faciais falsas, sempre as fez.
Thomas tinha os olhos profundos e era muito obvio que não estava preocupado com a saúde mental da Winter ou do que ela poderia fazer. Ele escondia algo muito perigoso.
–C-como? A segurança aqui é ótima, como é que isto aconteceu? — gritou Philipe fingindo estar em pânico — Sabem como ela saiu? Eu deixei a porta aberta ou algo do tipo? Deus, isto nunca me aconteceu.
–Ela devia ter alguma coisa escondida no quarto, porque encontramos a parede almofadada toda rasgada e um buraco na parede. A porta estava arrombada.
–Merda…Temos alguma pista para onde ela foi ou de alguém a ter ajudado?
–Sinceramente, procuramos por todos os cantos e nada. — Thomas olhou diretamente nos olhos cinza de Philipe — Porque achas que alguém a ajudou?
Pensa rápido, pensou Philipe, uma resposta obvia.
–Na verdade não acho, ninguém soltaria um paciente. E ninguém ganharia nada em fazer isso.
–Talvez…Mas isso não te compete. Compete às autoridades.
–Sim, tem toda a razão, Senhor Wolf.
–As autoridades vão interrogar-te, só para ver o que sabes. Uma coisa que eu acho desnecessária, mas obrigatória.
–Vão vasculhar a minha casa, o meu escritório, o meu cacifo..?
–A casa, não. O escritório, tu nunca entraste nele mas são capazes de querer entrar. E o cacifo, provavelmente. Mas porque?
Thomas Big Bad Wolf, um homem gigante de cabelos castanhos e com tantos pelos que fariam um urso sentir-se nu. Uns olhos que se estivesse mais escuro, ainda assim se veriam de tão brilhantes. Capaz de dar medo ao medo.
Olhava-o com um “Mas que raio!?” estampado na cara.
–Tudo bem, Senhor Wolf?
–Hum…Sim, tudo bem. Estou cansado, só isso. Daqui a umas… 2 horas, a policia vai fazer-te umas perguntas.
Alguém bateu à porta, de uma forma muito peculiar. Duas pancadas leves e duas mais fortes, finalizando com um soco bem dado na porta.
–Podes ir, tira ums férias logas, Philipe. Com tanta merda a acontecer, tu mereces. Agora desaparece, existem mais pessoas que precisão falar comigo.
Philipe saiu da sala, sem falar, sem responder.
Ao abrir a porta uma mulher de cabelos castanhos entrou. Ela vestia umas calças de cabedal justas e um xaile vermelho com chapéu puxado para cima, umas botas de salto e umas luvas-sem-dedos pretas. Olhos castanhos e labios vermelhos-escalates, o sorriso que ela trazia era tão assustador quanto o olhar de Thomas.
Seguindo a mulher vinha um homem com a mesma constituição que Thomas, mas com menos pelos e MUITA barba. Uma camisa vermelha-xadres e umas calças jeans, umas botas pratas e um…pendente em forma de machado?
O sorriso da mulher fechou assim que Thomas disse:
–Red Riding Hood, Victor Woodman Hood. Como estão?
–Quem é este, Thomas? — Perguntou o homem com o machado — E já te disse para não lhe falares nesse tom.
–Não te preocupes, meu irmão. Eu aposto que este lindo e maravilhoso jovem já estava de saída. — os olhos dela entraram no corpo de Philipe e gelaram todos os seus órgãos — Não é?
–Sim, claro. Até mais, Senhor Wolf. Foi um prazer conhecer-vos Senhor Hood. — Philipe fez uma breve vénia a Wood e pegou na mão de Red beijando-a — Menina Hood.
Wood olhou Philipe com um olhar assassino, mas Philipe sabia o que estava a fazer.
A teoria criada por Philipe conste em: Descobre quem tem mais poder ( Neste caso a Red), faz com que essa pessoa te adore. consequentemente ficarás inimigo do “protetor" da pessoa (Neste caso o Wood), o mais poderoso irá defender-te do “protetor” e o “protetor” não terá poder o suficiente para revidar.
Ao retirar-se da sala e fechar a porta, Philipe não se foi embora. Ouviu com atenção uma conversa que brevemente lhe salvaria a vida:
–Porquê essa cara, Thomas?
Uma luz depois Thomas respondeu:
–Eu acho que o Filho do Chapeleiro desconfia de mim.
–Como assim? — a voz de Red era inconfundível, não por ser feminina, mas por ser mais poderosa que a dos homens — É melhor não teres feito merda, Lobo.
–Eu acho que ele fingiu o pânico da fuga da Filha da Rainha.
–Ex-Rainha! — gritou Red com uma fúria demolidora na voz — Brevemente a Rainha serei EU!
–Apazigua as tuas magoas, minha irmã. Thomas, porque achas que ele fingiu o pânico?
Houve uma breve hesitação, como se Thomas não tivesse certezas de nada e não quisesse “mentir” para os irmãos. Mas pelos vistos o medo de lhes esconder o que fosse era bem maior. Acabou dizendo:
–Ele não cheirava a pânico ou… ele não estava minimamente preocupado. Ou pelo menos não cheirava a isso.
–À quanto tempo não vais ver a Shib’s?
–Uns meses.
–Tens a certeza que não é falta de Magnet?
–Talvez. Mas...
–Esperem. — ordenou Red — Como sabes que o Filho do Chapeleiro já se foi embora?
–Ele está de férias, vai falar com a policia daqui a 1 hora e pouco. Mas é claro que eu depois mudo as memórias dos policias, como se tudo estivesse resolvido.
–Tens a certeza? — perguntou Victor, passos pesados aproximavam-se da porta
Quero ficar invisível, pensou Philipe, NÃO QUERO que eles me consigam ver! E assim foi, quando Victor abriu a porta olhou diretamente nos olhos de Philipe por um segundo. Mas como Philipe esperava, ele não o viu.
Olhando para bentro da sala Philipe quase gritou de horror. Thomas estava MAIS peludo e com garras e dentes de um lobo, a camisola deixada no chão estava apenas de calças, mas isso não era relevante porque… ele agora fazia jus ao nome.
Red não estava muito diferente apenas com rosas espinhosas enroladas envolta dos tornozelos e dos pulsos.
Victor também estava sem camisola, e com um machado real, não um simples fio decorativo.
–Eu vou buscar a nova carga de Magnet amanhã — declarou Red — ,mas até lá, Lobo Mau, tens apenas isto.
Red entregou um frasco com um liquido branco a cada um dos homens. Victor que ainda olhava pela porta bebeu o liquido de um trago, Thomas e Red fizeram o mesmo.
O brilho foi tão forte que Philipe teve que fechar os olhos, ao voltar a observar a sala, Red e os rapazes tinham voltado ao normal.
–Não acho que deva realmente preocupar-me com o Filho do Chapeleiro, não é uma prioridade neste momento.
–Sim, claro, Menina Hood.
–Vamos embora, minha irmã. Estou com um mau pressentimento.
–O teu pressentimento da ultima vez salvou-me a vida. Vamos.
Não ouve despedidas, os irmãos saíram como entraram. Silenciosamente e sombriamente.
Philipe saiu dali, e dirigiu-se para o seu “escritorio” que mais parecia um buraco para um rato. Iria falar com as autoridades e voltar o mais depressa possível contar a Winter o acontecido.
Philipe tornou-se visível dentro do escritório, esperou alguns minutos até as autoridades chegarem e enverrugaram-no. Era muito obvio que nenhum deles o achava suspeito, estava estampado nas caras deles que achavam que ela tinha fugido. Enquanto falavam Philipe notou que o seu Macaron ainda estava no seu bolço.
–Importam-se se eu comer, meus Senhores? — interrogou Philipe
–À vontade, só vamos revistar um pouco mais e já vamos embora.
O Macaron estava perfeito, mas não era naquela situação que desejava comê-lo…
Continua...
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