Madness
5 Capitulo 5
Já era de noite, já estava tudo pronto e estava na hora de levar a sua miúda dali para fora.
A minha miúda! MINHA!
Que raio estava ele a pensar? Ele estava apaixonado pela mãe dela, não por ela.
Ou estaria apaixonado por ela? Não, obvio que não.
–Philipe?- sussurrou Madie- Estou aqui!
Ela estava encolhida de uma maneira tão bonitinha que Philipe quase teve uma Parada Cardíaca.
Ela estava linda naquela noite, tirando aquela bata horrível de hospital.
–Vamos, Philipe?- perguntou ela implorando num sussurro- Por favor!
–Sim claro and... — ela tapou a boca dele com a mão
–Shhh- Madie apontou para o segurança que se aproximava e sussurrou- Jonathan Brian, o novo segurança.
Ele retirou a mão dela da boca e apertou-a com força.
Correram pelos corredores escondidos nas sombras e cantos escondidos.
Não tinham reparado na fechadura arrombada nem na porta aberta.
–Ele já foi?- perguntou ela alto de mais.
–Quem está ai?- o segurança estava a aproximar-se.
Que ele não nos veja, implorou Philipe, Desejava tanto que fossemos invisíveis agora.
O segurança aproximou-se tanto que se conseguia ler a placa na camisa com: Jonathan Brian, escrito nela.
Philipe puxou Madie para si e apertou com força. Uau, coube na perfeição!
NÃO É TEMPO DE PENSAR NISSO!
O segurança olhou diretamente para eles, mas não disse nada.
Parecia não os ver de todo!
Ele tentou proteger Madie com o seu próprio corpo tapando a da vista do segurança.
Ele afastou-se passado um tempo, indo na direção da Ala Sul.
–Tu estás... — ele não terminou a frase, pura e simplesmente por não ver. Ele realmente não a via- Onde estás?
–Estou no mesmo lugar. Consigo sentir-te, mas não consigo ver-te.
Eles estavam invisíveis? Não, isso não era lógico! Philipe recusava-se a aceitar “magia” e coisas do oculto. Isso eram apenas coisas que ainda não tinham sido explicadas pela ciência ou que as pessoas inventavam para alimentar a sede da imaginação.
–Foste tu?- ela ainda estava invisível- Que m...
–Não tenhas medo eu resolvo. — ele pensou, mas a lógica não se adequava à situação- Eu resolvo, mas como?
Ele a sentiu tremer, mas não sentiu medo, sentiu ansiedade.
Eu quero vê-la, pensou Philipe, Eu quero vê-la.
Ela foi aparecendo cada vez mais. Até aparecer por completo e deixar entre eles um silencio constrangedor.
Saíram dali o mais rápido possível e entraram no carro que ele escondera atrás de umas árvores.
Philipe ligou o carro e foi diretamente para o apartamento. Estradas vazias esperavam aquele silencio.
–Chegamos. — declarou ele baixo para não assustar a sua menina.
Ela olhou para Philipe e sorriu de orelha a orelha.
–Obrigada, por me deixares ficar!- o sorriso dela era tão brilhante.
–Não sorrias para mim, quando estás com medo!
–Eu não estou com medo.
–Mas tu não disseste que estavas com medo?
–Não, isso foste tu a dizer, eu ia dizer que é maravilhoso.
–COMO PODES ACHAR ISSO?- perguntou ele gritando.
–S-se eu responder tu vais odiar-me. – respondeu ela com medo nas palavras.
–Não vou, juro. – ela não respondeu por isso ele continuou- Desculpa, por gritar contigo. Eu não queria que tu tivesses medo de mim e fiquei com medo que me odiasses. Sim, porque eu fiquei com muito medo de conseguir ficar invisível.
Philipe sentiu uma luz brilhante no lado de Madie.
Madie brilhava como o sol, todo o seu corpo como se fosse uma fonte de luz natural. Uma estrela humana.
–É... É...
–Eu sei que é estranho. – interrompeu-o ela- Infelizmente nasci assim.
–... Lindo!- continuou ele- Completamente lindo!
–Não achas... Sei Lá, estranho?
–Não mais do que ficar invisível.
Olharam um para o outro, com o “Cinza/Ferro” e o “Roxo/Maré-Alta” a tornarem-se um mar de ferro com pétalas de Amores-Perfeitos.
Philipe tornou-se invisível e Madie brilhou mais, procurando a mão um do outro até encontrarem-se um ao outro e a luz e a invisibilidade se unirem.
O corpo de Madie tornou-se invisível, mas os seus cabelos, os olhos, as mãos e os lábios... Oh, os lábios brilhavam tanto!
O corpo de Philipe ficou igual ao dela, ele adorou ficar igual a ela.
–Ficas bonito assim! – declarou Madie sorrindo – Não que não fosses bonito antes, quer dizer eu...
Philipe riu como nunca tinha rido antes e disse para descontraí-la:
–Eu percebi! Tu também estás linda.
Voltaram ao normal quando soltaram as mãos um do outro, estacionaram o carro e seguiram para o apartamento T3 de Philipe.
Entraram no elevador e pela primeira vez na sua vida, Philipe não encontrou mais ninguém. Estava sozinho com ela, sozinho com a sua pequena miúda.
–Philipe. – chamou ela.
–Sim, Madie?
–Não achas que eu devia ser diferente?
–Como assim?- ele perguntou confuso
–Sabes, ter um nome diferente, uma historia diferente. É mais difícil encontra uma pessoa do qual não se está à procura, certo?
–Certo. Que nome gostava de ter, minha senhora?- perguntou curvando-se perante Sua Majestade.
–Diz-me tu. Salvas-te a minha vida, tiraste-me daquele lugar, confiei em ti como se te conhecesse à uma eternidade quando na verdade foram dois dias.
–Meu Deus, que honra. Mas tal como disseste eu só te conheço faz dois dias. Eu não sei que tipo de coisas tu gostas.
–Mas eu quero um nome que TU gostes. Do tipo de coisas que TU gostas.
–Ok. Eu gosto Amores-Perfeitos são flores muito lindas e existem varias cores diferentes. Gosto do ar, o meu elemento favorito. Gosto de Macarons. Gosto de ir para a praia. Muitas coisas. Gosto do Inverno.
–Pode ser!
–O quê?
–Winter Wonderland.
–Fica bom, gostei!- ele sorriu- Prazer em conhecer-te, Winter Wonderland.
–Prazer em conhecer-te, Philipe Hatter.
–E a minha historia?
–Bem isso já é mais complicado. Talvez tu pudesses ser a minha- namorada- melhor amiga. Tu saíste de casa e como não tinhas para onde ir, vieste viver comigo.
–Hum... — ela franziu o cenho, Philipe amava ver o seu cérebro a funcionar- Eu acho que isso vai dar certo, mas em curto prazo. Pode ser.
–Não! Em curto prazo não! Tu vais viver comigo, sem prazo limite.
–A tua cara... – riu ela apontando-o- Estas com uma cara, como se visses um fantasma.
Madie... Quer dizer, Winter continuou a rir da cara de Philipe até chegarem ao apartamento.
Era um apartamento T3 por isso era grande para uma só pessoa.
Depois de entrarem, Philipe fez uma visita guiada a Winter.
–Esta é a sala, a minha mãe amava ficar aqui. Talvez pelos quadros, sei lá! – a sala era enorme, cheia de pinturas de artistas conhecidos, dois Van Gogh’s, um Picasso, um Michelangelo e um Da Vinci. A mãe dele gostava MUITO de pinturas- Gostas de pinturas, “Winter”?
–Gosto, são lindas. Quais são os nomes delas?- perguntou passando os dedos delicados na placa dourada com “Michelangelo”
–Esse onde estas a tocar chama-se “Criação de Adão” a versão censurada. Aquele perto da lareira chama-se “Mona Lisa” de Da Vince. O que esta ali se chama “Queen Isabel” do Pablo Picasso. E aqueles que estão lado a lado são de Van Gogh o da esquerda é o “Starry Night” e da direita “Noite estrelada”.
–São lindos. – respondeu passado um tempo
–Como tu- saiu-lhe sem querer, mas Philipe escondeu a afirmação com uma tossia básica.
–O que disseste?- perguntou virando-se para Philipe com um olhar de sábio.
–Que penso como tu.
Ela sorriu maliciosamente e beijou a testa de Philipe demoradamente. Ele ficou corado e arregalou os olhos, tentou falar, mas não saiu nenhuma palavra.
–V-vou mostrar o resto do apartamento.
Quero só ver a cara deles quando a minha menina desaparecer, pensou Philipe, Vai ser demais!
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