Madness

4 Capitulo 4


Ela não saira da sala, na verdade estava EXATAMENTE no mesmo lugar onde a deixara. Será que não sabia que estava aberta?

–O que se passa?- perguntou olhando para ele- Deixas-te a porta aberta. Podias ter tido problemas muito sérios.

–Não faz mal, isto é mais importante .

–O quê?- perguntou desconfiada, aproximou-se e olhou para a pasta- Isso? O que é?

–Muitas perguntas para uma só resposta não achas?- disse estendendo a ficha.

–...- ela olhou para a foto riscada e consentrou os olhos na ficha.

Madie correu para um canto da sala e tocou na parede com receio.

–Jura pelo teu corpo e pela tua alma que: o que tu vais ver aqui ficará entre nós e entre os que eu deixar saber.

–O quê?- perguntou num sussuro enquanto trancava a porta e se aproximava da parede onde ela tocava.

–Jura!- exigiu ela olhando para ele

–Eu...Eu juro!- declarou ele um pouco assustado.

–É bom que não quebres o juramento. Foste a unica pessoa a quem eu me entreguei em tão pouco tempo. Estás comigo faz apenas 2 dias e eu já confio em ti como confio no gato Cheshire.

–Sabes que o Cheshire é um boneco,né?- disse cruzando os braços enquanto ela tocava na parede- Né?

–É claro. Eu não sou doida, apenas uso o Cheshire para falar com os outros e para dár medo aos médicos. Já agora...Adoro a maneira essa tua forma descontraida de falar.

–Porquê fingir ser louca?

–Tu acreditarias se um louco dissesse que não o é?

–Não.

–Então porque acreditariam em mim?

–Bem visto, mas agora que eu sei que não és louca posso tirar-te daqui!

–Foi essa a rasão pela qual fingi ser louca.

–Como assim?

–A minha primeira médica, a que me deu o Cheshire. Ela sabia que eu não era louca e quando tentou mostrar isso para os outros, bem...Apareceu morta alguns dias depois. Tal como o segundo médico, o terceiro e o quarto até chegar ao quinto que foi onde eu fartei-me e dei inicio ao teatro: Como fingir ser louca?

Silencio. Ela continuava a passar a mão pela parede forrada de almofadas. Pocurando algo que não era visivel.

–O que estás à procura?- perguntou beixando-se como que fazendo uma vénia à parede.- Não tem nada aqui.

–Achas mesmo?- perguntou sorrindo maliciosamente- Achas meeeesmo?

Nesse momento uma parte da parede forrada caiu como que concordando com ela.

–E?- perguntou Philipe baixando-se mais.

Um buraco? No buraco tinha uma caixa branca com um cadeado prata.

–Ei, o que é isso?- interrogou-se- O que faz uma caixa aqui? Não é proibido ter este tipo de coisa aqui dentro?

–Muitas perguntas para uma só resposta não achas?- disse igualando o tom de voz de Philipe.

Philipe riu da voz de Madie. Estava a rir? Todos os sorrisos dele eram falços apenas para agradar os outros. Desde que a mãe ficara doente e o pai desaparecera que não sorria verdadeiramente ou com tanta liberdade.

–Doi-me a barriga!- declarou abraçando a barriga- Ai, ai...Mas diz lá, que caixa é essa?

Madie pegou em Cheshire e arrancou a cabeça do gato. Dentro do boneco tinha uma chave prata.

–Queres abri-la?- perguntou dando a chave a Philipe.

Ele aceitou a chave e abriu a caixa.

Tinha muitas fotos, um colar d'ouro com um coração e uma bolinha de diamante, um relógio também d'ouro em forma de coração, uns brincos de diamante em coração e um anel de casamento com pequenos diamantes a rodear o anel. Tinha muitas mais coisas mas Philipe focou-se na cara que a Madie fez quando pegou numa foto de uma mulher de olhos iguais aos de Madie e cabelos longos e loiro-acastanhados.

–A ficha que tu me deste...A foto com a cara riscada é igual à foto da minha mãe.

Philipe não disse nada. O que poderia dizer? Olá, olha eu sou um louco e sonho com a tua mãe desde que tenho 9 anos, já agora estou apaixonado por ela.

–Tu conheces?- perguntou quando reparou na expreção dele- Tu sabes onde está?

Ele tinha que responder a verdade. Aqueles olhos quase roxos não deixavam ninguem mentir e ela parecia tão triste por pensar que ele lhe mentiria.

–Eu sonho com a Alice desde os 9 anos, ela de vez em quando diz-me para fazer algumas coisas ou não fazer. Desta vez ela disse para e salvar a Branca de Neve e...a filha dela.

–Como...?- ela parecia assustada- Como é que sabias que eu era filha dela?

–Ela uma vez disse-me que lhe tinha prendido na casa do Lobo Mau e o subrenome do meu chefe é Big Bad Wolf. Depois foi só pensar um pouco, ir à sala dos ficheiros e tirar umas fichas sem ninguem saber. As fotos falam por si.

–Tu vies-te salvar-me?

–Teoricamente, sim.- respondeu encolhendo os ombros

Ela largou a caixa e abraçou Philipe com toda a sua pequena força. Escorreu uma coisa quente para as mãos de Philipe. Lágrimas, ela estava a chorar.

–Obrigada...obrigada...- murmurou ela esfregando a cara no peito de Philipe.

Como? Ele não sabia como ia tira-la daquele lugar.

E então...os neurónios de Philipe tiveram um filho e esse filho fez mestrado em planos de fuga.

–Eu já sei como te tirar daqui- murmurou para que ninguem ouvi-se- Fazemos assim: Durante a noite eu vou deixar a porta aberta e tu vais entrar na conduta do Carlos e vais ficar à espera que eu te vá buscar, ok?

–O-ok! Mas onde eu vou depois disso?- sussurou ela ainda abraçada ao Philipe- Eu não tenho familia nem casa.

–Podes ficar comigo. És a filha da mulher que têm sido praticamente o meu anjo da guarda.

–Obrigada- abraçou-o com mais força.

–Tenho que ir preparar as coisas, ok?- ela soltou-o

–Sim, mas os outros não vão achar estranho eu desaparecer assim?

–Eu já pensei nisso, eu vou te dar uma mochila para tu poderes guardar os teus pertences ilegais e vou deixar o buraco da parede destapado. Depois é só estragar a fechadura e vai parecer que tu tinhas escondido alguma coisa e que arrombas-te a fechadura. Ninguém vai te encontrar e vão acabar por desistir.

–Que bom!- ela sorria, um sorriso tão lindo que parecia impossivel- fico muito feliz!