Madness
14 Capitulo 14
Winter seguiu James até ao quarto, para darem uma espreitadela a Jack, reparando que a porta ainda estava destruída no chão. Aos poucos atravessaram os escombros e repararam na figura de uma mulher alta com longos cabelos vermelhos, o rosto era amigável enquanto acariciava o rosto de Jack. Os olhos azuis-marinhos olhavam-no com tristeza e preocupação.
–Oh, olá James. – Cumprimentou a mulher afastando uma mecha de cabelo – E quem és tu?
–Winter Wonderland, Filha de Alice. – Respondeu Winter hesitante – E o teu?
Os olhos meigos da mulher mostraram surpresa e espanto, fez uma vénia baixa que deixaria William orgulhoso e respondeu:
–Kira Marmeid, Filha da Pequena Sereia, encantada em conhecê-la, minha Princesa.
O sorriso que se formou em seu rosto foi tímido e lisonjeado, mas quando olhou para Jack entristeceu. A sua mão passeou pelos cabelos de loiro-acastanhados dele e ali ficou enquanto Winter olhava curiosa.
–Eu e Philipe vamos ao Castelo Negro, vamos buscar a Aurora e a Coisinha. – Disse James.
–Tomy. – Corrigiu Kira – Leva a Gladius Hunting e leva-o à sala das armas para ver o que acontece.
–Mas... Ok. Não precisas de me dizer para levar a minha Hunting, é a melhor amante que eu alguma vez terei.
Kira ficou surpresa, mas não disse nada, pensou que se dissesse o que fosse ele mudasse de ideias.
Ninguém perguntou o porquê de tal atitude, quando Kira beijou gentilmente a testa de Jack e aproximou-se de outra porta onde, com certeza, havia uma casa de banho. De lá saiu um rapaz de cabelos azuis quase brancos, envergando umas calças de ganga azuis muito escuras (normal), uma T-shirt branca (normal), um casaco de ganga também azul (normal), um colar com um anel amarrado (talvez faça o estilo dele) e uma espada de gelo (O QUÊ!?).
Ao reparar que Winter fixava o rapaz com olhos astutos, Kira explicou-se dizendo:
–Este é Zero Crystal, Filho da Cinderela. Esqueci-me de te avisar James, o Zero não foi encontrado de maneira normal.
–Como assim? – Perguntou James sem realmente querer saber – Como foi encontrado?
–A Gladius Glacies foi ter com ele, nós limitamo-nos a segui-la.
James olhou para a espada, começando a sorrir enquanto desviava o olhar para os olhos azuis-diamantinos, disse com uma cara divertida:
–Aconteceu-me o mesmo. Não a largues rapaz, ela vai-te salvar a vida tantas vezes que vais amá-la como uma irmã... Ou no meu caso uma amante. Já agora, qual é a tua habilidade?
Winter já tinha reparado que ele não gostava de falar, mas surpreendeu-se quando ele respondeu:
–Consigo transformar-me no meu inverso. – Que voz profunda, pensou Winter, Tão profunda.
–Mostras-me? – Perguntou Winter – Se não te importar, claro.
Ele assentiu com a cabeça e fechou os olhos, o seu corpo emitiu uma luz azul viva e os seus cabelos, seios e traseiro aumentaram drasticamente. Ele tornou-se uma rapariga um pouco mais baixa e com cabelos azuis-vivos e as roupas tornaram-se invulgares. Uma camisa branca com um laço azul no pescoço, uma saia azul e branca axadrezada, meias brancas até aos joelhos e uns sapatos azuis-escuros estilo Colégio Inglês.
–O-Olá, eu sou a…Nero Crystal. – “Ela” fez uma vénia e continuou – P-prazer!
Ao ouvir a voz frágil e roborizante, Jack acordou. Olhou para Nero com olhos curiosos ignorando todos os que estavam na sala, como se não existissem. Nero olhou-o da mesma forma, um leve rubor instalando-se nas faces. As bocas de ambos abriram se e disseram:
–Olá. – Calando-se em seguida.
–Quem és tu? – Perguntou Jack calmamente
–Nero Crystal, Filha da Cinderela. – Respondeu ela nervosa – E tu?
–Jack Wonderland, Filho de Alice. – Respondeu enquanto a olhava por muitos minutos, até reparar (finalmente) que outras pessoas se encontravam na sala – Oh, olá a todos. Kira foste tu que a encontras-te?
Kira pareceu triste, mas disfarçou com um sorriso falso.
–Não, a Gladius Glacies ativou-se sozinha e foi atrás dele. Eu estava a verificar as armas quando isso aconteceu, então seguia e ela levou-me a ele.
–Ele? – Perguntou Jack – De qualquer maneira, Mana, estás bem?
Winter sorriu e foi ter com o irmão abraçando-o, foi o suficiente para dizer que sim.
–Ei, Jack, eu e o Philipe vamos buscar a Aurora e a Coisinha. Toma conta da Princesa, ok?
–Não precisas de me dizer. – Respondeu Jack, até perceber realmente o que é que aquilo queria dizer – Como assim vocês vão ao Castelo Negro? O Philipe, a sério? Não preferias levar…sei lá…UM RECÉM-NASCIDO?
–Cala-te. – Respondeu James simplesmente, saindo pela porta destruída.
James só pode estar louco, pensou Jack, Levar alguém tão inexperiente como o Philipe? Louco.
–Bem vamos, Nero? – Perguntou Kira tentando sair daquela tensão – Tenho que te mostrar o abrigo, para não te perderes ou algo assim. E as pessoas, tenho que te apresentar as pessoas.
Nero olhou para Jack e sorriu agitando a mão levemente, num gesto de adeus. Jack fez o mesmo, mas o agitar não foi tão delicado e amoroso quanto o dela. Ele pensava que isso seria impossível de imitar ou comparar. Onde esteve aquele anjo azul durante toda a sua vida?
–Philipe! – Chamou James impaciente – Bora, vamos ver se és escolhido por uma delas.
–Tá, acalma-te.
Ambos entraram numa sala negra que parecia ser pequena, mas na verdade era do tamanho e espessura de uma caixa-forte. Dentro dela havia milhares de peixes-palhaço, voando e transportando espadas, arcos, machados, escudos etc…Um dos peixes dirigiu-se aos rapazes.
– James, é sempre um prazer ver-te – ironizou o peixe – O que queres?
–Alegre como sempre, Kevin. – Declarou ele antes de responder – Parece que temos um novo guerreiro. Queres fazer-lhe o teste?
O sorriso do peixe foi assustador, ele empurrou Philipe até ao centro da sala e todos os outros peixes desapareceram. Várias espadas, arcos, machados, chicotes, escudos e outras armas começaram a flutuar girando à volta de Philipe, em princípio isso assustou-o, mas ignorou esse facto quando viu uma espada dourada com diamantes que foi completamente ignorada quando uma em especial chamou-lhe mais a atenção, uma Catana preta com losangos prateados no punho. Estendendo a mão lentamente tentou tocar-lhe, mas ela afastou-se como se ela tivesse medo.
De repente todas as espadas ficaram iguais à que ele tentara tocar, girando à sua volta como se gozassem com ele. Uma delas parecia diferente sendo completamente igual, diferenciando-se aos olhos de Philipe. Tentou agarra-la usando as outras como escadas para a alcançar, sentindo uma descarga de energia quando a tocou. Uma voz feminina disse: Gladius Multiplier.
A espada era incrivelmente leve e afiada, ao passar o dedo pela lâmina Philipe cortou-se fazendo o sangue escorrer pela espada escrevendo o seu nome, que desapareceu tão magicamente quanto apareceu, deixando-o extasiado.
–Ei, como é que sabes onde fica? – Perguntou Philipe enquanto entrava na garagem – James?
–Oh bebe, ela magoou-te? – James falava com uma Honda preta que estava estacionada no canto mais escuro da divisão – Odeio quando a Kira mexe em ti. Estas a olhar para onde? Bora.
Philipe não perguntou mais nada apenas obedeceu entrando na mota preta e prata que pertencia obviamente a James. Saíram da garagem e seguiram para uma autoestrada apertada e cheia de trânsito, como um Centro Comercial ao sábado, mas a moto era imparável, tal como o seu dono, desviando-se dos obstáculos e avançando a toda a velocidade. Já era tarde quando pararam numa rua escura e nojenta, com ratos, lixo, drogados e prostitutas até onde o olho alcança. Os rapazes continuaram a pé, com James a arrastar a Honda à frente e Philipe atrás fingindo não reparar nas mulheres quase desnudas a olharem para eles.
–Podes dizer-me para onde vamos? – Perguntou Philipe sem intender a sua presença naquele lugar – James!
–Gostas de cocktails? – Perguntou James ignorando a pergunta – Conheço um bar que faz ótimos cocktails.
–James! – Chamou Philipe farto de ser posto de parte – O que estamos aqui a fazer?
–Vamos ao Lavigne’s Wood, o Dono deve-me uma e o irmão dele trabalhou para os Red Rings. Se eu usar as palavras certas eles metem-nos lá ou pelo menos ajudam-nos a saber onde é o Palácio Negro.
–E se não as usares bem? – Perguntou o outro enquanto ajudava James a prender a moto num pequeno parque de estacionamento
–Digamos que eu prefiro não falar do plano B.
Ambos pararam à frente da porta de titânio com luzes de néon “L’s Wood”, juntamente com uma fila que dava a volta ao bar (literalmente). Philipe já não estava preocupado com o plano B, estava demasiado ocupado a preocupar-se com o B de Besta que estava à frente dele, o segurança de dois metros olhava para James.
–Yo, Gina, como está a mulher mais linda do mundo? – Perguntou à Besta, que afinal era uma mulher
–Não arranje problemas. – Pelos vistos eram amigos – Outra vez.
–Vou tentar, mas não prometo nada.
Quando entraram as vozes das pessoas na fila fora abafadas, criando um clima calmo de casino ou talvez o facto de estar a dar musica Country. Os dois sentaram-se no bar e pediram Coronas e esperaram um pouco. James olhou para o Barman e disse:
–James Hunter.
–Ele foi morto, James, eu sou o proprietário temporário enquanto não descodificam o computador dele, pelos vistos era lá que estava o testamento.
–O que fazemos agora? – Sussurrou Philipe
–Plano B – Respondeu James desanimado – Vamos ao Kitty Cat’s Bar.
Continua…
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