Madness
15 Capitulo 15
James e Philipe dirigiram-se ao Kitty Cat’s Bar, um lugar estranho e cheio de luzes. Vários homens e suas respectivas “acompanhantes” saiam e entravam num beco do lado de fora do bar, Philipe preferiu não comentar. James mexeu-se rapidamente entre a multidão suada, passando pela fila (tal como o fez no L’s), porque pelos vistos ele tinha passe-livre para todos os bares da rua, se não da cidade, ou pais, talvez do mundo! Seguindo a linha de raciocínio, James entrou no Bar tão despreocupadamente quanto saiu do outro.
Como um íman que atraia metal, James atraia mulheres. Todas as mulheres presentes largaram os seus “acompanhantes” para irem falar com James.
–Olá, coisinha linda, precisa de companhia? – Perguntou uma.
–Oi, seu gatão, está perdido? Eu posso ser o teu GPS. – Interrogou outra.
–Ei gato, eu não sei com quantos paus se faz uma canoa mas com um só o teu pai fez um avião.
–És médico? Eu preciso do teu tratamento, meu…
Philipe interrompeu antes que aquilo fosse mais longe dizendo:
–Eu sou, se quiseres uma consulta podes marca-la no hospital mais próximo. Se me dão licença, eu e o meu amigo precisamos de ir.
E assim afastaram-se deixando para trás uma matilha de mulheres furiosas e vários homens invejosos. Philipe seguiu James para uma cabine privativa onde se encontravam varias mulheres fantasiadas de gatos, ou talvez não estivessem fantasiadas.
–James Hunter.
Todas elas pararam de vestir-se e maquilhar-se para olhar para James. Uma delas escondeu a cauda dentro do vestido curto vermelho, o que sugeria que não era falsa.
–Jammy! Estás aqui para me pagares o favor que me deves? – Perguntou com uma voz sedutora
–Na verdade, eu acho que tu é que deves um favor.
–Bem pode ser. – Respondeu a mulher mudando do tom de voz sedutor para um mais sombrio – O que queres, Hunter?
O sorriso da mulher era ameaçador, mas estranhamente atraente, envolvendo o corpo de Philipe num estranho e sombrio nevoeiro de sedução. O batom escarlate foi se tornando escuro conforme a língua dela percorria o lábio.
–Onde fica a atual entrada para o Palácio Negro?
–Eu…- A mulher parecia desconfortável – Isso não pode ser revelado.
–Eu acho que pode. – Respondeu James encarando a mulher nos olhos castanho-chocolate – Tu vai dizer-me, agora!
–Eles estão na ilha de Creta, na Grécia. Existe uma colónia de Centauros pouco sociáveis, perto da colónia há uma gruta com um grande portão lá dentro. – A mulher afastou-se – Vão-se embora.
Ao afastar-se balançando as ancas como um tigre faminto.
James e Philipe saíram do estabelecimento, sendo seguidos por seis dúzias de mulheres, enfurecidas e completamente desejosas por mais “tratamentos” do “Dr. James”.
–E agora? – Perguntou Philipe quando o vento frio da noite se fez ouvir na escuridão do parque de estacionamento atrás do L’s onde a moto foi estacionada – Como é que vamos para Creta?
Sem responder James subiu para a mota esperou que Philipe e seguiram para o sul, mais auto-estradas, mais edifícios vagabundos, mais drogados e bêbados a tentar chegar a casa pois o sol ia subir não tardava, mais silêncio constrangedor.
Ocasionalmente, Philipe suspirava e imaginava como estaria Aurora, ela sempre fora uma rapariga medrosa e corajosa ao mesmo tempo, dependendo da situação. Brevemente um oscilo da mota fez Philipe desenrolar o seu pensamento seguinte. E se ela estivesse morta, pensou Philipe, poderia ela ter morrido e isto não passava de uma perda de tempo? A voz de James fez os pensamentos morrerem ali.
–Temos de visitar uma Exilada. – James olhou para a cara do outro, ao aperceber-se que ele não compreendeu continuou – Os Exilados são os Descendentes ou Red Rings que não fazem falta. Ou fizeram merda, ou não querem saber da Guerra, ou simplesmente não são úteis. A Exilada que vamos ver é a filha da Sininho, ela não queria saber, simplesmente não cria saber.
Permaneceram assim até chegarem ao final da estrada, já não havia asfalto ou cimento, candeeiros ou carros. Só o vento, as árvores e a terra existiam naquele lugar sombrio e calmo. Desmontaram da mota sem se importar de onde a deixavam, não havia ninguém que lá tivesse coragem de entrar, ou falta de sono tendo em conta que era 3:30 da manhã. Penetraram na floresta escura, os raios de sol a verem-se ao longe. Uma pequena casa de plantas estava pendurada numa árvore, qualquer um pensaria que era a copa, mas James sabia que aquilo era o que procuravam…um rasto. Andaram até à árvore e James agachou-se.
–Anda. – Exclamou James virando-se de costas para Philipe – Sobe para as minhas costas.
–Olha, eu agradeço o elogio, mas eu gosto mais de mulheres. – Respondeu Philipe um pouco constrangido – Sem ofensa, tu deves ser um óptimo partido, mas não para mim.
–Quê!? Eu estou a pedir-te para subires para as minhas costas, para SUBIRMOS para a árvore. – James parecia extremamente perturbado – Não para...
–Desculpa eu…Olha, vamos fingir que isto nunca aconteceu. – Declarou Philipe subindo – Não vamos falar disto a ninguém, pode ser?
–Falar do quê?
Subiram para a árvore sem mais falar do assunto. A entrada estava escondida com folhas e ramos e era praticamente invisível, mas James sentia o cheiro dela...mesmo que fraco ainda ali estava, por pouco tempo. Antes que Philipe pudesse começar a falar outra vez James calou-o com um gesto.
Andava à procura de algo, uma coisa especial, mas não tinha a certeza absoluta que ainda ali estava, já podia ter sido levado pelos Red Rings ou pior, destruído. Se tal acontecesse nunca mais poderiam chegar a Creta.
–O que procuram? – Indagou uma voz sedutoramente sombria – Talvez um entretenimento de duas cores.
Não precisou de se virar para saber quem era: Checkmate. A segunda no poder caso a Red fosse eliminada ou afastada por uma força maior. Os cabelos e roupa brancos davam-lhe um ar monarca, ou talvez fosse o facto de usar uma coroa branca e dourada na cabeça. Todo aquele ar de superioridade não se adaptava à sua estrutura magra e baixa, mesmo que os olhos vermelhos apagassem completamente qualquer necessidade de subestimação. Como sempre trazia uma peça de Xadrez negra na mão, sendo uma mestre de Xadrez (já que assim o seu nome indica).
–Vieram em busca um pouco disto? – Perguntou mostrando um saco verde na outra mão – Vamos jogar por ele?
James sabia que aquilo que estava lá dentro era oque procurava, mas também sabia que era impossível ganhar um jogo contra aquela mulher…especialmente usando aquelas regras, as regras do ChessMate.
–Ok.
Um sorriso sombrio fez-se notar nos lábios rosados da albina, tenebrosa e ao mesmo tempo atraente (talvez para alguém com menos de 20 anos), ela atirou a peça de Xadrez para o chão.
–Vamos jogar! – Ordenou ela à peça
–Desafio aceite. – Respondeu James
O chão plano perdeu o seu estado sólido, ganhando uma consistência plástica. Já não se encontravam na casa da árvore, mas sim no mundo de Checkmate. Não existia nada naquele lugar, apenas negro até onde o olhar alcança.
Nenhuma palavra foi deferida pela parte de Philipe, como se ele soubesse que falar seria inútil, apenas afastou-se e deixou James e Check tratarem do assunto.
–Dar-te-ei os brancos. – Declarou Check
–Receberei os negros. – Retrocou James
–Como queira. – Respondeu a rapariga percebendo a estratégia de James, isso chateou-a, mas o desafio agradou-lhe
Várias peças negras de Xadrez foram dispostas à frente de James, flutuando imoveis. O mesmo aconteceu às peças brancas, dispostas à frente de Check.
–Que comece o jogo de ChessMate.
Continua...
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