Madness

13 Capitulo 13


Winter acordou sobressaltada, não se lembrava do que se passava ou do que tinha acontecido. A sua última lembrança foi da voz de Jack a dizer algo, depois quando deu por si estava deitada numa cama com lençóis brancos e engomados. Levantou-se da cama alta e tateou o chão com os pés. Ao aperceber-se que com certeza ia vomitar, voltou a deitar-se.

Ela fechou os olhos, tentando conter a ansia de vómito e escutou um ronronar subtil na sala, olhou para o lado de sobrolho franzido e reparou no Félix (agora em forma felina) deitado na sua almofada. Ao lado o irmão muito desconfortável encolhido num cadeirão branco, Jack tinha olheiras enormes e olhos afundados no rosto.

–Será que o devo acordar? – perguntou-se Winter sussurrando para consigo

–Não, deixa-o dormir. – Respondeu abruptamente James, que se encontrava num canto da sala – Ele esteve acordado duas noites e dois dias, eu demorei muito tempo para o convencer a dormir, não estragues o plano.

Winter não respondeu, pensou em levantar-se mas sentiu outra vez aquele buraco no estômago e não o fez. Em vez disso, olhou para James e perguntou:

–O que se passou?

Com uma cara de indiferença, James olhou para Winter e respondeu calmamente, como se estivesse a recordar uma memória perdida:

–Os Red Rings. Eles invadiram o Palácio Branco e atacaram, ninguém estava à espera, por isso ninguém se conseguiu defender propriamente. O estado dos Descendentes é deplorável e frágil neste momento, se eles descobrirem onde estamos, acabou-se.

Winter gelou, não se lembrava minimamente de nada, apenas da voz do irmão a dizer algo importante. Com isso em mente perguntou de sobressalto:

–Os outros, como estão os outros?

–O William não acorda,-começou James- a Candy, a Olívia e os outros Descendentes estão muito magoados, Aurora e aquela gnoma foram raptadas e Philipe enquanto tentava ser um herói quase morreu.

Ao perceber que ele não ia contar como estava, ou falar sobre Aurora, Winter levantou-se, ignorando a ansia e preocupando-se mais com o estado dos outros.

–Ei, o Philipe disse que não te podes levantar, visto que não comes nem bebes nada faz dois dias.

Winter ignorou o aviso e correu para a porta, ao perceber que estava trancada virou-se para James e ordenou algo pela primeira vez:

–Abre, agora! – O tom de voz não era doce, mas também não era diabólico, era o tom de voz de uma rainha perante um súbdito malcomportado- Eu disse, e não volto a dizer, agora!

James não pensou duas vezes, abriu a porta com um pontapé destruindo a tranca. Quando a confusão cessou, James vez uma pequena vénia dizendo:

–Sim, minha Princesa.

Winter ia descobrir o que se tinha passado, nem que tivesse que subjugar todos para o conseguir. E fá-lo-ia se necessário. Continuou a andar por um grande corredor, não branco mas de uma pedra mogno escura, seguida por James que ia tão atrás quanto um cão-de-guarda iria atrás do dono. Apenas se via algo como uma porta branco-escura no fundo daquele lugar iluminado por tochas.

Ela tentou abrir a porta, trancada. Um breve olhar para James e a porta já não estava na parede. Outro corredor mogno escuro, desta vez com uma inimaginável quantidade de portas branco-escuras. Como não fazia ideia de onde estava e James parecia desconfortável com a porta direita, ela bateu com os nós dos dedos na porta.

–Entra, James, está aberta. – A voz de Philipe fez-se soar do outro lado

Ela entrou e deparou-se com o Philipe, muito atarefado, e muitas pessoas em camas iguais à que ela acordou faz poucos minutos. Sinceramente, Philipe parecia muito mais doente que os que estavam nas camas, não tinha sangue nas roupas ou ligaduras e gases mas estava tão cansado que as olheiras tinham olheiras e essas olheiras estavam com sono.

Ao perceber que Winter tinha aberto a porta, e não James, Philipe ficou estupefacto. Era impossível ter-se levantado da cama nas condições em que se encontrava, já que mais ou menos á uns 3 dias ela tinha-se transformado num ninja e quase morto duas pessoas, uma delas com o dobro do seu tamanho, e a outra com um machado capaz de cortar não só uma árvore como também uma casa…de pedra.

–O que fazes de pé? – perguntou Philipe tão depressa que o vento teria inveja- Devias estar de cama por pelo menos mais um dia.

–Não aguentaria nem mais um minuto, por isso conta-me o que aconteceu.

Philipe ignorou a exigência e concentrou-se em James que a seguia silenciosamente de cabeça baixa. O bastardo tinha deixado uma menina indefesa e num estado fraco e desprotegido andar por ai, não merecia o mínimo respeito. Assim sendo, Philipe aproximou-se passando diretamente de um estado sonolento para um estado: “vou-te matar”.

James avançou para a frente, protegendo Winter com o corpo enquanto dizia:

–Não à frente dela, depois…lá fora. – a voz era calma mas protetora- Minha Princesa, deseja saber o que se passou?

–Desejo.

–Então é meu dever contar-lhe.

–----------------------------Memória---------------------------

–Não era bem assim que eu achei que fosse contigo. — confessou Philipe ajeitando uma madeixa de cabelo, agora acastanhado, de Winter — Desculpa.

Jack pegou Winter ao colo e levou-a para perto de William. Quando estavam quase a chegar, um vulto negro trespassou-lhes o caminho. Aos poucos foi-se notando que o vulto na verdade era feito de morcegos e os morcegos formavam uma silhueta feminina.

–Yo, o meu nome é Marceline ou Marcy. – Marcy tinha cabelos negros compridos caninos super-afiados e um fio fino de sangue escorrendo dos lábios, os olhos vermelhos e cabelo rapado de lado não favoreciam um ar amigável- Ei, tu ai, não és aquela que quase morreu por minha causa?

Aurora olhou em direção a tal Marceline e com rudeza perguntou:

–Falas comigo, Caninos?

–Não, falo com a vizinha ali do lado. Óbvio que é contigo, Loira.

–Ladras muito alto para o meu gosto.

–Vê se não parte uma unha, Senhorita.

–Chega de brincar, Caninos. O que queres?

Marcy fez um sorriso extravagante e indiscreto e esticou o braço para o lado, fechou os olhos por um segundo e centenas de morcegos invadiram o palácio indo em direção à mão de Marceline e transformando-se numa espada de luz negra.

–Temos assuntos pendentes, Loira.

Aurora esticou o braço tal como fez Marceline e flores amarelas rodearam o seu braço esquerdo e a perna direita, subindo pelo tronco até ao pescoço. Uma armadura dourada brilhante apareceu, um estilo Amazona mais elegante devido ao vestido azul-claro curto. A perna direita estava coberta com uma bota dourada com um cilindro dourado com o tamanho de um punho alojado num local acessível. No braço esquerdo uma luva até ao ombro com um grande escudo de ouro e titânio.

As duas moveram-se com ferocidade, a agilidade de duas felinas e a graciosidade de duas garças. Aurora retirou o cilindro da perna e a imediatamente um feixe de luz saiu criando uma espada. A tal Marceline tentou atacar Aurora que se defendeu usando o escudo, contra-atacando-a com a espada de luz branca.

–Lux Caeli e Umbra Inferni, – exclamou Marceline desviando-se –lutando, quem diria? Uma vez juntas agora separadas.

–A culpa é tua, se não te tivesses juntado a eles, ainda estaríamos juntas.

–Eu não acredito que tu realmente queiras estar aqui, Loira, simplesmente é impossível.

Aurora ignorou-a passando ao ataque, segurando-lhe no cabelo aproveitando-se da estratégia da Winter e atirou-a contra a parede usando o cabelo como impulso. Ela permaneceu imóvel, enquanto Aurora se aproximava… devagar… calmamente… até Marceline soprar uma versão negra do pó do sono de Aurora para a cara da loira fazendo-a adormecer.

–Agora tu vens comigo, maninha. – disse Marcy segurando em Aurora- Já agora, se alguém vier atrás de nós…

Marceline sorriu maliciosamente ao reparar que Tomy estava escondida nos escombros onde outrora tinha residido o corpo de Thomas. O sorriso ficou maior enquanto um morcego a capturou.

–… esta coisa morre. — Continuou Marcy – Adeus, idiotas.

Vários morcegos rodearam as três e desapareceram, deixando os outros sozinhos na escuridão fria e sangrenta.

–------------------------Fim de Memória-------------------------

–Como assim!? – perguntou Winter que pelos vistos tinha perdido o seu tom dominante e acabara de adquirir um tom extremamente zangado — Eu não posso ter feito isso, eu não sei fazer isso! E como assim, a Aurora tem uma irmã maléfica e ela raptou-a e à Tomy?

–Lamento minha Princesa, devia ter feito algo mais, mas não consegui fazer nada. –desculpou-se James

–A culpa não é tua, nem de ninguém. Mas nós temos que salvar a Aurora e a Tomy.

Philipe olhou para Winter com preocupação e segurou-lhe no braço dizendo:

–“Nós” não temos que fazer nada. “Nós” temos de perceber o que se passou contigo e resolver o assunto antes que te magoes.

–Mas e a Aurora e a Tomy? – perguntou Winter

–Ele tem razão, Winter — concordou a Sábia que acabara de entrar na sala- A futura Princesa não devia preocupar-se com isto. James trá-las de volta.

Winter olhou para James como se não acreditasse que um único rapaz conseguisse salvar duas pessoas no coração do inimigo. Os pensamentos de Winter foram interrompidos por Philipe que se aproximou e declarou:

–Eu faço. Uso as minha habilidade e entro e saiu sem ninguém me ver, literalmente.

James e a Sábia olharam para Philipe com olhares completamente diferentes, um com um olhar tentador e o outro com um olhar que dizia: “É bom que estejas a brincar!” e por mais estranho que pareça era James que estava tentado.

Ele aproximou-se da Sábia e segredou-lhe algo que pôs a Sábia a pensar. Passado alguém tempo de reflexão a Sábia concordou e declarou:

–Tu e o James vão, já que não estas treinado, mas tens que concordar com a exigência de James.

–E qual seria? – perguntou Philipe olhando para James

–Depois deste ataque, a Princesa está em perigo. Ela precisa de proteção 24h por dia. Se tu não me irritares enquanto eu faço esse trabalho, eu deixo-te ir comigo em todas as missões que quiseres.

–Aceita… Phili… pe. – sussurrou Candy que se encontrava numa cama — Ele nunca… deixa ninguém… ir com ele… deve ser importante…

Philipe concentrou-se em Candy a concordou, olhou nos olhos de James e respondeu:

–Apenas se ela concordar.

–Enquanto eu não controlar o meu lado “maléfico” acho que não faz mal ter companhia, mas se eu pedir privacidade, eu quero-a.

Os rapazes entreolharam-se e confirmaram com as cabeças. A Sábia interrompeu as negociações flutuando em direção da porta destruída do lado de fora do corredor.

–Não podiam ser menos destrutivos? Lembre-se, meu querido James, que este lugar não nos pertence.

Winter estava quase a defender James admitindo ser a culpada, quando James assumiu as culpas desculpando-se.

Os Descendentes olharam para James chocados, alguns sussurros fizeram-se ouvir. Alguns disseram que William tinha possuído James e que era por isso que ele estava estranho e o William não estar acordado. Outros diziam que James estava apaixonado pela Sábia e que estava a tentar ficar bem visto.

James olhou para os Descendentes com os seus olhos heterocromáticos e o silencio instalou-se outra vez na sala< enquanto Philipe cuidava dos ferimentos e a Sábia desaparecia nas sombras.

–Vamos? O Jack já deve ter acordado. – perguntou James olhando para Winter

–Vamos.

Continua…