Madeira e Prata

9 30/31.07.2815


Notas iniciais
Ainda espero os personagens, hein pessoal!!!!! Afinal se não tivê-los, não posso continuar com a história.

Fola

Mais uma noite eu fui para a guerra, até pensei em deixar um bilhete para Mac, com as seguintes palavras:

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Mas não tive como deixar na caverna, afinal meus irmãos estavam sempre do meu lado, eu queria dar ao meu amigo o conforto das minhas palavras, com certeza ele estaria preocupado com o meu sumiço e quem sabe quando voltaríamos a nos ver?

Passei, como de costume, a batalha inteira tomando conta de mim e de meu amigo, sem me importar com o resto, mas, mais uma vez, não tive que interferir na luta de Mac, só que algo nele estava diferente, acho que posso dizer que ele estava mais feroz e mais agressivo. Mas não tive muito tempo para assimilar essa ideia, e quando vi já era hora de voltar pra casa e meus irmãos me escoltaram de volta para o castelo, um sorriso pairando sobre o rosto de Eloi.

Como na noite anterior meus pais me receberam na porta e então minha mãe me levou para o meu quarto. Me ofereceu uma taça de sangue, que recebi com muita felicidade, precisava repor minhas forças.

“Fola, querida, acho que essa noite não teremos problemas. Seu pai tomou um pouco mais de cuidado ao escolher o rapaz que você vai conhecer hoje, você sabia que já tem muitos pretendentes? Bom, você sabe que seu pai ficou furioso com aquele tal de Damásio, quem diria que as aparências enganam? E justamente levando em consideração esse detalhe, escolhemos uma moço um pouco diferente... Espero que não se importe com isso, pois ele é um amor.” Mamãe parecia realmente empolgada com essa ideia de eu me casar, e não me restava nada além conhecer esse novo rapaz.

Entrei na banheira de água quente e relaxei lá dentro, tendo tempo o suficiente para pensar em como foi bom dormir na minha cama novamente, mas que levando em consideração as circunstancias, eu preferia dormir torta em uma caverna como antes.

Saí de dentro da água e minha mãe veio me ajudar com o belo vestido verde musgo que ela escolheu pra mim, quer dizer, o tecido era todo verde, mas tinha uma estampa meio floral, meio tribal, algo bordado com uma linha preta, que dava um toque especial e bonito. Reclamei da escolha do vestido, então mamãe disse que no dia seguinte ela escolheria outra cor. Estremeci ao pensar em ter que passar por isso tudo amanhã de novo. Mamãe penteou meu cabelo e prendeu em um belo coque, finalizando o penteado com um broche em formato de borboleta, cravejado de esmeraldas. Me olhei no espelho e fiquei satisfeita com o que vi, só não estava satisfeita com o motivo de eu estar vestida daquele jeito.

Fomos para a mesma sala do dia anterior e lá estava meu pai, mais uma vez conversando com um outro vampiro, ele era realmente diferente: tinha cachinhos louros e olhos azuis como os de um anjo, mas era, como posso dizer, um tanto acima do peso, e pelo o que entendi trabalhava em alguma área de administração do castelo, bem se via que aquele ali nunca foi para a guerra. Sua roupa era adequada ao seu tamanho, mas não à ocasião, era um pouco surrada e preto do terno já estava desbotado, a blusa amarelada e a gravata um pouco puída. Mas não me importei, afinal, não vou me casar nem com ele nem com ninguém mesmo...

“Querida, vamos deixar você e Azazel conversarem em paz, acredito que não teremos problemas hoje.” Mai pai sorriu e mais uma vez saiu da sala, me deixando sozinha na companhia de um homem estranho.

“Olá, sou Fola.” Disse tentando se educada.

“Eu sei, sou Azazel.” Ele me respondeu com pouca vontade.

Ficamos parados no centro da sala, olhando para todos os cantos, sem graça e sem assunto. Pelo menos dessa vez eu não fui atacada por um tarado.

“Bom... Por que nós não nos sentamos?” Disse tentando quebrar o gelo.

Ele concordou e fomos para a mesa, estremeci ao lembrar do que passei em cima dela no dia anterior, mas continuei quase sorrindo, tentando manter a aparência educada.

“Então... Por que você quer se casar comigo?”

“Você é bonita e inteligente, e eu preciso de uma esposa, e acredito que você vai me aceitar, diferente de todas as outras garotas fúteis que conheci e que só se importavam com a aparência.”

“Ah...” Respondi tentando não parecer decepcionada.

“E você, menina Faula, por que quer se casar?”

“Meu nome é Fola, e... e eu não quero me casar. Meus pais é que estão me obrigando. Por mim eu continuava solteira e lutando na guerra...”

“Tudo bem, Paula, mas acho que seria muito bom para você se casar comigo, já lhe disse que sou um colecionador? E que minha riqueza é grande? Posso lhe dar tudo o que você quiser...”

Difícil de acreditar, pensei, mas apenas voltei a dizer que meu nome é Fola. Olhei para o lado, pensando em como dizer para ele que eu não queria me casar com ele, não importando que proposta ele me fizesse.

“Oh, céus!!!!” Ele disse se levantando e vindo pra perto de mim. Me levantei assustada, e com medo do que ele fosse fazer. “Mas que lindeza... Ficaria tão bem na minha coleção...” Continuei andando para trás até me escorar na parede. “Fique quieta, Paola, para que eu possa ver melhor.” Então ele segurou meu rosto e o virou de lado, e foi assim que eu percebi que ele estava encantado com meu broche de cabelo, e que nem sequer pensava em me atacar. Relaxei e soltei o cabelo, ficando com a borboleta de esmeralda na mão.

“É isso que você quer, Azazel?”

“É sim, Flora, é sim.”

“É isso o que você mais quer?”

“É sim, já disse que é, você é surda Fausta?”

“Bom,” disse saindo da parede, dando a volta nele e indo para o outro lado da sala, tomando as rédeas da situação. “acho que podemos fazer uma troca.”

“Troco qualquer coisa, o que você quiser... A menos que você queira algo da minha coleção, então nada feito.”

“Não quero nada de sua coleção, Azazel. Vamos trocar o que você mais quer pelo o que eu mais quero: eu lhe dou o broche e você diz para meus pais que não quer casar comigo e nem nunca vai querer.”

“Claro, claro, por que não?” Ele obviamente estava cego pela vontade de ter o broche. “Apenas, me dê...”

“Claro, mas antes diga aos meus pais a sua decisão. Diga a eles que você não me deseja mais, e então eu lhe dou o broche.”

Então ele foi até a porta e fez um sinal para que meus pais entrassem, o sorriso estava estampado no rosto de nós quatro, mas é claro que o de meus pais não duraria muito tempo.

“Senhor Argos, senhora Artemisy, foi um prazer conhecer os senhores e sua filha, mas ela não é exatamente o que eu procuro, então não vou me casar com ela, nem hoje, nem nunca.” Então ele se virou pra mim ansioso demais para ser discreto. “Proto, agora me dê.”

Sorri com a vitória e lhe entreguei o broche. Ele ficou radiante, meus pais murcharam e eu voltei para o meu quarto, para aguardar a batalha do dia seguinte.


Notas finais
Quem gostou? Quem tem ideias para o próximo pretendente?