Madeira e Prata
10 01.08.2815
Notas iniciais
Mactíre
Esta já era a terceira tarde em que eu não encontrava Fola no lugar de sempre, então eu já estava realmente muito preocupado e sinceramente, eu já tinha desistido de encontrá-la, mas meu subconsciente não, e por isso eu voltava todas as manhãs (como se fossem muitas, mas para mim, realmente pareciam muitas) para a caverna, afim de tentar encontrar minha amiga, mas não obtive sucesso.
Voltava todos os dias para o quartel, desejando que as coisas fossem diferentes, desejando não ter que ouvir novamente Etoile me dar seu sermão sobre como o meu tempo para aparecer com uma solução estava acabando, e que era melhor eu pensar em algo logo, desejando não ter que ver Nazira jogando todo seu charme para cima de mim, mesmo eu já tendo dito incontáveis vezes que não quero sua “ajuda para esquecer todos os problemas”.
Então eu simplesmente voltava todos os dias para o quartel, criando uma rotina monótona, pela qual eu atravessava todos os dias, esperando uma solução cair na minha cabeça. Enquanto isso não acontecia, simplesmente seguia com o dia até cair na cama e dormir, sem expectativas.
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Fola
Mais uma vez fui arrastada (melhor dizer escoltada) de volta para o castelo ao final da noite, onde mias uma vez fui recepcionada por meus pais e mias uma vez fui me arrumar no quarto com minha mãe.
O meu vestido dessa vez era simples, todo preto, com o decote em forma de coração e a manga bem presa no braço, enquanto a saia abria um pouco a partir da cintura. Meu cabelo, decidimos deixar solto, e foi assim que eu fui encontrar o terceiro vampiro.
Lá estava ele, ouvindo tudo o que meu pai dizia, gel no cabelo e uma roupa um tanto extravagante: seu paletó era roxo, tinha um broche de rinoceronte na lapela e a blusa branca era rendada e com babado, muitos babados, que saiam, inclusive, pela manga. Quando meus pais nos deixaram a sós ele me olhou. Botou uma mão sob o queixo e a outra no quadril, fez uma cara muito pensativa, deu a volta em mim, examinando cada canto e cada detalhe. Por fim esticou a mão dizendo:
“Sou Hugh, e estou aqui para salvar sua vida.”
“Sou Fola e não quero ser salva.”
Isso foi o suficiente para deixá-lo horrorizado.
“Queridinha, você não tem escolha, você precisa urgentemente da minha ajuda!!!! Veja só esse vestido... Que horror, muito simples, querida, não combina com você. E esse corte de cabelo, parece uma máscara. De que você está se escondendo, meu bem?”Segurou meu rosto com uma das mãos, virando de um lado para outro, examinando. “Você tem lindos olhos, bonitos demais para ficarem escondidos atrás dessa cortina negra, mas o contraste é até bom. Deixe-me ver o que podemos fazer contigo...”
“Essa é sua ideia de casamento?”
“Casamento, querida? Não!!!!!! Seus pais acham que é isso que me interessa, mas não!!!!! Querida, da fruta que tu gosta eu chupo até o caroço!” Tive que conter o riso, eu era uma mistura de incredulidade e alegria. “Estou aqui para ser seu estilista, meu bem. Você precisa de mim!!!! Olhe só para suas roupas!!!!! Muito simples, você precisa de mais brilho!!!! Brilho é o que combina com você!!!!! Assim como os babados e as rendas combinam comigo.” Então ele me segurou pela mão e me puxou porta a fora. “Venha, vamos ver o que eu você tem no seu armário.”
Meus pais nos vendo ir em direção ao quarto se alegraram, mais ainda quando me viram rindo, mas tudo mudou quando eu gritei por cima do ombro:
“Duvido vocês conseguirem convencer Hugh a casar comigo!!!!!!! É mais fácil ele querer casar com o Eloi.”
Então continuamos correndo até o corredor dos quartos, onde eu assumi a dianteira e o levei até o meu. Entramos e Hugh foi direto para o armário, onde começou a analisar minhas roupas de guerra e vestidos normais. Estava claro para mim que eu não mudaria meu estilo por causa dele, mas não custava nada ouvir suas dicas.
“É, até que seus vestidos são aproveitáveis, não vejo muito o que melhorar neles, então temos que caprichar é na sua maquiagem. Deixe-me ver o que eu você tem aqui.” Ele começou a olhar e não encontrou nada além de um batom vermelho e um lápis preto. “Querida!!!!! É isso que você chama de maquiagem?!?!?!?!!? Não posso deixar você assim!!!”
Então ele saiu do meu quarto e fez um sinal para seguí-lo. No final fomos parar no que eu acredito ser o quarto de Hugh. Mas era um lugar tão espalhafatoso quanto ele, as cortinas douradas, a cama com renda e uma penteadeira (muito maior que a minha) cheia de vidrinhos brilhantes.
“Querida Fola, o que você precisar pode vir procurar aqui.” Disse me fazendo sentar na cadeira de frente para o espelho. Ele então parou de frente para mim e começou a passar pincéis e mais pincéis no meu rosto, esponjas e essas coisas de maquiagem. No final, achei que estaria parecendo uma palhaça, mas até que o brilho em meus olhos e lábios ficaram bons e foi assim que eu chamei Hugh para me arrumar no dia seguinte, afinal, era óbvio que eu conheceria um novo pretendente.
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