Madeira e Prata

8 29/30.07.2815 – Parte Três


Notas iniciais
Aproveitando as férias e o surto criativo. Espero que estejam gostando...

Mactíre


De alguma maneira eu nunca volto com a matilha enquanto lobo, e sempre acordo nu, deitado no mio da floresta, com o sol começando a nascer na minha cara e sem mais nenhuma influencia da lua. Levantei e fui até a caverna, imaginando a cara de Fola quando eu entrasse lá desse jeito sem nem uma peça de roupa. Talvez ela risse, talvez ficasse sem graça, talvez me sacaneasse. Mas decidi tentar ser o mais discreto possível e tentar pegar minha roupa sem ela me ver. Quando estava chegando fui andando bem devagar, para não fazer barulho, e então só tive olhos para pedra onde minha roupa estava escondida, dei uma olhada para ver se Fola tinha me notado, e então descobri que ela não estava lá.

O desespero tomou conta de mim ao imaginar os motivos para ela não estar lá e a única coisa que passou pela minha cabeça foi o fato de ela poder ter sido atacada durante a batalha e estar presa em algum lugar, ou ainda pior... Morta.

Ignorei as minhas roupas e corri por toda a extensão da floresta procurando vestígios, qualquer sinal que fosse de que Fola estava viva. Percorri cada centímetro e não encontrei nada além de corpos de lobos de pescoço quebrado e corpos de vampiros virando cinzas em contato com o sol. Ou eu achava Fola logo ou eu nunca saberia se ela estava viva ou não, e se ela tivesse morrido? E pior, e se eu tivesse matado ela? Nunca me perdoaria... Mas não tinha como saber. Não é possível lembrar um passo que dou quando sou um lobo, a lua controla minha vida durante essas horas, não tenho controle. Mas não tive tempo de achar qualquer dica sobre o paradeiro de minha amiga e todos os corpos vampiros se resumiam a cinzas. Perdi as forças e caí ajoelhado no chão, com medo de eu ser o culpado de qualquer coisa que pudesse ter acontecido a Fola. Então eu chorei, chorei até conseguir me levantar novamente, mas eu já não tinha mais animo para nada, e se Etoile quisesse me matar por não ter um plano para a missão eu abraçaria a morte com muito desejo. A incerteza do que aconteceu com minha amiga era muito pior do que a certeza de que ela estria casada com um vampiro qualquer em um futuro próximo.

Então eu simplesmente andei a passos lentos para o quartel, sem me importar com a minha vestimenta, ou melhor, com a falta dela. Passei pelos portões e os seguranças simplesmente me olharam, mas nada comentaram, afinal eu estava voltando de uma noite de batalha, quem garante que minhas roupas não estava dentro do meu quarto.

Andei pelos corredores, vagando aleatoriamente, sem rumo, claro que no meu subconsciente eu sabia que ira para no meu quarto, mas quantas voltas eu daria até chegara lá?

“Olha só quem resolveu se mostrar...”

Encostada na parede de braços cruzados estava Nazira, usando uma calça caqui e uma blusa marrom, com um sobretudo de couro claro e os coturnos pretos nos pés; os longos cabelos negros soltos pelo pescoço e pelos ombros, fazendo uma silhueta do rosto moreno, combinando com os olhos igualmente negros.

“Não enche Nazira, não estou num bom dia hoje.”

“O que foi? Você apanhou muito na guerra de noite, foi? Está sentido as dores agora é?”

“Não é nada disso, Nazira, me deixa.”

Ela saiu de perto da parede e veio em minha direção, sugestivamente disse: “Posso fazer você esquecer qualquer coisa... Posso resolver qualquer problema seu... Basta você pedir com carinho...”

Mas eu não estava com cabeça para seus jogos, então simplesmente passei por ela, pedindo mais uma vez que ela me deixasse em paz e segui o meu caminho.

Depois de rodar mais um pouco, finalmente encontrei a porta do meu quarto, pelo menos era o que dizia a plaquinha “Coronel Mactíre”, incrível como em meio a tantos lobos nenhum tinha o mesmo nome de outro... Entrei e fui direto para o chuveiro, liguei a água fria e sentei no chão de mármore, deixando a água correr cair sobre minha cabeça e correr sobre meu corpo, para ver se assim toda a minha tristeza era levada, embora, eu sinceramente não visse como.

Antes de eu conhecer Fola eu era frio e calculista, além de um exímio lutador e não media esforços para chegar onde eu queria. Mas então eu uma bela manhã de lua cheia eu ouvi um grito indefeso e algo dentro de mim me disse para ir ajudar e eu fui e achei aquela que mudou a minha vida e meu jeito de ser. Não tem explicação, mas depois que eu a conheci me tornei uma pessoa melhor e sentia que, de alguma forma, meu dever era protegê-la. E agora eu não sabia exatamente o que fazer, mas é claro que se ela estivesse ali, ela saberia o que dizer para me acalmar,e acho que era assim que a gente se ajudava, ela me dizia o que eu precisava ouvir e eu protegia ela de alguma maneira.

Fechei os olhos e fiquei imaginando o que seria de mim dali pra frente, se eu continuaria sendo o Mac que me tornei há 5 anos ou se eu voltaria a ser o capitão Mactíre, inescrupuloso que eu era antes. Fiquei lembrando do tipo de mulheres com quem eu andava naquela época, mulheres do tipo da Nazira, aquelas que eram ótimas para passar a noite, e apenas uma noite ou outra, nenhuma do tipo que se compartilha a vida. Podia lembrar claramente dos seus beijos, então pensei em como a vida poderia voltar a ser daquele jeito, mas que talvez eu não quisesse... Mas a memória daqueles beijos estava viva demais, como se fossem reais, como se...

Abri os olhos e vi alguém me olhar de volta, com uma certa expectativa. Então ela voltou a me beijar novamente, em um primeiro momento eu retribuí, meio tonto, mas então eu a afastei.

“O que você está fazendo, Nazira?”

“O que você acha que eu estou fazendo? Estou te ajudando a esquecer seus problemas, posso garantir que serei bem mais eficiente do que essa água caindo em cima de você.” Então ela voltou pra cima de mim. Eu a empurrei para longe, levantei e fechei a água, vesti um roupão enquanto falava: “Nazira, por favor, não estou com cabeça para os seu jogos, então vá embora.” Abri a porta do quarto para que ela saísse. Sua roupa pingava, mas ela não parecia se importar, então ela me olhou com desprezo, ou melhor, com o orgulho ferido e então saiu de cabeça erguida. Fechei a porta e voltei para minha melancolia, enquanto o sol brilhava lá fora.


Notas finais
Precisando de 4 personagens homens e vampiros com nomes exóticos e seus perfis, para serem os pretendentes a noivos para Fola. Mandem suas sugestões por comentário!!!!
Ex:
"Nome: Damásio
Perfil estético: Louro, alto e muito arrumado, magro e forte.
Perfil psicológico: Um tarado de carteirinha, mas não pode continuar nessa vida então seus pais o obrigaram a casar, soube de Fola pelas fofocas que correm os corredores do castelo e foi atrás dela, sabia que ela era bonita, mas a descrição dos outros não chegava aos pés da realidade. Ao se encontrar com ela pela primeira vez sua reação foi a de querer tê-la para si e para sempre."
Se quiserem acrescentar mais alguma coisa fiquem a vontade. Os escolhidos estarão nos próximos capítulos!!!!