Madeira e Prata

2 22/23.08.2810 - Parte Dois


Notas iniciais
Ok não se acostumem a ter dois capítulos no mesmo dia, só às vezes hein...

Mactíre

Saí e peguei minha roupa que estava escondida ali perto, vesti minha calça marrom e meu sobretudo castanho claro. Onde eu estava com a cabeça, céus, salvar uma vampira. Mas ela parecia tão inofensiva e assustada ali, quase morrendo queimada, sem nem ao menos ter uma chance por estar presa pela árvore, o que me lembra, como ela não morreu pelo contato com a madeira? Talvez ela precisasse ser furada para sofrer algum dano...

E por que eu estava caçando para ela? Claro que não era para ela, era para mim, também estava com fome, precisava de carne, e qual o problema de dividir, ela só iria precisar do sangue...

Parei de pensar no assunto e comecei a analisar a floresta. Muito mais fácil caçar em dias de lua cheia, parece que os meus sentidos estão mais aguçados por causa da fera dentro de mim. Senti sua presença pelo cheiro, parecia outro caçador. Será que ele achava que eu era sua presa? Seria muito mais fácil de pegá-lo se ele pensasse assim. Fiquei parado tentando parecer o mais inocente possível, sentindo o cheiro da carne fresca e viva, assim que ele me atacasse eu viraria e quebraria seu pescoço e o levaria assim para a caverna.

Mais alguns instantes de espera e o guepardo deu o bote em mim. Foi tão... fácil. Me virei no segundo em que o animal estava a centímetros de mim. Peguei-o pelo pescoço e o lancei no chão, comigo por cima dele. O animal tentou lutar mais eu o prendi, apertando sua jugular e a traqueia até ele ficar sem ar e parar de lutar. Estava inconsciente, segurei por mais alguns momentos, o suficiente para me dar tempo de levar o bicho para a caverna e ele chegar lá vivo, com o sangue pulsando e a carne quente. Levantei para pegar o corpo e vi que era um animal não muito grande, mas era suficiente para eu comer tudo e ficar satisfeito, e era uma fêmea que caçava. Sempre achei tão estranho os machos dependerem das fêmeas na natureza...

Corri para o esconderijo e coloquei o guepardo no chão, entre mim e a vampira, como era mesmo o nome dela? Fola eu acho, sim era isso mesmo. Esperava que ela fosse pular faminta no corpo quase morto, mas não ela ficou parada no canto. Estaria morta ou dormindo? Tudo seria mais fácil se estivesse morta. Não haveria remorso. Mas então ela se mexeu, ainda dormindo. Parecia um anjo, a pele clara e os cabelos negros e uma face tão serena... Mas as roupas a denunciavam. Tão típicas de uma vampira. O corpete vermelho com detalhes em preto e a saia preta com um cinto do mesmo tecido do corpete, onde estava presa a sua faca de prata. (http://1.bp.blogspot.com/-xTEwAOARCHA/T-dK_9bv09I/AAAAAAAAAMM/EZJOgGNPOmY/s1600/vestido-15-anos-vermelho.jpg – imaginem o cinto com a espada na parte vermelha da saia). Pensei em acordá-la, mas achei melhor não. Não sabia qual seria a sua reação. Então simplesmente comecei a comer, esperando que o cheiro de sangue a acordasse. Funcionou. Não precisei esperar muito para vê-la agachada do meu lado com os longos caninos cravados no pescoço do animal, enquanto eu abria o seu abdômen. Em poucos minutos não havia muito mais do que ossos no chão. Uma refeição completa para mim para ela. Fiquei olhando para ela. Não tinha muito o que dizer. Ela me encarava, mas olhava para minhas roupas. Bem, da primeira e última vez que ela me viu eu estava sem elas, então não a culpo.

“Obrigada de novo.” Ela disse.

“Não tem de quê. Mas isso é errado. Eu não deveria estar te ajudando.”

Ela riu. “Regras foram feitas para serem quebradas. Não sofra por ter me salvo, serei eternamente grata. Quem sabe isso pode ser útil pra você um dia.”

“Acho difícil... Em que sua gratidão me será útil?”

“Não sei. Talvez eu possa te salvar um dia.”

“E atacaria um dos seus por mim?” Nisso eu não acreditava. Não mesmo, nem se acontecesse eu acreditaria.

“Bem... Não, mas diria que você era minha presa e que eu queria ter o prazer de te matar sozinha, e então te ‘encurralaria’ para longe do local e pronto estaria livre e minha dívida paga.”

“Ainda não acredito. Mas tudo bem, não acredito em palavras de vampiros.”

Ela não respondeu. Simplesmente ficou calada, meio chateada pela minha afirmação. Me senti mal por deixar uma moça triste. Ah, qual é?!?!?! Ela é uma vampira, poderia me matar a qualquer momento. Poe que raios eu estava com pena e compaixão por ela?

“Eu nunca entendi isso.” Ela disse do nada, me pegando de surpresa. Do que ela estava falando?

“Isso o quê?”

“Por que dessa guerra. Sabe, poderíamos conviver tão bem... Veja só... vocês caçam de dia, nós caçamos de noite e está tudo bem. Tem tanto bicho por aí prontos para serem mortos e comidos...”

“Bem... Um dia, se tudo fosse assim como você pensa, os animais iam acabar e ninguém iria comer. Acho que é por isso que lutamos, sabe, para haver um controle populacional.”

“Olha só! Vocês podem ser civilizados!!!!” Fechei a cara para essa afirmação dela. Ora essa, onde já se viu falar uma coisa dessas em uma conversa. Depois nós lobisomens é que não somos civilizados. “Ei, desculpa, era só uma brincadeira... Sabe, porque você disse uma frase grande e sem desconfiança.”

Dei um sorrisinho forçado, como quem diz ok,ok, mas isso a fez rir e então eu relaxei ri junto. Passamos alguma horas conversando e nos conhecendo e depois o cansaço nos venceu. Foi estranho ter uma vampira tão próxima sem eu estar matando-a. Mas ela parecia não se importar, chegou perto de mim, apoiou a cabeça no meu obro, tendo cuidado com o meu crucifixo de madeira e dormiu. Fiquei um tempo parado e tenso, mas vi que nada iria acontecer, então cedi ao sono e dormi também.



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Fola


Estranho o que o cansaço fez comigo, eu estava me aproximando espontaneamente de um lobo. Apoiei a cabeça no seu ombro com cuidado com a madeira pontuda e perigosa em seu peito e dormi. Quem sabe isso provaria para ele que eu não tinha intenção de matá-lo e que confiava nele (em tese).

Já estava escurecendo lá fora quando eu acordei e ainda estávamos deitados ali daquele jeito nem um pouco usual, quer dizer, nem um pouco usual par um lobisomem com uma vampira. Fui até a saída da caverna e vi a lua, linda e cheia preenchendo a noite, enquanto o sol se punha, agora inofensivo contra mim. Voltei para perto de Mactíre e comecei a acordá-lo delicadamente.

“Está de noite... Já posso ir embora, obrigada mais uma vez por me salvar.”

“De nada. É melhor mesmo você ir. Quando eu sair daqui virarei um lobo e não terei consciência de nada, apenas que você é uma vampira e eu só terei vontade de matá-la, mesmo que eu não queira.”

“Tudo bem, então eu vou correr pra casa.” Já estava saindo quando uma ideia louca me ocorreu. “Sabe, gostei de você. Amanhã, uma hora antes do nascer do sol, me encontre aqui. Vamos conversar mais um pouco.” E então saí correndo.

A floresta ficava exatamente entre os dois reinos, onde ficam as sedes tanto dos vampiros quanto dos lobisomens, onde os exércitos são treinados e onde está o comando. Os outros estão espalhados pelo mundo. A caverna era a única da floresta. Já estava quase chegando em casa quando ouvi um lobo uivar. Apertei o passo e cheguei em casa onde encontrei meus pais preocupados, mais até do que achei que fossem estar. Disse que estava bem e que fiquei presa em uma caverna por causa do sol e então eles me deixaram ir.

Tomei um bom banho e uma grande taça de sangue. Coloquei um vestido todo preto com espartilho e na frente um triângulo de veludo roxo com cordinhas pretas e saí. Andei apreensiva até a caverna achando que Mactíre não estaria lá, ou pior, estaria, mas acompanhado de outros e eu morreria. Mas não, ele estava lá, e sozinho.


Notas finais
Espero que tenham gostado!!!! Reviews?