Madeira e Prata
20 06/07.08.2815 – Parte Três
Notas iniciais
Fola
Corri o mais rápido que pude para me afastar de Mac, fala sério, o que está acontecendo comigo? Que tipo de atração estranha é essa, em que meu, há até pouco tempo, melhor amigo, mal pode me tocar e já estamos nos agarrando com dois adolescentes com hormônios em fúria? Tenho sorte de meu cérebro voltar logo a si assim que nos soltamos, mesmo que por instantes, vai saber onde isso pode ir parar?
Entrei no meu quarto e vi a decoração preparada por meus pais, eles realmente acreditam que eu vou casar com Mac, afinal pétalas vermelhas estavam espalhadas por todos os cantos, inclusive dentro da banheira, que estava cheia de água quente. Revirei os olhos para a intenção dos meus pais e simplesmente aproveitei o banho que já estava pronto, com a água ainda morna. Depois de limpa e relaxada, coloquei minha camisola de cetim preta e dormi tão profundamente que acordei renovada no final da tarde. Não estava muito afim de sair do quarto então simplesmente peguei um livro na estante, a autora era uma humana que viveu há 10, 11 séculos atrás, mas ainda assim a história era linda, e Jane Austen tinha um certo poder com as palavras, que mesmo depois de tanto tempo, e mesmo depois de já ter lido várias vezes, seus textos ainda me encantavam.
Devia ter poucas horas que o sol tinha se posto quando alguém bateu minha porta impacientemente. Corri para botar um roupão e abrir a porta, já que mesmo pedindo para que esperasse, ainda batiam violentamente. Quando finalmente abri, não tive tempo de reconhecer o homem, já que entrou tão rápido fechando a porta atrás de si. A única coisa que vi foi um Ratsel ajoelhado aos meus pés, segurando a barra da minha camisola, quase chorando, pelo o que pude perceber.
“Por favor me diz que não é verdade. Me diz que você não vai se casar com ele...”
“Mas o que... Ratsel, eu não vou me casa com ninguém!!!”
“Você jura? Você jura que eu tenho tantas chances quanto ele?”
“Tantas quanto qualquer outro! Ratsel eu já que disse que não quero casar!!”
“Ah Fola, você não vai se arrepender!!!!” Sua felicidade era tanta que até parecia que eu iria casar com ele, o que de fato não era verdade. Então ele se levantou me abraçando e sorrindo, me deu um beijo no topo da testa me fazendo rir e então saiu do quarto repetindo que eu não iria me arrepender. Fechei a porta e fui para o meu armário escolher um vestido para o dia. Peguei um de corte simples em azul marinho quase preto e o coloquei sobre a cama. Quando ia me trocar ouvi novamente batidas na porta e fui abri-la, esperando que fosse Ratsel novamente.
Então foi uma completa surpresa quando abri meu quarto novamente e fui recebida com uma faca no pescoço. Dibucky me empurrou para dentro fechando a porta com o pé e me encostando contra a parede mais próxima. Havia uma mistura de ódio e nojo em sua voz quando começou a me ameaçar.
“Meu pai era a coisa mais importante da minha vida e o seu querido paizinho o tirou de mim... Agora eu vou tirar dele o que ele tem de mais precioso, e isso deve ser você... Eu preferia dar continuidade ao meu plano anterior de me casar com você e depois, quando fosse eternamente minha, faria de sua vida um inferno, ele sofreria mais... Mas não é possível, então vou ter que te matar, mas antes eu vou descobrir o sabor do seu sangue, e quando estiver fraca, vou te jogar no sol e ver o que acontece. Será que você vai ter forças para gritar?”
Estava paralisada pelo medo, mas Dibucky estava tomado pela loucura, então ele soltou o meu pescoço e começou a olhar em volta, analisou o meu vestido e depois abriu o meu armário.
“Você tem que estar bonita quando for encontrada... Oh! Espere... Você não será encontrada... Então por que não simplesmente fica sem roupa e me deixe aproveitar enquanto ainda está viva?”
Ele começou a se aproximar de mim, lentamente, estudando o meu desespero. Peguei um vidro de perfume sobre a estante e taquei nele, espatifando o vidro e o fazendo rir, da minha tentativa patética de me livrar dele. Ele estava perto e quando pensei que fosse começar a me tocar a porta foi aberta com um estrondo e Mac entrou por ela tão rápido que logo estava sobre Dibucky segurando sobre seu pescoço a faca que antes estava sobre o meu.
“Eu não sei quem é você isso não me importa, só sei que não gostei do jeito que Fola estava olhando para você . Então espero que preste bastante atenção no que vou lhe dizer: eu vou te soltar e você vai sumir da minha frente, e espero nunca mais ter que olhar para essa sua cara nojenta.”
E assim, Mac saiu de cima dele e Dibucky correu meio assustado pela porta a fora, onde parou e me olhando furiosamente disse:
“Isso não acabou ainda.”
“É claro que acabou agora some daqui!” O jeito grosseiro de Mac assustou o vampiro, que saiu correndo, me deixando a sós com o lobo, que mais docemente me olhou, e com uma voz calma e preocupada perguntou:
“Você está bem?”
“Você não precisava estar aqui.” Descontei minha raiva toda sobre ele.
“Eu acabei de salvar você, qual o seu problema?” A irritação estava um pouco aparente em sua voz.
“Não precisava se preocupar com isso, agora se você me dá licença eu preciso me trocar.” Empurrei Mac para fora do quarto, e ele não resistiu quanto a isso, entretanto, quando eu saí, já vestida e pronta para procurar comida, ele ainda estava parado na minha porta.
“Por quê?”
“Por que, o quê?” Não fazia o menor sentido a sua pergunta.
“Por que você está me evitando? Por que, quando é tão óbvio que você me quer?”
Respirei fundo, agora sua pergunta fazia sentido. Fechei a porta do meu quarto e olhei profundamente em seus olhos para responder.
“Jamais vou negar que eu gosto de você, não tem como. Mas como eu vou saber a diferença entre o que é real e o que faz parte do seu plano? Eu não me sinto mais segura perto de você, Mac. Eu não sei como dizer se você está mentindo, afinal isso nunca foi necessário antes. Poderíamos dizer qualquer coisa que quiséssemos antes, que seria verdade. Não precisávamos contar todos os segredos de nossas vidas. Nunca te disse qual a real importância de meu pai aqui dentro, mas agora você talvez já tenha entendido que ele não é um simples vampiro qualquer. Mas não é esse o ponto. Eu não conheço o verdadeiro Mactíre. Eu nunca pensaria que você seria capaz de montar um plano de tão grandes dimensões, mas aqui está você fingindo ser quem não é. Você é capaz de botar a cara mais limpa e tranquila e dizer por aí que é um vampiro que veio de longe só pra me conhecer, quando isso é a maior mentira que existe! Como vou saber que esse seu amor não faz parte da farsa? Como posso confiar em você novamente?” Eu podia sentir as lágrimas se acumulando nos cantos dos meus olhos, mas não podia permitir que ele me visse chorando, então corri para longe, mesmo que ele ainda viesse atrás chamando por meu nome. Mas eu não parei, e não pararia antes que estivesse fora do castelo procurando uma bela presa para me alimentar. Precisava descontar minha frustração e tristeza em alguém, que fosse em um belo cervo.
Claro, que eu não contava com a insistência de Mac, que quando percebeu que eu não pararia sozinha, me fez parar a força, me puxando pra trás pela faixa do meu vestido e me fazendo parar de frente pra ele, me encarando sério. Senti um arrepio correr a espinha, e esperei ansiosa pelo que viria depois, já não me importando de chorar ou não em sua frente. Mas ele apenas me soltou, e eu cambaleei pra trás, sem muito equilíbrio, frustrada por ele não ter me beijado, mas ao mesmo tempo satisfeita por ele não ter feito isso.
Então, finalmente me virei e saí correndo para a floresta.
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Mactíre
Por mais que eu soubesse que era verdade, ouvir aquelas palavras vinda de Fola fizeram meu coração se apertar profundamente. Eu não queria ser o alvo de seu ódio nem a causa de sua frustração, pelo contrário, eu queria ser o motivo de sua felicidade. Ela correu para longe e eu a segui chamando por ela, ainda não tinha conseguido me desculpar pelas minhas últimas atitudes, e agora eu tinha mais algumas coisas para me desculpar com ela. Então a puxei pela barra do vestido, fazendo-a parar e me olhar. Ela me encarou, sem medo, talvez ansiosa pelo o que eu fosse fazer e ao mesmo tempo me desafiando.
Minha intenção era me desculpar,mas eu parei quando percebi que seria inútil tentar ficar perto dela desse jeito sem sucumbir à vontade de lhe beijar. Então simplesmente a soltei e observei enquanto ela se afastava, meio sem crer que nada tinha acontecido e com um certo ar de vitória no rosto, depois eu fiquei vagando pelo castelo, passando por vários corredores e não dando atenção a nada em especial.
Notas finais
E gente o que foi isso de puxar ela dessa jeito e não fazer nada?!?!?!? O que vocês acham?!?!?!
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